Ovos mexidos

Standard

Quem sabe fazer ovos mexidos sobrevive em qualquer lugar do mundo, salvo, talvez, na terra dos esquimós (será que comem ovos de pinguim?) Ao mesmo tempo que é uma tarefa muito fácil também pode ser uma obra de arte – você pode variar as cores e os sabores, inclusive pode se tornar um artista especializado em ovos mexidos! Tem mais, é um alimento saudável, nutritivo, rico em proteínas e perfeito para quem faz dieta.  Pode ser feito para o café da manhã, para qualquer hora do dia e ainda quando chega faminto em casa de madrugada e deseja preparar algo para comer que dê pouco trabalho e previna a ressaca do dia seguinte.

Basicamente vai precisar, por pessoa (em nível normal de fome):  2 ovos, 1 colher de sopa de manteiga (pode ser azeite) e sal. A partir daí começa o gosto pessoal e a sofisticação. O mais simples pode ficar delicioso se juntar 1 colher de chá de queijo minas ou parmesão ralado e salpicar cheiro verde (salsinha e cebolinha) picado na hora. Vamos à receita de hoje:

Ovos mexidos com presunto cru e aspargos

Separe dois ovos, 2 fatias de presunto e 2 talos de aspargos, azeite e sal. Pique os aspargos e coloque os tronquinhos em uma frigideira com um pouco de água ( 1/2 xícara de chá). Leve ao fogo e deixe a água secar, verificando se os aspargos estão macios. Rasgue as fatias de presunto em tamanhos que caibam na boca sem precisar partir. Enquanto isto, quebre os ovos sobre um prato fundo e bata-os com um fuê ou com 2 garfos juntos até que fique espumoso. Coloque sal (se quiser junte uma pitada de pimenta do reino).

Coloque de volta a frigideira limpa e seca no fogo e deixe que derreta 1 colher de sopa de manteiga ou azeite. Despeje os ovos assim que batê-los, de forma a ocupar toda a superfície da panela. Baixe o fogo. Espere que o ovo comece a endurecer nas bordas. É a hora de espalhar, rapidamente, os ingredientes escolhidos -no caso os aspargos e o presunto cru. Agora corte o ovo em pedaços grandes e vire-os ao contrário para tostarem levemente. Mexa tudo e sirva imediatamente. O acompanhamento perfeito são torradas acabadas de sair da tostadeira.

Use sua imaginação e bom gosto para variar os ingredientes, mas aconselho nunca usar mais de dois, a não ser que o terceiro seja queijo ou ervas:

1- use qualquer tipo de queijo, ralado ou cortado em fatias finas ou cubinhos.

2- cebola branca ou roxa cortada em fatias grossas: antes de juntar, frite-as à parte.

3- tomate: corte em fatias finas ou cubinhos e junte ao final.

4- legumes, como brócolis, cenoura, abobrinha: precisam ser aferventados à parte antes de misturar.

5- cogumelos: afervente-os antes e pique em fatias finas.

6- linguiça ( aferventar e fritar antes  no micro ondas) , salaminho ou carne desfiada picados.

7 – ervas frescas picadinhas ou ervas secas.

8- jiló ou quiabo: precisam ser fritos e escorridos à parte.

9 – alcaparras, alcachofras ou azeitonas: só retirar do vidro, escorrer e picar.

Se estiver com muita preguiça, veja o que tem de resto de salada ou carne na geladeira.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Camarão jamaicano

Standard

Na oportunidade de visitar Orlando, na Flórida, Estados Unidos, não deixe de reservar parte da tarde e a noite para passear na Universal Citywalk , um centro de entretenimento com cinemas, lojas, restaurantes, discotecas e outras atrações. Há muitos restaurantes com decoração e cardápios internacionais e torna-se difícil escolher o que comer, tal a variedade. Como estive ano passado no Caribe e adoro reggae e mojito (bebida com rum e hortelã), escolhemos jantar em um restaurante típico – que é a cópia da casa de Bob Marley – a fim de experimentar a culinária jamaicana. O cardápio oferece variações em torno de frutos do mar e decidi-me por um camarão com legumes. Provei, delicioso. Comi tudo! Sentindo o aroma e o paladar achei que era possível reproduzir a receita em casa. Pois fiz com tanto capricho que ficou mais gostoso que o original. Assim mostro a foto do prato e do cardápio do restaurante e, em seguida, passo a receita feita por mim.

Camarão com quiabo e coco à moda da Jamaica

Escolha camarões médios (pode ser tamanho 71/90) e calcule, por pessoa, cerca de 100 gr. de camarão já descascado e limpo. Considerando uma porção para 4 pessoas, separe quiabos, 2 tomates tipo italiano grandes e maduros, sem pele e sem sementes, 2 cebolas, 2 dentes de alho, 1 espiga de milho verde, ½ garrafinha ou 100 ml. de leite de coco, 1 xícara de café de coco natural ralado grosso, 1 limão thaiti, sal, azeite, pimentas tabasco e malagueta a gosto, 1 colherinha de café de curry*. Calcule o equivalente a 3 xícaras de chá cheias dos seguintes legumes: 1/3 de uma abobrinha mineira ou italiana (verde) , 1/3 de abóbora paulista ( rajada por fora e laranja por dentro), a mesma quantidade de pimentão vermelho (pode colocar amarelo e/ou verde) .

Lave, tire as tripas e tempere o camarão com sal e limão. Deixe pegando tempero por 15 minutos. Enquanto isto, pique os legumes – o quiabo em tronquinhos, o tomate em cubinhos, a cebola em fatias bem finas, o alho bem miudinho, as abobrinhas e os pimentões em tiras médias do mesmo tamanho. Rale a espiga de milho crua e reserve.

Ponha água para ferver à parte. Tome uma panela funda, derrame 2 colheres de azeite e frite os camarões até ficarem vermelhos. Retire e reserve. Acrescente mais uma colher de azeite, frite a cebola até ficar amolecida , junte o alho e, estando frito, acrescente os tomates e o milho ralado. Misture tudo e assim que começar a grudar na panela, acrescente 3 xícaras de água quente. Abaixe o fogo e junte o leite de coco e os camarões, deixando que cozinhem mais 5 minutos ou até os camarões estarem cozidos e o caldo ligeiramente encorpado. Prove o tempero e acrescente as pimentas e o curry. Misture bem. Desligue. À parte, frite o quiabo no óleo e escorra na peneira o excesso de gordura.

Vinte minutos antes de servir, coloque os pimentões cortados em um refratário, regue fartamente com azeite e leve-os ao forno quente até encolherem. Reserve. Enquanto assam, pegue uma panelinha, coloque as abobrinhas, cubra com água e deixe que cozinhem, sem deixar amolecer. Escorra a água e reserve. Tempere os legumes com uma misturinha de azeite, sal e pimentas. Disponha em um prato.

Pouco antes de servir, acrescente o quiabo ao molho com camarões já aquecido. Retifique o tempero, se necessário.

Sirva o camarão separado dos legumes (abobrinhas e pimentões) pois estes são servidos como guarnição para adornar o prato. O coco também é servido à parte e distribuído sobre o camarão e o arroz. Acompanhe com arroz branco. Veja a montagem final do prato na foto principal.

  • no restaurante o gosto de curry prevalecia sobre o camarão e o molho. Por minha conta, reduzi a quantidade pela metade ou até menos. Achei que ficou mais delicado e saboroso.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Risotto rápido com camarões, cogumelos e aspargos

Standard

A vantagem de se hospedar em um flat  é poder comer bem e barato. A cadeia americana Westgate, assim como muitas outras, oferece excelentes apartamentos com uma cozinha equipada onde se pode cozinhar de tudo! Próximo ao Westgate Resort de Orlando, Flórida, onde nos hospedamos nas últimas férias, estão situados ótimos hipermercados, como o Target, onde se compra comida fresca e semipronta. Como adoro um mercado e/ou supermercado fora do Brasil – para sentir de perto os hábitos e costumes da alimentação do país que visito – logo no primeiro dia enchi o carrinho de compras, com a intenção de cozinhar todos os dias. Depois de um dia inteiro de andanças é menos cansativo preparar rapidamente um prato único do que ter de pegar carro, dirigir por mais de meia hora, procurar estacionamento, passar pelo menos duas horas em um restaurante (entre ser atendido, comer e pagar a conta) e depois fazer todo o percurso de volta. Ao final da viagem fiz as contas e verifiquei que, preparando  as refeições no flat, se gasta a quinta parte do que se pagaria em restaurantes por uma comida equivalente. Em sua próxima viagem, leve algumas receitas práticas deste blog e divirta-se cozinhando! Esta que  segue foi feita em quinze minutos.

Risotto com camarões, cogumelos e aspargos

Para 4 pessoas, anote o que coloquei no carrinho: 1 pacote pequeno de arroz para risotto ou arroz comum, 1 pacote de 200 gr. de camarão pré-cozido, 1 molho de aspargos, 1 caixinha de cogumelos, 1 limão, 1 vidro de molho do tomates tipo ragu ( que já vem temperado com cebola, alho e sal), manteiga, queijo ralado ( grana padano, pecorino ou parmesão) e sal.

Tempere o camarão com sal e limão. Corte os aspargos e os cogumelos (veja na foto). Coloque água para ferver. Deite duas colheres de sopa de manteiga ( ou azeite, se for intolerante) na frigideira e, no fogo alto, frite os camarões até ficarem vermelhos. Retire e reserve. Na mesma panela, junte mais 1 colher de manteiga e frite ligeiramente o arroz. Se for servir como prato único calcule 1 xícara de café de arroz para 2 pessoas. Abaixe o fogo. Junte 2 colheres de sopa do ragu de tomates, misture, acrescente os aspargos e os cogumelos. Vá colocando mais água, se necessário e sempre aos poucos, e continue mexendo- só para não agarrar no fundo da frigideira – até que os aspargos estejam ao dente (quando oferecem um pouco de resistência ao se enfiar um garfo).

Dê uma última revirada, prove o tempero e se o arroz também está ao dente. Distribua os camarões e deixe que o arroz termine de cozinhar – atenção: não deixe que vire uma papa. O que dá a consistência cremosa ao risotto é a finalização com manteiga e queijo. Ao final do cozimento, distribua mais 1 colher rasa de manteiga e o queijo ralado ( 2 colheres de sopa são suficiente) e misture rapidamente. Observação: nunca acrescente creme de leite, para os italianos isto é uma heresia!

Sirva quente acompanhado de um bom vinho branco seco. Bom apetite!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

 

 

Peixada com molho de camarão a jato

Standard

Moqueca é o nome que se dá a este prato lá na Bahia, onde o temperam com leite de côco, dendê e bastante pimenta. Em Minas Gerais a receita é a mesma, porém pode-se ou não acrescentar o leite de côco – pouco, só pra dar um gostinho – e nunca se usa dendê. A pimenta fica ao gosto do freguês e pode ser a malvada da malagueta (forte) , a dedo de moça ou a biquinho inteira, que enfeita e não arde. Nos vales dos rios São Francisco e Doce, este prato, típico de beira de rio, feito com peixe, cebola, tomate, cheiro verde e, conforme a região, também pimentões é conhecido como peixada. É sempre acompanhado de pirão, feito com o caldo do molho misturado com farinha de mandioca até ficar pastoso.

