Camarão tailandês no coco

Standard

Em Bangkok, capital da Tailândia, há um interessante centro de lazer que tem o nome de Asiatique . Lá tem lojinhas com todo tipo de artesanato, selecionado e de muito bom gosto. Mas o melhor é a quantidade e variedade de restaurantes, além de uma feira com barraquinhas de comidas típicas. E tem até roda gigante! Pode-se chegar por terra mas o melhor mesmo é tomar um barco (ferry) do próprio parque em uma estação central próxima aos hotéis de luxo, construídos às margens do Rio Chao Phraya, que têm todos eles seus próprios cais e barcos. Assim, além de aproveitar o fim de tarde e a noite ( abre as cinco da tarde) nesse grande e variado centro gastronômico e de compras ainda se vai e volta desfrutando um agradabilíssimo passeio de barco. Ao por do sol é imperdível!

Foi lá que escolhi, entre variadas opções, este camarão servido no coco, bem típico da culinária tailandesa. Confesso que dentre todos os pratos que comi no Sudeste Asiático, e depois reproduzi em casa para passar a receita a vocês, este foi o mais difícil de descobrir os ingredientes originais* e o modo de fazer. Aliás, foi a única de todas as receitas já apresentadas (veja as nove receitas postadas aqui no mês de março) que precisei repetir. Mas valeu, ficou delicioso!

* É claro que eu trouxe a mala cheia dos temperos que só se encontram por lá!

Camarão no coco

Esta receita pode ser feita sem o coco, para servir no prato acompanhado de arroz branco, de preferência feito com água de coco e finalizado com um pouquinho de leite de coco. Afinal, não é nada fácil conseguir alguém para tirar o tampo do coco e, além disso, é preciso fazer essa difícil operação logo antes de servir, pois a polpa do coco do tipo que temos no Brasil escurece rápido. Se estiver cozinhando a dois, se um de vocês for o suficiente forte e ágil, sirva no coco pois fica lindo!

Veja os ingredientes para 2 pessoas: 400 gr. de camarão sem casca e limpo, 1 limão, 1 colher de chá de sal, 1 colher de sopa de óleo de coco. Para o molho: 1 cebola grande, 1 pedaço de repolho que depois de fatiado dê 1 xícara de chá cheia, 1/3 de pimentão vermelho e 1/3 de pimentão amarelo, 1 xícara de café ( 100ml) de leite de coco, 10 folhas grandes de rúcula, 4 talos de cebolinha verde. Tempero do molho: 1 colher de chá de curry em pó, 1 colher de chá de molho de ostra, 1 colher de chá de molho de peixe, suco coado de 1 limão, pimenta a gosto.

Limpe e tempere os camarões, deixando-os no tempero por 15 minutos. Enquanto isto, pique os legumes como na foto. Escorra os camarões. Reserve. Tome uma wok ou panela larga e frite os camarões no óleo de coco (use a metade) até ficarem vermelhos.

Retire-os da panela, acrescente o restante do óleo e frite, tudo junto, a cebola, os pimentões e o repolho picados (o gosto do repolho vai desaparecer no final). Abaixe o fogo, despeje um pouco de água fervente, tampe a panela e deixe que amoleçam. Prepare, à parte, o tempero do molho, misturando bem os ingredientes. Junte o tempero, aos poucos. Prove até ficar do seu gosto, inclusive a pimenta. Desligue o fogo e passe o molho no processador, no modo pulsar, de modo que fique bem misturado, triturado em pedaços pequenos mas não deixe liquefazer – deve ficar um molho grosseiro (aí está o segredo).

Volte com o molho para a mesma panela, junte o leite de coco, retifique o tempero. Pouco antes de servir, junte o camarão, mexa, coloque as folhas de rúcula inteiras e a cebolinha verde picada por cima. Ligue o fogo no fraco, abafe a panela com uma tampa e deixe as folhas murcharem ligeiramente. Está pronto!

