Torta Santiago

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Esta torta de amêndoas é uma verdadeira instituição da região da Galícia, no Norte da Espanha. É como o queijo Minas para os mineiros e o champagne para uma determinada região da França, ou seja, tem uma denominação de origem protegida, desde 2006. A versão mais comum da história conta que esta torta, então com o nome de Torta Real, foi oferecida a D. Pedro de Portocarrero, em 1577, em sua visita à Universidade de Santiago de Compostela. A primeira receita, como a torta é conhecida hoje, data de 1838, escrita nos cadernos de Luis Bartolomé de Leybar.

Quando percorri à pé uma boa parte do famoso Caminho de Compostela – veja aqui todo o itinerário gastronômico – me prometi como prêmio que, chegando à cidade de Santiago de Compostela, a primeira coisa a fazer seria comer uma boa fatia de uma torta autêntica. Daí gostei tanto que aprendi a fazê-la.

Torta Santiago

 Procurei seguir a receita mais tradicional possível e ainda, conforme o costume, enfeitei a torta com a marca da Cruz de Santiago.

Esta receita não dá para fazer medindo os ingredientes em xícaras e colheres, como fornecemos as receitas aqui neste blog. Então, é preciso ter uma balança para pesar corretamente os ingredientes. A torta é composta por duas partes, uma massa de torta e uma cobertura que são assadas junto.

Para a massa da torta separe: 160 gr. de farinha de trigo, 90 gr. de manteiga, 1 ½ colher de sopa de açúcar refinado, 1 ovo, 1 colher de café de extrato de baunilha.

Misture tudo até obter uma massa homogênea, faça uma bolota e deixe na geladeira por 30 minutos. Unte com manteiga uma forma redonda baixa (que solte o fundo) e estenda a massa abrindo-a sobre a forma e deixando as beiradas altas, até a borda da forma, como na foto. Fure-a com um garfo para não subir e estourar enquanto assa. Reserve.

Para a cobertura separe: 3 ovos, 120 gr. de açúcar, 180 gr. de farinha de amêndoas ( separe à parte 2 colheres de sopa), 30 gr. de manteiga derretida e a casca ralada de 1 limão. Bata os ovos com o açúcar, acrescente a farinha de amêndoas e a manteiga. Misture, por último as casquinhas de limão. Despeje o creme sobre a massa enformada, espalhe e uniformize a altura. Polvilhe com o restante da farinha de amêndoas que separou. Leve ao forno a 200 graus até corar por cima e ficar bem assada ( faça o teste do palito para ver se sai limpo). Desenforme somente depois que estiver fria.

Desenhe em uma folha de papel e recorte a Cruz de Santiago. Coloque-a sobre a torta e polvilhe com açúcar de confeiteiro. Retire o papel e está pronta!

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Polvo à galega

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Quando estive na Espanha, no ano passado, percorrendo parte do Caminho de Santiago com as Caminhantes da Estrada Real de Minas Gerais, postei, entre 4 de novembro e 8 de dezembro (2015), uma série sobre a maravilhosa gastronomia local (acessem o blog pela data e confiram). Entre as diversas receitas postadas, um amigo meu viu um artigo sobre o famoso polvo que é servido no antigo e tradicional mercado de Santiago de Compostela e decidiu tentar fazer a receita. Nem é preciso dizer que ele adora polvo, pois nunca cozinha nada e desta vez meteu-se corajosamente a fazê-lo. E contou-me que o polvo foi um sucesso! Pois a feliz experiência serve de incentivo a vocês, homens que sempre deixam para as mulheres o prazer de cozinhar. Não custa, de vez em quando, escolher uma receita por aqui e agradar a quem o ano inteiro cozinha pra vocês. Arrisquem-se!

