Pisco Sour

Standard

O pisco está para o Peru como a cachaça está para o Brasil, ou seja, é a bebida mais típica e popular do país. Assim como se faz a famosa caipirinha ( umas das dez bebidas mais constantes nos menus de bares no mundo) com limão – a mais tradicional – e também com outras frutas, como abacaxi, maracujá, morango, lima, uva – no Peru tem pisco de vários sabores, sendo o mais tradicional o Pisco Sour, feito com limão tipo tahiti. Como no Brasil, há grandes fabricantes mas a bebida artesanal, dos pequenos alambiques, costuma ser melhor. Enquanto a cachaça é um destilado feito com cana-de-açúcar, o pisco é feito de uva e o título que vem na garrafa costuma ser do tipo de uva usada na sua fabricação.

Em minha viagem de dez dias pelo Peru tomei um Pisco Sour por dia, variando os sabores. Como se diz por lá, com um Pisco ficamos felizes e falantes, com dois, diz-se o que não se deve e com três, não se diz nada, pois a língua enrola!

A qualidade da bebida costuma ser de acordo com o nível do restaurante e os melhores coquetéis que tomei em Lima foram: na cebicheria La Mar, no restaurante Rosa Náutica e na centenária Taberna Queirolo . Nesta última, onde acredita-se que o coquetel Pisco Sour foi criado, servem a bebida com o famoso sanduíche de pernil. A taberna é ponto obrigatório tanto para a boemia da cidade quanto para os turistas que gostam de conhecer os pontos históricos da cidade. Em Cuzco, amei o Pisco de morango do Inka, na Praça de Armas.

Pisco Sour

 É difícil encontrar a bebida, mas tente, vale a pena! Eu trouxe duas garrafas do dutyfree de Lima (e já acabaram, que pena!).

Primeiro coloque os copos onde servirá a bebida no congelador.

Anote:

-3 doses de Pisco ( pode medir pelo nosso tradicional mini-copinho de cachaça) – fica bem forte

-1 dose de suco de limão coado e resfriado na geladeira

-1 dose de calda de açúcar já resfriada na geladeira ( leve ao fogo 1 colher de sobremesa de açúcar misturada com 1/2 copo d’água, deixe esfriar)

-½ clara de ovo ( considere fazer os coquetéis de 2 em 2)

Misture tudo na coqueteleira, com cuidado, pois a clara de ovo espuma e aumenta de volume.

Coloque imediatamente em um copo previamente gelado.

Nos melhores restaurantes costumam pingar 5 gotas de angostura – dá um toque especial!

Sirva antes que a espuma baixe.

Lima, Peru – destino gastronômico imperdível

Standard

Lima, a capital do Peru, foi eleita pelo World Travel Awards, de Londres, como o Melhor destino gastronômico mundial em 2015, permanecendo como o Melhor da América do Sul em 2016. Resultado do esforço, durante dez anos, para elevar a culinária peruana ao status de uma das melhores do mundo, feito por um time de cozinheiros de primeiríssima, tendo à frente a destacada figura do criativo chef Gastón Acurio, hoje no comando de 52 restaurantes com suas diversas marcas em 11 países diferentes.

Vale a pena passar quatro dias em Lima, antes de seguir para Cuzco e Machu Pichu, a fim de almoçar e jantar em alguns de seus melhores restaurantes, além de fazer o tour cultural passeando pelo centro histórico e visitando os museus, igrejas e sítios arqueológicos. Se tiver intenção de ir aos mais badalados e premiados restaurantes, lembre-se que deve reservá-los com, no mínimo, dois meses de antecedência, pois estão sempre lotados ( não tive tempo pra fazê-lo e fiquei a ver os navios no Pacífico…).

Astrid &Gastón é o restaurante mais famoso e precursor da onda peruana, comandado diretamente pelo chef e sua esposa, onde apresentam uma culinária fusion criativa, de vanguarda. Hoje, o restaurante tido como o mais top de Lima é o Central, recém eleito, pela segunda vez consecutiva, o melhor restaurante latino do mundo. Nele, o chef Virgílio Martínez serve um menu degustação para pouco mais de cinquenta pessoas por noite. Considerando a cozinha Nikkei, fusão da culinária peruana com a japonesa, o primeiro na linha de importância é o Maido, comandado pelo chef Mitsuharu Tsumura. Seu atual menu – Terra Amazonia Peruana – serve produtos da região, como o pirarucu e caracóis. Todos situados no charmoso e sofisticado bairro de Miraflores, onde estão a maior parte dos restaurantes. Outra passagem obrigatória é pelo Maras, comandado pelo chef Rafael Piqueras, que trabalhou em famosos restaurantes como o El Celler de Can Roca, na Espanha, e que ama fazer pratos elaborados e finamente decorados com flores, folhas, algas e frutas silvestres.

Chegar e sentar, se não houver uma pequena espera enquanto você fica confortavelmente no bar tomando o delicioso Pisco Sour ou experimentando suas variações com frutas – esta é a vantagem dos restaurantes mais informais. Não deixe de provar o melhor cebiche do Peru no La Mar, restaurante do chef Gastón que leva muito a sério a proposta de servir o pescado fresquíssimo fornecido diretamente pelas cooperativas das águas geladas do vizinho oceano Pacífico. Esta dupla imbatível – Pisco Sour e Cebiche – serão nossas próximas receitas!

Outro restaurante de Gastón muito querido pelos peruanos é o Tanta, que tem um cardápio de culinária criolla ( do interior) e tem a proposta de servir comida caseira aos executivos que comem fora de casa todos os dias e querem uma comida saudável. O Tanta fica no shopping de grifes Larcomar, em Miraflores, situado nas altas falésias à beira mar, onde há muitas opções para se comer em uma ótima área de alimentação com uma linda vista.

Há passeios gastronômicos imperdíveis, como o Rosa Náutica – pitoresco e tradicional restaurante situado em um casarão no pier defronte a Miraflores ( fica dentro d’água), com amplo menu onde se pode escolher entre um sensacional menu degustação (daremos algumas das receitas!) ou pratos tradicionais da culinária peruana ou da fusion.

Aproveite para fazer uma visita de fim de tarde às ruínas pré-incas de Huaca Pucclana, bem no centro de Miraflores. Além de desfrutar de uma bela vista da cidade acendendo suas primeiras luzes, poderá experimentar, no restaurante anexo, ingredientes da comida típica peruana que nunca comeu antes e, garanto, vale a pena provar de tudo e ir ao maior número possível de restaurantes nessa cidade pois nada deixa de ser absolutamente delicioso.

Reserve uma noite ( entre 4a. e domingo) para ir ao Parque de la Reserva assistir ao espetáculo Circuito Mágico das Águas, um show pirotécnico de imagens, sons e fogos de artifício sobre jatos d’água. Ao lado, procure as barraquinhas de comida típica para conhecer a verdadeira comida popular peruana. É sensacional!

 

Vinícolas e gastronomia do Chile

Standard

Inspirados em um passeio anterior que havíamos feito a Mendoza, na Argentina – e certos de que o Chile tem produzido vinhos tão bons ou até melhores do que os do Velho Mundo – meu marido e eu ( hoje é a filha blogueira quem escreve) pesquisamos muito antes de resolver fazer uma viagem enogastronômica pelos arredores de Santiago. Para quem aprecia vinhos, o Descorchados é um ótimo livro para pesquisa e foi por ele que nos guiamos para eleger as vinícolas que visitaríamos. Traçamos um roteiro para fazer a rota de carro, procurando sempre um hotel ou pousada nas proximidades de cada região vinícola e desta forma, conhecemos as regiões vinícolas de Casablanca, Maipo, Colchagua, Curicó e Maule. Foram 14 vinícolas em 9 dias! A estratégia foi marcar uma degustação para a manhã, um almoço com degustação e outra degustação à tarde. Dica: sempre reserve com alguma antecedência.

O Chile, embora insipiente no turismo enogastronômico, nos surpreendeu positivamente. As vinícolas são maravilhosas (estrutura e vinhos), a comida fantástica e as pessoas muito simpáticas, sempre alegres e dispostas a ajudar. Viajamos em maio e recomendo essa época: embora não tenhamos visto os vinhedos carregados de uvas, as suas folhas ficam lindas em cores outonais e como há poucos turistas nessa época, tivemos tratamento vip em todos os lugares. Fico devendo os detalhes dos vinhos (quem entende de vinho é meu marido) pois fiquei com a atenção voltada para a comida. Sorte de vocês, terão várias receitas novas!

Vejam as principais vinícolas que visitamos (observe abaixo do texto o mapa das regiões):

Bodegas RE. Uma das vinícolas premium do Chile, oferece vinhos delicados feitos em um processo quase artesanal. Um funcionário muito solícito acompanha o visitante em um passeio pelas vinhas explicando todos os detalhes. A degustação é no bar da loja, com muitas opções a bons preços. Aproveitei e comprei duas geleias – de uva Carmenere e outra de amora – para fazer molhos especiais para carnes (aguarde as receitas aqui no blog).

Casas del Bosque. Linda vista e um restaurante muito agradável, nos surpreendeu com a culinária elaborada e ótimos vinhos para harmonizar. Dica: reserve uma mesa na varanda, pois o ambiente tem uma atmosfera deliciosa.

Emiliana. Com um conceito orgânico, a vinícola apresenta as vinhas em um jardim encantador, em perfeito entrosamento com algumas espécimes de animais. Ver galinhas d`angola correndo pelos vinhedos trouxe uma sensação de paz, lembrando que sair da cidade é tão gostoso quanto necessário. A degustação, acompanhada de queijos ou de chocolate, é perfeita.

Concha y Toro. Apesar do cunho comercial, situa-se em uma propriedade com vinhas e jardins maravilhosos. A degustação vai sendo feita pelo caminho, incluindo aí a famosa caverna do Diablo; ao final leva-se a taça pra casa. Dica: recomendo o tour extra (Marques de Casa Concha), acompanhado de petiscos e ainda de uma aula fantástica dada pelo sommelier da Casa. Aqui há ótimas opções para almoço e uma lojinha bem estruturada.

Viu Manent. Em uma linda casa de aparência centenária, a degustação de sete vinhos nos deixou boquiabertos. O amável funcionário, além de nos explicar detalhadamente cada um dos exemplares, presenteou-nos com duas degustações como brinde, de vinhos numerados e raríssimos. Para completar, o almoço é espetacular. Come-se muito bem ao ar livre, sob as sombras das árvores. A carta de vinhos e as carnes são divinos!

Vina Montes. Em um edifício de arquitetura impressionante, esta vinícola nos surpreendeu pela simpatia da guia e pelos excelentes vinhos que degustamos, embora um pouco mais comerciais. A vista da sala de degustação é linda e os vinhos descansam em barricas ao som de música clássica. Na lojinha compramos lindos porta-copos.

