Ovos mexidos

Standard

Quem sabe fazer ovos mexidos sobrevive em qualquer lugar do mundo, salvo, talvez, na terra dos esquimós (será que comem ovos de pinguim?) Ao mesmo tempo que é uma tarefa muito fácil também pode ser uma obra de arte – você pode variar as cores e os sabores, inclusive pode se tornar um artista especializado em ovos mexidos! Tem mais, é um alimento saudável, nutritivo, rico em proteínas e perfeito para quem faz dieta.  Pode ser feito para o café da manhã, para qualquer hora do dia e ainda quando chega faminto em casa de madrugada e deseja preparar algo para comer que dê pouco trabalho e previna a ressaca do dia seguinte.

Basicamente vai precisar, por pessoa (em nível normal de fome):  2 ovos, 1 colher de sopa de manteiga (pode ser azeite) e sal. A partir daí começa o gosto pessoal e a sofisticação. O mais simples pode ficar delicioso se juntar 1 colher de chá de queijo minas ou parmesão ralado e salpicar cheiro verde (salsinha e cebolinha) picado na hora. Vamos à receita de hoje:

Ovos mexidos com presunto cru e aspargos

Separe dois ovos, 2 fatias de presunto e 2 talos de aspargos, azeite e sal. Pique os aspargos e coloque os tronquinhos em uma frigideira com um pouco de água ( 1/2 xícara de chá). Leve ao fogo e deixe a água secar, verificando se os aspargos estão macios. Rasgue as fatias de presunto em tamanhos que caibam na boca sem precisar partir. Enquanto isto, quebre os ovos sobre um prato fundo e bata-os com um fuê ou com 2 garfos juntos até que fique espumoso. Coloque sal (se quiser junte uma pitada de pimenta do reino).

Coloque de volta a frigideira limpa e seca no fogo e deixe que derreta 1 colher de sopa de manteiga ou azeite. Despeje os ovos assim que batê-los, de forma a ocupar toda a superfície da panela. Baixe o fogo. Espere que o ovo comece a endurecer nas bordas. É a hora de espalhar, rapidamente, os ingredientes escolhidos -no caso os aspargos e o presunto cru. Agora corte o ovo em pedaços grandes e vire-os ao contrário para tostarem levemente. Mexa tudo e sirva imediatamente. O acompanhamento perfeito são torradas acabadas de sair da tostadeira.

Use sua imaginação e bom gosto para variar os ingredientes, mas aconselho nunca usar mais de dois, a não ser que o terceiro seja queijo ou ervas:

1- use qualquer tipo de queijo, ralado ou cortado em fatias finas ou cubinhos.

2- cebola branca ou roxa cortada em fatias grossas: antes de juntar, frite-as à parte.

3- tomate: corte em fatias finas ou cubinhos e junte ao final.

4- legumes, como brócolis, cenoura, abobrinha: precisam ser aferventados à parte antes de misturar.

5- cogumelos: afervente-os antes e pique em fatias finas.

6- linguiça ( aferventar e fritar antes  no micro ondas) , salaminho ou carne desfiada picados.

7 – ervas frescas picadinhas ou ervas secas.

8- jiló ou quiabo: precisam ser fritos e escorridos à parte.

9 – alcaparras, alcachofras ou azeitonas: só retirar do vidro, escorrer e picar.

Se estiver com muita preguiça, veja o que tem de resto de salada ou carne na geladeira.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Calzadilla – a tortilla perfeita

Standard

Continuando nossa caminhada pelo Caminho de Compostela, saímos bem cedinho de Sahagún para alcançar Calzadilla de la Cueza na hora do almoço. O espanhol típico começa a trabalhar por volta de oito/nove horas da manhã e segue até o meio dia / uma da tarde. Então fecha o seu estabelecimento – mesmo que este seja um restaurante ou lanchonete! – e vai para casa almoçar. Depois, vem a sagrada “siesta” e só voltam a abrir o comércio e os escritórios depois das quatro da tarde, para fechar às sete horas. Depois deste horário permanecem abertos somente os restaurantes. Pois em Calzadilla fomos fazer um lanche – que na verdade foi um almoço – quase às três da tarde! Talvez porque nossa fome era muita achamos tudo uma maravilha!

 

Os destaques foram os pães caseiros, o fantástico queijo de cabra da região e os diversos embutidos – jamon ibérico (presunto defumado de porco), cecina (defumado de carne de vaca famoso desta região), chorizo (tipo copa) e um outro do tipo do salaminho italiano. Como já nos aproximávamos da Galícia, apareceram a maionese de atum e o bolinho de bacalhau, iguais aos que minha avó materna fazia ( seus avós eram portugueses do Norte, já perto da Galícia) e tão comuns em Minas Gerais. Os ingredientes da maionese são: ovos cozidos, batatas, azeitonas verdes, atum desfiado e a própria maionese ( bate-se o ovo com o azeite no liquidificador em baixa velocidade).