A receita que se segue é o meu jeito de fazer peixada ou moqueca. Faço o molho separado e só depois junto o peixe e o camarão (opcional). Desta forma, não só é feita com muito mais rapidez como se tem melhor condição de controlar o ponto certo do cozimento do peixe e do camarão. Quando se coloca tudo cru na panela, como é a receita tradicional, até que os ingredientes do molho fiquem bem cozidos e com o gosto misturado, o peixe já se desfez e o camarão, por excesso de tempo de cozimento, já ficou borrachudo. Vai por mim, pode fazer do meu jeito que dá certo!

Peixada com molho de camarão

Dica 1: use uma panela de barro, de pedra ou de ferro para fazer o prato. Ou, no caso de você ser um gourmet sofisticado, use a panela Le Creuset. Tenho todas e prefiro a de barro, fica mais típico.

Dica 2: é sempre melhor usar o peixe fresco, que pode ser de rio ou de mar. Se mora em uma grande cidade longe de rio e de mar, compre o peixe fresco mas resfriado e peça ao peixeiro para cortar postas com 2 a 3 cm de espessura. Peixe congelado, sinto muito, mas não presta para esta receita. Quanto ao camarão pode ser congelado mas deixe-o descongelando ao natural, lave bem, retire as tripas e deixe escorrendo por um bom tempo.

Calcule 1 posta grande de peixe ou 2 pequenas por pessoa. Se for colocar camarão, pode ser de 50 a 80 gr. por pessoa ou conte as unidades de acordo com a vontade de comer camarão (eu sozinha como dez!). Tempere com sal e suco de limão e deixe pegando tempero por 15 minutos. Para o molho: para cada 2 pessoas calcule 1 tomate tipo italiano grande bem maduro, 1 cebola, 1 dente de alho, 1 xícara de café mal cheia de pimentões picados, 1 colher de sobremesa de cheiro verde ( salsinha, cebolinha e centro), 1/2 xícara de molho de tomate pronto, 1/2 xícara de café de leite de côco (opcional). Azeite a gosto. Pique todos os ingredientes do molho e reserve.

Vamos ao preparo do molho: em uma panela de alumínio, no fogo alto, deite azeite até formar uma camada fina no fundo. Frite a cebola e em seguida o alho; junte o tomate e os pimentões. Vá mexendo até que tudo frite por igual. Assim que os legumes começarem a amaciar, junte o molho de tomate e misture. Tempere com sal e pimenta a gosto. Desligue o fogo. Enquanto frita, esquente a panela de barro (ou a que escolher) com uma camada fina de azeite ao fundo. Passe então metade do molho para a panela de barro. Espalhe as postas de peixe e o camarão por cima. Cubra com o restante do molho*. Jogue por cima o cheiro verde e o leite de côco. Dê uma boa regada com o azeite. Tampe a panela, reduza o fogo e deixe cozinhar até verificar que o peixe está cozido mas firme. No meio do cozimento, torne a provar o tempero e coloque mais sal e pimenta se necessário. * Se perceber que a quantidade de peixe não irá caber em uma camada, divida em duas. O molho, então, terá que ser dividido em três partes – uma para o fundo, outra para o meio e outra para a cobertura.

Para o pirão: assim que terminar o cozimento retire parte do caldo e passe para outra panela. Vá adicionando farinha de mandioca aos poucos até formar uma pasta homogênea e cremosa.

Dica 3 : termine a peixada meia hora antes de servi-la. Retire a panela do fogão, envolva-a em jornal e faça um embrulho com uma toalha de mesa velha. Deixe a peixada descansando – ficará muito mais saborosa porque o  caldo irá entranhar no peixe e nos camarões. Usando uma panela como as indicadas esta conservará o calor e não deverá esquentar  a peixada para o caldo não secar.

Sirva com arroz branco.

quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

 

 

 

 

Polvo à galega

Standard

Quando estive na Espanha, no ano passado, percorrendo parte do Caminho de Santiago com as Caminhantes da Estrada Real de Minas Gerais, postei, entre 4 de novembro e 8 de dezembro (2015), uma série sobre a maravilhosa gastronomia local (acessem o blog pela data e confiram). Entre as diversas receitas postadas, um amigo meu viu um artigo sobre o famoso polvo que é servido no antigo e tradicional mercado de Santiago de Compostela e decidiu tentar fazer a receita. Nem é preciso dizer que ele adora polvo, pois nunca cozinha nada e desta vez meteu-se corajosamente a fazê-lo. E contou-me que o polvo foi um sucesso! Pois a feliz experiência serve de incentivo a vocês, homens que sempre deixam para as mulheres o prazer de cozinhar. Não custa, de vez em quando, escolher uma receita por aqui e agradar a quem o ano inteiro cozinha pra vocês. Arrisquem-se!

Ao contrário do que se pensa a carne do polvo não é dura e esta história de ter que bater no polvo para amaciá-lo – na verdade, quebrar as fibras – é coisa do passado. Sabem porquê? Hoje, pelo processo quase obrigatório de congelamento e posterior descongelamento do polvo, as fibras são naturalmente quebradas! Outra lenda: mergulhar o polvo, para quebrar as tais fibras, alternadamente na água quente e na bacia de gelo – quem me ensinou este truque foi o chef Daniel Santamaria, de Oviedo, nas Astúrias, Espanha, há muitos anos (se o polvo estiver recém tirado do mar pode fazer isto). Porém o rapazinho goiano naturalizado espanhol (acreditem!) que nos preparou um polvo divino no mercado de Compostela garante que este gesto hoje é coisa de chef que gosta de fazer cena. Pois já preparei o polvo à maneira galega – como o rapaz ensinou-me – três vezes depois que voltei da Espanha em novembro último e ficou perfeito. Vamos então à receita, passo-a-passo, para que mesmo quem nunca entrou em uma cozinha possa fazê-lo à perfeição!

Polvo à galega

Coloque para ferver uma boa quantidade de água. Salgue a água e, se quiser, junte ervas frescas e dentes de alho (não exagere na quantidade). Enquanto isto, lave bem o polvo. Quando a água estiver em ebulição coloque o polvo dentro ( precisa ficar coberto com a água) e espere que cozinhe por cerca de 10 minutos, dependendo da espessura – observe o ponto em que o dente de um garfo entre na carne com alguma facilidade – mas não deixe o polvo amolecer pois o bom é ser servido ao dente. Assim que cozido, retire e corte imediatamente – usando uma tesoura e com o auxílio de um garfo para segurar -pedaços de 2 a 3 cm de espessura. Tome uma tábua e deite azeite extra virgem. Salpique sal grosso e páprica (doce ou picante, à gosto).  Ajeite por cima os pedaços do polvo. Torne a salpicar sal grosso e páprica e termine com uma boa regada do azeite. Viu como é fácil?

Sirva à palito imediatamente (se esfria fica borrachudo). Excelente para acompanhar cerveja ou whisky.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Penne com salmão, cogumelos e alcaparras

Standard

Comida na mesa à jato! Esta receita é perfeita para aquele prato bem apresentado e delicioso que você quer oferecer no jantar ou no final de semana mas não terá tempo para cozinhar. Pois bem, prepare tudo com antecedência e deixe apenas a pasta para cozinhar 15 minutos antes de servir!

O primeiro passo é preparar o salmão, que pode ficar pronto na geladeira de véspera ou até antes ( pode até usar o salmão que sobrou de outro preparo e que você congelou). O molho gasta de 5 a 10 minutos para ser feito- enquanto a pasta cozinha – mas pode também ser deixado pronto de véspera.

Escolha um filé de salmão, calculando 100 gr. por pessoa. Vai precisar de azeite e sal. Para o molho: 1 vidro de alcaparra (calcule 1 colher de sobremesa para cada 2 pessoas), de 1 a 2 tomates ( 1/2 tomate por pessoa), 1 vidro de cogumelo em conserva ( ou de 2 a 4 cogumelos-de-paris in natura por pessoa), azeite e sal.

Preparo do salmão

Tome o filé já limpo e conserve a pele. Tempere-o somente com sal, passando uma leve camada sobre toda a superfície. Ligue o forno a 250 graus. Depois de 15 minutos, unte uma forma de alumínio com azeite e coloque o peixe com a pele virada para baixo. Cubra com papel alumínio e leve ao forno a 200 graus até verificar que a carne está macia (cerca de 30 minutos). Tire o papel alumínio e deixe corar. Retire do forno, espere que esfrie e corte-o em pedaço grandes mas que possam ser colocados na boca sem precisar partir.

Preparo do molho

Se preferir os cogumelos in natura,lave-os e corte-os em fatias. Coloque em uma panela para cozinharem com pouca água por 10 minutos. Escorra. Pique os tomates em cubos pequenos. Escorra a alcaparra. Misture os cogumelos fatiados, o tomate em cubos e as alcaparras em parte iguais. Escorra bem a água. Junte azeite e tempere com sal.

Um pouco antes de servir – cerca de 15 minutos, cozinhe a pasta dentro de uma panela com bastante água fervente e salgada pelo tempo indicado na embalagem. À parte esquente o salmão, tomando cuidado para não quebrar os pedaços do peixe. Esquente o molho em outra panela. Escorra a pasta e imediatamente misture o salmão e regue com o molho. Se for do seu agrado, sirva, já no prato, queijo parmesão ou grana padano ralado.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Filé recheado com pasta de grão de bico

Standard

Esta receita foi criada pela filha casada para um jantar com o marido. Ele adorou e então ela me enviou para postar aqui. A moça é perita no tempero e preparo de carnes e é autora de outras receitas de filé, inclusive recheados, aqui do blog. No meu curso de culinária, uma das aulas mais requisitadas pelas minhas alunas é justamente como abrir um filé para recheá-lo. Clique aqui para ver como se faz. Se achar difícil, peça ao açougueiro para abrir o filé em manta e preste atenção como fazer.

Nesta receita, usamos a pasta de grão-de-bico tradicional da culinária árabe- a homus. Prepare-a antes de iniciar esta receita. Clique aqui para ver como é feita, é muito fácil. O que sobrar do preparo do filé pode ser guardado na geladeira por uma semana; sirva como pasta para passar no pão.

Filé recheado com homus e presunto de Parma

O mais importante desta receita é ter a manta de filé bem aberta. Tenha também a pasta de grão-de-bico pronta. Compre um bom presunto de parma, de preferência o original italiano. Se não achar em sua cidade, pode substituir por um presunto cozido de qualidade.

Prepare o tempero do filé: para 1 kg de carne coloque em uma xícara: 1 colher de sobremesa cheia de sal com alho, considerando que tenha usado 1 a 2 dentes de alho para fazer a pasta. Acrescente 1 pitada de pimenta do reino, 1 colher de chá de molho inglês e 1/2 xícara de café de vinho tinto. Misture bem e passe dos dois lados da manta de filé. Enrole-a e deixe pegando tempero por meia hora.

Coloque o filé aberto sobre uma tábua de cozinha. Distribua as fatias de presunto de modo a ficarem juntas, sem buraco e a 2 centímetros das bordas. Passe o homus com uma colher, obedecendo a mesma distância das bordas. Enrole o filé, dobrando-o sobre si mesmo. Se sobrar recheio para fora, retire-o e feche bem as bordas. Se necessário, no caso de uma peça de filé grande, prenda as bordas com palitos e enrole o filé com um barbante. O filé fechado deve ficar como um rocambole, bem redondinho.

Pré- aqueça o forno a 250 graus. Tome uma frigideira, deite 2 colheres de manteiga ( ou de óleo) e leve ao fogo alto para aquecer. Quando estiver bem quente, coloque o filé e doure-o de todos os lados. Coloque o filé em um refratário e leve ao forno para terminar de assar e corar. Deve levar uns 10 minutos, se quiser a carne ao ponto para mal passada.  Se quiser mais bem passada, vigie para a carne não ressecar. Retire do forno e deixe esfriar um pouco antes de cortar a peça em fatias de 2 cm. de espessura com ajuda de uma boa faca e com cuidado para não abrir o filé.