Enquanto faz esta última operação, retire o tampo do coco e escorra a água. Coloque imediatamente o molho com os camarões dentro do coco, enfeite com raspas de coco (de outro coco) , ponha uma orquídea do lado e surpreenda seu amor!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Badejo ao molho de camarão com o tempero do Tanta

Standard

O Restaurante Tanta trouxe uma nova proposta para a gastronomia peruana. Depois de abrir o Astrid & Gastón, em 2000, com um cardápio de forte influência francesa, o premiado chef Gastón Acurio resolveu imergir na culinária típica peruana. Voltando de uma longa viagem de exploração gastronômica ao interior de seu país, em 2002, que resultou no livro “Peru: uma aventura culinária”, decidiu abrir o Tanta, com uma proposta de valorizar os produtos nativos e os pequenos produtores do interior, apresentando um cardápio de comida caseira que poderia ser levada para casa. Hoje o restaurante, muito popular e querido pelos peruanos, apresenta um cardápio variado e interessante para quem quer conhecer a tradicional comida do interior e do litoral do Peru. Veja abaixo da receita as fotos do cardápio.

Quando cheguei para almoçar no Tanta do shopping Larcomar, em Lima, onde se tem uma linda vista para o Pacífico, com dificuldade para entender o cardápio repleto de ingredientes desconhecidos, pedi ajuda ao garçom. Expus meu problema de intolerância à glúten e lactose e pedi uma sugestão. Ele me perguntou o que eu gostaria de comer, ao que respondi ser algum pescado e frutos do mar. Daí a poucos minutos, apesar do restaurante estar lotado, com fila de espera, ele retornou com a boa notícia de que o chef faria algo especial para mim. Passados quinze minutos me foi apresentado o prato da foto principal. Estava tão delicioso que comprei o ají picante no dutyfree de Lima para experimentar fazê-lo em casa na primeira oportunidade. Pois copiei a receita no domingo e a família adorou!

Badejo ao molho de camarão com ají picante

Para 4 pessoas compre 600 gr. de filé de badejo fresco ( pode ser linguado, pescada ou dourado) e 16 a 20 camarões médios. Sal e limão para temperar ambos. Para o molho: azeite ( no Tanta fazem com manteiga) , 1 ½ xícara de molho de tomate caseiro, 2 cebolas ,1/3 de pimentão amarelo e vermelho médios, 1 colher de sobremesa cheia de cheiro verde ( salsinha, cebolinha e coentro) e 1 colher de sobremesa de ají picante ( se não tiver, tempere o molho com páprica picante).

Tempere o filé com sal e limão e deixe descansar por meia hora. Enquanto isto, limpe o camarão retirando as tripas. Tempere com sal e limão e deixe por 15 minutos. Pique os outros ingredientes. Ligue o forno a 200 graus, regulando o calor entre médio e mínimo tanto em baixo quanto em cima. Pique os vegetais.

Frite os camarões em uma frigideira untada com azeite ( ou manteiga) até ficarem vermelhos, virando-os delicadamente com uma espátula para que corem por igual. Retire e reserve. Na mesma panela frite a cebola e os pimentões até amolecerem. Junte o molho de tomate e o cheiro verde. Misture. Bata este molho no liquidificador e volte para a mesma panela. Acrescente os camarões, tempere com o ají ( ou com páprica picante), acerte o sal. Acrescente pimenta vermelha se gostar.

Assim que completar a meia hora do peixe no tempero, corte o filé na diagonal em quatro partes ( se for para 4 pessoas). Pincele uma assadeira com óleo e coloque o peixe. Asse até que as postas fiquem brancas por dentro e coradas por fora. Espete o garfo, se sair limpo está cozido!

Disponha uma posta em cada prato e cubra com o molho de camarões. Sirva acompanhado de arroz branco e batatas cozidas ou chips de batata doce.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.


dscn7097

Veja o cardápio do Tanta:

Camarão jamaicano

Standard

Na oportunidade de visitar Orlando, na Flórida, Estados Unidos, não deixe de reservar parte da tarde e a noite para passear na Universal Citywalk , um centro de entretenimento com cinemas, lojas, restaurantes, discotecas e outras atrações. Há muitos restaurantes com decoração e cardápios internacionais e torna-se difícil escolher o que comer, tal a variedade. Como estive ano passado no Caribe e adoro reggae e mojito (bebida com rum e hortelã), escolhemos jantar em um restaurante típico – que é a cópia da casa de Bob Marley – a fim de experimentar a culinária jamaicana. O cardápio oferece variações em torno de frutos do mar e decidi-me por um camarão com legumes. Provei, delicioso. Comi tudo! Sentindo o aroma e o paladar achei que era possível reproduzir a receita em casa. Pois fiz com tanto capricho que ficou mais gostoso que o original. Assim mostro a foto do prato e do cardápio do restaurante e, em seguida, passo a receita feita por mim.