Casa Silva. Após um vídeo introdutório sobre a história da família e de seus vinhedos, o sorridente funcionário nos leva a passear pelas vinhas, finalizando com uma degustação privada de ótimos vinhos. A princípio escolhemos três (há várias opções de degustações) mas como éramos só nós dois e a conversa estava muito boa, ganhamos mais duas especiais! O tour passa também pelas instalações da Casa, que é muito antiga e bonita, e também pela coleção de carros antigos de seu proprietário – pra quem gosta, são de babar. O restaurante, além de muito agradável, tem uma comida excelente (a carne desmanchava) e vale a pena escolher o melhor vinho da carta para acompanhar.

Lapostolle. Essa vinícola destaca-se não só pelos vinhos como pela arquitetura do prédio que, construído na rocha e especialmente pensado para o processo de sua produção, é muito bonito. Além disso, situa-se em um local belíssimo e a vista do restaurante é deslumbrante. O menu, previamente selecionado e com vinhos adequados para harmonizar perfeitamente com cada prato, impressionou pela perfeita combinação de sabores e texturas – coisa que ainda pouco se vê no Chile.

Mont Gras. O terreno de bela topografia chama a atenção. A funcionária apresentou excelentes vinhos com uma amabilidade que nos alegrou. Degustamos seu melhor vinho e não resistimos em levar uma garrafa pra casa!

Miguel Torres. Excelentes vinhos para degustação e um tour pelos arredores da Casa, que tem loja e restaurante. Ótima comida, apresentada em vários pratos harmonizados com vinhos.

Via Wines. Foi tão difícil marcar a visita! Porém fomos surpreendidos com um almoço privado em um dos lugares mais lindos que já vi. O restaurante praticamente levita sobre um lago belíssimo e o atendimento é exemplar. O menu apresenta pratos deliciosos com vinhos excelentes escolhidos perfeitamente para acompanhar cada um deles.Veja as fotos:

J Bouchon. Esta joia de vinícola parece ter escolhido um pedacinho do céu para estabelecer-se. Há poucas placas indicativas para chegar e nos perdemos – como quem está em busca de um segredo muito bem guardado. É como um paraíso a ser desvendado – merecidamente vamos deixar para falar dela, em separado, em um post futuro.

Santa Rita. Última visita da viagem, esta vinícola, embora bastante comercial, merece um dia inteiro de visita. O tour pelos vinhedos e instalações é bastante esclarecedor e a degustação é feita em grupo, quando presenteiam-nos com uma taça. O restaurante é excelente, à la carte, e há um museu para visitar.

Posso dizer que essa viagem deixou saudades. Não só pelos excelentes vinhos e pratos degustados, como também pelas paisagens belíssimas e a simpatia de seu povo. Há outras regiões vinícolas a visitar mas, com certeza, um dia voltaremos às que mais gostamos!

mapa-vinicolas-santiago-chile

Vieiras na volta a Bruxelas

Standard

Há um ano e meio, com a vinda da filha caçula para estudar na Bélgica, abrimos a filial europeia do blog Sal&Alho. Com pouco tempo para cozinhar mas preferindo sempre fazer sua própria comida, por preferir uma alimentação saudável, ela nos brindou, aqui no blog, com uma série de receitas. Todas deliciosas, nutritivas, fáceis e rápidas de fazer e sempre muito bem apresentadas, com o capricho de uma arquiteta que além do bom gosto estético é uma excelente fotógrafa. Ela tem sido a responsável pelas bonitos posts do Instagram (que também aparecem na foto da faixa verde do lado esquerdo da página do blog).

Durante este tempo aproveitamos as temporadas de férias juntas para experimentar a culinária de vários países (veja na seção Sal com alho Viaja). Neste mês a filha volta definitivamente para o Brasil. Para nos despedirmos desta temporada feliz e proveitosa aqui em Bruxelas resolvemos fazer juntas algumas comidinhas com os ingredientes que tanto gostamos e que aqui podem ser encontrados por preços muito convidativos.

Vieiras com aspargos

Este prato tanto pode servir de entrada, como para um brunch de domingo. A combinação de seus três elementos ficou perfeita! Muito fácil e rápido de fazer – levou apenas 10 minutos para ser feito!

Para 2 pessoas: 6 a 8 vieiras, 6 a 8 talos de aspargos verdes, 2 ovos, azeite, sal e limão.

Coloque 1 litro de água para ferver em uma chaleira. Comece passando as vieiras rapidamente em água fervente e temperando-as com gotas de limão e sal. Escolha uma panelinha com 15 a 18 cm. de diâmetro e encha-a de água quente pela metade e coloque em outra trempe ( para fazer os ovos pochés). Tome uma frigideira, passe um fio de azeite, espalhe e coloque as vieiras para dourarem de um lado e do outro. Retire-as, deixe-as entre dois pratos emborcados para mantê-las aquecidas. Na mesma frigideira, passe os aspargos.

 

Enquanto isto, faça os ovos poché. Quebre um ovo e coloque-o com cuidado em um bowl ou travessinha redonda, de modo à gema ficar no meio da clara. Tome um fuê ou 2 garfos e movimente a água da panelinha, mexendo rapidamente em círculo em uma só direção, a fim de formar um redemoinho. Imediatamente coloque o ovo, com cuidado, no centro do redemoinho e deixe que a clara vá cozinhando, ficando esbranquiçada. Retire o primeiro ovo quando a clara estiver branca e a gema começando a endurecer. Repita a operação com o segundo ovo.

Coloque as vieiras e os aspargos no prato em que serão servidos e por último, acrescente um ovo em cada prato, como na foto principal.

Sirva acompanhado de uma fatia de pão torrado.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Borscht – a sopa de beterraba russa

Standard

Esta sopa, proveniente da Ucrânia, tornou-se um dos pratos mais populares da Rússia, servida em todos os restaurantes que oferecem comida típica. Desde a primeira vez que a provei gostei tanto que repeti o pedido outras duas vezes em outros restaurantes. E logo que cheguei em casa testei a receita convidando as amigas para um jantar de culinária russa. Além de muito fácil de fazer, sustenta, é muito nutritiva e pouco calórica. Verifique, experimente e inclua no cardápio de sua casa.

Sopa Borscht ( ou Borsch) 

Para 4 pessoas: 2 beterrabas, 1 cenoura, 2 xícaras de chá cheias de repolho picado, 200 gr. de lagarto ( pode ser outra carne mas em 2 dos restaurantes que comi a sopa na Rússia esta foi a carne usada). Temperos: sal, pimenta do reino e páprica à gosto. Em um dos restaurantes tinha também cebola na sopa e em outro ( tipo bistrô) colocaram ameixa preta como diferencial.

Primeiro pique a carne em cubinhos e tempere. Como a beterraba brasileira é mais dura, convém pré cozinhá-la para amaciar um pouco ( se for na pressão cozinhe por 8 min.). Pique a cenoura em cubinhos e fatie o repolho em lascas finas. Esquente água à parte. O mais importante: guarde a água em que cozinhou as beterrabas.

Em uma panela funda, frite bem a carne, com o mínimo de óleo possível, até que fique marrom. Despeje um pouco de água fervente pelas beiradas e, com uma colher de pau, raspe a borra da carne para formar o primeiro caldo. Junte o caldo vermelho ( quente) em que cozinhou as beterrabas. Acrescente as beterrabas cortadas em cubinhos e depois a cenoura e, estando estas duas macias, junte o repolho. Verifique o nível do caldo, que deve tampar os ingredientes e ainda sobrar 2 cm (se precisar, junte a água fervente). Deixe que acabe de cozinhar e tempere. A sopa russa tem bastante páprica.

Sirva acompanhada de pão e de creme de leite gelado ( para que fique firme).

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Verifique como a sopa tem pouca caloria:

2 beterrabas                               600 gr.              114 calorias

1 cenoura                                     120 gr.                30 calorias

repolho                                        100 gr.                16 calorias

carne de boi ( lagarto)              200 gr.              340 calorias

total da sopa: 500 calorias ou 125 calorias por pessoa

A beterraba contém potássio, magnésio, ferro, vitaminas A, B6 e C, ácido fólico, carboidratos, proteínas, antioxidantes e fibras solúveis.

Veja abaixo as receitas originais do restaurante Mamanadache de São Petersburgo e do Restaurante My-My ( diga mumu) em Moscou.

 

Culinária russa em Moscou

Standard

Um dos meus sonhos de viagem era conhecer a emblemática Praça Vermelha de Moscou. Sempre quando conhecemos um lugar por descrições literárias, fotos ou vídeos e chega o momento de estar lá ao vivo, a experiência não nos causa surpresa alguma ou até ficamos um pouco decepcionados. Porém, em Moscou, logo que caiu a noite e vislumbrei a praça iluminada, tendo de um lado o edifício do Gum todo iluminado, do outro a extensa muralha de tijolos vermelhos e as torres do Kremlin e ao fundo a magnífica Catedral de São Basílio, arrepiei dos pés à cabeça! Deslumbrante! A iluminação dos edifícios e monumentos da cidade é tão bonita que temos que visitá-los durante o dia e voltar à noite.

Há muito o que ver e visitar na praça e no centro histórico. Só o Kremlin, onde fica a sede do governo russo, com suas torres, igrejas e museus já nos toma um dia inteiro a ver maravilhas. Correr as estações de metrô para apreciar seus lindos mosaicos e sentir-se um moscovita é um passeio fascinante, começando pelo anel central e terminando o trajeto perto do rio Moscova e da Catedral do Cristo Salvador.

Moscou está toda em reformas, preparando-se para a Copa do Mundo 2018. Ao lado da Praça Vermelha ( vermelha tem o mesmo significado de bonita) há um imenso canteiro de obras onde constroem um parque de lazer com estruturas arquitetônicas ousadíssimas. Mesmo assim impressiona pela beleza das ruas, com imponentes edifícios de diferentes épocas. Sendo verão, a cidade está toda florida e engalanada em festa para os diversos festivais de rua. Prepare-se para visitar a cidade em 2018!

Agora vamos à culinária russa! Antes da refeição ou a qualquer hora o moscovita toma uma dose de vodka gelada com petiscos, como pãezinhos e torradas acompanhados de salmão defumado, arenque, caviar, cenoura e salsão crus, azeitonas, pepino em conserva e outros itens. Servem como opção de refeição ligeira um pastel assado recheado de carne, frango ou peixe (igualzinho às empanadas argentinas) e também blinis, panquecas e crepes com recheios variados, que podem ser salgados (salmão, queijo, frango) ou doces, recheados com mel ou com geleias de frutas. Muito populares são os shawarma, um enrolado de massa fina tipo wrap recheado com legumes frescos.

O primeiro prato é sempre sopa. A mais gostosa e conhecida é a Borscht ( próximo post). Há também a Solyanka ( sopa picante de peixes, cogumelos e pepino em conserva com creme de leite), a Kharcho (feita com carne de cordeiro) e muitas outras que sempre têm frango ou peixe e legumes e folhas como batata e repolho. Dentre as receitas tradicionais tem o Pelmeni ( tipo um cappelletti recheado com carne ou frango, servido com brodo ou com manteiga de ervas ou com molho de creme de leite).