Ao contrário do que se pensa a carne do polvo não é dura e esta história de ter que bater no polvo para amaciá-lo – na verdade, quebrar as fibras – é coisa do passado. Sabem porquê? Hoje, pelo processo quase obrigatório de congelamento e posterior descongelamento do polvo, as fibras são naturalmente quebradas! Outra lenda: mergulhar o polvo, para quebrar as tais fibras, alternadamente na água quente e na bacia de gelo – quem me ensinou este truque foi o chef Daniel Santamaria, de Oviedo, nas Astúrias, Espanha, há muitos anos (se o polvo estiver recém tirado do mar pode fazer isto). Porém o rapazinho goiano naturalizado espanhol (acreditem!) que nos preparou um polvo divino no mercado de Compostela garante que este gesto hoje é coisa de chef que gosta de fazer cena. Pois já preparei o polvo à maneira galega – como o rapaz ensinou-me – três vezes depois que voltei da Espanha em novembro último e ficou perfeito. Vamos então à receita, passo-a-passo, para que mesmo quem nunca entrou em uma cozinha possa fazê-lo à perfeição!

Polvo à galega

Coloque para ferver uma boa quantidade de água. Salgue a água e, se quiser, junte ervas frescas e dentes de alho (não exagere na quantidade). Enquanto isto, lave bem o polvo. Quando a água estiver em ebulição coloque o polvo dentro ( precisa ficar coberto com a água) e espere que cozinhe por cerca de 10 minutos, dependendo da espessura – observe o ponto em que o dente de um garfo entre na carne com alguma facilidade – mas não deixe o polvo amolecer pois o bom é ser servido ao dente. Assim que cozido, retire e corte imediatamente – usando uma tesoura e com o auxílio de um garfo para segurar -pedaços de 2 a 3 cm de espessura. Tome uma tábua e deite azeite extra virgem. Salpique sal grosso e páprica (doce ou picante, à gosto).  Ajeite por cima os pedaços do polvo. Torne a salpicar sal grosso e páprica e termine com uma boa regada do azeite. Viu como é fácil?

Sirva à palito imediatamente (se esfria fica borrachudo). Excelente para acompanhar cerveja ou whisky.

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Santiago de Compostela – Polvo a Galega

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Foi do alto do Monte do Gozo, tendo por companhia o grupo mineiro das Caminhantes da Estrada Real e mais dois peregrinos gigantes de bronze que, finalmente, no décimo dia de nossa viagem, avistamos Santiago de Compostela. Do monte caminhamos juntas, cantando o nosso hino, ao tão ansiado encontro de todos os peregrinos na imensa praça no centro histórico de Compostela. Por toda a minha vida, sempre que lembrar-me deste momento, vou arrepiar da cabeça aos pés! A emoção da chegada é indescritível, sinto muito. Você só entenderá se um dia lá for. Eufóricas, diante da majestosa catedral de São Tiago Maior, abraçamos e beijamos amigos e desconhecidos, choramos e rimos juntos sob um magnífico céu sem nuvens, do azul mais intenso que se possa imaginar. É tocante presenciarmos casais se beijando e perceber em seus semblantes a renovação do amor após o esforço da longa caminhada. Grupos de amigos se abraçando, chorando e cantando juntos. Peregrinos esticados nas pedras do chão, aproveitando o merecido descanso. Pessoas de joelhos, rezando e agradecendo – louvada seja a fé que nos levou a todos até lá! Um momento simplesmente mágico!

Dentro do casco histórico de Santiago reina uma grande festa de confraternização a qualquer hora de todos os dias do ano. Fomos comemorar no antigo mercado que existe no mesmo lugar há mais de mil anos. Caminhada e emoções nos deixaram com muita fome! O mercado é famoso pelos frutos do mar típicos da região pois Compostela está a menos de uma hora do mar. Há uma grande variedade deles: à parte dos peixes, camarões de todos os tamanhos, lagostins e lagostas, polvos, ostras, vieiras, mexilhões e os mais diversos e estranhos mariscos das costas marítimas do Norte da Espanha como almejôas, percebes e navarras. A tradição  é comprar frutos do mar no quilo e levar ao balcão dos muitos bares que lá existem para serem preparados na hora.