Porém, o sucesso do dia foi a tortilla mais linda e mais gostosa que já comi. E olha que já provei tortilla pelos quatro cantos da Espanha! Bem grande – uns 30 cm. de diâmetro e bem alta – uns 7 cm de altura e muito, muito fofa. Perguntamos ao simpático dono do restaurante a receita – claro que a princípio não quis nos dar. Mas fizemos tantos elogios e insistimos tanto que ele acabou por chamar o cozinheiro para explicar como fazer. Surpresa: era um brasileiro!  Eis como ele nos passou a receita: bate os ovos, junta com as batatas cortadas na frigideira, tempera com sal. Espera corar e vira do outro lado. Parece fácil, não é? Porém, tem detalhes…

Receita da famosa Tortilla de Calzadilla (por minha conta) 

É necessário que se tenha uma panela especial – ou melhor, são duas frigideiras que se encaixam – como estas omeleteiras, só que tamanho gigante ( espiei e vi-as na cozinha!) Cortam-se as batatas em lascas finas (ele não disse mas eu sei que há de se enxugá-las envolvendo-as e apertando-as com um pano). Batem-se os ovos ( também sei que bate-se primeiro as claras até dar volume e depois vai-se juntando as gemas). Unta-se a frigideira ( já ligeiramente aquecida com azeite, a conta de formar uma fina camada em todo o interior). Deita-se a terça parte dos ovos batidos, salpica-se o sal, coloca-se a metade das batatas sem sobrepô-las, mais um salzinho. Repete com a camada de ovos, sal , batatas, sal. Finaliza com os ovos. Isto tem que ser feito muito, muito rápido. Aí está o segredo! A esta altura a tortilla já está corada no fundo, então se emborca a outra frigideira e vira as duas juntas para corar do outro lado (haja força nos punhos!) Experimente fazendo uma pequena, mas se não ficar tão bonita como a da foto, console-se – é necessário muita prática! Vai treinando…

De sobremesa, veio uma tortinha deliciosa – massa feita com farinha de trigo, amêndoas, leite, açúcar e manteiga. Como recheio, maçãs. Você pode usar outras frutas ou geléias. É uma receita bem comum na Europa e fica para outro dia.

 

Mousse cookies ‘n cream

Standard

Mousse – palavra francesa que significa espuma – é uma das sobremesas mais fáceis de se fazer, pois é só misturar os ingredientes e por para gelar. Esta receita de hoje surgiu do improviso e fez tanto sucesso que se incorporou à nossa lista de sobremesas prediletas. Um dia resolvi fazer uma mousse de chocolate quando vi que faltava justamente a barra de chocolate. Como não tinha tempo de sair para comprar uma, fui procurar na gaveta da mesa do meu filho, onde sempre tinha algum chocolate.  Achei só uma barra de chocolate branco com cookies. Resolvi adaptar a receita e deu certo. Na verdade, as mousses mais simples que faço têm sempre uma base de leite condensado, creme de leite, claras e gelatina. Fora isto, você pode misturar outros ingredientes, como chocolates, nutela, pastas ou sucos de frutas. Experimente inventar uma!

Mousse cookies n’ cream

Este nome é o do chocolate branco com pedaço de cookies fabricado pela Hershey’s – veja a foto. Esta barra tem 130 gr. Você pode também usar outros tipos de chocolate, por exemplo, o chocolate branco e misturar pedacinhos de cookies ou de biscoito de chocolate. O chocolate ou a mistura deste com biscoitos não deve ultrapassar 150 gr. Anote os outros ingredientes: 1 caixa de leite condensado, 1 caixa de creme de leite, 3 claras de ovos, 12 gr. ou 1/2 pacotinho de gelatina em pó.

Parta a barra de chocolate em pedacinhos. Misture o leite condensado com o creme de leite. Junte tudo. Bata as 3 claras de ovos na batedeira ( na Planetária pode ser na velocidade 4.5). Enquanto isto, coloque o pó da gelatina em uma xícara e acrescente 2 colheres de sopa de água. Leve ao micro-ondas por 15 segundos para derreter. Junte este líquido às claras de ovos em neve, ainda na batedeira. Agora, retire da batedeira e misture os cremes, com a ajuda de uma espátula, fazendo leves movimentos de fora para dentro e de baixo para cima até que a espuma das claras fique homogênea. Leve para gelar por 4 horas, no mínimo.