Como prato principal servem peixes grelhados, como salmão e truta, com os molhos e guarnições tradicionais da culinária francesa. Há diversas opções de ensopados à base de molhos de tomate condimentados tendo como ingrediente principal cordeiro, carne de boi ou de caça.  O famoso Stroganoff ( com a mesmo) é feito com frango ou carne de boi em cubos servido com molho de creme de leite e cogumelos. Veja aqui a receita com frango e com carne. Outra receita tradicional é o Frango à Kiev ( peito de frango desossado recheado com presunto,queijo e molho branco, passado na farinha de rosca com ovo e frito – há outras opções de recheio). Atente para o detalhe que tudo é temperado com muita páprica. Com forte influência judaica e árabe, os kebabs (tipo espetinho) de frango, cordeiro e carne de boi são muito apreciados.

Na área turística há um grande número de restaurantes de comida italiana e japonesa além dos fast-foods americanos.

Além da tradicional vodka, as cervejas são muito populares. O Kvas é considerado a bebida nacional – trata-se de um fermentado de pão com água de baixo teor alcoólico, tomado bem gelado para acompanhar refeições ou como ingrediente para espessar molhos.

Como em boa parte do ano não há frutas frescas por causa do inverno rigoroso, os russos são especialistas em compotas, geleias e balas de goma feitas com diversos tipos de frutas, sobretudo as vermelhas, como morango, framboesa, amora e cereja e muitos tipos de berries.

 

 

 

 

Culinária russa e internacional em São Petersburgo

Standard

As blogueiras mãe e filha caçula foram passar as férias na Rússia! Nas próximas postagens vamos conhecer um pouco sobre esta terra e sua culinária.

São Petersburgo é a cidade mais europeia da Rússia e a segunda em população, com 5 milhões de habitantes. Assim como, nos últimos anos, a cidade de Dubai surgiu do nada para ser um grande centro de negócios, planejada de forma espetacular com todo o luxo, São Petersburgo teve história semelhante.

O czar Pedro, o Grande, tomou dos suecos as terras na foz do rio Neva, na entrada do Golfo da Finlândia, um local muito estratégico, para construir uma magnífica cidade portuária. Chamou os melhores arquitetos europeus para planejar o traçado da cidade e seus belos palácios. Em 1703, a cidade foi inaugurada e logo depois tornou-se a capital do poderoso Império Russo. Deste tempo glorioso a metrópole, cujo centro histórico é tombado pela Unesco como Patrimônio Mundial, conserva a arquitetura clássica monumental e um acervo riquíssimo de arte no Museu Hermitage.

A cidade recebe o ano todo um número bastante elevado de turistas russos, chineses, europeus e de toda parte. Passeando por suas ruas lotadas de gente de todas as raças temos a impressão que é ali a tal Torre de Babel, onde se falavam todos os idiomas do mundo! Na avenida principal, a Nevsky, cujos 5 km. cortam todo o centro, há muitos bares, restaurantes e casas noturnas. Ali se acha, por exemplo, tanto o Macdonald, o Subway e Market Place quanto lojas tradicionais, como a belíssima confeitaria KE Food Hall ( próxima postagem).

A culinária regional é bastante influenciada pela europeia, sobretudo a do antigo Império Austro-húngaro. Quando Pedro o Grande importou o gosto e o refinamento europeu nas artes e na arquitetura, importou também a culinária.

Estando junto ao mar dá-se destaque aos peixes como salmão e truta; frango e cordeiro são muito populares e há restaurantes especializados em carnes de caça. O prato mais conhecido é o famoso strogonoff (na Av. Nevsky fica o palacete do conde Stroganoff – com a mesmo). Veja aqui a nossa receita, que comprovei ser realmente a tradicional russa. O clima frio incentiva o consumo de sopas, servidas como primeiro prato o ano inteiro e feitas à base de beterraba, repolho, batata, cogumelo e carne. Nota-se uma forte influência da comida judaica. As sobremesas variam em torno de tortas de influência vienense com muito chocolate, geleias de frutas e cremes. E, apesar do clima frio a maior parte do ano, o russo adora sorvete!

Procuramos um restaurante típico russo – o Mamanadache – para pesquisar as comidas locais e verificamos a total influência europeia. Veja abaixo uma seleção de pratos com o menu traduzido para o inglês – coisa raríssima! Aliás pouquíssimas pessoas falam outro idioma senão o russo nos restaurantes ou qualquer outro lugar ( exceto na recepção dos melhores hotéis). Imagine nossa dificuldade para nos fazer entender. O que valeu mesmo foi a linguagem universal da mímica.

IMG_3220

Doce de coco na abóbora à tailandesa

Standard

Esta é uma das receitas mais conhecidas e apreciadas na Tailândia. Seu nome original é Sangkhyaa Fak Thong e é feita com a abóbora conhecida no Brasil como abóbora japonesa, justamente por ser de origem do Sudeste Asiático. O doce de coco também pode ser servido na própria casca do coco, mas na versão com a abóbora fica mais bonito, com a vantagem da abóbora ser comestível. Como esta receita leva 1 hora para assar e deve ficar na geladeira por, no mínimo, 4 horas, aconselho que seja feita com antecedência ou mesmo de véspera.

Doce de coco na abóbora

A receita pode ser feita com a polpa natural do coco, mas para facilitar usei o leite de coco e o coco ralado desidratado industrializados. Caso queira fazê-la com o coco natural, veja aqui a dica de como prepará-lo para a receita.

Vamos aos ingredientes: 1 abóbora japonesa pequena ( veja foto abaixo), 6 ovos (de preferência caipira*), 1 ½ xícara de açúcar refinado**, 200 ml de leite de coco e 1 xícara de chá de coco ralado.

Vai precisar de uma travessa refratária, de uma assadeira grande de borda alta e de uma outra forma de alumínio ou silicone redonda, que caiba a abóbora.

Primeiro ligue o forno a 250 graus e esquente 1 litro de água.

Bata na batedeira em velocidade média (na Planetária pode ser 4) os ovos (clara e gema junto) até formar uma espuma cremosa. Adicione o açúcar aos poucos, sempre batendo, até formar um creme consistente. Desligue, acrescente o leite de coco e volte a bater, em baixa velocidade, só a conta de misturá-lo. Coloque o creme imediatamente dentro de uma travessa refratária baixa. Tome a assadeira e despeje dentro a água quente até o nível d’água dar uma altura de aproximadamente 2cm. Coloque, lado a lado, a travessa e a forma redonda com a abóbora dentro ( veja foto). Com cuidado, leve-os ao forno para assar por volta de 1 hora nesse processo chamado de banho-maria.

Quando o creme de coco começar a corar por cima, espete um garfo para testar se está cozido. Se o garfo sair limpo, está pronto. Retire a assadeira do forno e deixe a abóbora esfriando. Misture o coco ralado no creme e deixe esfriar.

Com uma faca, corte e retire uma tampa ( diâmetro de 8cm) da abóbora. Com uma colher de sopa, cave e retire as sementes da abóbora até que veja as laterais lisas e firmes. Obs: pode-se abrir a tampa e retirar as sementes com a abóbora crua, só que corre o risco dela ficar muito mole ao assar e desmoronar no processo.

Coloque o doce dentro da abóbora até completar. Tampe e leve à geladeira por, no mínimo, 4 horas.

Na hora de servir, corte com uma faca longa e bem afiada as fatias de abóbora com o recheio do creme de coco (veja a foto principal).

* para o recheio ficar mais amarelo

** a receita original leva 2 xícaras de açúcar.

tipos_de_abobora

Foto: Wikipedia

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Paella de pato

Standard

Sabe a diferença entre arroz de pato, paella de pato e risotto de pato? O primeiro é português, o segundo é espanhol e o terceiro, italiano. Só isto? Não! O arroz é diferente, sobretudo o  italiano, que pode ser o arbóreo ou o carnaroli – esse tipo de arroz deixa o risotto mais pastoso. No mais, são muito parecidos e depende também das origens culinárias de quem o faz. Esta receita de hoje bem poderia ser um arroz de pato, porém vou fazer uma paella, igualzinha à que comi na região de Leon y Castilla, na Espanha.

Paella de pato com linguiça, ervilhas e cebolas

Primeira parte: cozimento do pato

Para 4 pessoas coloque na panela de pressão 2 coxas de pato para cozinhar junto com 1 cebola, 1 talo de salsão, 1/2 cenoura, 1 xícara de café de vinho branco ou tinto, 4 dentes de alho, 1 colher de sobremesa de sal, pimenta do reino a gosto e um raminho de salsa e cebolinha. Cubra com água e acrescente mais 1 litro. Feche bem a panela. Depois que começar a apitar, conte 40 minutos. Destrave e abra a tampa debaixo do jato de água fria (a tampa vai abrir sozinha). Retire as coxas e coe o caldo. Retire a carne dos ossos, pele e gordura e desfie em pedaços grandes. Reserve.

Segunda parte: Paella

Ingredientes: 1 xícara de chá de arroz, 6 cebolinhas baby ou 2 a 3 cebolas, 4 linguiças (tipo Guanabara da Sadia), 1 bom punhado de ervilhas de folha, 4 colheres de sopa de azeite, 1 colher de café de sal com alho, 2 colheres de sopa de bacon picadinho. Em uma panela funda, frite no azeite e no bacon as cebolas, o sal com alho e a linguiça pré-cozida cortada em tronquinhos. Coloque o arroz. Frite, mexendo bem para não agarrar no fundo. Despeje o caldo do pato – a conta de cobrir o arroz com certa folga. Assim que o arroz começar a amolecer, junte o pato desfiado. Abaixe o fogo. Vá acrescentando o caldo do pato – sempre quente – aos poucos, quando necessário. Prove, se o gosto do caldo estiver muito forte, pingue água quente ao invés do caldo.

Misture de vez em quando para não agarrar no fundo. Quando o arroz estiver quase cozido, junte as ervilhas de folha cortadas em lascas grandes. Vigie até o completo cozimento do arroz. Atenção: não deixe o arroz amolecer e virar uma papa. O arroz da paella é quase ao dente. Regue com um bom azeite e sirva quente. Nunca coloque queijo ralado na receita ou no prato, por cima (deixe-o para o risotto!)

Favas são comuns na região norte da Espanha e também muito usadas nesse tipo de paella. Se gostar, cozinhe-as à parte, ao dente, e acrescente-as ao arroz, bem escorridas, depois do pato. Outra receita parecida e muito popular é a que se usa grão-de-bico e pedaços de repolho ao invés de ervilhas de folha. Dependendo da região, o espanhol costuma fazer uma paella mista de pato e carne de porco, usando pedaços de pernil, de bacon e embutidos (como chamam as linguiças). No caso, as carnes precisam ser semi-cozidas à parte e acrescentadas no princípio do cozimento (junto com a cebola).