Se quiser fazer um molho para regar a carne, proceda da seguinte maneira: depois que tirar a carne da frigideira, acrescente à borra 1/2 xícara de café de água fervente e mexa com uma colher de pau para agregar toda a borra. Reserve. Assim que terminar de assar o filé, junte o caldo que ficou no refratário ao caldo que está na frigideira, reacenda o fogo e mexa bem. Acrescente 1/2 xícara de café de vinho tinto e espere até que o aroma do álcool exale. Retire um pouco do caldo e misture à parte, em uma xícara, com 1 colher de café de amido de milho. Junte ao caldo, aos poucos, abaixe o fogo e misture até obter um molho liso e de boa consistência. Se precisar, coe-o. Use-o para humedecer a carne depois de cortada.

Sirva o filé com um risotto. Acesse aqui para ver a receita do risotto de abobrinha, de aspargos ou de limão siciliano. Ou então sirva junto com um arroz de brócolis e batatas coradas. 

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Canoinha de beringela

Standard

Esta receita é ideal para aquele prato único que você deixa semi-pronto para a noite. Pode ser preparada com antecedência e levada ao forno quando for servir. Varie o recheio, por exemplo, retirando a carne ou trocando a carne de boi moída por carne cozida desfiada, carne de porco desfiada, carne seca ou linguiça picadinha. Esta versão que apresento em seguida é a favorita da família.

Canoinha de beringela

Ingredientes: 1 beringela grande, 2 colheres de sopa de cada: cebola ralada, pimentão vermelho e pimentão amarelo cortados bem miudinho, molho de tomates, queijo parmesão* ralado. 1 xícara de chá de carne moída duas vezes ( prefiro chã-de-dentro, aparas de miolo de alcatra ou patinho). 1 colher de sopa de óleo e 1 colher de café de sal com alho.

Tome uma panela, esquente o óleo, doure a cebola e o sal com alho, junte a carne. Mexa até que mude de cor. Deixe corar ligeiramente. Reserve.

Prepare a beringela: corte-a ao meio no sentido do comprimento e retire o miolo com a ajuda de uma colher. Pique-o.

Junte o molho de tomate, os pimentões e a beringela picada à carne. Acenda o fogo novamente e misture tudo. Recheie as canoinhas. Cubra com o queijo ralado. Leve ao forno a 180 graus para derreter o queijo. Se for comer mais tarde, leve ao forno apenas quando for servir (o queijo endurece se levado ao forno por duas vezes).

Acompanhe com arroz branco e salada ou legumes cozidos.

  • substitua o parmesão por queijo minas sem lactose se tiver intolerância à lactose.Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Torta de bacalhau da mamãe

Standard

Esta receita é uma das prediletas de minha família materna ( minha avó veio de Ouro Preto para Belo Horizonte na fundação da capital) e vem passando de geração em geração desde o século XIX, quando meus antepassados ainda viviam em Portugal. Esta versão foi escrita pela minha filha mais velha. Depois de ganhar essa torta de presente da avó, ela não sossegou enquanto não aprendeu com a própria avó como faze-la. É muito importante incentivar nos jovens o desejo de saber cozinhar para não se perder a nossa cultura e tradição culinárias.

Torta de bacalhau

Anote os ingredientes: 1 alho poró, 2 colheres de sopa de farinha de trigo, 2 colheres de sopa de manteiga, 300 ml de leite (pode ser desnatado), 1 caixa de massa folhada pronta (gosto da Arosa), 250 ml de creme de leite fresco e 300 gr de bacalhau já dessalgado e desfiado (veja como prepara-lo aqui), azeite, noz moscada e sal a gosto.

Corte as folhas e a base do talo do alho poró e lave-o bem. Corte-o em rodelas e depois em pedacinhos bem pequenos. Passe-os numa panela com azeite já aquecido até que amoleçam. Reserve.

Numa panela funda, faça o roux: derreta a manteiga e imediatamente junte a farinha de trigo, mexendo sem parar. Quando formar uma pasta homogênea, acrescente o leite (em temperatura ambiente) aos poucos até obter um creme bem espesso (veja a primeira foto). Tempere com sal e um tico de noz moscada, a gosto (lembre que o bacalhau já está salgado e a noz moscada não pode roubar o gosto do alho poró). Reserve.

Numa frigideira antiaderente, deite o azeite e frite o bacalhau até que mude de cor. Não deixe que resseque, pois ainda vai ao forno.

Agora esquente o roux acrescentando o creme de leite fresco e em seguida junte o alho poró e o bacalhau. Misture tudo e desligue o fogo.

Desenrole a massa sobre um refratário já untado com um pouquinho de manteiga e pressione-a de forma a preencher toda a superfície. Sem cortá-la ainda, despeje o molho e feche com o restante da massa como um embrulho de presente. Corte os excessos e use-os para decorar.

Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus até que a massa doure. Está pronta!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-la.

Frango Ricoleta

Standard

Esta é uma variação do strogonoff de frango, que todos nós amamos mas que já está bastante batido. E, quer saber? Mais gostoso! Além disto é perfeito para convidar os amigos para um jantar gastando pouco, pois tem um ar sofisticado. Ainda mais se você servi-lo em uma louça bem bonita e acompanhar a refeição com um bom vinho servido em taças altas. Coloque ainda souplats sob os pratos e arranje os guardanapos com porta guardanapos. Certamente irá impressionar os seus convidados!

Ricoleta é o bairro mais descolado de Buenos Aires. Eu amo dançar tango e sempre que dá tempo e sobram umas milhas vou à capital portenha dançar e assistir aos belíssimos espetáculos. Porém quem sugeriu este nome foi uma grande amiga minha casada com um argentino, pois esta receita leva maçãs argentinas e tem a cor da Casa Rosada.

Neste dia servi o frango acompanhado de suflê de espinafre com parmesão.

Frango Ricoleta ou frango rosado

Esta receita serve 4 pessoas, calculando 150 gr. de frango já sem o osso por pessoa, ou seja, 600 gr. Separe: 1/2 xícara de café de cebola ralada, 1/2 xícara de café de molho de tomate caseiro ( ou pomodoro pelati ou o molho de sua preferência), 1/2 xícara de café de vinho rosé, 2 maçãs grandes e 5 colheres de sopa de requeijão cremoso.

Limpe o frango e passe-o na água fervente. Pique em cubos grandes, tempere com sal com alho e pimenta do reino ( 1 colher de sobremesa rasa). Deixe de meia hora a hora e meia no tempero.

Rale a cebola ou triture-a no processador. Coloque 1 litro de água para ferver*. Deite 2 colheres rasas de manteiga ou 3 de azeite em uma panela funda e doure a cebola. Junte o frango e deixe corar. Vá acrescentando a água quente*, aos poucos, pelas beiradas, nunca passando do nível do frango até que este esteja macio.

Junte o molho de tomates, despeje, se necessário, mais água quente* até o nível do frango. Acrescente o vinho e deixe que o aroma de álcool exale. Prove e retifique o sal. Abaixe o fogo.

Corte as maçãs em cubos e junte ao caldo. Vigie para que cozinhem só até ficarem ao dente.  Por último, já quase na hora de servir, acrescente o requeijão. Sirva acompanhado de arroz, risotto, batatas cozidas ou suflê.

*Dica: perceberam como na 3a. foto da primeira fileira o caldo do frango, mesmo antes de colocar o molho de tomates, está colorido? Dica: ao retirar os ossos do frango, não jogue fora. Coloque-os numa panela à parte junto com 1/2 cebola, 1 dente de alho e um raminho de salsinha e cebolinha . Complete com 1 litro de água, tampe a panela parcialmente e deixe ferver até obter um bom caldo. Coe e reserve. Acrescente este caldo ao frango (ao invés da água quente) depois que este estiver corado.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Salmão com amêndoas e purê de batatas com caramelizado de cebolas

Standard

O salmão é um dos peixes preferidos da mesa do brasileiro que mora nas grandes cidades. Não só pela facilidade de ser encontrado nas peixarias como pela praticidade do preparo. Sempre prefiro comprar o peixe inteiro ou parte dele ( se o peixeiro deixa) pois assim tenho a garantia de que é mesmo salmão. Pois o que mais acontece são outros peixes sendo vendidos como salmão, como a truta salmonada e peixes brancos que sofrem um processo de tingimento da carne por ingestão de ração colorida. Ai tem gente que diz que não gosta de salmão – claro, ou nem é salmão ou não sabe prepara-lo. Gosto de comprar o peixe inteiro, peço ao peixeiro para retirar a cabeça e o rabo, abri-lo até quase atingir a pele do outro lado e limpa-lo. Se vou servir para mais de 12 pessoas deixo-o inteiro, se vou servir menos gente, peço para cortar em 2 ou 3 partes e congelo em casa o que não vou usar. Importante, na véspera do preparo, é deixa-lo descongelar na temperatura natural ( nunca coloque no micro ondas). Outra coisa importante: só tempero com sal, não uso limão jamais – acho que não combina.

Esta é uma receita preparada pela minha filha para um jantar com o marido. Nada melhor para manter um casal apaixonado do que cozinhar e jantar juntos, a sós, uma vez por semana. Eles têm seguido isso à risca, ela cozinha e ele cuida de escolher e servir o vinho. Perfeito! Também pode ser o contrário – nós mulheres achamos o máximo do máximo um homem preparar um jantar para nós- garantia de paixão eterna!

Uma das maneiras mais fáceis de preparar o salmão é assa-lo. Para tal, unte a assadeira com azeite, coloque o salmão (espalhe sal sobre a superfície uma hora antes), regue-o com azeite e leve-o ao forno pré aquecido a 200 graus ( para filés altos) até que a carne fique bem colorida e macia. Enquanto assa, prepare o molho de sua preferência, como o imbatível Belle Meunière. No caso de servir menos pessoas – tratando-se de filés menores e mais fáceis de manusear, você pode sela-lo na frigideira antes de levá-lo ao forno – fica pronto mais rápido. Veja como minha filha fez a deliciosa receita de hoje:

Salmão com crosta de amêndoas acompanhado de purê de 2 batatas coberto com cebolas caramelizadas

Ingredientes para 2 pessoas: 400 gramas de salmão sem pele, 1 batata inglesa, 1 batata doce  (sendo as duas equivalentes em peso),  1/2 vidro de leite de côco, 3 colheres de sopa de manteiga ( ou azeite), 1/2 xícara de chá de amêndoas em lasca, 1 fatia de pão dormido, 1/2 cebola branca, 1/2 xícara de café de aceto balsâmico, 1 colher de sobremesa de açúcar mascavo. Sal, pimenta branca e gengibre

Antes de tudo tempere o salmão com sal e pimenta do reino branca (deixe no mínimo 30 minutos). Coloque as batatas para cozinhar na panela de pressão, com casca e tudo. Conte 20 minutos após o início de pressão (quando começar a apitar) e então desligue o fogo. Dica: para abrir a panela sem risco, coloque uma colher sob a tampinha para retirar a pressão ou então coloque a panela debaixo d’água. Retire a pressão com cuidado, abra e espere esfriar para retirar o conteúdo. Deixe as batatas esfriando.