Camarão com quiabo e coco à moda da Jamaica

Escolha camarões médios (pode ser tamanho 71/90) e calcule, por pessoa, cerca de 100 gr. de camarão já descascado e limpo. Considerando uma porção para 4 pessoas, separe quiabos, 2 tomates tipo italiano grandes e maduros, sem pele e sem sementes, 2 cebolas, 2 dentes de alho, 1 espiga de milho verde, ½ garrafinha ou 100 ml. de leite de coco, 1 xícara de café de coco natural ralado grosso, 1 limão thaiti, sal, azeite, pimentas tabasco e malagueta a gosto, 1 colherinha de café de curry*. Calcule o equivalente a 3 xícaras de chá cheias dos seguintes legumes: 1/3 de uma abobrinha mineira ou italiana (verde) , 1/3 de abóbora paulista ( rajada por fora e laranja por dentro), a mesma quantidade de pimentão vermelho (pode colocar amarelo e/ou verde) .

Lave, tire as tripas e tempere o camarão com sal e limão. Deixe pegando tempero por 15 minutos. Enquanto isto, pique os legumes – o quiabo em tronquinhos, o tomate em cubinhos, a cebola em fatias bem finas, o alho bem miudinho, as abobrinhas e os pimentões em tiras médias do mesmo tamanho. Rale a espiga de milho crua e reserve.

Ponha água para ferver à parte. Tome uma panela funda, derrame 2 colheres de azeite e frite os camarões até ficarem vermelhos. Retire e reserve. Acrescente mais uma colher de azeite, frite a cebola até ficar amolecida , junte o alho e, estando frito, acrescente os tomates e o milho ralado. Misture tudo e assim que começar a grudar na panela, acrescente 3 xícaras de água quente. Abaixe o fogo e junte o leite de coco e os camarões, deixando que cozinhem mais 5 minutos ou até os camarões estarem cozidos e o caldo ligeiramente encorpado. Prove o tempero e acrescente as pimentas e o curry. Misture bem. Desligue. À parte, frite o quiabo no óleo e escorra na peneira o excesso de gordura.

Vinte minutos antes de servir, coloque os pimentões cortados em um refratário, regue fartamente com azeite e leve-os ao forno quente até encolherem. Reserve. Enquanto assam, pegue uma panelinha, coloque as abobrinhas, cubra com água e deixe que cozinhem, sem deixar amolecer. Escorra a água e reserve. Tempere os legumes com uma misturinha de azeite, sal e pimentas. Disponha em um prato.

Pouco antes de servir, acrescente o quiabo ao molho com camarões já aquecido. Retifique o tempero, se necessário.

Sirva o camarão separado dos legumes (abobrinhas e pimentões) pois estes são servidos como guarnição para adornar o prato. O coco também é servido à parte e distribuído sobre o camarão e o arroz. Acompanhe com arroz branco. Veja a montagem final do prato na foto principal.

  • no restaurante o gosto de curry prevalecia sobre o camarão e o molho. Por minha conta, reduzi a quantidade pela metade ou até menos. Achei que ficou mais delicado e saboroso.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Peixada com molho de camarão a jato

Standard

Moqueca é o nome que se dá a este prato lá na Bahia, onde o temperam com leite de côco, dendê e bastante pimenta. Em Minas Gerais a receita é a mesma, porém pode-se ou não acrescentar o leite de côco – pouco, só pra dar um gostinho – e nunca se usa dendê. A pimenta fica ao gosto do freguês e pode ser a malvada da malagueta (forte) , a dedo de moça ou a biquinho inteira, que enfeita e não arde. Nos vales dos rios São Francisco e Doce, este prato, típico de beira de rio, feito com peixe, cebola, tomate, cheiro verde e, conforme a região, também pimentões é conhecido como peixada. É sempre acompanhado de pirão, feito com o caldo do molho misturado com farinha de mandioca até ficar pastoso.