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

Camarão jamaicano

Standard

Na oportunidade de visitar Orlando, na Flórida, Estados Unidos, não deixe de reservar parte da tarde e a noite para passear na Universal Citywalk , um centro de entretenimento com cinemas, lojas, restaurantes, discotecas e outras atrações. Há muitos restaurantes com decoração e cardápios internacionais e torna-se difícil escolher o que comer, tal a variedade. Como estive ano passado no Caribe e adoro reggae e mojito (bebida com rum e hortelã), escolhemos jantar em um restaurante típico – que é a cópia da casa de Bob Marley – a fim de experimentar a culinária jamaicana. O cardápio oferece variações em torno de frutos do mar e decidi-me por um camarão com legumes. Provei, delicioso. Comi tudo! Sentindo o aroma e o paladar achei que era possível reproduzir a receita em casa. Pois fiz com tanto capricho que ficou mais gostoso que o original. Assim mostro a foto do prato e do cardápio do restaurante e, em seguida, passo a receita feita por mim.

Camarão com quiabo e coco à moda da Jamaica

Escolha camarões médios (pode ser tamanho 71/90) e calcule, por pessoa, cerca de 100 gr. de camarão já descascado e limpo. Considerando uma porção para 4 pessoas, separe quiabos, 2 tomates tipo italiano grandes e maduros, sem pele e sem sementes, 2 cebolas, 2 dentes de alho, 1 espiga de milho verde, ½ garrafinha ou 100 ml. de leite de coco, 1 xícara de café de coco natural ralado grosso, 1 limão thaiti, sal, azeite, pimentas tabasco e malagueta a gosto, 1 colherinha de café de curry*. Calcule o equivalente a 3 xícaras de chá cheias dos seguintes legumes: 1/3 de uma abobrinha mineira ou italiana (verde) , 1/3 de abóbora paulista ( rajada por fora e laranja por dentro), a mesma quantidade de pimentão vermelho (pode colocar amarelo e/ou verde) .

Lave, tire as tripas e tempere o camarão com sal e limão. Deixe pegando tempero por 15 minutos. Enquanto isto, pique os legumes – o quiabo em tronquinhos, o tomate em cubinhos, a cebola em fatias bem finas, o alho bem miudinho, as abobrinhas e os pimentões em tiras médias do mesmo tamanho. Rale a espiga de milho crua e reserve.

Ponha água para ferver à parte. Tome uma panela funda, derrame 2 colheres de azeite e frite os camarões até ficarem vermelhos. Retire e reserve. Acrescente mais uma colher de azeite, frite a cebola até ficar amolecida , junte o alho e, estando frito, acrescente os tomates e o milho ralado. Misture tudo e assim que começar a grudar na panela, acrescente 3 xícaras de água quente. Abaixe o fogo e junte o leite de coco e os camarões, deixando que cozinhem mais 5 minutos ou até os camarões estarem cozidos e o caldo ligeiramente encorpado. Prove o tempero e acrescente as pimentas e o curry. Misture bem. Desligue. À parte, frite o quiabo no óleo e escorra na peneira o excesso de gordura.

Vinte minutos antes de servir, coloque os pimentões cortados em um refratário, regue fartamente com azeite e leve-os ao forno quente até encolherem. Reserve. Enquanto assam, pegue uma panelinha, coloque as abobrinhas, cubra com água e deixe que cozinhem, sem deixar amolecer. Escorra a água e reserve. Tempere os legumes com uma misturinha de azeite, sal e pimentas. Disponha em um prato.

Pouco antes de servir, acrescente o quiabo ao molho com camarões já aquecido. Retifique o tempero, se necessário.

Sirva o camarão separado dos legumes (abobrinhas e pimentões) pois estes são servidos como guarnição para adornar o prato. O coco também é servido à parte e distribuído sobre o camarão e o arroz. Acompanhe com arroz branco. Veja a montagem final do prato na foto principal.

  • no restaurante o gosto de curry prevalecia sobre o camarão e o molho. Por minha conta, reduzi a quantidade pela metade ou até menos. Achei que ficou mais delicado e saboroso.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Risotto rápido com camarões, cogumelos e aspargos

Standard

A vantagem de se hospedar em um flat  é poder comer bem e barato. A cadeia americana Westgate, assim como muitas outras, oferece excelentes apartamentos com uma cozinha equipada onde se pode cozinhar de tudo! Próximo ao Westgate Resort de Orlando, Flórida, onde nos hospedamos nas últimas férias, estão situados ótimos hipermercados, como o Target, onde se compra comida fresca e semipronta. Como adoro um mercado e/ou supermercado fora do Brasil – para sentir de perto os hábitos e costumes da alimentação do país que visito – logo no primeiro dia enchi o carrinho de compras, com a intenção de cozinhar todos os dias. Depois de um dia inteiro de andanças é menos cansativo preparar rapidamente um prato único do que ter de pegar carro, dirigir por mais de meia hora, procurar estacionamento, passar pelo menos duas horas em um restaurante (entre ser atendido, comer e pagar a conta) e depois fazer todo o percurso de volta. Ao final da viagem fiz as contas e verifiquei que, preparando  as refeições no flat, se gasta a quinta parte do que se pagaria em restaurantes por uma comida equivalente. Em sua próxima viagem, leve algumas receitas práticas deste blog e divirta-se cozinhando! Esta que  segue foi feita em quinze minutos.

Risotto com camarões, cogumelos e aspargos

Para 4 pessoas, anote o que coloquei no carrinho: 1 pacote pequeno de arroz para risotto ou arroz comum, 1 pacote de 200 gr. de camarão pré-cozido, 1 molho de aspargos, 1 caixinha de cogumelos, 1 limão, 1 vidro de molho do tomates tipo ragu ( que já vem temperado com cebola, alho e sal), manteiga, queijo ralado ( grana padano, pecorino ou parmesão) e sal.

Tempere o camarão com sal e limão. Corte os aspargos e os cogumelos (veja na foto). Coloque água para ferver. Deite duas colheres de sopa de manteiga ( ou azeite, se for intolerante) na frigideira e, no fogo alto, frite os camarões até ficarem vermelhos. Retire e reserve. Na mesma panela, junte mais 1 colher de manteiga e frite ligeiramente o arroz. Se for servir como prato único calcule 1 xícara de café de arroz para 2 pessoas. Abaixe o fogo. Junte 2 colheres de sopa do ragu de tomates, misture, acrescente os aspargos e os cogumelos. Vá colocando mais água, se necessário e sempre aos poucos, e continue mexendo- só para não agarrar no fundo da frigideira – até que os aspargos estejam ao dente (quando oferecem um pouco de resistência ao se enfiar um garfo).

Dê uma última revirada, prove o tempero e se o arroz também está ao dente. Distribua os camarões e deixe que o arroz termine de cozinhar – atenção: não deixe que vire uma papa. O que dá a consistência cremosa ao risotto é a finalização com manteiga e queijo. Ao final do cozimento, distribua mais 1 colher rasa de manteiga e o queijo ralado ( 2 colheres de sopa são suficiente) e misture rapidamente. Observação: nunca acrescente creme de leite, para os italianos isto é uma heresia!

Sirva quente acompanhado de um bom vinho branco seco. Bom apetite!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

 

 

 

Polvo à galega

Standard

Quando estive na Espanha, no ano passado, percorrendo parte do Caminho de Santiago com as Caminhantes da Estrada Real de Minas Gerais, postei, entre 4 de novembro e 8 de dezembro (2015), uma série sobre a maravilhosa gastronomia local (acessem o blog pela data e confiram). Entre as diversas receitas postadas, um amigo meu viu um artigo sobre o famoso polvo que é servido no antigo e tradicional mercado de Santiago de Compostela e decidiu tentar fazer a receita. Nem é preciso dizer que ele adora polvo, pois nunca cozinha nada e desta vez meteu-se corajosamente a fazê-lo. E contou-me que o polvo foi um sucesso! Pois a feliz experiência serve de incentivo a vocês, homens que sempre deixam para as mulheres o prazer de cozinhar. Não custa, de vez em quando, escolher uma receita por aqui e agradar a quem o ano inteiro cozinha pra vocês. Arrisquem-se!

Ao contrário do que se pensa a carne do polvo não é dura e esta história de ter que bater no polvo para amaciá-lo – na verdade, quebrar as fibras – é coisa do passado. Sabem porquê? Hoje, pelo processo quase obrigatório de congelamento e posterior descongelamento do polvo, as fibras são naturalmente quebradas! Outra lenda: mergulhar o polvo, para quebrar as tais fibras, alternadamente na água quente e na bacia de gelo – quem me ensinou este truque foi o chef Daniel Santamaria, de Oviedo, nas Astúrias, Espanha, há muitos anos (se o polvo estiver recém tirado do mar pode fazer isto). Porém o rapazinho goiano naturalizado espanhol (acreditem!) que nos preparou um polvo divino no mercado de Compostela garante que este gesto hoje é coisa de chef que gosta de fazer cena. Pois já preparei o polvo à maneira galega – como o rapaz ensinou-me – três vezes depois que voltei da Espanha em novembro último e ficou perfeito. Vamos então à receita, passo-a-passo, para que mesmo quem nunca entrou em uma cozinha possa fazê-lo à perfeição!

Polvo à galega

Coloque para ferver uma boa quantidade de água. Salgue a água e, se quiser, junte ervas frescas e dentes de alho (não exagere na quantidade). Enquanto isto, lave bem o polvo. Quando a água estiver em ebulição coloque o polvo dentro ( precisa ficar coberto com a água) e espere que cozinhe por cerca de 10 minutos, dependendo da espessura – observe o ponto em que o dente de um garfo entre na carne com alguma facilidade – mas não deixe o polvo amolecer pois o bom é ser servido ao dente. Assim que cozido, retire e corte imediatamente – usando uma tesoura e com o auxílio de um garfo para segurar -pedaços de 2 a 3 cm de espessura. Tome uma tábua e deite azeite extra virgem. Salpique sal grosso e páprica (doce ou picante, à gosto).  Ajeite por cima os pedaços do polvo. Torne a salpicar sal grosso e páprica e termine com uma boa regada do azeite. Viu como é fácil?

Sirva à palito imediatamente (se esfria fica borrachudo). Excelente para acompanhar cerveja ou whisky.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Finisterra – Frutos do mar incríveis

Standard

Fim da terra – Finisterra ! Este foi o nome dado pelos romanos a esta península no ponto mais ocidental de toda a superfície terrestre então conhecida. Mais além, do lado que o sol se punha sobre a linha plana do horizonte, havia, segundo acreditavam , apenas o oceano sem fim, povoado por monstros terríveis que engoliam as embarcações que se aventuravam pelos mares bravios.

Despedidas, promessas de novas aventuras e novos encontros! Última noite das Caminhantes no Caminho de Compostela que, na verdade, termina em Finisterra. Comemoração a altura, na famosa marisqueria Dom Percebe, onde tradicionalmente os peregrinos se congregam para celebrar o final da longa jornada.