Pique o pão em pedaços pequenos e coloque-os em um processador de alimentos com as amêndoas em lascas. Quando estiverem bem picadinhos (mas não em farelos), misture uma colher de manteiga e faça uma massa uniforme para a crosta.

Corte a cebola em fatias bem finas e coloque-as para dourar na manteiga com azeite. Quando estiverem translúcidas, acrescente o açúcar mascavo e mexa bem para colori-las por completo. No fogo baixo, acrescente o aceto balsâmico e deixe que reduza. Tempere a gosto e reserve.

Numa frigideira, coloque azeite para esquentar e sele o salmão de ambos os lados, deixando o seu centro cor de rosa claro.Transfira-o para um refratário untado com azeite e passe a crosta de pão e amêndoas por cima do peixe. Coloque-o no forno pré-aquecido a 200 graus (deve levar uns 30 minutos para chegar no ponto, mas observe até a crosta ficar dourada).

Retire a casca das batatas com a ajuda de uma faca (não as coloque na água fria) e transfira-as para uma panela funda. Amasse-as com a ajuda de uma espátula de silicone, acrescente uma colher de manteiga e o leite de côco aos poucos até obter um purê lisinho. Tempere a gosto com sal e um tico de gengibre ralado.

Agora é só montar o prato! Retire o salmão do forno, decore-o com lascas de amêndoas tostadas na frigideira e sirva ao  lado o purê de batata e a cebola caramelada por cima.

Experimente acompanhar com um chardonnay francês e terá um jantar dos deuses!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo

 

 

 

Bacalhau a Vera Cruz

Standard

Quem é de Belo Horizonte e frequentava restaurantes na década de 1980/90 deve se lembrar do Portugália, um pequeno restaurante com jeito de bistrô que funcionava em uma casa na Rua Donato da Fonseca, no Luxemburgo. Servia os mais fantásticos pratos da culinária portuguesa cuja proprietária os preparava pessoalmente para uma clientela seleta, sob reserva antecipada.  A especialidade da casa era o bacalhau, sem esquecer das deliciosas sobremesas. A casa abria para atender grupos de altos executivos no meio da semana e aos domingos, para as famílias. Fomos frequentadores assíduos e nos tornamos amigos da Lúcia, mineira casada com português.  Como a maioria dos chefs, ela nunca passava a receita (claro!) mas eu, sempre curiosa, observava bem o que comia e depois repetia em casa. Foi lá que “aprendi” algumas das excelentes receitas que já postei neste blog, como o Bacalhau a Lagareiro, que era a estrela da casa. Hoje lembrei-me desta receita de bacalhau que lhes passo em seguida, à qual dou o nome que constava do cardápio do Portugália. É muito fácil de fazer e deliciosa.

Bacalhau a Vera Cruz

Esta receita necessita ser feita com o lombo do bacalhau. Eu nunca compro bacalhau já dessalgado (daquele que vem na caixa) pois não tem sabor e quando você faz a receita sente o gosto só dos outros ingredientes – o do bacalhau some. Compre 1/2 banda de bacalhau ou o lombo salgado já semipronto para o preparo e veja em na Dica- Bacalhau como dessalgá-lo. Para 6 pessoas calcule de 900 a 1200 gr. de lombo de bacalhau. Separe os outros ingredientes: batatas, cebolas, tomates, alho e azeite.

Dessalgue o bacalhau e reserve. Cozinhe batatas grandes, ao dente, calculando que uma batata ao lado da outra (eliminando as pontas) dêem o mesmo comprimento do lombo. Calcule a mesma quantidade de tomate e de cebola, ou seja, tudo entra em partes iguais. Corte as batatas em fatias de 1 centímetro. Corte os tomates e as cebolas cruas também em fatias de 1 cm. Pré aqueça o forno na temperatura de 250 graus.

Tome uma travessa refratária – a mesma que irá servir à mesa – e deite azeite no fundo. Monte os ingredientes entremeados, como na foto. Pique o alho miudinho e salpique por cima. Salpique também pimenta-do-reino a gosto. Se o bacalhau não estiver muito salgado, espalhe – aqui e ali – umas pedrinhas de sal grosso. Obs: não ponha espeto de churrasco nem palito, apenas comprima as fatias de modo a se sustentarem. Cubra fartamente com azeite e leve ao forno coberto com papel alumínio por 20 minutos. Retire o alumínio e deixe corar.

Sirva acompanhado de arroz branco e de vinho verde português ou um branco seco.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Caldinho de moranga com camarão

Standard

Nos fins de tarde quentes do verão e ainda mais se for na temporada de comemorações de fim de ano, nada melhor do que chamar os amigos para bebericar um espumante refrescante em casa. E para acompanhar, ofereça tira-gostos feitos por você! Veja algumas das receitinhas deliciosas que já publicamos no blog que combinam divinamente: damasco com gorgonzola, canapé de alho poró com queijo brie, cevicheisca de frango com gergelim, e outras. Hoje vamos acrescentar mais uma receita a esta lista que foi o maior sucesso na reunião com amigos que fizemos esta semana.

Caldinho de moranga com camarão

Para 15 pessoas vai precisar de meia abóbora moranga média, uma cebola, uma colher de café de sal com alho, 1 colher de sopa de óleo, 1/2 limão, 1 colher de café de sal, 200 gr. de camarão, 1 colher de sopa de azeite, 1 colher de sopa de whisky ou conhaque.

Limpe os camarões e tempere-os com 1/2 limão e uma colher de café cheia de sal.

Coloque água para ferver em um caneco de 1 litro. Descasque, tire as sementes e corte a moranga em cubos. Pique a cebola. Em uma frigideira, esquente o óleo, coloque a cebola picada, o sal com alho e a moranga. Misture bem e deixe corar. Acrescente água até cobrir completamente. Deixe que a moranga cozinhe até ficar bem macia. Espere esfriar um pouco e bata no liquidificador até obter um caldo na consistência de um suco grosso. Ponha o caldo para esfriar na geladeira.

Enquanto a moranga cozinha, esquente azeite em uma panela e doure os camarões até ficarem vermelhos. Agora proceda à flambagem: coloque a bebida dentro de uma concha e leve para esquentar diretamente sobre a chama do fogão. Assim que começar a evaporar, deite-a ligeiramente para que a bebida pegue fogo e verta imediatamente sobre os camarões. Muito cuidado para não deixar nada perto do fogo- muito menos você! Espere o fogo apagar sozinho e desligue. Reserve os camarões.

Escolha aqueles copinho de servir cachaça ou conhaque e coloque o caldinho dentro deles faltando um centímetro para chegar na borda. coloque um camarão na borda de cada copinho. Sirva frio.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Sopa de beterraba deliciosa

Standard

Aqui na Europa* a beterraba é uma alimento muito usado e apreciado. No século XIX foi muito valorizada pois era dela que se extraia ( e ainda hoje se extrai) o açúcar. Na Roma antiga era tida como fruto afrodisíaco. Verdade! Hoje se sabe que contém alta concentração de boro, um mineral importante para a produção de hormônios. A cor roxa se deve à betacianina, um poderoso antioxidante essencial na defesa de nosso sistema imunológico e na prevenção e cura do câncer. Muitos atletas fazem largo uso de suco de beterraba porque melhora a oxigenação muscular e consequentemente o desempenho, regula a pressão arterial, previne a osteoporose e melhora as funções cerebrais. Impressionante, não é? Anote na sua lista de compras e passe a comprar beterraba toda semana.

Assim, na maior das boas intenções, comprei uma beterraba a fim de ter uma dieta mais saudável e colorida. Porém não sabia o que preparar pois não gosto dela crua e as outras receitas mais gostosas que pensei eram gnocchi e risotto – incompatíveis com a dieta em dia útil. Vasculhei a geladeira para ver o que mais tinha por lá e trocando ideias com a irmã resolvi incluir batata doce para ficar ainda mais fitness! O resultado foi uma sopa cremosa linda e deliciosa!  Vai a receita:

Sopa de beterraba com batata doce

Ingredientes: 1/2 beterraba grande, 1 batata doce (a daqui é cor de salmão), 3 dentes de alho, 4 cebolinhas baby ou uma cebola pequena cortada em 4. Temperos: pimenta branca, sal, noz moscada e um pouquinho de páprica doce.

Coloque tudo, exceto os temperos, na panela de pressão com água até cobrir e cozinhe por 20 minutos na pressão (depois que a panela começar a apitar). 

Bata com um mixer na própria panela ou no liquidificador. Tempere a gosto e está pronta!

Obs.: pode precisar colocar mais sal do que o normal, pois os ingredientes são naturalmente doces. Para balancear o doce, por último, esprema o suco de um limão tahiti pequeno e misture. 

Para contrastar com o vermelho, faça um spaghetti de abobrinha crua ( usei um instrumento próprio). 

Sirva fria, é bastante refrescante para o verão. 

  • Hoje quem escreve é a filha solteira que estuda e mora em Bruxelas, na Bélgica.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Sahagún – Paella de legumes

Standard

Chegamos ao fim do dia a esta cidade histórica – muito rica e importante na época medieval – depois de uma boa caminhada morro acima entre campos de girassóis. Pena que, a esta época do ano, as flores que não foram colhidas já estão secas, sem o esplendor amarelo-dourado. Porém, me dei por muito feliz com as alfazemas lilases e de intenso aroma que margeiam o caminho. Colhi muitas flores e as minhas mãos ficaram impregnadas com seu delicioso perfume característico por dias. Fiz vários pacotinhos de sachês mas tive de deixá-los em Bruxelas, na casa da filha, pois é proibido trazer produtos vegetais para o Brasil. Queria tanto aquele perfume no meu armário…

Sahagún ainda guarda imponentes ruinas dos tempos medievais ( Abadia beneditina de Cluny) e muitas igrejas românicas ( sec. IX a XII) bem originais e conservadas, pois o gótico não passou por aqui. O estilo arquitetônico de suas casas lembrou-me o casario das cidadezinhas das Astúrias, exatamente no rumo norte. Assim que cheguei disparei pelas ruas abaixo e fui imediatamente atacada de paixão por esta cidade dourada ao por do sol. O lugar é considerado o meio do caminho francês de Santiago e tem muitos lugares a visitar – merece uma estadia de dia inteiro.

O ponto alto da visita foi uma belíssima e emocionante apresentação que tive a sorte de assistir ( acontece muito comigo de estar nos lugares certos nas horas certas, por mero acaso) no Santuário da Peregrina. Orquestra, coral e recital – tudo muito bem conduzido pelos habitantes da cidade, apresentando convidados especiais. Nós, peregrinos e turistas, somos sempre muitíssimos bem recebidos por toda parte na Espanha e ainda nos convidam a participar de tudo! Amei!

Vamos ao jantar. Nem é preciso dizer que eu estava absolutamente faminta depois de caminhar muitos e muitos quilômetros o dia inteiro. No restaurante “San Facundo” ( padroeiro da cidade) nos aguardava um jantar delicioso, composto de entradas – salada e pastel de aspargos, seguida de uma paella de legumes divina, entrecôt de boi ou peixe grelhado e postres ( sobremesas tradicionais). O peixe branco e saboroso – parece com nossa tilápia – foi servido grelhado na brasa, com a pele crocante e acompanhado de um molho de coentro com cebola e pimentão vermelho fatiados e também grelhados no azeite. Foi a primeira vez que comi uma paella só com legumes e estava tão maravilhosa que decidi tê-la por primeira receita a experimentar em casa, para passá-la já testada a vocês.