Fica bonito e delicioso se você servir a mousse acompanhada de um coulis de frutas vermelhas.

Aprenda a enfeitar suas sobremesas com um fio de chocolate. Faça uma calda rala misturando 1 colher de sopa de achocolatado com 1 colher de sobremesa de açúcar refinado, 1 colher de chá de manteiga e 1/2 xícara de café de leite. Misture e leve ao fogo baixo para derreter e dar ponto de calda rala. Compre um destes tubos com bico (do tipo que coloca mostarda em carrinho de cachorro-quente). Despeje a calda dentro e use-a na quantidade que desejar. Faça um belo desenho! Veja a foto no topo da página.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Pudim de claras

Standard

Esta é mais uma das deliciosas receitas de sobremesa tradicional mineira cuja origem é portuguesa. Tem um detalhe interessante – diferente do Quindim, do Papo de anjo, dos Pastéis de Belém e de Santa Clara, dos Ovos moles e de tantas outras sobremesas feitas com gemas, este pudim é feito só com claras. Contam que em Portugal as freiras dos conventos engomavam com claras de ovos seus hábitos, as roupas dos padres e dos bispos e ainda as toalhas usadas nas liturgias da igreja. Como sobravam muitas gemas, inventaram muitos doces para aproveita-las. Só que um dia pode ser que não tinha mais roupa para engomar e resolveram usar as claras para fazer pudim! Tem outra peculiaridade interessante: para o pudim crescer é melhor que seja feito na semana da lua cheia! A receita é muito fácil mas tem de ser bem feita.

Pudim de claras

Para o pudim vai precisar de 10 claras e de 2 xícaras de chá cheias de açúcar refinado. Tem gente que junta às claras um tico de sal. Na minha receita particular eu gosto de misturar ao merengue as raspas de 1 limão tahiti para quebrar um pouco o sabor muito doce. Para a calda vai usar 1 xícara de chá de açúcar e 1/2 xícara de água fervente.

É necessária uma boa batedeira (eu uso a Planetária da Arno) ou um pulso muito forte! Bata na velocidade 5 as claras em neve, bem firmes. Baixe para a velocidade 3 e vá acrescentando o açúcar até obter um merengue denso e perfeito. Misture as raspas de limão com uma espátula, levemente.

Ligue o forno a 180 graus e esquente 1 litro de água para o cozimento do pudim no forno, no processo chamado de banho maria. Separe uma forma de número 22, daquelas de furo no meio e uma assadeira alta que caiba a forma.

Faça a calda de açúcar. Coloque o açúcar em uma panela e mexa sem parar com uma colher até que o açúcar derreta por igual e tome a cor de caramelo. Despeje a água quente (cerca de 1/2 xícara de chá) pelas beiradas, com cuidado, e deixe que incorpore ao açúcar até obter uma calda líquida e cristalina. Desligue. Imediatamente, tome a forma e deite a calda dentro dela, de modo a deixa-la forrada com uma camada de calda nas laterais e no fundo. Use um pincel grosso para espalhar bem. Despeje o merengue, bata nas laterais para a massa se acomodar e nivele. Coloque a forma na assadeira e esta no forno. Despeja a água quente na assadeira até 1 dedo abaixo da borda. Deixe assar por cerca de 25 minutos ou até ver que o pudim ficou levemente corado, de cor rosada. Retire do forno e coloque a forma sobre o fogão ou em uma superfície que não seja fria. Deixe esfriar. 

Coloque a forma na geladeira coberta por filtro plástico até pouco antes de servir. Então passe uma faca molhada (sem água escorrendo!) nas bordas externas e internas para soltar o pudim. Escolha um prato de bolo e coloque-o sobre a forma. Vire o conjunto. Se a calda ficar no fundo da forma, esquente-a ligeiramente e derrame-a sobre o pudim. Se não for servir imediatamente, volte para a geladeira.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Sanduíches italianos em Roma

Standard

em RomaDeixando a cozinha de nossa filial em Bruxelas, hoje iniciamos novas postagens do Sal & Alho Viaja. Vamos passear por Roma, seguindo pelo sul da Itália, atravessando o mar Adriático, dando uma volta pela Croácia e Eslovênia e seguindo para o norte até chegarmos a Veneza!

Além de dar uma olhada geral nos cardápios para inspirar novas receitas, irei mostrar aqui no blog o que for vendo de diferente. Em Roma, por exemplo, perto da Piazza de Espanha, encantei-me com uma vitrine de sanduíches. Logo lembrei que temos postado poucas alternativas para lanches e almoços rápido na seção Marmita Business – MB- do blog. Pois hoje saldo a dívida!

Aqui estão diversas opções de sanduíches deliciosos ( provei e amei!) originais, naturais, com poucas calorias e bem fáceis de fazer.

