Polvo com tomate

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Outro dia, conversando sobre culinária espanhola, uma senhora me disse que fazia um polvo com tomate ótimo. Pedi a receita e ela não quis me dar dizendo que dava muito trabalho porque o polvo levava 40 minutos para cozinhar na pressão.  Respondi que sempre faço polvo e para seu cozimento bastam de 5 a 10 minutos. A mulher disse que eu não deveria saber cozinhar! Pois para provar o que eu disse (quem sabe ela irá ler esta receita aqui? ) comprei um polvo fresco e resolvi fazer o tal polvo com tomate sem receita alguma.  Demorou exatos 8 minutos para cozinhar na água, mais 5 minutos para terminar de cozinhar no molho de tomate e ficou macio e delicioso!

Polvo com tomate 

Compre um polvo na peixaria que não esteja congelado. Se não achar, pode ser congelado mesmo e deixe que descongele naturalmente.

Prepare um bom molho de tomates usando 6 tomates italianos grandes e bem maduros, 2 colheres de sopa de azeite de oliva, 1 cebola, 3 dentes de alho, 1 colher de café mal cheia de sal com alho,1/2 colher de  café de páprica, 1 pitada de pimenta do reino e 1 colher de sobremesa de ervas finamente cortadas ( salsinha, cebolinha manjericão). Coloque água para esquentar em um caneco.

Corte os tomates em 4 e retire as sementes. Passe-os em água fervente para tirar a pele e amaciar. Amasse-os grosseiramente.Rale a cebola e pique as ervas. Esquente o azeite, doure a cebola e o sal com alho, misture e amasse os tomates com uma colher de pau ou espátula. Junte os temperos. Assim que começar a querer agarrar no fundo da panela, junte a água quente até cobrir com folga a massa de tomate. Abaixe o fogo e vigie o cozimento do molho. Retifique o tempero a seu gosto e vá pingando mais água quente até provar o molho e perceber que o gosto de tomate cru desapareceu. Reserve.

Em uma panela grande, coloque bastante água com 1 colher de sobremesa de sal, 3 dentes de alho e 1 cebola. Deixe que a água ferva. Coloque o polvo na água de modo que o cubra inteiramente. Deixe que cozinhe, por no máximo 10 minutos ou até enfiar um garfo e verificar que ele entra na carne com facilidade. Retire o polvo da água e deixe esfriar o suficiente apenas para conseguir manejá-lo. Corte-o, com uma tesoura, em os pedaços de 2 cm de comprimento, inclusive a cabeça, que é parte melhor. Veja aqui como cortar. Despreze as pontinhas.

Misture o polvo e as ervas no molho de tomate e deixe acabar de cozinhar em fogo brando por mais 5 minutos ou até que fique bem macio. Não deixe o cozimento passar de 10 minutos pois o polvo passará de macio a borrachudo.

Como aperitivo, esta receita dá para até 4 pessoas, dependendo do tamanho do polvo.

Sirva com pão.

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Arroz de polvo ao vinho

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Muita gente deixa de fazer e comer receitas com polvo porque algum dia comeu por aí um polvo borrachudo ou melando e ficou com má impressão. Sabendo prepará-lo – e é tão simples! – o polvo pode ser uma nova opção no seu cardápio, servido como aperitivo, por exemplo, Polvo à galega, ou como um dos ingredientes de uma Paella. Esta receita de hoje é uma variação do tradicional arroz de polvo português, feito com vinho tinto e enfeitado com petit pois. Para quem não sabe, petit pois ( diga peti puá) ou traduzindo, bolinha, é como os franceses chamam a ervilha em grão.

Dica para qualquer receita com polvo: congele o polvo já cortado para que quebre as fibras. Retire do congelador e deixe que perca o excesso de gelo. Ferva água até o ponto de ebulição. Coloque sal e dentes de alho inteiros. Mergulhe o polvo ainda gelado, deixe exatos 5 minutos e retire. Está pronto para qualquer preparo!

Arroz de polvo ao vinho com petit pois

Para 2 pessoas: 500 gr. de polvo, 1 xícara de chá de arroz, ½ cebola roxa, 1 xícara de chá de petit pois ( ou ervilhas), 1 xícara de café de vinho tinto, 2 dentes de alho, 1 colher de chá de sal, 2 colheres de azeite e 1 colher de café cheia de sal com alho.