Paella de legumes

Resolvi fazer a paella em casa com os legumes que tinha na geladeira: cenoura, aspargos verdes, abobrinha, pimentões vermelho e amarelo e ainda cogumelos.

Você pode fazer com os legumes que mais gostar, mas não ponha batata ( a paella vai virar uma papa!) e se for acrescentar tomate, que seja pouco e ao finalzinho do cozimento, caso contrário o tomate toma o gosto de tudo. Sempre os legumes mais duros entrarão na panela antes do arroz e os mais moles, depois que fritar o arroz.

Quantidades para 10 pessoas: 4 xícaras de chá de arroz, 1 xícara de café de azeite, 1 colher de café de sal com alho, 2 xícaras de chá de cebola, 1 xícara de chá de cada um destes legumes picados: cenoura, aspargos verdes, pimentões (vermelho e amarelo junto) e abobrinha, 1 xícara de café de cogumelos, 1 colher de chá de sal, ½ colher de café de colorau. É muito importante ter 1 litro de um bom caldo de legumes caseiro já pronto e aquecido. À parte, coloque outro litro de água para ferver.

Tome uma panela grande. Aqueça o azeite no fogo alto e doure a cebola. Assim que amarelar, doure o sal com alho. Acrescente os legumes duros: cenoura e aspargos verdes. Mexa bem e deixe fritar por 5 a 8 minutos. Junte o arroz, mexa bem até misturar com os legumes. Baixe o fogo e despeje o caldo de legumes quente até cobrir o arroz. Coloque os pimentões e deixe os legumes mais macios para depois. Tampe parcialmente a panela e deixe cozinhando por mais 10 minutos.

Agora junte a abobrinha e os cogumelos, que são bem macios. Coloque o restante do caldo já misturado com o colorau. Misture e deixe mais 5 minutos. Prove o sal e acrescente o necessário. Mexa tudo de tanto em tanto só para não grudar no fundo. Se for preciso, vá acrescentando água quente até o cozimento de todos os legumes e do arroz. Atenção: o ponto, tanto do arroz quanto dos legumes é ao dente, não deixe que sua paella vire uma papa! E, por favor, nunca acrescente queijo, manteiga ou qualquer creme a uma paella, pois esta é uma receita espanhola (deixe estes ingredientes para as receitas italianas e francesas).

Foi o maior sucesso! A panela estava bem cheia e não sobrou nem um grãozinho!

Pasta sem gluten ao molho de camarões

Standard

Para quem tem alergia a glúten e ama pasta como eu, é sempre uma tentação ver alguém comendo não só pasta como pizza, pão, bolos, tortas e salgadinhos ( ou seja, boa parte do que é muito gostoso) e ficar ali do lado só olhando, com a boca cheia d’água. Não se lastime, nunca – pois sempre há uma alternativa. Provavelmente, se não fosse essa minha alergia a glúten e às proteínas de qualquer leite ( o que inclui todos os produtos lácteos, seus derivados) este blog nem existiria! Foi justamente pela minha dificuldade de comer fora de casa foi que animei a cozinhar em casa e passar as receitas para vocês. Viu? Tudo tem seu lado positivo!

Hoje temos uma boa variedade de pastas feitas com farinha de arroz ( e também de milho) no mercado, que são a melhor opção alternativa para os alérgicos. Dica: a pasta não tem sabor e é quebradiça, então sempre há que ser envolvida em um molho suculento – seja à base de tomate ou um bom molho bechamel ou branco ( se não tover alergia à lactose ou às outras proteínas do leite). Aqui no blog há uma grande variedade de receitas com penne, spaguetti, tagliatelli e outras pastas.

Spaguetti ao molho de tomates com camarão, alcaparras e alho poró

Considerando uma receita para 2 pessoas, separe 2 porções de pasta –  para penne considere 2 pratos de sopa; para tagliatelli e semelhantes pode ser de 2 a 3 ninhos por pessoa e para spaguetti e outras pastas do tipo a porção por pessoa é um feixe da largura de um polegar. Para o molho: 300 gr. de camarão, 2 a 3 corações de alcachofras, 1/3 de talo de alho poró, 6 tomatinhos cereja, 1 xícara de café de pomodoro pelati ( que vem em lata), molho de tomate ou spremutta de tomate (que vem na garrafa), 1 colher de sopa de ervas picadinhas  (salsinha e cebolinha), 1/2 limão para temperar o camarão, azeite, sal e pimenta.

Retire as tripas, lave e escorra os camarões. Tempere-os com 1 colher de café de sal e 1/2 limão. Deixe por 15 minutos. Enquanto isto, corte os legumes como na foto. Coloque 1/2 litro de água para esquentar à parte. Deite 1 colher de sobremesa de azeite na frigideira e espere esquentar. Frite primeiro os camarões até ficarem vermelhos. Junte o alho poró, frite os dois juntos. Acrescente a alcachofra e os tomatinhos. Misture. Despeje a água quente aos poucos, pelas beiradas, até quase cobrir os ingredientes. Junte o molho de tomates. Prove o sal, salpique as ervas. Tempere à gosto com sal e pimenta.

Faltando 20 minutos para servir a refeição, coloque bastante água para ferver em  uma panela alta ( cerca de litro e meio) . Assim que ferver, junte um punhado de sal. Logo que começar a borbulhar, coloque a pasta para cozinhar. Observe o tempo recomendado na embalagem. Para testar se já está no ponto, tente partir a pasta com um garfo – se partir oferecendo alguma resistência, está no ponto certo. Escorra-a bem dentro de uma peneira e coloque-a sobre o molho fervente. Salpique as ervas. Envolva-a com o molho e desligue o fogo. Está pronta! Sirva imediatamente. Já com o prato servido, salpique queijo ralado – parmesão, grana padano ou pecorino ( queijo de cabra para quem tem alergia a leite de vaca).

Acompanhe pastas sempre com um bom vinho tinto.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Costeleta de cordeiro grelhada ao molho de vinho

Standard

O costume de se comer carne de cordeiro começa a se popularizar no Brasil, por influência de nossos vizinhos do Sul – Argentina e Uruguai – como também dos gaúchos, que sabem apreciar uma boa carne. Em Minas Gerais, como há poucos criadores, a carne é considerada artigo de luxo, pois o preço é bem superior ao da carne de boi. Quem de vocês leitores tem fazenda? Anima aí, gente! Aposto que criar cordeiro deve ser um ótimo negócio. De nossa parte, contribuiremos com as receitas!

Aqui na Europa, acentuadamente em países como a Bélgica, onde faz frio boa parte do ano e o território é exíguo para a criação de gado, a criação de cordeiro (e também a importação da carne) é bastante comum. Aproveitei as belas costeletas que compramos na feira do Midi, em Bruxelas, para preparar um prato rápido e saborosíssimo!

Costeletas de cordeiro ao molho de vinho e marmelos

Considere de 2 a 3 costeletas por pessoa, dependendo do tamanho. Para o tempero: sal e pimenta do reino. Para o molho: o suco do cordeiro, um pouquinho do vinho que você abriu para acompanhar o prato e uma fatia de uma boa marmelada.

Passe as costeletas rapidamente na água fervente só para limpá-las. Seque-as e tempere apenas com sal e pimenta do reino, passando-os diretamente na carne. Deixe por 15 minutos. Aqueça água à parte.

Deite uma colher de sopa de azeite em uma frigideira antiaderente e deixe que fique bem quente.  Espalhe o azeite. Grelhe as costeletas (não coloque mais de 2 ou 3 de cada vez!) desta forma: ponha as costeletas encostadas no fundo da frigideira e deixe-as fritando até começar a sair gotículas de sangue do lado de cima. Verifique se o lado de baixo já está corado e vire-as. Deixe corar desse lado. Conserve todo o suco da carne na frigideira, retire as costeletas e coloque-as numa travessa refratária e guarde-as dentro do forno ( desligado) só para não esfriarem enquanto você prepara o molho. Se for fazer mais de 3 costeletas, assim que terminar de grelhar, vire e reserve o suco da carne em um recipiente. Passe um papel absorvente na frigideira e recomece novamente o mesmo processo até que todas as costeletas estejam grelhadas. Enquanto isto, vá guardando-as no forno.

Aqueça o suco da carne e raspe o fundo da frigideira (onde grelhou a carne) com uma colher de pau até obter um caldo ralo e homogêneo. Abaixe o fogo. Despeje cerca de 1/2 de xícara de café de vinho para cada 2 a 3 costeletas que fritou (nunca deve passar da metade da quantidade do caldo – veja a foto). Misture e deixe que o álcool evapore. Junte uma fatia – equivalente a uma colher de sopa cheia – de marmelada já amassada e mexa até que dissolva completamente. Prove o sal e a pimenta.

Volte com as costeletas para a frigideira e regue-as com o molho quente. Pronto! Sirva imediatamente.

Como acompanhamento – uma vez que estamos na Bélgica – cozinhamos no vapor algumas couves de bruxelas e preparamos chips de batata doce. Sim, aqui tem uma batata doce laranja-rosada deliciosa!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Aguarde, em breve ensinaremos o passo-a-passo de como fazer chips no micro-ondas!

 

Risotto de cogumelos

Standard

Já chego em Bruxelas, nossa filial europeia, ansiosa para ir à Feira de Midi no domingo e comprar todos os tipos de cogumelos que achar. É possível comprar cogumelos diferentes, deliciosos e – o melhor da história: por um preço excelente! Espero chegar perto da uma da tarde, quando estão liquidando tudo na pressa de desmontar a barraca, e compro bem baratinho!

Há várias qualidades de cogumelos. Os mais comuns são os chamados cogumelos-de-paris – aquele redondinho que parece um guarda-chuvinha gordinho, que pode ser branquinho ou castanho e varia também no tamanho. Tem também o shimeji,o shitake, o portobelo, o porcini, o cantharellis e outros tantos. Veja esta foto do site confrariadoschefs.com:

Cogumelos- confraria dos chefs

 

Adoro cogumelos – aqui champignons ( em francês) – pois são muito versáteis. Dá para fazer um caldo ou creme de champignons sofisticado e delicioso, risottos variados como o risotto negro ou o risotto ai funghi, entrar como ingrediente em canapés, entradas, saladas, molhos para pastas, em um suculento preparo ou molho para carne ou frango, em um empadão de frango e muitos outros usos. Tenha sempre algum cogumelo em sua geladeira – dá pra fazer muita receita boa de última hora( clique nos links para ver as receitas do blog). Hoje resolvi preparar um bom caldo ( mas no meio do caminho achei que um risotto seria melhor; como a base de um bom risotto é sempre um bom caldo, você pode começar o preparo do risotto pelo caldo!

Risotto de cogumelos

Antes de tudo, lave os cogumelos e deixe escorrer o excesso de água. Calcule duas mãos cheias por pessoa, pois eles reduzem bem depois de cozidos. Para cada pessoa, separe um cebola e uma xícara de café de arroz para risotto, como o arbóreo ou o carnaroli. Para finalizar o risotto aconselho usar queijo pecorino ou grana padano ralado grosso ( 1/2 xícara de café por pessoa). Para temperar o caldo irá usar sal, pimenta do reino, nós moscada e um pouquinho de molho inglês. Pique os cogumelos e a cebola em fatias. Comece fritando a cebola na manteiga ou no azeite até dourar.

Junte os cogumelos, e deixe que fritem um pouco. Adicione água quente e deixe aferventar. Tempere o caldo e prove. Quando todos os cogumelos estiverem macios, o caldo está pronto!