Um verdadeiro festival de frutos do mar! Para iniciar,as apreciadas almenjôas, servidas no molho de azeite com limão siciliano. Em seguida, as estranhíssimas e deliciosas percebes – uma raridade das costas a norte da Espanha que parecem patinhas de dragão ( vi no mercado de Santiago a 109 euros o quilo!) Depois vieram as navajas – assim chamadas porque parecem cabo de navalha. De lamber os dedos!

O cardápio oferece muitas opções – mais de 15 tipos diferentes de frutos do mar, incluindo ostras, mexilhões e camarões gigantes – e ainda uma boa variedade de peixes. O prato de peixes grelhados vem com cinco qualidades do Atlântico. Há também as opções de lagosta grelhada e de bacalhau com batatas.

Olhem as fotos e vejam se não é para voltar triste para casa – no meio das montanhas de Minas Gerais a 450 km de distância do mar – me perguntando porque uma mineira gosta tanto dessas coisas!

Veja a última pontinha de terra que avança pelo Oceano Atlântico e o marco final oficial do Caminho de Compostela. Fim da jornada!

DSCN5717

 

 

 

Santiago de Compostela – Polvo a Galega

Standard

Foi do alto do Monte do Gozo, tendo por companhia o grupo mineiro das Caminhantes da Estrada Real e mais dois peregrinos gigantes de bronze que, finalmente, no décimo dia de nossa viagem, avistamos Santiago de Compostela. Do monte caminhamos juntas, cantando o nosso hino, ao tão ansiado encontro de todos os peregrinos na imensa praça no centro histórico de Compostela. Por toda a minha vida, sempre que lembrar-me deste momento, vou arrepiar da cabeça aos pés! A emoção da chegada é indescritível, sinto muito. Você só entenderá se um dia lá for. Eufóricas, diante da majestosa catedral de São Tiago Maior, abraçamos e beijamos amigos e desconhecidos, choramos e rimos juntos sob um magnífico céu sem nuvens, do azul mais intenso que se possa imaginar. É tocante presenciarmos casais se beijando e perceber em seus semblantes a renovação do amor após o esforço da longa caminhada. Grupos de amigos se abraçando, chorando e cantando juntos. Peregrinos esticados nas pedras do chão, aproveitando o merecido descanso. Pessoas de joelhos, rezando e agradecendo – louvada seja a fé que nos levou a todos até lá! Um momento simplesmente mágico!

Dentro do casco histórico de Santiago reina uma grande festa de confraternização a qualquer hora de todos os dias do ano. Fomos comemorar no antigo mercado que existe no mesmo lugar há mais de mil anos. Caminhada e emoções nos deixaram com muita fome! O mercado é famoso pelos frutos do mar típicos da região pois Compostela está a menos de uma hora do mar. Há uma grande variedade deles: à parte dos peixes, camarões de todos os tamanhos, lagostins e lagostas, polvos, ostras, vieiras, mexilhões e os mais diversos e estranhos mariscos das costas marítimas do Norte da Espanha como almejôas, percebes e navarras. A tradição  é comprar frutos do mar no quilo e levar ao balcão dos muitos bares que lá existem para serem preparados na hora.

Desta forma – ao vivo- aprendi a fazer o prato mais famoso da Galícia:

 

Polvo à Galega

Antigamente havia que se bater no polvo para quebrar suas fibras. Hoje, não mais. O processo de congelar faz este serviço para nós! Bem, então descongele o polvo. Em uma panela grande, de preferência de aço inox, esquente água com sal, alho e ervas. Estando  no ponto de fervura, coloque o polvo totalmente imerso para cozinhar até que fique ao dente – firme mas que dê para enfiar o garfo e ver que já amaciou. Retire da água, escorra. Corte rodelas de 2 a 3 cm com uma tesoura. Prepare a tábua de madeira regando-a com azeite extra virgem, Disponha o polvo em tronquinhos. Tempere a gosto com sal grosso e páprica – doce ou picante. Torne a dar uma boa regada com o azeite. Sirva quente e à palito acompanhado de uma cerveja gelada- experimente e Estrella Galicia!

Em tempo: antes da chegada a Compostela fizemos um piquenique no Monte do Gozo com as famosas empanadas da Galícia: de bacalhau, de bonito ( peixe tipo atum) e de zamburiña ( tipo de marisco). Uma delícia! Vou testar em casa e depois passo a receita.

Percorri mais de 100 km a pé e cheguei mesmo até Santiago de Compostela, olha a prova:

 

O Cebreiro – comida típica do peregrino

Standard

Saindo de Ponferrada, que deve seu nome à antiquíssima e ainda perfeita ponte construída pelos romanos, seguimos de ônibus até o pé da serra para enfrentarmos o trecho que iria requerer todo o nosso esforço. Foram 8 km. de subida íngreme em trilha, pisando em pedras  e cascalho, porém respirar o ar puro e fresco de altitude nos encheu de energia. Só a vista que se tem lá de cima vale muito mais esforço – é belíssima!

O Cebreiro é o local mais visitado de todo o roteiro jacobeu de Compostela.  É parada obrigatória de todo peregrino porque no alto do morro, na igreja de pedra do século IX – Santa Maria de la Real – está o cálice do Santo Graal. Segundo a tradição e a lenda local, este é o verdadeiro cálice que recolheu o sangue de Cristo. O gracioso vilarejo ainda conserva o casario de pedra bruta com cobertura de palha, característica que vem do povo celta que ali habitou em tempos imemoriais. Apesar do caráter sagrado do lugar, atestado pelo grande número de peregrinos religiosos, o ambiente é de total descontração, com turmas de amigos – a maioria ciclistas – espalhadas aqui e ali à sombra das frondosas árvores,  a fim de descansar, conversar e trocar experiências.

A comida servida em todos os restaurantes é, por tradição, praticamente igual e é chamada propriamente de “comida de peregrino”. Consta de três fartos pratos e mais sobremesa. Primeiro servem uma substancial sopa de legumes conhecida por Caldo Gallego. É daquelas “levanta defunto”, feita com couve rasgada, cenoura, batata e ervilha fervidas no caldo em que se cozinhou aparas de carnes de porco com osso. Em seguida, não pode faltar a tortilha de ovos e batata – o prato típico por excelência da Espanha. Como prato principal escolhe-se entre chuleta, costeleta ou lombo de porco servidas com uma caprichada porção de batatas fritas, que por aqui são absolutamente deliciosas – não se consegue parar de come-las! De sobremesa, servem a característica marmelada da região, feita como a nossa goiabada mineira: quatro horas mexendo a polpa da fruta em um grande tacho de cobre sobre o fogão de lenha. Também não pode faltar o famoso “queixo” do Cebreiro*, queijo fresco de massa mais mole feito com  leite de vaca ( pode entrar também leite de cabra e/ou ovelha) Para coroar a lauta refeição, a tradicionalíssima Torta de Santiago, feita com ovos, açúcar e pasta de amêndoas. Esta torta farei para vocês neste mês de dezembro. Aguardem a receita!

  • interessante acessar o site para conhecer o galego ( idioma falado e escrito da Galícia, entre o espanhol e o português)

Vinícola Palacio de Canedo

Standard

Iniciamos o trecho mais cansativo – e mais bonito – do Caminho de Santiago com uma longa caminhada morro acima até o ponto mais alto do caminho francês, onde fica a emblemática Cruz de Ferro. Chegamos bastante cansadas mas a recompensa que veio a seguir valeu o dia: entramos na Galícia! A paisagem de montanha é linda! O verde claro brilhante das pastagens contrastando com o verde escuro das matas, o ondulado das serras de cor azul arroxeada ao longe e a amplidão do céu de um azul claro, puro e diáfano. Lembra Minas Gerais! Entendi então porque tantos galegos colonizaram a nossa terra mineira – acharam do lado de lá do Atlântico uma terra parecida com a deles.

Ao meio dia nos apresentamos para a esperada visita à vinícola mais famosa do Norte da Espanha. Contam que Prada a Tope, até então um jovem playboy milionário comprou, em 1987, o Palácio de Canedo e as terras vizinhas, que já produziam vinhos desde 1730, mas a esta época em franco declínio. Pois o rapaz se revelou um grande empreendedor – reformou o palácio transformando-o em um amplo restaurante e uma luxuosa pousada e revolucionou o plantio das uvas, trazendo para a região o conceito de agricultura orgânica. Hoje produz vinhos – região de El Bierzo – reconhecidos e premiados internacionalmente e o famoso espumante Xamprada, produzido pelo método champanoise ou cava, como se diz na Espanha. Além de diversas uvas, cultiva e vende produtos fabricados na fazenda como as conservas e geleias de pimentão, de marmelo, de castanhas e de figo. Além disto, a Fundação Prada a Tope tem uma reserva onde planta árvores de várias espécies e desenvolve um trabalho didático com os jovens da região. Fiquei encantada com tudo. Visite o site http://www.pradaatope.es.

Nosso grupo de peregrinas, formado por 25 mulheres integrantes das Caminhantes da Estrada Real (hoje somos 76) , foi recebido por Flor, a simpática e bonita esposa de Prada, que nos encaminhou a um salão de belíssima decoração do século XVIII para a degustação. Para acompanhar os vinhos – um branco e um tinto – foram servidos mini grissinis e um fantástico tira-gosto de cecina (carne de vaca maturada) recheada com foie gras e geleia de marmelo. Adorei!

Em um dos salões do luxuoso restaurante fomos anfitrionadas pelo famoso Prada a Tope – um homem alegre, afável e divertido. Uma equipe muito atenciosa e simpática serviu-nos preciosos vinhos e várias entradas, entre as quais queijo de cabra com geleia de pimentão, foie gras com geleias de marmelo e de figo, carpaccio de cecina e lacón com pimentões assados ( foto principal)

Como prato principal foi servido o famoso Cocido Maragato da região. E de sobremesa, peras ao vinho. Note que todos os produtos servidos foram produzidos na fazenda.

Após o inesquecível almoço, seguimos para uma didática e demorada visita à vinícola, à fábrica de produtos alimentícios e aos vinhedos e pomares. Ao anoitecer, antes de seguirmos para Ponferrada (a 30 minutos de carro) , não resisti e comprei vinhos, conservas e geleias para toda a família na atrativa loja da vinícola.

Castrillo – Cocido Maragato

Standard

A começar do farto e variado café da manhã no Parador San Marco em León, hoje foi um dia de muitas andanças e comilanças. Ainda bem que a primeira compensa a segunda, caso contrário só hoje teria engordado um quilo. Pé na estrada pelo Caminho de Santiago. No meio da manhã paramos em Astorga. Imagine uma cidadezinha cuja rua principal é composta de uma loja de doce ao lado da outra com todo o tipo de guloseimas, balas, chocolates e os famosos biscoitos Mantecados. Minhas amigas se esbaldaram! Como não posso comer nada com farinha nem manteiga fui a ver vitrais na famosa Catedral gótica. Belíssimos!