Prepare o polvo conforme a dica acima, temperando a água com 1 dente de alho e 1 colher de chá rasa de sal. Deixe a água que aferventou o polvo no fogo baixo. Em seguida, com o polvo ainda quente, corte-o em pedaços de 2 cm. com uma tesoura. Reserve.

Pique a cebola em gomos. Escorra a ervilha. Esquente ½ litro de água à parte.

Tome uma panela média e esquente o azeite. Frite o sal com alho, o arroz e a cebola, tudo junto. Abaixe o fogo. Derrame o vinho e espere o aroma exalar. Despeje a água do polvo até cobrir o arroz. Prove o sal. Misture, tampe a panela e deixe cozinhando. Assim que a água baixar e aparecer o arroz, junte o polvo e misture. Prove, se o caldo estiver com gosto forte de polvo, acrescente água pura, do contrário, adicione a água do polvo. Se gostar, salpique pimenta do reino à gosto. Continue adicionando água quente até o ponto de cozimento do arroz desejado, mas nunca deixe o arroz amolecer. Um pouco antes de servir, adicione as ervilhas, misture e sirva quente.

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Polvo à galega

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Quando estive na Espanha, no ano passado, percorrendo parte do Caminho de Santiago com as Caminhantes da Estrada Real de Minas Gerais, postei, entre 4 de novembro e 8 de dezembro (2015), uma série sobre a maravilhosa gastronomia local (acessem o blog pela data e confiram). Entre as diversas receitas postadas, um amigo meu viu um artigo sobre o famoso polvo que é servido no antigo e tradicional mercado de Santiago de Compostela e decidiu tentar fazer a receita. Nem é preciso dizer que ele adora polvo, pois nunca cozinha nada e desta vez meteu-se corajosamente a fazê-lo. E contou-me que o polvo foi um sucesso! Pois a feliz experiência serve de incentivo a vocês, homens que sempre deixam para as mulheres o prazer de cozinhar. Não custa, de vez em quando, escolher uma receita por aqui e agradar a quem o ano inteiro cozinha pra vocês. Arrisquem-se!

Ao contrário do que se pensa a carne do polvo não é dura e esta história de ter que bater no polvo para amaciá-lo – na verdade, quebrar as fibras – é coisa do passado. Sabem porquê? Hoje, pelo processo quase obrigatório de congelamento e posterior descongelamento do polvo, as fibras são naturalmente quebradas! Outra lenda: mergulhar o polvo, para quebrar as tais fibras, alternadamente na água quente e na bacia de gelo – quem me ensinou este truque foi o chef Daniel Santamaria, de Oviedo, nas Astúrias, Espanha, há muitos anos (se o polvo estiver recém tirado do mar pode fazer isto). Porém o rapazinho goiano naturalizado espanhol (acreditem!) que nos preparou um polvo divino no mercado de Compostela garante que este gesto hoje é coisa de chef que gosta de fazer cena. Pois já preparei o polvo à maneira galega – como o rapaz ensinou-me – três vezes depois que voltei da Espanha em novembro último e ficou perfeito. Vamos então à receita, passo-a-passo, para que mesmo quem nunca entrou em uma cozinha possa fazê-lo à perfeição!

Polvo à galega

Coloque para ferver uma boa quantidade de água. Salgue a água e, se quiser, junte ervas frescas e dentes de alho (não exagere na quantidade). Enquanto isto, lave bem o polvo. Quando a água estiver em ebulição coloque o polvo dentro ( precisa ficar coberto com a água) e espere que cozinhe por cerca de 10 minutos, dependendo da espessura – observe o ponto em que o dente de um garfo entre na carne com alguma facilidade – mas não deixe o polvo amolecer pois o bom é ser servido ao dente. Assim que cozido, retire e corte imediatamente – usando uma tesoura e com o auxílio de um garfo para segurar -pedaços de 2 a 3 cm de espessura. Tome uma tábua e deite azeite extra virgem. Salpique sal grosso e páprica (doce ou picante, à gosto).  Ajeite por cima os pedaços do polvo. Torne a salpicar sal grosso e páprica e termine com uma boa regada do azeite. Viu como é fácil?

Sirva à palito imediatamente (se esfria fica borrachudo). Excelente para acompanhar cerveja ou whisky.