Para fazer o risotto, acrescente o arroz e mexa. De tanto em tanto mexa de novo, só para não agarrar no fundo. Mantenha água aquecida ao lado do fogão, pois pode precisar. O risotto estará quase pronto quando o arroz estiver ao dente – dá para mastigar mas ainda estará ligeiramente duro.

Dica: Se for servir imediatamente (que é o melhor), junte o queijo e dê uma misturada rápida. Se for servir um tempo depois, deixe o caldo mal cobrindo o arroz, pois ao ficar na panela o arroz irá absorver o caldo e depois, ao ser reaquecido, irá ficar duro e pastoso (se estiver sem caldo). Junte o queijo só na hora de servir, nunca antes.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Galeto afogado na cerveja

Standard

Galeto é o nome que damos em português para o franguinho abatido com menos de um mês de vida. Esta receita pode ser feita também com um frango inteiro ou com partes do frango e ainda com outras aves de pequeno porte, como codornas – o que, hoje em dia, é muito difícil de se achar para comprar. Seu preparo é básico, fácil e simples, ideal para os iniciantes na cozinha. O segredo é assar o galeto ou frango na cerveja, de preferência uma bem forte, espessa e escura. Aqui neste preparo usamos uma cerveja belga bem tradicional – a Chimay rótulo azul, produzida na Abadia de Scourmont.

Galeto temperado com ervas, assado na cerveja e acompanhado de batatas e cebolas

Para 2 pessoas compre 1 galeto, 2 a 3 cebolas e 6 a 10 batatas baby, dependendo do tamanho. Escolha um cerveja de 330 ml e as ervas verdes frescas para tempero: salsinha, cebolinha, podendo acrescentar um pouquinho de sálvia ou de alecrim. Para o tempero, misture em 1/2 xícara de chá de água: 1 colher de chá de sal, 1 a 2 dentes de alho triturados e 2 colheres de sopa cheias das ervas picadinhas. Reserve outro tanto igual de ervas picadas para finalizar. Passe o galeto na água fervente para limpá-lo bem. Despeje o tempero dentro de um saco plástico e coloque o galeto dentro. Vire de um lado e outro até certificar-se que o galeto está todo envolto no tempero. Deixe dentro do saco por 1 hora ( se estiver fazendo calor coloque-o na geladeira).

Pré-aqueça o forno a 250 graus. Tome uma assadeira e coloque nela o frango com o tempero, escorrendo a água. Despeje toda a cerveja. Leve ao forno a 200 graus até que a cerveja reduza à metade e o frango comece a amaciar. Retire, vire o galeto do lado contrário ao que estava, coloque as batatas, salpique sal sobre elas, cubra com as rodelas de cebola e torne e colocar sal. Regue tudo com a cerveja e o restante das ervas e volte ao forno.

Vigie o assado até que tudo esteja macio e corado. O tempo total de cozimento pode variar de 20 a 30 minutos. Então já estará pronto para servir! Acompanhe com salada de rúcula, fica perfeito!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Arroz de carreteiro

Standard

Fazeres populares como o arroz de carreteiro têm variações conforme a região do país. Até na casa da gente variamos conforme os ingredientes disponíveis. A base é sempre arroz, muita cebola e alho acrescida de carne seca ou de sol, charque ou linguiça ou até um pouco de cada. Pimenta? Sempre, na medida do gosto de cada um. Goianos metidos têm a coragem de achar que este arroz é invenção deles, mas nós mineiros fomos quem povoamos as terras de Goiás e a receita veio de Minas, uai. Se nos tempos antigos veio da Bahia? Provavelmente, pois parte da colonização do estado veio do Norte e este costume de colocar carne seca na comida é coisa de nordestino e mais – pimenta certamente é coisa de baiano.

Arroz de carreteiro

Quando estou com paciência de torrar bem o arroz até ficar bem moreninho, este preparo de arroz toma uma bonita tonalidade de dourada a marrom. Mas se você estiver com muita fome, perdôo, pode sair clarinho mesmo, é sempre muito gostoso.

Como ingredientes temos: óleo, bacon – que no interior de Minas tem o nome de toucinho defumado (quando eu era criança chamava de toucinho perfumado!), bastante cebola picada em rodelas, alho picadinho, carne seca ou de sol ou então charque já preparado. Pode por linguiça frita picada também.  E arroz, lógico!

Para esta receita que serve 2 pessoas usei 1 xícara de arroz, 2 colheres de óleo, 3 cebolas grandes, 2 dentes de alho, 1 tomate bem maduro sem semente cortado em cubinhos e  250 gr. de carne seca já pronta, da marca Vazda.

Antes de tudo, coloque 1 litro de água para ferver. Se quiser o arroz bem moreninho como o da foto você precisa usar uma panela de ferro. Se não tiver, vai outra qualquer. Prepare a carne: coloque 1 colher de óleo na panela, doure 1/4 da quantidade de cebola picada, junte o tomate em cubinhos. Assim que a cebola e o tomate tiverem amolecido, junte a carne já pronta e desfiada. Revire e está pronta. Tire da panela e reserve.

Na mesma panela, coloque mais óleo, espere esquentar, doure o restante da cebola e junte o alho. Acrescente o arroz e com uma colher de pau continue mexendo até que arroz e cebola fiquem marrons. Abaixe o fogo. Verta a água fervendo até cobrir o arroz, cerca de 1 1/2 cm. acima do nível do arroz. Prove o sal e acrescente pimenta. Confira se está bem temperadinho. Tampe a panela parcialmente e deixe o arroz cozinhar. Assim que a água baixar para o nível do arroz, junte a carne refogada e misture. Se necessário vá pingando água quente até que o arroz fique cozidinho. Sirva o prato salpicado de cheiro verde ( salsinha e cebolinha) picadinho, acompanhado de ovo frito e pimentas biquinho.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Sopa de lentilhas

Standard

É costume servir-se sopa de lentilhas no Natal. Dizem as famílias árabes que traz dinheiro o ano todo. Tudo bem, estamos em setembro, mas não custa fazer esta sopa mais vezes por ano para ajudar a carteira a ficar mais gordinha! Com ou sem superstição, é uma sopa muito fácil de fazer, nutritiva e deliciosa!

Sopa de lentilhas com bacon e linguiça defumada

Cozinhe a lentilha ao dente – calculo uma xícara de café para cada pessoa. Para 2 pessoas separe 1 cebola média picadinha, 1 colher de sopa cheia de bacon picadinho, 1 palmo de linguiça defumada, 1 colher de sopa de azeite e sal com alho.14

Coloque um pouco mais de 1/2 litro de água para ferver. Em outra panela, afervente a linguiça. Retire-a da panela e pique-a em rodelas.

Esquente o azeite, frite o bacon. Doure a cebola e depois o sal com alho. Junte a linguiça, misture. Junte a lentilha e a água fervendo. Prove o sal. Se quiser, coloque um tiquinho de pimenta síria ou pimenta do reino branca. Abaixe o fogo e deixe cozinhar mais um pouquinho. Sirva bem quente, acompanhada de pão.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Conchiglione recheado

Standard

No inverno, servir uma pasta fumegante é sempre uma ótima opção de prato único para o jantar. Para nós brasileiros que gostamos de acompanhar carnes com pastas no mesmo prato ( que nos perdoem os italianos por esta deliciosa ousadia) também é uma boa pedida para qualquer refeição. A receita que apresentamos hoje é feita usando um tipo de pasta em forma de concha. Fica um prato muito bem apresentado.

Conchiglione gratinado recheado com creme bechamel, queijo e ervas

Para servir bem a 4 pessoas, calcule 6 conchas por pessoa. Para rechear esta quantidade de conchas, prepare 3 xícaras de chá cheias de recheio.

A base para o recheio é o conhecido molho bechamel. Separe: 2 xícaras de chá de leite, 2 colheres de sopa de manteiga, 2 colheres de sopa bem cheias de farinha de trigo, 1 cebola média ralada, 1 colherinha de café de sal com alho, 1 pitada de noz moscada e outra de pimenta do reino branca para temperar. Além destes ingredientes irá precisar também de 1 xícara de café cheia de creme de leite e 1 xícara de chá de queijo ralado.

Derreta a manteiga em uma frigideira antiaderente. Frite a cebola ralada e escorrida, junto com o sal com alho, sem deixar que amarele. Acrescente aos poucos a farinha de trigo, já ligeiramente torrada em outra frigideira e, com a ajuda de uma espátula, incorpore-a à manteiga até formar uma massa lisa e homogênea.

Verta o leite previamente aquecido, aos poucos; continue mexendo com uma colher de pau até obter um creme liso. Prove o sal e tempere. O creme deve ficar de consistência firme, para poder ser colocado dentro das conchas às colheradas. Se ainda estiver líquido, coloque mais farinha de trigo. Separe 1/3 deste creme e misture-o bem com uma xícara de café de creme de leite. Com este creme você irá forrar a travessa e cobrir as conchas recheadas. Reserve os restantes 2/3 do creme para rechear as conchas.

Para o recheio: Passe no ralo grosso o queijo de sua preferência ou aquele(s) que tiver em casa – pode ser parmesão, queijo minas curado, grana padano, provolone, muçarela, etc. Pode também misturar de dois a quatro queijos diferentes. Misture 1/2 xícara de chá do queijo ralado ( pode ser mais) com o creme bechamel já pronto. Pique bem miudinho as ervas que gostar – para esta receita eu pico salsinha e cebolinha pois têm sabores mais suaves que não se sobressaem ao queijo. Misture 1 colher de sopa cheia de ervas ao creme. Agora seu recheio está pronto.

Hora de cuidar da pasta: coloque 2 litros de água para ferver. Assim que borbulhar, coloque um punhado de sal. Quando voltar a ferver, coloque as conchas para cozinhar, seguindo o tempo de cozimento recomendado na embalagem. Atenção: não deixe que as conchas se partam. Assim que começarem a amolecer, retire-as da água quente, escorra a água e coloque-as sobre um jato suave de água fria para interromper o cozimento – do contrário podem partir.

Escolha uma forma refratária de tamanho médio e passe no fundo uma camada fina do creme bechamel diluído com o creme de leite. Com a ajuda de uma colher de chá vá recheado as conchas uma a uma e colocando-as na travessa. Estando todas assentadas, cubra-as com o restante do creme bechamel misturado com o creme de leite e, por cima, espalhe o restante do queijo ralado.

Quinze minutos antes de servir, coloque a travessa no forno a 220 graus para esquentar a pasta por 10 minutos e depois passe o forno para o grill a fim de gratinar o queijo. Assim que começar a corar, retire e sirva bem quente.

Não esqueça de um bom vinho tinto!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

 

Cordeiro com favas, figos e amêndoas

Standard

No último final de semana, a minha filha mais velha recebeu a irmã blogueira para um jantar ousado: queria reproduzir um prato que havia comido em Istambul, na Turquia.  Não achando a receita em lugar algum, guiou-se pela lembrança do prato e dos truques de sempre para reinventá-la. Soube que ficou divino! Vamos à receita – que me foi passada por minha filha – feita para 4 a 6 pessoas. 

Anote os ingredientes para a marinada, ou seja, o preparo, na véspera, da carne com o tempero: 1 kg de pernil de cordeiro cortado em cubos, sal e pimenta do reino, 2 cebolas médias cortadas em quatro, 2 dentes de alho, o suco de 1 limão siciliano, 1 xícara de chá de azeite, 1 xícara de chá de vinho branco seco e 1 colher de sopa rasa de alecrim fresco. 