Siga as fotos e as dicas de como fazer os sanduíches:

Sanduíches de atum

Para quem gosta de atum, compre atum ralado em conserva no azeite ou no óleo – em lata e de uma boa marca. Para fazer a pasta de atum, bata no liquidificador atum e ricota – sendo esta última na proporção de 1/3 da quantidade de atum e junte um pouco de água quente – a conta para facilitar de bater. Tempere com sal, limão, pimenta do reino branca e ervas. Acrescente um toque de maionese ( se quiser) e ketchup ( só um pouquinho, se gostar).

Para dar mais sabor, acrescente picles (foto 3). Você tanto pode comprar a conserva como fazê-la em casa. Pique miudinho cenoura aferventada, nabo, pepino, azeitonas preta e verde, pimentão – o que for de seu agrado. Faça uma mistura de azeite e vinagre temperada com sal e pimenta. Coloque tudo em um vidro. Tampe e leve à geladeira por 3 dias. Escorra antes de colocar no sanduíche.

Monte seu sanduíche à gosto, inspirando-se nas fotos!

Sanduíches de muçarela de búfala 

Eu adoro essa muçarela cremosa, me dá água na boca só de olhar. A opção 4 é como se fosse uma salada Caprese no pão, então tempere com azeite e manjericão. Na opção 5, com cogumelos, recomendo aferventá-los antes e temperá-los com um pouquinho de molho de soja. Para a opção 6 veja o preparo do espinafre: lave as folhas e coloque-as em uma panela com um pouquinho de água. Assim que a água ferver, desligue e tampe. Depois de 3 a 5 minutos, escorra bem a água, apertando as folhas com as mãos. Coloque-as sobre uma tábua e bata com uma faca até ficar miudinho. Deite azeite na panela, frite uma pontinha de sal com alho e passe rapidamente o espinafre. Aperte para sair o caldo e coloque-o no sanduíche às colheradas, entremeando a muçarela.

Sanduíche com frios 

Para um sanduíche que sustente por mais tempo, use frios como mortadela, presuntos e embutidos como copa ou salaminho. A opção 7 foi feita com pães feitos à base de  suco de cenoura ( laranja) e com espinafre( verde) e os outros com pão integral com grãos e pão ciabata. Varie também os queijos.

Sanduíches com frutos do mar

Experimente estas três opções que misturam frutos do mar – peixe branco ou kani ou camarão e picles misturado com creamcheese (pode substituir por maionese ou queijo cottage). Use folhas para dar frescura e crocância.

Invente!

Salada Évora

Standard

Quando crio novas saladas gosto de dar a elas nomes de lugares. Esta, por exemplo, tem ingredientes que os portugueses amam: pimentões, ovos, alcaparras e azeitonas pretas.
Então resolvi homenagear esta linda cidade ao sul de Portugal. Se não a conhece, acrescente na sua lista de lugares a visitar, principalmente porque lá se come muito bem.

Esta salada tem detalhes especiais. Primeiro: não gosto de pimentão cru, pois é indigesto – veja a seguir como prepará-lo para saladas. Segundo: ao invés de colocar ovos simplesmente cozidos, tempere-os, preparando um pesto para as claras e um molho com mostarda para as gemas. Quanta diferença faz!

Separe: 2 pimentões, azeite, 3 ovos, 1 colher de café de mostarda, sal, cheiro verde ( salsinha e cebolinha), algum tipo de nozes, pinhole ou castanha, queijo tipo parmesão ralado, alcaparras, azeitonas pretas e folhas de rúcula.

Prepare os pimentões:
Corte um pimentão vermelho e outro amarelo, no sentido do comprimento, em 4 partes. Tire as sementes. Pincele com azeite uma travessa refratária, esfregue os pimentões neste azeite, de um e outro, e leve-os ao forno a 180 graus para assarem – com a pele para cima. Quando a pele estiver enrugada e levemente escurecida nos cantos, retire-os e, ainda quentes, puxe a pele com uma faquinha. Corte-os em tiras finas. Reserve.

Prepare os ovos:
Cozinhe 3 ovos em água quente, tirando um com 5 minutos de fervura da água, para ficar com a gema mole, e os outros dois com 10 minutos, para ficarem duras. Corte os ovos, já frios, ao meio, no maior sentido ( veja foto). Amasse e misture as gemas com um garfo e tempere-as com sal, azeite e mostarda e, se gostar, um pouquinho de pimenta do reino. Pique as claras.

Prepare um pesto cortando miudinho o cheiro verde e macerando com azeite em um pilão até o azeite ficar verde. Junte as nozes picadinhas e o queijo ralado bem fininho. Reserve.