A receita que se segue é o meu jeito de fazer peixada ou moqueca. Faço o molho separado e só depois junto o peixe e o camarão (opcional). Desta forma, não só é feita com muito mais rapidez como se tem melhor condição de controlar o ponto certo do cozimento do peixe e do camarão. Quando se coloca tudo cru na panela, como é a receita tradicional, até que os ingredientes do molho fiquem bem cozidos e com o gosto misturado, o peixe já se desfez e o camarão, por excesso de tempo de cozimento, já ficou borrachudo. Vai por mim, pode fazer do meu jeito que dá certo!

Peixada com molho de camarão

Dica 1: use uma panela de barro, de pedra ou de ferro para fazer o prato. Ou, no caso de você ser um gourmet sofisticado, use a panela Le Creuset. Tenho todas e prefiro a de barro, fica mais típico.

Dica 2: é sempre melhor usar o peixe fresco, que pode ser de rio ou de mar. Se mora em uma grande cidade longe de rio e de mar, compre o peixe fresco mas resfriado e peça ao peixeiro para cortar postas com 2 a 3 cm de espessura. Peixe congelado, sinto muito, mas não presta para esta receita. Quanto ao camarão pode ser congelado mas deixe-o descongelando ao natural, lave bem, retire as tripas e deixe escorrendo por um bom tempo.

Calcule 1 posta grande de peixe ou 2 pequenas por pessoa. Se for colocar camarão, pode ser de 50 a 80 gr. por pessoa ou conte as unidades de acordo com a vontade de comer camarão (eu sozinha como dez!). Tempere com sal e suco de limão e deixe pegando tempero por 15 minutos. Para o molho: para cada 2 pessoas calcule 1 tomate tipo italiano grande bem maduro, 1 cebola, 1 dente de alho, 1 xícara de café mal cheia de pimentões picados, 1 colher de sobremesa de cheiro verde ( salsinha, cebolinha e centro), 1/2 xícara de molho de tomate pronto, 1/2 xícara de café de leite de côco (opcional). Azeite a gosto. Pique todos os ingredientes do molho e reserve.

Vamos ao preparo do molho: em uma panela de alumínio, no fogo alto, deite azeite até formar uma camada fina no fundo. Frite a cebola e em seguida o alho; junte o tomate e os pimentões. Vá mexendo até que tudo frite por igual. Assim que os legumes começarem a amaciar, junte o molho de tomate e misture. Tempere com sal e pimenta a gosto. Desligue o fogo. Enquanto frita, esquente a panela de barro (ou a que escolher) com uma camada fina de azeite ao fundo. Passe então metade do molho para a panela de barro. Espalhe as postas de peixe e o camarão por cima. Cubra com o restante do molho*. Jogue por cima o cheiro verde e o leite de côco. Dê uma boa regada com o azeite. Tampe a panela, reduza o fogo e deixe cozinhar até verificar que o peixe está cozido mas firme. No meio do cozimento, torne a provar o tempero e coloque mais sal e pimenta se necessário. * Se perceber que a quantidade de peixe não irá caber em uma camada, divida em duas. O molho, então, terá que ser dividido em três partes – uma para o fundo, outra para o meio e outra para a cobertura.

Para o pirão: assim que terminar o cozimento retire parte do caldo e passe para outra panela. Vá adicionando farinha de mandioca aos poucos até formar uma pasta homogênea e cremosa.

Dica 3 : termine a peixada meia hora antes de servi-la. Retire a panela do fogão, envolva-a em jornal e faça um embrulho com uma toalha de mesa velha. Deixe a peixada descansando – ficará muito mais saborosa porque o  caldo irá entranhar no peixe e nos camarões. Usando uma panela como as indicadas esta conservará o calor e não deverá esquentar  a peixada para o caldo não secar.