Para o preparo da receita:   2 xícaras de chá mal cheias de caldo de carne (feito na véspera com o osso do pernil), 20 unidades de cebolinhas baby, 1 colher de sopa cheia de bacon picado, 2 xícaras de favas brancas já cozidas, 1 colher de sopa de bacon picadinho, 100 gr de figos secos e 50 gr de amêndoas com casca.

Na véspera, separe a carne do osso do pernil, corte-a em cubos e tempere com sal e pimenta do reino. Corte as cebolas, amasse um pouco os dentes de alho e misture-os à carne em um recipiente (gosto de usar a assadeira para a marinada). Deite por cima o suco de limão, o azeite e o vinho e distribua o alecrim de forma igual. Misture e espalhe tudo com as mãos pois a marinada deve envolver toda a carne. Cubra com filtro plástico e deixe na geladeira por, no mínimo, doze horas, virando a carne na metade do tempo para que toda ela absorva o tempero.

Aproveite o osso (e a carne grudada à ele) para fazer um bom caldo de carne. Você vai precisar dele para o  preparo do prato no dia seguinte, mas veja a dica: faça o caldo usando pouca cebola ou restará com gosto demasiado forte para esta receita. Depois de pronto, guarde-o na geladeira. 

Também de véspera deixe as favas de molho. Facilitará o seu cozimento no dia seguinte.

O preparo deve começar pelo menos três horas antes de seus convidados chegarem. Tire a marinada da geladeira e deixe a carne alcançar a temperatura ambiente. Separe-a do tempero e reserve.

Cozinhe as favas na água quente até ficarem ao dente. Retire da panela e reserve ( favas e caldo). Enquanto isso, descasque as cebolas baby e esquente o caldo de carne feito na véspera.

Prepare a carne: aqueça bem uma panela para selar a carne. (Dica: usei um tagine pelas vantagens no cozimento deste tipo de receita, mas você pode fazer a receita em outra panela qualquer – se for de ferro, tanto melhor. Apenas lembre-se que deve ter tampa). Para dourar a carne, deite um pouco de óleo e acrescente os cubos de carne aos poucos, a fim de não dar água. Se necessário, retire os pedaços já corados e reserve-os à parte. Quando terminar, retire toda a carne da panela e reserve. Aproveite a borra da panela para dourar as cebolas baby, acrescentando mais um pouco de óleo. Retire as cebolas já douradas e reserve-as. Volte com a carne toda para a panela. Acrescente o caldo já quente. Tampe a panela com um alumínio e por cima coloque a tampa. Abaixe o fogo. O cozimento da carne se dará, no mínimo, em duas horas.

Faça o ensopado de favas: pique ligeiramente a metade das cebolas já douradas na borra da carne e reserve um dente de alho da marinada. Deite um pouco de óleo em outra panela, esquente-o e frite o bacon e o alho. Em seguida, acrescente as cebolas e junte as favas com o caldo do seu cozimento. Deixe em fogo baixo até que as favas amoleçam e incorporem o caldo. Reserve. 

Junte tudo: na metade do cozimento da carne (cerca de 1 hora depois que abaixou o fogo), misture o ensopado de favas à carne. Acrescente os figos secos e as amêndoas. Cozinhe por mais, no mínimo, uma hora ou até que a carne esteja quase desfiando – tente parti-la com uma colher. Dica: o tempo irá variar de acordo com o seu fogão, a panela usada, etc. – então confira aos poucos se o caldo está secando e neste caso, vá acrescentando água quente, pelas beiradas, até o completo cozimento da carne. 

Quando tudo estiver cozido, desligue o fogo e deixe a panela tampada. Estará perfeito quando for servir aos seus convidados!

Como opções de entradas sugerimos: pão árabe com homus e salada de romã. O homus você já aprendeu como fazer aqui no blog, a salada ensinaremos em breve!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Camarão Thai

Standard

Sempre gostei de comida tailandesa, desde que consiga come-la, é claro, pois às vezes a quantidade de pimenta é de tal ordem que fico de língua de fora, bebendo litros d’água para aplacar o ardor. Falando em tempero em excesso (para nós), não só a comida mexicana e caribenha são super apimentadas como a turca, a indiana, a tailandesa, a chinesa, a coreana e as de muitas outras culturas orientais. Então é aquela história de pedir ao maître para colocar menos pimenta  na comida, mas nem sempre dá certo – tem o problema do idioma. Tenho cada história…Bem, uma vez comi um prato parecido com este que agora apresento a vocês. Felizmente o maître falava inglês e consegui saber quais eram os ingredientes. Logo que cheguei de viagem refiz a receita em casa, mas ficou diferente – acho que o cara me passou a receita errada, sempre fazem isto. Outro dia, folheando um livro de comida tailandesa, achei uma receita que acreditei ser a mesma. Dando os devidos descontos dos temperos e adaptando a receita para o nosso paladar, resultou em um prato delicioso!  Refiz para fotografar e agora passo para vocês:

Camarão Thai

Trata-se de um molho feito com camarão, leite de côco, pimentões, maçã e temperos, misturado com uma pasta de espessura bem fininha que vem enrolada em ninhos. A que usei, de origem chinesa, tem o nome de Hot Pot Noodles ( macarrão de hot pot) e é feita com farinha de trigo, água e sal. O pacote tem 320 gr. e usei-o todo para servir 6 pessoas.

É aconselhável ter uma panela wok, pois é antiaderente e seu formato e espessura permitem que a comida seja feita de forma rápida e eficiente, sem grudar no fundo. vai precisar também de outra panela para cozinhar a pasta.

Para o molho: 200 gr. de camarão VG limpo por pessoa – no caso, para esta receita que serve 6 pessoas separei 1,2 kg ( para tempera-los usei 1 colher de sobremesa cheia de sal e 1 limão. Mais: 1 xícara de café de azeite, 1 colher de café de sal, 2 dentes de alho, 1 xícara de chá de cebola picadinha, 1/2 pimentão vermelho e 1/2 amarelo, 1 colher de sobremesa de coentro picadinho e a mesma quantidade de gengibre. Se gostar de comida com tempero bem forte, pode dobrar a quantidade do coentro e do gengibre ( eu não arrisquei). Ainda: tomate pelati amassado que dê 1 xícara de café, 1 maçã verde, 1 e 1/2 garrafinha de leite de côco. Pimenta malagueta amassada ou molho de pimenta à vontade – eu coloquei 1 colher de chá.

Primeiro lave, deixe escorrer bem e depois tempere o camarão já limpo com sal e limão. Deixe por 1 hora. Enquanto isto, monte o mis-en-place, ou seja, deixe tudo posto no lugar como mostra a foto. Pique o que tiver de picar: pimentões em fatias finas, cebola, coentro e gengibre. Deixe a maçã para depois.

Deixe a wok esquentar um pouco e deite metade do azeite. Doure a cebola e depois o alho já batidinho com o sal. Retire-os da panela – deixando o azeite – e reserve. Deite o restante do azeite e frite os camarões até ficarem vermelhos. Volte com o cebola, junte os pimentões, o tomate macerado e o gengibre. Misture tudo e deixe amolecer. confira se o camarão está ao dente. Junte o coentro. Pique a maçã e jogue por cima.

Despeje o leite de côco e acrescente o molho de pimenta. Mexa com cuidado para não machucar os camarões e a maçã. Prove o tempero e acrescente o que o seu paladar pedir. Desligue e deixe descansar por 15 minutos. Enquanto isto, cozinhe a pasta – veja as instruções de tempo de cozimento no pacote.

Na hora de servir, verta a pasta bem escorrida sobre o molho de camarões já aquecido e misture cuidadosamente com um garfão ( cuidado para não riscar a wok) . Sirva bem quente e – atenção: nada de colocar queijo ralado por cima!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Abóbora moranga com carne seca

Standard

Um dos mais tradicionais pratos mineiros, muito servido no inverno, é o purê de abóbora moranga com carne seca. Eu gosto de servi-lo dentro da própria moranga – acho que dá um charme danado. A carne seca pode ser comprada lá no Mercado Central de Belo Horizonte ( ou no da sua cidade) e cozida na água com sal até ficar macia. Outro jeito bem prático é comprar a carne já cozida e desfiada – tem uma ótima, da marca Vapza que você encontra nos melhores supermercados.  Compre também a abóbora moranga no Mercado e peça ao feirante para abri-la, fazendo uma tampa na parte superior.

Abóbora moranga com carne seca

Escolha uma abóbora bonita, bem alaranjada, do tamanho proporcional ao número de pessoas as quais vai servir. Compre a carne seca e prepare-a cortando em tiras e cozinhando na água com sal. Ou então, compre-a pronta. Separe tomate, cebola, alho, salsinha e cebolinha. Se gostar, pode usar também pimentão vermelho, picado bem miúdo.

Para 6 pessoas vai gastar, além da abóbora moranga, 500 gr. de carne, 3 cebolas, 1 tomate, 2 dentes de alho, sal a gosto e pimenta. Gosto de acrescentar requeijão de copo ao purê de abóbora.

Faça a receita por partes:

1) Corte uma tampa na abóbora, retire com faca e colher todo o recheio, deite fora as sementes e as partes muito fibrosas. A abóbora ficará oca por dentro ,como uma panela. Coloque-a para assar no forno brando, dentro de uma forma de pizza alta para que ela não “esborrache”. Deixe-a cozida, mas ainda firme e dura. Reserve.

2) Faça um purê com a abóbora. Esquente água à parte. Rale de 1/2 a 1 cebola e frite-a no óleo. Acrescente o sal com alho e pasta de abóbora crua. Desmanche-a com uma colher de pau a acrescente água quente. Deixe que a massa cozinhe. Prove o tempero. Reserve.

3) Pique 1 tomate miudinho, 1 cebola e 1 dente de alho. Se quiser, 1/4 de pimentão vermelho. Frite a cebola e o sal com alho, acrescente o tomate, deixe fritar bem, junte a carne seca e deixe os temperos incorporarem. Reserve.

4) Pouco antes de servir, misture o requeijão de copo ao purê de abóbora até “quebrar” o adocicado. Junte a carne seca já refogada. Misture e prove o tempero. Se gosta de pimenta, a malagueta combina bastante. Coloque o recheio dentro da abóbora e leve-a ao forno até verificar que o recheio está quente. Salpique salsinha e cebolinha picadinhas. Sirva acompanhada de arroz branco e batata palha. Ou então, substitua-os por pão.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-la

Molho para carnes

Standard

A maneira mais fácil de se fazer um molho para carnes é aproveitando o suco da própria carne. De duas maneiras:

1) Quando você tira a carne do tempero, sempre escorre uma salmoura. Não jogue fora, reserve, pois ali está o suco e o tempero da carne.

2) Quando você sela a carne na frigideira (ou seja, passa no óleo quente deixando que doure de todos os lados por igual) sempre fica uma borra na frigideira. Sempre tome cuidado – regulando a quantidade de óleo e a altura da chama do fogão – para esta borra não queimar. Retire a carne já corada e reserve esta borra.

Para o preparo do molho:

3) Antes de selar a carne, esquente água à parte.

4) Tome uma frigideira ( de preferência anti-aderente) e coloque farinha de trigo – cerca de 1 colher de sobremesa para cada porção de carne ( 150 a 200 gr.). Torre a farinha, mexendo com uma espátula até que comece desprender cheiro ou que adquira uma tonalidade bege claro. Se quiser um molho escuro, deixe que a farinha adquira um tom bege escuro. Cuidado para não deixar queimar. Desligue e retire a farinha da frigideira para não queimar na panela quente. Reserve.