Monte o prato dispondo as folhas de rúcula embaixo e regando-as com um fio de azeite. Por cima, arranje com arte as fatias de pimentão assado, as alcaparras, as azeitonas pretas, as claras temperadas com o pesto e salpique o creme de gemas.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Bacalhau com crosta de broa sobre tortinha de batatas

Standard

Esta receita foi criada por mim, com exclusividade para a coluna Degusta, do jornal Estado de Minas e foi publicada no dia 11/01/2015. Com permissão da jornalista Isabela Teixeira da Costa, publico hoje no blog Sal& Alho.  Em homenagem à minha amiga, dou a esta receita o nome de

Bacalhau à Isabela.

Esta é uma receita de inspiração ibérica, uma releitura de sua culinária tradicional. Juntei uma das maneiras mais antigas de se fazer bacalhau em Portugal com a receita da conhecida tortilla espanhola. Além disto, tomei a liberdade de dar o meu toque pessoal.

Ingredientes por pessoa:
1- Para o preparo do bacalhau: 1 posta ( 200 gr.) de bacalhau já dessalgada, limpa e aferventada, 1 broa de fubá de canjica, 1 cebola grande, 6 cubinhos de bacon, 3 dentes de alho, 1 colher rasa (de café) de sal grosso e 1 xícara (de café) de azeite.
2- Para a tortinha: 1 batata grande, ½ cebola grande, 2 ovos caipira, 1 colher (de chá) cheia de salsinha e cebolinha picadinhas, sal, pimenta do reino, 1 colher (de sobremesa) de azeite, ½ colher (de café) de sal com alho. Vai precisar de um aro de inox ou forma com diâmetro de 10 cm.

Modo de preparo:
1- Do bacalhau: corte a cebola em fatias finas. Pique os cubinhos de bacon e os dois dentes de alho em três partes. Tome uma travessa refratária e coloque a cebola no fundo, distribuindo os pedacinhos de bacon e de alho. Coloque a posta de bacalhau já preparada no centro da travessa. Em cima da posta, coloque um dente de alho cortado miudinho. Regue o bacalhau e a cama de cebolas com azeite e salpique o sal grosso. Leve ao forno pré-aquecido a 250 graus por 20 minutos ou até começar a corar o bacalhau e a cebola. Enquanto isto, passe a broa – comprada de véspera e deixada endurecer – no ralo médio. Junte um pouquinho de clara de ovo, só para juntar os farelos. Reserve.
Tire a travessa do bacalhau do forno. Retire da travessa toda a cebola, o alho e o bacon, deixando apenas o bacalhau e o azeite que ficou no fundo. Arranje a mistura de broa sobre o bacalhau e volte ao forno apenas para corar a crosta de broa.

2- Do purê de cebola: Despreze o bacon e o alho. Bata a cebola em um processador até que se torne um purê homogêneo. Leve-o ao fogo baixo por 5 minutos. Reserve.

3- Da tortinha: cozinhe uma batata grande até ficar cozida porém firme. Despele-a e corte-a em fatias finas. Reserve. Corte a cebola também em fatias finas. Aqueça o azeite em uma frigideira e doure-a ligeiramente com sal e alho. Reserve. Bata os ovos, clara com gema, e coloque sal e pimenta do reino. Pique a salsinha e a cebolinha bem miudo. Reserve. Tome o aro (ou a forma) e unte com um pouco de azeite. Monte a tortinha: uma camada de batata, salpique o sal e as ervas; uma de cebola; a segunda de batata, sal e ervas; a segunda de cebola e a última de batata. Regue com a mistura do ovo batido, fazendo furinhos com um palito para que o líquido desça e se deposite entre as camadas de batata e cebola. Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus por 20 minutos ou até verificar que a batata está corada.

4- Montagem do prato individual: coloque primeiro a tortinha de batata. Por cima dela, arranje o bacalhau. Em volta da tortinha, distribua o purê de cebola. Para decorar, corte tomatinho cereja em fatias e retire o miolo. Escolha rodelinhas de azeitona preta do mesmo tamanho. Disponha-as de um lado do prato. Enfeite o bacalhau com um raminho de alecrim, só para dar um toque aromático.
Sirva o prato quente.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Quindim

Standard

A receita desta delícia rara que leva o nome de quindim perde-se no tempo, de tão antiga – talvez tenha cerca de quinhentos anos. Em Portugal tem um doce quase igual que se chama brisa-de-Liz, só que é feito com amêndoa. No Brasil, é feito com côco, trazido originalmente das costas d’África como lastro nos navios negreiros; por aqui as palmeiras e coqueiros se esparramaram como se fossem nativas. Daí se conclui que o quindim é uma adaptação brasileira do doce português, certamente com origem no Brasil Colonial. Lembro-me de referências aos “quindins de iaiá” nos romances de Machado de Assis e outros de seu tempo.