Sirva com arroz branco.

quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

 

 

 

 

Caldinho de moranga com camarão

Standard

Nos fins de tarde quentes do verão e ainda mais se for na temporada de comemorações de fim de ano, nada melhor do que chamar os amigos para bebericar um espumante refrescante em casa. E para acompanhar, ofereça tira-gostos feitos por você! Veja algumas das receitinhas deliciosas que já publicamos no blog que combinam divinamente: damasco com gorgonzola, canapé de alho poró com queijo brie, cevicheisca de frango com gergelim, e outras. Hoje vamos acrescentar mais uma receita a esta lista que foi o maior sucesso na reunião com amigos que fizemos esta semana.

Caldinho de moranga com camarão

Para 15 pessoas vai precisar de meia abóbora moranga média, uma cebola, uma colher de café de sal com alho, 1 colher de sopa de óleo, 1/2 limão, 1 colher de café de sal, 200 gr. de camarão, 1 colher de sopa de azeite, 1 colher de sopa de whisky ou conhaque.

Limpe os camarões e tempere-os com 1/2 limão e uma colher de café cheia de sal.

Coloque água para ferver em um caneco de 1 litro. Descasque, tire as sementes e corte a moranga em cubos. Pique a cebola. Em uma frigideira, esquente o óleo, coloque a cebola picada, o sal com alho e a moranga. Misture bem e deixe corar. Acrescente água até cobrir completamente. Deixe que a moranga cozinhe até ficar bem macia. Espere esfriar um pouco e bata no liquidificador até obter um caldo na consistência de um suco grosso. Ponha o caldo para esfriar na geladeira.

Enquanto a moranga cozinha, esquente azeite em uma panela e doure os camarões até ficarem vermelhos. Agora proceda à flambagem: coloque a bebida dentro de uma concha e leve para esquentar diretamente sobre a chama do fogão. Assim que começar a evaporar, deite-a ligeiramente para que a bebida pegue fogo e verta imediatamente sobre os camarões. Muito cuidado para não deixar nada perto do fogo- muito menos você! Espere o fogo apagar sozinho e desligue. Reserve os camarões.

Escolha aqueles copinho de servir cachaça ou conhaque e coloque o caldinho dentro deles faltando um centímetro para chegar na borda. coloque um camarão na borda de cada copinho. Sirva frio.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Frómista – Lechazo ou cordeiro de leite assado

Standard

Hoje iniciamos o primeiro trecho de nossa peregrinação pelo Caminho de Santiago. Na verdade, confesso, não me sinto uma peregrina, sou apenas uma caminhante, apesar de carregar comigo o cajado e a concha -os símbolos do Caminho – e de seguir, com bastante disposição e coragem, as setas amarelas que nos conduzirão ao destino final.

Seguindo pelo “Caminho francês”, de Burgos a Frómista são ao todo 85 km. Destes, percorremos a pé, durante a manhã, o trecho final entre Boadilla del Camino e Frómista, margeando o Canal de Castilla. A caminhada é muito agradável. O terreno é plano, a ampla vista dos verdejantes campos agrícolas contrastando com o descampado do céu profundamente azul é belíssima. A proximidade da água torna parte do caminho fresco e sombreado. Respira-se ar puro, um suave aroma de mato purifica nossos pulmões e o incessante e festeiro chilreio dos pássaros enche nossa alma de alegria.

Após duas horas de caminhada paramos para apreciar a vista, beber água límpida de poço e saborear deliciosas maçãs colhidas no pé – achei incrível! Mais adiante, outra parada para nos refrescarmos sob as frondosas árvores que cercam o dique e reunir coragem para avançar colina acima até Frómista, pensando na recompensa do delicioso almoço a nos aguardar!

Frómista é pequena e muito simpática.  Tem um casario antigo pintado em cores ocres, uma bela igreja românica – a igreja de San Martin, que neste estilo é a mais original e bem conservada de toda a Espanha – e outras construções milenares, erguidas sobre ruínas dos tempos dos romanos. Se gostar de um lugarzinho bem pacato, vá morar lá, é perfeito!