5) Na borra que sobrou da selagem da carne, no fogo baixo, deite manteiga em pouca quantidade e vá desmanchando a borra até obter um creme homogêneo.  Junte então a farinha de trigo já torrada e continue incorporando-a com a espátula até formar um creme grosso e liso. Vá pingando a água quente aos poucos até formar um caldo espesso e homogêneo. Prove. Se estiver sem gosto, junte a salmoura do tempero da carne, aos poucos. Veja se o paladar está do seu agrado; pode temperar com molho inglês (cuidado porque salga) e pimenta do reino.

6) Se quiser fazer um molho ao vinho, está na hora de deitar um pouco da bebida (sempre use vinho tinto para carnes) sobre o caldo. Nunca passe a quantidade de vinho de 1/3 da quantidade de caldo que já está na frigideira. Deixe que o vinho evapore- perceba que sai todo o odor de álcool. Retifique o tempero. Se ficou granulado, pode passar em uma peneira.

Sirva quente sobre a carne ou à parte, em uma molheira.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Filé na massa folhada com presunto, cogumelos e espinafre

Standard

Com a filha blogueira que mora em Bruxelas em visita a Belo Horizonte, tudo é motivo para irmos as três ( ela, a irmã casada e eu) para a cozinha inventarmos novas receitas. Este filé foi preparado por elas – minhas filhas que amam cozinhar tanto ou mais do que eu e estão se tornando experts. Eu fiquei apenas observando de longe e anotando para depois escrever para vocês a receita. Servido à mesa, o filé foi um sucesso que agradou em cheio aos nossos convidados. Parabéns, filhinhas!

Para 6 pessoas calcule de 900 gr. a 1,2 kg de filé – compre um filé inteiro e corte a parte do meio, deixando as pontas para outros preparos. Compre um pacote de massa folhada congelada laminada da Arosa. Separe 8 fatias de presunto cru, 1 molho de espinafre, de 8 a 10 cogumelos de paris frescos, 1 cebola média e temperos: sal, alho, pimenta do reino, folhas de louro e vinho tinto.

Tempere o filé com sal, alho, pimenta do reino, vinho tinto e folhas de louro – de hora e meia a três horas antes de começar o preparo desta receita. Lave as folhas do espinafre, coloque-as numa panelinha com um pouco de água. Assim que a água ferver, desligue e tampe a panela. Estando as folhas macias, retire e escorra a água. Corte os cogumelos em fatias e a cebola em cubinhos. Tome uma frigideira, esquente um fio de azeite, doure a cebola, passe os cogumelos, tempere com sal e deixe esfriando.

Tome um pedaço de filtro de PVC e disponha as fatias de presunto cru. Por cima, espalhe o espinafre e depois a mistura de cebola com cogumelos.

Na mesma frigideira, coloque mais um pouco de azeite. Retire o filé do tempero e guarde a salmoura para fazer o molho. Deixe o azeite ficar bem quente e sele o filé, ou seja, deixe-o corar de um lado e depois do outro. Retire e reserve. Guarde a frigideira com a borra que sobrou para fazer o molho. Assim que  carne amornar, coloque-a sobre a “cama” do recheio. Puxando a ponta do plástico, faça um rolo com o filé dentro do recheio. Aperte bem. Deixe no freezer por 30 minutos para firmar e depois tire o plástico.

Pré-aqueça o forno a 220 graus. Coloque a folha de massa folhada sobre um filme PVC e abra-a ligeiramente com um rolo para que caiba o filé. Coloque-o (já firme envolto na capa de presunto) no meio da massa aberta, tirando o plástico. Feche uma parte sobre a outra e dobre as beiradas, cortando fora o excesso de massa. Use filtro PVC para ajudar a enrolar e fechar o filé. Retire o plástico e pincele o rolo de massa com ovo batido. Pincele uma assadeira com manteiga. Disponha o filé no centro da assadeira e leve ao forno para assar por cerca de 30 minutos. Vigie para a massa corar e não deixe queimar.

Sirva o filé com molho de vinho. Postaremos a receita em 2 dias.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo. Obs: no PDF tem a receita do molho de vinho que é servido com este filé.

DSCN4929

 

Sopa de feijão branco bem nutritiva

Standard

Aproveite o final do inverno para experimentar esta sopa gostosa além de muito rápida e fácil de fazer. Com feijão, legumes e frango ela sustenta bastante e vale por um jantar.

Para 2 pessoas, separe 1 xícara de chá cheia de feijão branco já cozido mas ainda bem firme, 1 xícara de chá de cogumelos de paris frescos já cortados e 1 xícara de chá de cubinhos de peito de frango já temperados com sal e alho (1 colher de café).Pique 1 cebola pequena de modo a dar 1/2 xícara de chá, corte em cubinhos a mesma quantidade de cenoura, mais salsinha e cebolinha que dêem 1 colher de sopa cheia.

Coloque água para ferver. Despeje 2 colheres de óleo numa outra panela e frite o frango até que comece a corar. Junte a cebola triturada, a cenoura e mais 1 colher de café de sal com alho. Frite-os até a cebola ficar translúcida. Junte o feijão, misture bem.  Acrescente a água quente até passar de 2 dedos a altura dos ingredientes. Junte o cogumelo. Diminua o fogo, tampe a panela deixando uma fresta e espere que o caldo reduza.

Prove o tempero e verifique se todos os ingredientes estão macios. Se necessário, acrescente mais água quente até o completo cozimento. Volte a provar o sal. Finalize com salsinha e cebolinha e sirva quente acompanhada de pão.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Bacalhau do Alcimar

Standard

Esta é uma receita que recebi de um amigo que adora cozinhar e o faz muito bem. É uma forma bem original de se preparar o bacalhau, pois leva ingredientes bem brasileiros, como batata doce e laranja. Preparamos com todo o carinho e o servimos como prato principal no almoço do último domingo. Nossos convidados adoraram e, claro, nós também. Como agradecimento ao Alcimar, colocamos o nome dele na receita.

Bacalhau com creme bechamel e purê de batata doce e laranja

Para preparar o bacalhau, clique aqui para ver as dicas. Para servir bem a 6 pessoas, calcule 200 gr. de bacalhau limpo por pessoa, ou seja, 1,2 kg. Para o cozimento do bacalhau: separe 1 xícara de café de azeite, 3 cebolas médias, de 1 a 2 dentes de alho e pimenta do reino. Para o creme bechamel: 2 colheres de sopa de farinha de trigo, 2 colheres de sobremesa de manteiga, 2 colheres de sopa de cebola triturada, 1 colher de café de sal com alho, 2 xícaras de chá de leite, pimenta do reino branca e nós moscada. Para juntar ao creme: 1 xícara de café de alcaparras e ½ xícara de café de salsinha e cebolinha picadinhas. Para o purê: 500 gr. ( ou 2 unidades média/grande) de batata doce e 2 laranjas tipo pera carioca bem maduras. Por último, rale grosso queijo pecorino ou parmesão para obter 1 xícara de café cheia.

Após haver dessalgado o bacalhau, coloque as postas em uma panela com água fria e leve ao fogo até que a água ferva. Desligue. Assim que esfriar, escorra bem toda a água e retire os espinhos, os restinhos de pele e a gordura branca que fica entremeada. Com muito cuidado, desfaça as postas, entre os dedos, em lascas grossas sem deixar que se partam. Deixe-as a secar.

Descasque, pique e cozinhe a batata doce até ficar bem macia. Enquanto cozinha, prepare o bacalhau e o creme.

Corte as cebolas em rodelas finas e pique o alho bem miudinho. Deite metade do azeite em uma panela bem larga, deixe que esquente um pouco e frite as cebolas até ficarem translúcidas. Frite o alho. Afaste a cebola para o canto da panela, despeje o restante do azeite, disponha cuidadosamente as lascas do bacalhau, cubra com a cebola e deixe que frite ligeiramente, absorvendo o azeite. Misture com cuidado usando uma colher de pau ou espátula. Tempere com pimenta do reino. Prove o sal. Desligue e reserve.

Faça o creme bechamel. Deite a farinha de trigo em uma frigideira antiaderente e vá mexendo com uma espátula até sentir o cheiro de farinha torrada( cheirinho de padaria!). Cuidado para a farinha não ficar bege. Desligue e vire a farinha torrrada imediatamente em algum recipiente (se deixar na frigideira vai escurecer). Em outra frigideira, derreta a manteiga e frite a cebola e o sal com alho. Abaixe o fogo, junte a farinha já torrada e mexa com a espátula até formar uma massa lisa. Acrescente o leite, aumente o fogo e continue mexendo até obter um mingau liso e de boa consistência. Misture as alcaparras bem escorridas, a salsinha e a cebolinha picadinhas. Tempere com pimenta do reino e nós moscada. Prove o sal. Deixe amornar. Junte o creme ao bacalhau que já preparou, misturando de leve para não quebrar as postas. Deixe descansar para incorporar os sabores.

Assim que a batata doce cozinhar, escorra toda a água e amasse-a bem, ainda quente. Junte 1 xícara de café de suco de laranja e leve ao fogo até obter um purê liso e de boa consistência.

Ligue o forno a 180 graus. Ligue também o grelhador (ou grill) para gratinar o queijo. Tome uma tigela refratária e forre o fundo com todo o purê. Por cima disponha todo o bacalhau com creme. Cubra com o queijo ralado. Leve ao forno até verificar que o queijo quase derreteu.

Sirva bem quente.

Se gostar, pode acompanhar com arroz branco. E, importante! Não esqueça de servir um bom vinho!

Obs: se ama de paixão as azeitonas verdes e pretas, pode acrescentá-las ao creme (ou substituindo as alcaparras) cortadas em rodelas – mas em pouca quantidade.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

 

 

Caldo verde

Standard

Abro um espaço entre os posts do Sal& Alho viaja – série Itália e Croácia para postar a receita do Caldo Verde português que fiquei devendo às minhas alunas desde antes desta viagem. Com atraso, aqui segue.

Caldo Verde 

Esta deliciosa sopa é perfeita para o frio que está fazendo aí nas Minas Gerais neste início de julho. Faz parte do elenco dos mais tradicionais pratos de origem portuguesa da culinária mineira.

Para 4 pessoas escolha 4 batatas médias, 1/2 linguiça cozida e defumada tipo portuguesa (calcule 20 cm.), 2 folhas grandes de couve, 1/2 cebola pequena ralada, 1 colher de sobremesa cheia de azeite ou manteiga, 1/2 colherinha de café de sal com alho e 1 pitadinha de pimenta do reino branca.

Corte as batatas em cubos e a linguiça em rodelas. Pique a couve bem fininha (veja aqui dica de como cortar) e passe a cebola no triturador de modo a ficar como ralada. Lave e afervente ligeiramente a linguiça.

Em uma panela, doure no azeite ou na manteiga a cebola e o sal com alho, sem deixar escurecer. Junte a linguiça  e a batata dando uma fritadinha. Acrescente água fervente, abaixe o fogo e deixe cozinhar. Assim que a batata estiver macia, deixe na panela a linguiça e o equivalente a uma batata e bata o restante das batatas no liquidificador com a água do cozimento. Junte mais água morna, se necessário, de modo a obter um caldo ralo.

Volte com o caldo para a panela e deixe engrossar até obter o ponto de sopa. Prove o tempero, acrescentando pimenta e sal, se necessário. Por último, antes de servir, junte a couve, mexa por 2 minutos e desligue.

Sirva em cumbuca ou prato fundo, acompanhada de  pão ou de torradas amanteigadas.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.