A receita que aqui vai é a da minha família, que me foi passada pela minha tia, perita na arte do quindim e de tortas deliciosas – ainda pego estas receitas com ela!

Quindim

Você vai precisar usar 20 forminhas de alumínio de tamanho médio se quiser fazer o docinho tradicional. Outra opção é fazer o quindão, usando aquela forma de bolo que tem um furo no meio.

Separe: 1 ovo inteiro mais 6 gemas. Tire a pele das gemas uma a uma, beliscando-as e puxando a pele para cima, deixando escorrer o líquido entre os dedos. Passe as gemas em uma peneira fina.

Vai usar: 1 colher de sopa rasa de manteiga, 1 xícara de chá de açucar refinado e igual quantidade de côco ralado. Se não quiser tomar o trabalho de esquentar o côco no fogo, quebrá-lo, retirar a noz e ralar, compre côco ralado congelado. Não presta fazer quindim com côco ralado seco de pacote.

Tome a batedeira e misture o ovo com as gemas. Acrescente o açúcar, depois a manteiga e o côco ralado. Unte as forminhas com pouca manteiga e polvilhe-as com açúcar. Misture novamente o creme e encha as forminhas até ¾ da altura. Deixe descansando até verificar que o côco subiu.

Pré aqueça o forno a 180 graus. Esquente água em um caneco. Coloque as forminhas em um tabuleiro grande e alto e coloque-o na prateleira do forno. Preencha o tabuleiro com água até a altura da metade das forminhas, no máximo.

Vigie o cozimento para não deixar corar. Teste se já estão cozidos enfiando um palito – se sair limpo, está pronto!

Coloque na geladeira, desenforme e sirva frio.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Pasta caseira – Lasagna

Standard

Coragem, você é capaz! Não se impressione achando que fazer uma pasta em casa é coisa de italiano e especialista, pois você pode fazê-la perfeitamente bem. Só tem um problema: é tão divertido e relaxante que vai ficar viciado! Tem outro porém: vai ter de ficar zen o tempo todo, claro, é para divertir e não para se estressar. O tempo de preparo é em torno de duas horas e meia. Colocar uma boa música de fundo e um cálice de vinho do lado torna tudo mais prazeroso. Outra ajuda boa é ter uma maquininha para abrir a pasta – a não ser que queira aproveitar para fazer musculação nos braços. Juro, é um excelente exercício. Não pense no trabalho que vai dar, concentre-se na recompensa pois hoje vai comer muito bem! Agora, mãos à obra. Siga as etapas pelas fotos.

Pasta caseira – corte para lasagna

A medida padrão é: para cada ovo,100 gr. de farinha de trigo. Para um pirex grande de uma receita pronta, que dá para 12 a 15 pessoas, vamos usar: 6 ovos e 600 gr. de farinha de trigo, mais 2 colheres de sopa de azeite e 2 colheres de chá de sal.

 

Limpe a superfície da bancada e coloque  a farinha de trigo pesada – 600 gr. Faça um monte como se fosse um vulcão e coloque os 6 ovos inteiros dentro da cavidade central. Com um garfo, bata ligeiramente os ovos, incorporando as gemas às claras, com cuidado para não romper as laterais do “vulcão”. Neste ponto, acrescente o azeite e o sal. Misture. Continue batendo com o garfo e aos poucos, com a outra mão, traga um pouco dessa farinha para o centro, misturando-a com os ovos, até formar uma massa homogênea. Quando a massa começar a tomar forma, largue o garfo e coloque as mãos na massa, literalmente. Faça uma bola com a massa e deixe-a descansando por cerca de uma hora, coberta com um pano.

Se tiver uma máquina de preparar massa, molde a massa em formato de bisnaga, com uma espessura que preencha a palma da mão. Com uma faca grande e afiada, corte-a, sobre a bancada, em pedaços de dois dedos de largura, como quem parte um pão. Deite cada pedaço e achate-os com a palma da mão, preparando-os para passar no cilindro. Se a massa não estiver seca, polvilhe-a com farinha de trigo antes de passá-la no cilindro. Isto é muito importante, pois se a massa estiver úmida, vai grudar na máquina e danificá-la. Agora chame um assistente, pois esta parte requer quatro mãos – duas para controlar a máquina e duas para controlar a massa. Comece pela medida mais larga da máquina. Insira a massa na parte de cima e recolha a massa espichada por baixo, com cuidado para mantê-la esticada. Para obter uma massa mais homogênea, dobre-a em três partes, no sentido do comprimento e passe-a novamente na mesma medida de cilindro, por três vezes. Atenção: a massa a ser inserida não deve ser mais larga do que a máquina, sobrando de um a dois dedos de cada lado. Prossiga diminuindo a espessura, repassando a massa uma vez em cada número, até obter uma massa fina e bem comprida. Reserve uma superfície grande e seca, polvilhada com farinha de trigo para descansar a massa. Ao repousá-la, polvilhe também um pouco de farinha por cima. Repita o mesmo procedimento com todos os pedaços. Ao terminar, recorte as fatias nas laterais, para um melhor acabamento. Observe a travessa em que vai montar e tente recortar suas grandes lâminas em pedaços que se encaixem na mesma.