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Santiago de Compostela – Polvo a Galega

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Foi do alto do Monte do Gozo, tendo por companhia o grupo mineiro das Caminhantes da Estrada Real e mais dois peregrinos gigantes de bronze que, finalmente, no décimo dia de nossa viagem, avistamos Santiago de Compostela. Do monte caminhamos juntas, cantando o nosso hino, ao tão ansiado encontro de todos os peregrinos na imensa praça no centro histórico de Compostela. Por toda a minha vida, sempre que lembrar-me deste momento, vou arrepiar da cabeça aos pés! A emoção da chegada é indescritível, sinto muito. Você só entenderá se um dia lá for. Eufóricas, diante da majestosa catedral de São Tiago Maior, abraçamos e beijamos amigos e desconhecidos, choramos e rimos juntos sob um magnífico céu sem nuvens, do azul mais intenso que se possa imaginar. É tocante presenciarmos casais se beijando e perceber em seus semblantes a renovação do amor após o esforço da longa caminhada. Grupos de amigos se abraçando, chorando e cantando juntos. Peregrinos esticados nas pedras do chão, aproveitando o merecido descanso. Pessoas de joelhos, rezando e agradecendo – louvada seja a fé que nos levou a todos até lá! Um momento simplesmente mágico!

Dentro do casco histórico de Santiago reina uma grande festa de confraternização a qualquer hora de todos os dias do ano. Fomos comemorar no antigo mercado que existe no mesmo lugar há mais de mil anos. Caminhada e emoções nos deixaram com muita fome! O mercado é famoso pelos frutos do mar típicos da região pois Compostela está a menos de uma hora do mar. Há uma grande variedade deles: à parte dos peixes, camarões de todos os tamanhos, lagostins e lagostas, polvos, ostras, vieiras, mexilhões e os mais diversos e estranhos mariscos das costas marítimas do Norte da Espanha como almejôas, percebes e navarras. A tradição  é comprar frutos do mar no quilo e levar ao balcão dos muitos bares que lá existem para serem preparados na hora.

Desta forma – ao vivo- aprendi a fazer o prato mais famoso da Galícia:

 

Polvo à Galega

Antigamente havia que se bater no polvo para quebrar suas fibras. Hoje, não mais. O processo de congelar faz este serviço para nós! Bem, então descongele o polvo. Em uma panela grande, de preferência de aço inox, esquente água com sal, alho e ervas. Estando  no ponto de fervura, coloque o polvo totalmente imerso para cozinhar até que fique ao dente – firme mas que dê para enfiar o garfo e ver que já amaciou. Retire da água, escorra. Corte rodelas de 2 a 3 cm com uma tesoura. Prepare a tábua de madeira regando-a com azeite extra virgem, Disponha o polvo em tronquinhos. Tempere a gosto com sal grosso e páprica – doce ou picante. Torne a dar uma boa regada com o azeite. Sirva quente e à palito acompanhado de uma cerveja gelada- experimente e Estrella Galicia!

Em tempo: antes da chegada a Compostela fizemos um piquenique no Monte do Gozo com as famosas empanadas da Galícia: de bacalhau, de bonito ( peixe tipo atum) e de zamburiña ( tipo de marisco). Uma delícia! Vou testar em casa e depois passo a receita.

Percorri mais de 100 km a pé e cheguei mesmo até Santiago de Compostela, olha a prova:

 

Peixes e frutos do mar 

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Valeu a pena uma visita ao Mercado de Peixes de Rialto, em Veneza, para ter aqui no blog um catálogo para vocês consultarem quando tiverem dúvida sobre as diferenças entre diversos peixes e frutos do mar –  crustáceos, moluscos, lulas, polvos e outros – principalmente aqueles consumidos no sul da Europa, provenientes do mares Mediterrâneo, Adriático, Atlântico e mar do Norte. Muitos deles são exportados para o Brasil ou temos semelhantes.

Experimente receitas que temos aqui no blog de peixe, camarão e frutos do mar, como Risotto ai frutti di mare, Risotto de camarão com aspargos verdes, Camarão à pomme d’or, Escabeche de peixe, Filé de peixe à provençal.

Veja também Dicas:

1) filé de peixe: grelhar, fritar ou assar

2) como limpar frutos do mar.