 

Lá pelas duas da tarde, após uma boa caminhada em ligeiro aclive, chegamos a um dos povoados mais lindos e românticos que já vi na vida: Castrillo de los Polvazares. Juro que se casasse de novo iria passar a lua-de-mel neste lugar encantador. As vielas tem calçamento de pedra rústica,o casario é todo antigo e construído em alvenaria de pedras e argamassa da cor de terra, as janelas são pintadas de verde e de azul e há muitas flores por todo canto. Apaixonei. Bem, paramos neste lugarejo porque lá se faz o melhor Cocido Maragato da Espanha. Trata-se de uma das comidas típicas desta região do Norte e é de se comer de joelhos. O restaurante Entrepiedras é super charmoso, a começar pela divertida coleção de quadros. Veja:

Quanto à receita, à princípio a dona do restaurante fez ouvidos de surda. Aí tive a ideia de apresentar-me com um cartão do salcomalho  e mostrar o nosso blog. Pois ela ficou tão encantada que se desdobrou: chamou a cozinheira e esta me explicou tudo! Vamos lá:

Cocido Maragado (veja foto acima)

O prato principal é constituído de carnes que são cozidas no fogão de lenha por muitas horas. Entra carne de boi ( pode colocar um pedaço de maçã de peito), joelho e costelinha de porco ( com bastante carne e gordura), chorizo ( pode colocar linguiça defumada e calabresa), coxa de pato ou frango. Depois de tudo bem cozido, retire as carnes do caldo do cozimento. Apure o caldo e reserve-o. Frite, já na panela que vai para a mesa, um bom pedaço de toucinho de barriga e assim que derreter, frite as carnes. À parte, fazem bolinhos de peixe fritos ( tipo bolinho de bacalhau) misturando farinha, batata e peixe desfiado que são adicionados na panela na hora de servir. Este prato é acompanhado de grão-de-bico e repolho, que são cozidos separadamente no caldo da carne. Pode incluir batatas.

Depois de servidos estes pratos, trouxeram uma terrina de fideos ( pasta bem fininha) cozido no caldo da carne qua já cozinhou o repolho. Dizem que é digestivo (?). A refeição é acompanhada de pão caseiro ( tipo italiano) e vinho tinto.

Como sobremesa, serviram um creme (um mingau grosso de amido de milho e gema de ovo) com biscoito Maria e calda caramelada. É bem típico da região.

Veja abaixo o cardápio que nos foi servido e também outras opções do Restaurante Entrepiedras. Vale a pena ir até lá. Recomendo!

Depois de uma refeição pesada dessas, tomamos um bom café e retornamos à estrada para nova caminhada até o entardecer. Fim do dia em um lugarejo pitoresco e emblemático – Rabanal del Camino – que tem um bom hotel, três pousadinhas e apenas 60 habitantes. É parada obrigatória dos peregrinos para assistir-se à missa em canto gregoriano dos frades beneditinos. Um momento de reflexão, muita emoção e fé!

León – Vamos de tapas?

Standard

O ponto alto do caminho francês de Compostela, no que tange à história e cultura é, sem dúvida, a cidade de León, fundada no século I com o nome de Legio, tendo sido um acampamento militar fortificado para defender as minas de ouro da região. Cresceu em riqueza e importância estratégica tornando-se, na Idade Média, objeto de disputa entre os cristãos residentes e invasores visigodos e posteriormente, muçulmanos. Foi a rica capital do Reino de León e hoje é a maior cidade (136 mil habitantes) da Comunidade Autônoma de Castilla y León. Sede de destacadas universidades, é um bela e elegante cidade histórica, sempre alegre e movimentada, repleta de jovens e de turistas.

Se você pensa em estudar espanhol, León é uma excelente opção.  Para quem ama história e arquitetura, a cidade é uma festa para os olhos, com destaques para a belíssima catedral gótica, o imponente edifício do parador San Marcos (onde hospedamos) e a Casa de Botines – uma interessante obra da fase inicial de Gaudi. Eu, que sou arquiteta, apaixonei-me pela cidade, pois além de tudo, é um museu de estilos arquitetônicos a céu aberto, de muralhas romanas a igrejas românicas, góticas e renascentistas, de edifícios art-nouveau e art-decô a perfeitos exemplos de pós-guerra, anos 70 e pós-moderno e até um dos museus mais modernos do mundo – o Musac.

Como sempre, tenho a sorte de chegar nos lugares justamente em dia de festa. A Feira de San Froilán atrai gente de toda a região e há o setor judeu, o árabe, o de produtos artesanais – desde alimentos até roupas e semi-joias, a feira de flores, barracas vendendo todo tipo de comidas regionais, enfim, muita coisa interessante. Os bares e restaurantes, com mesas espalhadas nas ruas de todo o centro histórico, ficam lotadas de gente que “vai de tapas”: paga-se por uma bebida (muita cerveja mas também excelentes espumantes e vinhos; whisky e coquetéis)  e, como cortesia da casa, são servidos três tira-gostos. O costume é começar ao pôr do sol e seguir até a madrugada, indo de bar em bar para se provar de todos os tapas. Topamos a experiência e lá fomos nós. Só teve um problema: talvez devido à efervescência do lugar todas as fotos que tirei dos tapas saíram desfocadas, exceto a primeira (foto principal) e depois, no dia seguinte… bem, esqueci-me do que havia comido, embaralhei tudo! Desafio: vá lá em León, passe a noite de bar em bar, beba e coma de tudo e tente depois me contar!

Calzadilla – a tortilla perfeita

Standard

Continuando nossa caminhada pelo Caminho de Compostela, saímos bem cedinho de Sahagún para alcançar Calzadilla de la Cueza na hora do almoço. O espanhol típico começa a trabalhar por volta de oito/nove horas da manhã e segue até o meio dia / uma da tarde. Então fecha o seu estabelecimento – mesmo que este seja um restaurante ou lanchonete! – e vai para casa almoçar. Depois, vem a sagrada “siesta” e só voltam a abrir o comércio e os escritórios depois das quatro da tarde, para fechar às sete horas. Depois deste horário permanecem abertos somente os restaurantes. Pois em Calzadilla fomos fazer um lanche – que na verdade foi um almoço – quase às três da tarde! Talvez porque nossa fome era muita achamos tudo uma maravilha!

 

Os destaques foram os pães caseiros, o fantástico queijo de cabra da região e os diversos embutidos – jamon ibérico (presunto defumado de porco), cecina (defumado de carne de vaca famoso desta região), chorizo (tipo copa) e um outro do tipo do salaminho italiano. Como já nos aproximávamos da Galícia, apareceram a maionese de atum e o bolinho de bacalhau, iguais aos que minha avó materna fazia ( seus avós eram portugueses do Norte, já perto da Galícia) e tão comuns em Minas Gerais. Os ingredientes da maionese são: ovos cozidos, batatas, azeitonas verdes, atum desfiado e a própria maionese ( bate-se o ovo com o azeite no liquidificador em baixa velocidade).

Porém, o sucesso do dia foi a tortilla mais linda e mais gostosa que já comi. E olha que já provei tortilla pelos quatro cantos da Espanha! Bem grande – uns 30 cm. de diâmetro e bem alta – uns 7 cm de altura e muito, muito fofa. Perguntamos ao simpático dono do restaurante a receita – claro que a princípio não quis nos dar. Mas fizemos tantos elogios e insistimos tanto que ele acabou por chamar o cozinheiro para explicar como fazer. Surpresa: era um brasileiro!  Eis como ele nos passou a receita: bate os ovos, junta com as batatas cortadas na frigideira, tempera com sal. Espera corar e vira do outro lado. Parece fácil, não é? Porém, tem detalhes…

Receita da famosa Tortilla de Calzadilla (por minha conta) 

É necessário que se tenha uma panela especial – ou melhor, são duas frigideiras que se encaixam – como estas omeleteiras, só que tamanho gigante ( espiei e vi-as na cozinha!) Cortam-se as batatas em lascas finas (ele não disse mas eu sei que há de se enxugá-las envolvendo-as e apertando-as com um pano). Batem-se os ovos ( também sei que bate-se primeiro as claras até dar volume e depois vai-se juntando as gemas). Unta-se a frigideira ( já ligeiramente aquecida com azeite, a conta de formar uma fina camada em todo o interior). Deita-se a terça parte dos ovos batidos, salpica-se o sal, coloca-se a metade das batatas sem sobrepô-las, mais um salzinho. Repete com a camada de ovos, sal , batatas, sal. Finaliza com os ovos. Isto tem que ser feito muito, muito rápido. Aí está o segredo! A esta altura a tortilla já está corada no fundo, então se emborca a outra frigideira e vira as duas juntas para corar do outro lado (haja força nos punhos!) Experimente fazendo uma pequena, mas se não ficar tão bonita como a da foto, console-se – é necessário muita prática! Vai treinando…

De sobremesa, veio uma tortinha deliciosa – massa feita com farinha de trigo, amêndoas, leite, açúcar e manteiga. Como recheio, maçãs. Você pode usar outras frutas ou geléias. É uma receita bem comum na Europa e fica para outro dia.

 

Sahagún – Paella de legumes

Standard

Chegamos ao fim do dia a esta cidade histórica – muito rica e importante na época medieval – depois de uma boa caminhada morro acima entre campos de girassóis. Pena que, a esta época do ano, as flores que não foram colhidas já estão secas, sem o esplendor amarelo-dourado. Porém, me dei por muito feliz com as alfazemas lilases e de intenso aroma que margeiam o caminho. Colhi muitas flores e as minhas mãos ficaram impregnadas com seu delicioso perfume característico por dias. Fiz vários pacotinhos de sachês mas tive de deixá-los em Bruxelas, na casa da filha, pois é proibido trazer produtos vegetais para o Brasil. Queria tanto aquele perfume no meu armário…

Sahagún ainda guarda imponentes ruinas dos tempos medievais ( Abadia beneditina de Cluny) e muitas igrejas românicas ( sec. IX a XII) bem originais e conservadas, pois o gótico não passou por aqui. O estilo arquitetônico de suas casas lembrou-me o casario das cidadezinhas das Astúrias, exatamente no rumo norte. Assim que cheguei disparei pelas ruas abaixo e fui imediatamente atacada de paixão por esta cidade dourada ao por do sol. O lugar é considerado o meio do caminho francês de Santiago e tem muitos lugares a visitar – merece uma estadia de dia inteiro.

O ponto alto da visita foi uma belíssima e emocionante apresentação que tive a sorte de assistir ( acontece muito comigo de estar nos lugares certos nas horas certas, por mero acaso) no Santuário da Peregrina. Orquestra, coral e recital – tudo muito bem conduzido pelos habitantes da cidade, apresentando convidados especiais. Nós, peregrinos e turistas, somos sempre muitíssimos bem recebidos por toda parte na Espanha e ainda nos convidam a participar de tudo! Amei!