No restaurante Villa de Frómista nos aguardavam surpresas maravilhosas. Para começar, um bom vinho branco refrescante servido com morcilla ( embutido de carne, gordura e sangue de porco, de cor bem escura) . Como primeiro prato, salada e langostinos ( camarões gigantes) grelhados na brasa e servido ao ajo & aceite (alho e azeite de oliva)

O prato típico da região é o lechazo, o cordeirinho de leite ( ainda não desmamado ao ser abatido) assado no forno a lenha, como aqueles de tijolos em formato de semicírculo que se usa para assar pizza.  A carne é muito macia e saborosa. Batatas fritas são o acompanhamento tradicional. Com estas há de se tomar cuidado pois, crocantes por fora e derretendo na boca ao serem mordidas, dá vontade de nunca parar de comê-las. De sobremesa, arroz com leche ( igual ao nosso arroz doce mineiro) e flan de huevos ( pudim de leite com ovos). Comemos bastante, sem arrependimento – afinal havíamos gasto muitas calorias com a caminhada da manhã!

 

 

Burgos – Beringela ao melaço com queijo de cabra

Standard

Iniciamos o percurso do Caminho de Compostela em Burgos, na província de Castela e Leão, situada ao centro norte da Espanha. Esta aprazível cidade, fundada em 884,  é famosa pela belíssima e imponente catedral gótica que domina o horizonte. Ao seu redor está o Centro Histórico, uma área de pedestres cheia de cafés, restaurantes e lojinhas para turistas. Passear por suas ruas antigas, a pé ou de bondinho, revigora a alma e nos presenteia com um banho de cultura.

O tradicional e elegante restaurante El 24 de la Paloma foi o escolhido para o nosso primeiro jantar – um sofisticado menu acompanhado de excelentes vinhos. Veja o cardápio feito especialmente para o nosso grupo:

Entradas: camarão crocante ( envolto em fios, como os de doces árabes), cecina de Leon ( é como se fosse presunto cru, na Espanha chamado de jamon, só que é de carne de boi ao invés de porco) ao aroma de arbequina e lâmina de beringela com queijo de cabra ao molho de melaço de cana.

Segundo e terceiro pratos: Peixe branco (um tipo de bacalhau lá chamado de merluza) ao molho verde (coentro) e berberecho galego ( um tipo de marisco).  Entrecot de vaca com as famosas pimentas verdes Padrón ao azeite de enebro ( zimbro).

Sobremesa: Torta e sorvete de maçã.

Escolhemos uma receita simples e deliciosa – a combinação entre os três sabores é perfeita – que você pode fazer com ingredientes encontrados no Brasil:

Lâmina de beringela com queijo de cabra ao molho de melaço de cana (foto principal)

O queijo de cabra é uma especialidade desta região da Espanha, sendo encontrado em várias versões, conforme o tempo de cura e os ingredientes que lhe são acrescidos, como ervas.

Para conseguir que as lâminas de beringela fiquem tão clarinhas a dica é tirar, na ponta da faca, a casca da beringela e imediatamente colocá-la imersa em uma bacia com água. Usando de uma mandolina ou de sua habilidade, corte a beringela – sem retirá-la de dentro da água – em lâminas bem finas. Troque a água, sempre fria, por três vezes para tirar qualquer amargor.  À parte, esquente água em uma panela funda, acrescente sal e um pequeno buquê garni ( amarrado de ervas frescas). Coloque as lâminas e deixe aferventar por 2 a 3 minutos. Teste se estão macias, retire-as e deixe-as secar sobre um pano seco. Enrole-as e reserve.

Para fazer o melaço, o mais fácil é comprar uma rapadura de cana de boa procedência. Derreta um pedaço, ao fogo,  em um pouco de água  até obter a consistência de calda. Retire a calda da cor de caramelo, deixando um pouco na frigideira para, apurando o ponto, conseguir um tom amarronzado – cuidado para não queimar! Esta calda mais escura servirá para dar o toque final.

Arme os pratos (refratários) individualmente – veja a foto. Um pouco antes de servir, leve-os ao forno a 180 graus só para gratinar. Assim que o queijo começar a derreter, está pronto!