Desta forma – ao vivo- aprendi a fazer o prato mais famoso da Galícia:

 

Polvo à Galega

Antigamente havia que se bater no polvo para quebrar suas fibras. Hoje, não mais. O processo de congelar faz este serviço para nós! Bem, então descongele o polvo. Em uma panela grande, de preferência de aço inox, esquente água com sal, alho e ervas. Estando  no ponto de fervura, coloque o polvo totalmente imerso para cozinhar até que fique ao dente – firme mas que dê para enfiar o garfo e ver que já amaciou. Retire da água, escorra. Corte rodelas de 2 a 3 cm com uma tesoura. Prepare a tábua de madeira regando-a com azeite extra virgem, Disponha o polvo em tronquinhos. Tempere a gosto com sal grosso e páprica – doce ou picante. Torne a dar uma boa regada com o azeite. Sirva quente e à palito acompanhado de uma cerveja gelada- experimente e Estrella Galicia!

Em tempo: antes da chegada a Compostela fizemos um piquenique no Monte do Gozo com as famosas empanadas da Galícia: de bacalhau, de bonito ( peixe tipo atum) e de zamburiña ( tipo de marisco). Uma delícia! Vou testar em casa e depois passo a receita.

Percorri mais de 100 km a pé e cheguei mesmo até Santiago de Compostela, olha a prova:

 

Gastronomia no Caminho de Compostela

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Hoje damos início a uma série especial de reportagens sobre a gastronomia do Norte da Espanha. Percorreremos o Caminho de Santiago de Compostela, um dos três caminhos de peregrinação mais importantes do mundo (os outros são Roma e Meca), trilhando a parte final do chamado “Caminho francês”. Iniciaremos nossa caminhada em Burgos, na região de Castilla-Leon, no centro-norte da Espanha,  prosseguindo até a cidade de Santiago de Compostela, na Galícia ( são 690 km.) Nesta belíssima cidade estão os restos mortais de Tiago Maior, um dos doze discípulos de Jesus, motivo de peregrinação de milhares de pessoas desde o século IX.

Na Idade Média, o terror da peste afugentou os peregrinos e a região caiu em relativo esquecimento. A partir da década de 1980, com o crescente interesse mundial pelo turismo em terras espanholas, o caminho reviveu. Hoje é procurado por milhares de pessoas – e não só por motivos religiosos. Tornou-de uma das rotas turísticas preferidas por quem deseja desafiar-se – no mínimo, vencer, a pé ou de bicicleta, os últimos cem quilômetros do caminho (só assim se recebe o certificado). O ritmo dos caminhantes é percorrer de 20 a 25 km. por dia. Haja preparo físico e fôlego!

Para compensar o esforço, a recompensa é excelente. Belas, charmosas, acolhedoras e alegres cidades e vilas nos esperam ao longo do caminho – cheias de gente bonita, saudável e feliz; bares de tapas originais e restaurantes onde a comida é generosa e o vinho abundante; bons hotéis, albergues e pousadas onde se faz novas amizades com pessoas do mundo inteiro. E o melhor de tudo: um tour gastronômico de primeiríssima! Venha, recomendo! Pode-se comer e beber à vontade – juro que não engordará nem meio quilo, pois  irá apenas recompor as muitas calorias que gastou na caminhada! Enquanto planeja a sua viagem, venha conosco pelo Caminho, siga-nos!

Nota: viajei com 25 mulheres integrantes do grupo Caminhantes da Estrada Real, de Minas Gerais, Brasil. Agradeço aos excelentes guias turísticos Antonio Jimenez e Mariella Miranda ( Zênithe Travelclub/ Belo Horizonte) , que tão bem souberam escolher os melhores lugares para apreciarmos ainda mais esta inesquecível viagem.

Veja aqui algumas fotos de lugares e comidas que apresentaremos nos próximos posts:

 

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