Vamos ao jantar. Nem é preciso dizer que eu estava absolutamente faminta depois de caminhar muitos e muitos quilômetros o dia inteiro. No restaurante “San Facundo” ( padroeiro da cidade) nos aguardava um jantar delicioso, composto de entradas – salada e pastel de aspargos, seguida de uma paella de legumes divina, entrecôt de boi ou peixe grelhado e postres ( sobremesas tradicionais). O peixe branco e saboroso – parece com nossa tilápia – foi servido grelhado na brasa, com a pele crocante e acompanhado de um molho de coentro com cebola e pimentão vermelho fatiados e também grelhados no azeite. Foi a primeira vez que comi uma paella só com legumes e estava tão maravilhosa que decidi tê-la por primeira receita a experimentar em casa, para passá-la já testada a vocês.

Paella de legumes

Resolvi fazer a paella em casa com os legumes que tinha na geladeira: cenoura, aspargos verdes, abobrinha, pimentões vermelho e amarelo e ainda cogumelos.

Você pode fazer com os legumes que mais gostar, mas não ponha batata ( a paella vai virar uma papa!) e se for acrescentar tomate, que seja pouco e ao finalzinho do cozimento, caso contrário o tomate toma o gosto de tudo. Sempre os legumes mais duros entrarão na panela antes do arroz e os mais moles, depois que fritar o arroz.

Quantidades para 10 pessoas: 4 xícaras de chá de arroz, 1 xícara de café de azeite, 1 colher de café de sal com alho, 2 xícaras de chá de cebola, 1 xícara de chá de cada um destes legumes picados: cenoura, aspargos verdes, pimentões (vermelho e amarelo junto) e abobrinha, 1 xícara de café de cogumelos, 1 colher de chá de sal, ½ colher de café de colorau. É muito importante ter 1 litro de um bom caldo de legumes caseiro já pronto e aquecido. À parte, coloque outro litro de água para ferver.

Tome uma panela grande. Aqueça o azeite no fogo alto e doure a cebola. Assim que amarelar, doure o sal com alho. Acrescente os legumes duros: cenoura e aspargos verdes. Mexa bem e deixe fritar por 5 a 8 minutos. Junte o arroz, mexa bem até misturar com os legumes. Baixe o fogo e despeje o caldo de legumes quente até cobrir o arroz. Coloque os pimentões e deixe os legumes mais macios para depois. Tampe parcialmente a panela e deixe cozinhando por mais 10 minutos.

Agora junte a abobrinha e os cogumelos, que são bem macios. Coloque o restante do caldo já misturado com o colorau. Misture e deixe mais 5 minutos. Prove o sal e acrescente o necessário. Mexa tudo de tanto em tanto só para não grudar no fundo. Se for preciso, vá acrescentando água quente até o cozimento de todos os legumes e do arroz. Atenção: o ponto, tanto do arroz quanto dos legumes é ao dente, não deixe que sua paella vire uma papa! E, por favor, nunca acrescente queijo, manteiga ou qualquer creme a uma paella, pois esta é uma receita espanhola (deixe estes ingredientes para as receitas italianas e francesas).

Foi o maior sucesso! A panela estava bem cheia e não sobrou nem um grãozinho!

Frómista – Lechazo ou cordeiro de leite assado

Standard

Hoje iniciamos o primeiro trecho de nossa peregrinação pelo Caminho de Santiago. Na verdade, confesso, não me sinto uma peregrina, sou apenas uma caminhante, apesar de carregar comigo o cajado e a concha -os símbolos do Caminho – e de seguir, com bastante disposição e coragem, as setas amarelas que nos conduzirão ao destino final.

Seguindo pelo “Caminho francês”, de Burgos a Frómista são ao todo 85 km. Destes, percorremos a pé, durante a manhã, o trecho final entre Boadilla del Camino e Frómista, margeando o Canal de Castilla. A caminhada é muito agradável. O terreno é plano, a ampla vista dos verdejantes campos agrícolas contrastando com o descampado do céu profundamente azul é belíssima. A proximidade da água torna parte do caminho fresco e sombreado. Respira-se ar puro, um suave aroma de mato purifica nossos pulmões e o incessante e festeiro chilreio dos pássaros enche nossa alma de alegria.

Após duas horas de caminhada paramos para apreciar a vista, beber água límpida de poço e saborear deliciosas maçãs colhidas no pé – achei incrível! Mais adiante, outra parada para nos refrescarmos sob as frondosas árvores que cercam o dique e reunir coragem para avançar colina acima até Frómista, pensando na recompensa do delicioso almoço a nos aguardar!

Frómista é pequena e muito simpática.  Tem um casario antigo pintado em cores ocres, uma bela igreja românica – a igreja de San Martin, que neste estilo é a mais original e bem conservada de toda a Espanha – e outras construções milenares, erguidas sobre ruínas dos tempos dos romanos. Se gostar de um lugarzinho bem pacato, vá morar lá, é perfeito!

No restaurante Villa de Frómista nos aguardavam surpresas maravilhosas. Para começar, um bom vinho branco refrescante servido com morcilla ( embutido de carne, gordura e sangue de porco, de cor bem escura) . Como primeiro prato, salada e langostinos ( camarões gigantes) grelhados na brasa e servido ao ajo & aceite (alho e azeite de oliva)

O prato típico da região é o lechazo, o cordeirinho de leite ( ainda não desmamado ao ser abatido) assado no forno a lenha, como aqueles de tijolos em formato de semicírculo que se usa para assar pizza.  A carne é muito macia e saborosa. Batatas fritas são o acompanhamento tradicional. Com estas há de se tomar cuidado pois, crocantes por fora e derretendo na boca ao serem mordidas, dá vontade de nunca parar de comê-las. De sobremesa, arroz com leche ( igual ao nosso arroz doce mineiro) e flan de huevos ( pudim de leite com ovos). Comemos bastante, sem arrependimento – afinal havíamos gasto muitas calorias com a caminhada da manhã!

 

 

Burgos – Beringela ao melaço com queijo de cabra

Standard

Iniciamos o percurso do Caminho de Compostela em Burgos, na província de Castela e Leão, situada ao centro norte da Espanha. Esta aprazível cidade, fundada em 884,  é famosa pela belíssima e imponente catedral gótica que domina o horizonte. Ao seu redor está o Centro Histórico, uma área de pedestres cheia de cafés, restaurantes e lojinhas para turistas. Passear por suas ruas antigas, a pé ou de bondinho, revigora a alma e nos presenteia com um banho de cultura.

O tradicional e elegante restaurante El 24 de la Paloma foi o escolhido para o nosso primeiro jantar – um sofisticado menu acompanhado de excelentes vinhos. Veja o cardápio feito especialmente para o nosso grupo:

Entradas: camarão crocante ( envolto em fios, como os de doces árabes), cecina de Leon ( é como se fosse presunto cru, na Espanha chamado de jamon, só que é de carne de boi ao invés de porco) ao aroma de arbequina e lâmina de beringela com queijo de cabra ao molho de melaço de cana.

Segundo e terceiro pratos: Peixe branco (um tipo de bacalhau lá chamado de merluza) ao molho verde (coentro) e berberecho galego ( um tipo de marisco).  Entrecot de vaca com as famosas pimentas verdes Padrón ao azeite de enebro ( zimbro).

Sobremesa: Torta e sorvete de maçã.

Escolhemos uma receita simples e deliciosa – a combinação entre os três sabores é perfeita – que você pode fazer com ingredientes encontrados no Brasil:

Lâmina de beringela com queijo de cabra ao molho de melaço de cana (foto principal)

O queijo de cabra é uma especialidade desta região da Espanha, sendo encontrado em várias versões, conforme o tempo de cura e os ingredientes que lhe são acrescidos, como ervas.

Para conseguir que as lâminas de beringela fiquem tão clarinhas a dica é tirar, na ponta da faca, a casca da beringela e imediatamente colocá-la imersa em uma bacia com água. Usando de uma mandolina ou de sua habilidade, corte a beringela – sem retirá-la de dentro da água – em lâminas bem finas. Troque a água, sempre fria, por três vezes para tirar qualquer amargor.  À parte, esquente água em uma panela funda, acrescente sal e um pequeno buquê garni ( amarrado de ervas frescas). Coloque as lâminas e deixe aferventar por 2 a 3 minutos. Teste se estão macias, retire-as e deixe-as secar sobre um pano seco. Enrole-as e reserve.

Para fazer o melaço, o mais fácil é comprar uma rapadura de cana de boa procedência. Derreta um pedaço, ao fogo,  em um pouco de água  até obter a consistência de calda. Retire a calda da cor de caramelo, deixando um pouco na frigideira para, apurando o ponto, conseguir um tom amarronzado – cuidado para não queimar! Esta calda mais escura servirá para dar o toque final.

Arme os pratos (refratários) individualmente – veja a foto. Um pouco antes de servir, leve-os ao forno a 180 graus só para gratinar. Assim que o queijo começar a derreter, está pronto!

 

 

Gastronomia no Caminho de Compostela

Standard

Hoje damos início a uma série especial de reportagens sobre a gastronomia do Norte da Espanha. Percorreremos o Caminho de Santiago de Compostela, um dos três caminhos de peregrinação mais importantes do mundo (os outros são Roma e Meca), trilhando a parte final do chamado “Caminho francês”. Iniciaremos nossa caminhada em Burgos, na região de Castilla-Leon, no centro-norte da Espanha,  prosseguindo até a cidade de Santiago de Compostela, na Galícia ( são 690 km.) Nesta belíssima cidade estão os restos mortais de Tiago Maior, um dos doze discípulos de Jesus, motivo de peregrinação de milhares de pessoas desde o século IX.

Na Idade Média, o terror da peste afugentou os peregrinos e a região caiu em relativo esquecimento. A partir da década de 1980, com o crescente interesse mundial pelo turismo em terras espanholas, o caminho reviveu. Hoje é procurado por milhares de pessoas – e não só por motivos religiosos. Tornou-de uma das rotas turísticas preferidas por quem deseja desafiar-se – no mínimo, vencer, a pé ou de bicicleta, os últimos cem quilômetros do caminho (só assim se recebe o certificado). O ritmo dos caminhantes é percorrer de 20 a 25 km. por dia. Haja preparo físico e fôlego!

Para compensar o esforço, a recompensa é excelente. Belas, charmosas, acolhedoras e alegres cidades e vilas nos esperam ao longo do caminho – cheias de gente bonita, saudável e feliz; bares de tapas originais e restaurantes onde a comida é generosa e o vinho abundante; bons hotéis, albergues e pousadas onde se faz novas amizades com pessoas do mundo inteiro. E o melhor de tudo: um tour gastronômico de primeiríssima! Venha, recomendo! Pode-se comer e beber à vontade – juro que não engordará nem meio quilo, pois  irá apenas recompor as muitas calorias que gastou na caminhada! Enquanto planeja a sua viagem, venha conosco pelo Caminho, siga-nos!