Se não tiver a máquina, abra a massa com o bom e antigo rolo de massa, sempre com o cuidado de polvilhar a bancada e também o rolo sempre que necessário. Neste caso, o objetivo é obter lâminas de massa aproximadamente da mesma espessura. Corte em retângulos ou quadrados que se encaixem na sua travessa.

Para cozinhar as lâminas da massa: ponha água para esquentar em uma panela grande. Quando a água ferver, coloque 4 lâminas de cada vez e deixe por cerca de 3 minutos ou até que fiquem esbranquiçadas e se partam com o garfo. Durante o cozimento, mexa com um garfão para não agarrarem umas nas outras. Quando estiverem ao dente (oferecendo ligeira resistência ao corte), retire-as separadamente usando o garfão e disponha-as abertas sobre um pano de prato. Esta é a parte mais difícil: é importante abrí-las por completo, mesmo muito quentes, usando a ponta dos dedos, de pouco em pouco. Agora sua massa está pronta e você poderá usá-la imediatamente, tal como usa as compradas prontas.

Se, por acaso, achar que tem mais massa do que vai precisar, separe-as antes do cozimento, embrulhe bem com plástico filme e guarde por até três dias em ambiente seco ou até uma semana na geladeira.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Ovos de Páscoa

Standard

Prometi contar a história dos ovos de Páscoa da região da antiga Hungria, que mais tarde se tornou parte do Império Austro-Húngaro e que então abrangia largas extensões de terras que hoje são de outros países, como a Eslováquia e a República Tcheca.

Agora que estamos na Semana Santa, vi ovos de Páscoa à venda nas feiras de rua, desde Budapeste, passando por Bratislava, Viena e Praga. Vi alguns simplesmente pintados de uma única cor como azul, vermelho e verde.

DSCN0475

Pela aparência, desconfiei que eram ovos verdadeiros de galinha, e eram mesmo! Daí comecei a ver ovos finamente pintados com lindos desenhos em todas as cores. Pela preciosidade dos motivos e variedade de cores julguei não ser possível que alguém pintasse ovos de galinha com tanto capricho. Pois fui perguntar e fiquei admirada por saber que eram todos ovos de verdade! Pensei: porque alguém se dá ao trabalho de pintar um ovo que depois de alguns dias apodrece? Perguntei de novo e fiquei sabendo da antiga tradição de se presentear ovos no Domingo de Páscoa. A história antiga é a seguinte:

Na manhã do dia da Páscoa, os homens acordavam cedinho, iam até o poço mais próximo e retiravam um balde de água, que a esta época do ano está a cerca de 8 graus de temperatura. Voltavam às suas casas e acordavam as mulheres da família, a esposa e as filhas, se houvessem, jogando água fria em cima delas. Como era considerado um gesto de agrado, pois a água é sinal de vida e representa renovação, as mulheres não podiam reclamar. Ao contrário, a esposa dava de presente ao marido um ovo pintado por ela. Quanto mais prendada, ou rica e de boa família, mais bonito tinha que ser o ovo, que representa a fertilidade, mostrando assim o seu desejo da família crescer e prosperar. Antecipadamente, as mulheres se reuniam no sábado para pintar os seus ovos. Prosseguindo, no domingo de Páscoa, depois que tomavam o café da manhã, os homens das aldeias se reuniam e iam de casa em casa, jogando água nos cabelos das mulheres e recebendo em troca um ovo pintado e um agrado em forma de bebida alcoolica, um tipo de cachaça doce feita a partir da fermentação de frutas como ameixa, cereja ou pera. Hoje o costume continua na região da atual Hungria, só que os homens jogam perfume em aerosol no cabelo das mulheres ao invés de água. As mulheres continuam retribuindo com ovos e bebida. Como passam o dia visitando as casas dos vizinhos, amigos e familiares, ao final do dia os homens estão totalmente bêbados. Segunda-feira então ficou sendo feriado, pois é o dia de curtir uma tremenda ressaca!

Dica: você pode tentar tingir o ovo de um tom avermelhado deixando que cozinhe na água com casca de cebola!

Bolinho de arroz

Standard

Quer coisa mais mineira do que um bolinho de arroz quentinho e crocante? Perfeito para acompanhar uma cerveja ou uma caipirinha, vai bem no almoço e no lanche da tarde. Só tem um detalhe: é uma delicia feito na hora, se guardar, pode até comer depois, mas perde a graça.

Bolinho de arroz

Basta ter 2 xícaras de chá de arroz ( que pode até ser aquele que está há dias na geladeira) e mais 1 ovo, óleo para fritura e temperos.

Bata no liquidificador 1 xícara de chá de arroz com 1 ovo, salsinha e cebolinha verde, sal e alho, pimenta do reino e um pouquinho d’água. Fora do liquidificador, em uma bacia de cozinha, junte esta massa batida com a outra xícara de arroz e misture bem.

Coloque óleo para esquentar em uma panela média, mais ou menos uns 2 dedos. Quando o óleo estiver quente, faça os bolinhos um a um, usando uma colher de sopa. Despeje-os no óleo, um a um, podendo colocar 6 bolinhos para fritar de cada vez. Vire-os de um lado e outro com uma escumadeira, para que fritem por igual até ficarem corados. Retire e deixe que sequem o excesso de óleo sobre um papel toalha. Sirva quente.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Farofa de ovos – o segredo

Standard

Sabe aquela farofa maravilhosa que você come na churrascaria? Vou te contar como faze-la. Só que duvido que tenha a coragem de colocar a quantidade de manteiga (ou margarina) ou até mesmo a gordura que escorre da carne na grelha! O que dá sabor aos alimentos é sempre a gordura, seja manteiga, bacon ou a pura gordura animal mesmo. Pobre de nós, que hoje temos consciência do mal que a gordura faz para as nossas artérias. Seja lá como for, fica a seu critério como vai  preparar a farofa.

Vai precisar de farinha de mandioca e ovos. Se quiser caprichar, vá lá no mercado e compre farinha de mandioca artesanal, que pode ser branca ou amarela. Aproveite e compre aquele ovo caipira que tem a gema bem amarelinha.

Preparo: Quebre os ovos em uma travessa de fundo arredondado e misture ligeiramente as claras e as gemas com a ajuda de um batedor de ovos manual (ou dois garfos) fazendo movimentos circulares e amplos, para entrar ar na mistura. Coloque uma pitada de sal.

Separe duas frigideiras e aqueça uma delas. Coloque a quantidade de manteiga, óleo, azeite e banha de porco que quiser. Despeje a farinha de mandioca, misture e torre ligeiramente. É melhor começar com pouca manteiga (se for a escolhida) e ir juntando mais aos poucos, até verificar que a farinha ficou soltinha e brilhante. Coloque sal e prove.

Na outra frigideira, ao mesmo tempo, coloque a mesma manteiga (ou o que tiver escolhido) e frite os ovos batidos ligeiramente. Assim que começar a endurecer nas laterais e embaixo mas o meio ainda estiver líquido, corte grosseiramente com uma espátula e misture rapidamente e de leve, de modo que o ovo fique frito por igual. Cuidado para não deixar que endureça.

Agora jogue o ovo na farinha e misture ligeiramente, sacudindo a frigideira para não quebrar os pedaços. Sirva imediatamente.

Se quiser variar, acrescente cheiro verde e ainda outros ingredientes, como azeitonas, passas, cenoura ralada, carne seca desfiada. Já vi quem põe até batata palha, mas tem que ser bem miúda e bem sequinha.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Salada portuguesa versátil

Standard

Saladinha fácil de fazer e versátil, pois servida quente acompanha uma posta grelhada de bacalhau ou outro peixe ou carne de sua escolha. São usados os ingredientes tradicionais da cozinha portuguesa: azeite, azeitona preta portuguesa – aquela pequenina deliciosa – ovos, batata e cheiro verde.

Para 2 pessoas: 1 batata grande, 2 ovos cozidos, 2 a 4 azeitonas pretas, sal a gosto, 1 colher de sopa de azeite a outra cheia de cheiro verde.

Cozinhe a batata, despele e corte em cubos grandes. Corte o ovo no meio, em quatro e em oito partes. Pique as azeitonas, a salsinha e a cebolinha. Coloque tudo em uma tigela. Acrescente o azeite com o sal. Balance para misturar os ingredientes sem quebrar. Sirva fria.

Se for servir como acompanhamento, coloque o azeite com o sal em uma frigideira antiaderente. Coloque  com cuidado a mistura feita na tigela e balance a frigideira.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.