Nota: viajei com 25 mulheres integrantes do grupo Caminhantes da Estrada Real, de Minas Gerais, Brasil. Agradeço aos excelentes guias turísticos Antonio Jimenez e Mariella Miranda ( Zênithe Travelclub/ Belo Horizonte) , que tão bem souberam escolher os melhores lugares para apreciarmos ainda mais esta inesquecível viagem.

Veja aqui algumas fotos de lugares e comidas que apresentaremos nos próximos posts:

 

.

De volta à Bélgica, nossa filial européia!

Standard

Com muita alegria estou de volta à Bélgica para visitar a filha que faz doutorado na famosa e conceituada  Universidade de Leuven (ou Louvain), cujo campus dista cerca de meia hora de Bruxelas e que tem nada menos que 520 anos de idade! A moça também é a “filha blogueira solteira” – nossa colaboradora aqui no blog e no Instagram @salcomalho nas deliciosas e muito práticas receitas de pratos únicos – rápidos e fáceis de preparar. Juntas, aproveitamos os ingredientes – que por aqui são comuns e encontrados com qualidade e a bom preço – para preparar jantarzinhos especiais que curtimos conversando e degustando um bom vinho.

Logo no dia seguinte ao da minha chegada fomos à famosa Feira de Midi – feira de alimentos, flores, roupas e quinquilharia que acontece aos domingos, há mais de mil anos, na região onde há tempos fica a principal estação ferroviária e de metrô de Bruxelas. Lá compramos pato, cordeiro, camarão, galeto, cogumelos, verduras e legumes, frutas, queijos, presuntos e patês deliciosos e outros tantos ingredientes para prepararmos, saborearmos e passarmos as receitas – inventadas na hora – para vocês.

Siga-nos e veja, nas próximas postagens, o festival belga de pratos que preparamos para que reproduza em sua cozinha, sirva e faça bonito para sua família e  amigos.

E, em seguida, vamos ao festival de comida espanhola do famoso Caminho de Compostela!

Fondues em Monte Verde

Standard

Monte Verde é um encantador vilarejo encravado nos altos da Serra da Mantiqueira ao Sul de Minas Gerais. Fica a seis horas de viagem de carro pela Rodovia Fernão Dias, partindo de Belo Horizonte e apenas a hora e meia de São Paulo. Sua rede hoteleira é excelente e conta com muitos restaurantes e lojas com maravilhosos produtos artesanais mineiros: doces, queijos, chocolates, biscoitos, embutidos e bebidas. Tudo delicioso!!! Também tem lojinhas com um lindo artesanato como bordados e cerâmica. Boa oportunidade para se comprar roupas de confecção mineira e ainda do Sul do Brasil , principalmente malharia e artigos de inverno. Importante: preços ótimos! Veja aqui o site da cidade de anime-se a passar um final de semana ou feriado por lá! Ficamos hospedadas no Hotel Saint Michel, onde servem um excelente fondue.

Fondue de queijo 

Os fondues de Monte Verde são famosos e deliciosos por uma simples razão: são feitos com os queijos do Sul de Minas, sabidamente de excelente qualidade. As fotos de fondue que ilustram este artigo são do folder do Hotel Saint Michel / Saint Fondue. Porém, é claro que não nos forneceram a receita. Porém, eu tenho uma receita excelente que faço em casa, a cada inverno, há mais de vinte anos. É a receita mais tradicional de fondue de queijo – não tem erro – quem faz fondue bem feito segue sempre esta receita.

Vamos começar pelo trio precioso de queijos: Gouda, Estepe e Gruyère. Porque vem escrito “tipo”? Porque o nome original só pode ser usado na França!

Receita do fondue

Ingredientes: 1 dente de alho, 950 gr. de queijo, sendo 400 gr. de estepe, 300 gr. de gruyère e 250 de gouda. Mais: 180 ml de vinho branco seco e 60 ml. de Kirsh ( aguardente de cereja) obs: se não achar para comprar deste aguardente, pode usar só vinho. Ainda: 1 colher de sobremesa de fécula de batata, 1/2 colher de chá de noz moscada e uma pitada de pimenta do reino branca.

Rale no ralo grosso os três queijos e misture-os. Reserve. Tome uma frigideira e passe o alho em seu interior. No fogo baixo, derreta os queijos misturados com o vinho e o aguardente. Tempere. Passe imediatamente os queijos fundidos para a panelinha especial para fondue onde for servi-lo e acenda o fogo do aparelho de fondue. Atenção: é fundamental saber regular a chama, pois o fondue deve permanecer quente mas, em hipótese nenhuma, pode começar a ferver estourando bolhas na superfície. Se começar a fazer isto, abaixe o fogo.

Tradicionalmente, o fondue da receita acima é servido com pedaços de pão francês tipo baguete, comprados na véspera e deixados dentro do saco de um dia para o outro.

No Saint Fondue serviram os fondues de queijo com sabores diferentes. Eu prefiro o tradicional mas você pode variar misturando, separadamente: ervas trituradas ( verde), molho de tomate bem concentrado (rosado) mais pedacinhos de tomate ou acrescentando na receita outros tipos de queijo, como provolone ou parmesão (não se esqueça de manter sempre a quantidade total de queijo em 950 gr). Também pode servir o fondue acompanhado de bolinhos, linguiça e outros tipos de pães. Se quiser sofisticar, sirva também chutneys ( veja aqui nossas receitas do de manga e o de beterraba), geleias de ameixa ou de jaboticaba, geleia de pimenta, molho agridoce, mel, etc.

Fondue de carne (o nome fondue é bastante inapropriado,mas é usual)

Para este fondue eu prefiro usar pedaços de filé mignon. Veja aqui a dica de como cortar o filé. No caso, você irá corta-lo em cubos de aproximadamente 3×3 cm – lembre-se que o filé reduz de tamanho ao ser frito e que o pedaço deve caber na boca sem precisar de ser partido. Também, se cortar muito pequeno ele vai cair do trinchante (garfinho de cabo longo) e perder-se na panela!

IMG_0486Como molhos, pode servir patês de ervas, de tomate seco, homus ( pasta de grão-de-bico), babaganush( pasta de beringela), geleias, vinagrete ( mistura de cebola, tomate, salsinha e cebolinha picadinhos bem miúdo mais azeite e vinagre), molho tártaro ( mistura de maionese com picles) e outros.

O filé é frito dentro de uma panelinha de fondue cheia pela metade com óleo de primeira qualidade ou azeite. Muito cuidado com a chama: se o fogo ficar alto e o óleo muito quente, na hora de colocar o filé dentro da panelinha pode espirrar óleo quente pra todo lado! Ao contrário, se o óleo ficar morno, o filé não frita, começa a dar água e o fondue vai por água abaixo. Se acontecer isto, não desanime: troque o óleo!

Fondue de chocolate

Ai, este é o coroamento da seção de fondue, então não abuse dos anteriores! Mas nunca deixe de degusta-lo. Se vai engordar? Sem problema, caminhe muito no dia seguinte – em Monte Verde já passeios maravilhosos subindo a serra no meio da mata!

IMG_0488Este fondue é muito simples: é só misturar 1 barra de chocolate de boa qualidade ( o que mais tem em Monte Verde) com 1 potinho de creme chantilly. Rale o chocolate, coloque-o na panelinha que for servir. Misture 2 a 3 colheres de chantilly – precisa estar bem cremoso, se não estiver, bate-o na batedeira até dar consistência. Leve ao fogo baixo para derreter e, se precisar, vá adicionando chantilly até o ponto de calda. Quando colocado sobre a chama há de se ter cuidado com o calor: a calda não pode ferver, pois fica muito grossa e vira um grude, também não pode esfriar.

Para passar na calda de chocolate: morangos, uvas, pedaços de maçã, de pera, de kiwi, de banana e de abacaxi. Biscoitos tipo waffle. Damascos e figos secos!

Indispensável servir-se os fondues acompanhados de um bom vinho- prefiro os Malbec, Pinot noir ou Bordeaux – que vão combinar com os três tipos de fondue.

Obs: O preparo dos fondues de queijo e de chocolate parecem fáceis – mas não são.  Se não animar de testar e se errar, tentar de novo até aprender, compre as misturas prontas nos melhores supermercados. Dica: saber regular o fogo é o grande segredo!

Quer as receitas dos três tipos de fondue impressas? Clique aqui para baixar o PDF e imprimi-lo.

Peixes e frutos do mar 

Standard

Valeu a pena uma visita ao Mercado de Peixes de Rialto, em Veneza, para ter aqui no blog um catálogo para vocês consultarem quando tiverem dúvida sobre as diferenças entre diversos peixes e frutos do mar –  crustáceos, moluscos, lulas, polvos e outros – principalmente aqueles consumidos no sul da Europa, provenientes do mares Mediterrâneo, Adriático, Atlântico e mar do Norte. Muitos deles são exportados para o Brasil ou temos semelhantes.

Experimente receitas que temos aqui no blog de peixe, camarão e frutos do mar, como Risotto ai frutti di mare, Risotto de camarão com aspargos verdes, Camarão à pomme d’or, Escabeche de peixe, Filé de peixe à provençal.

Veja também Dicas:

1) filé de peixe: grelhar, fritar ou assar

2) como limpar frutos do mar. 

 

 

Mercado de Veneza

Standard

Quem ama culinária não resiste a um passeio em mercados e feiras de alimentação. Ainda mais quando se trata do milenar e famoso Mercado de Rialto, em Veneza. Querendo tirar do centro histórico o odor de peixe e a desordem natural de um mercado, a prefeitura local baixou uma lei transferindo o mercado para longe. Pois feirantes, fregueses e turistas se revoltaram e o mercado continua no mesmo lugar. Tem até um cartaz com o leão símbolo da cidade: “Rialto não se toca”.

Dei uma passada geral pelas bancas e minha boca encheu d’água imaginando o que poderia fazer com aqueles ingredientes da melhor qualidade. Aqui no blog temos mais de quarenta receitas tendo o tomate como elemento principal. Experimente algumas, como molho de tomates com manjericão para pastas, creme de tomates e brusquettas.

 

As bancas de peixe são um caso à parte. Veja os nomes e compare com os do Brasil ( sai amanhã no blog).

Depois de comprar guloseimas para a viagem como frutas desidratadas e castanhas, fui encontrar com as amigas na Piazza San Marco para um fim de tarde inesquecível!

Eslovênia – surpresa com Liubliana

Standard

Chegar a uma cidade linda e acolhedora sem grandes expectativas (confesso que por falta de conhecimento) é uma bela surpresa! Ljubljana (o j é o nosso i), capital da Eslovênia, tem origem romana e foi uma cidade culturalmente florescente no auge do Império Austro-húngaro. Cercada de verde e dominada por um paredão montanhoso onde fica o Castelo de Ljubljana, hoje guarda ainda o charme das ruas calçadas em pedra e o elegante casario do século 18. Ao longo do rio que corta ao meio a encantadora cidade de 250 mil habitantes, come-se muito bem nos bares e restaurantes com mesas à luz de velas dispostas nas calçadas. O melhor restaurante  da cidade fica no Castelo – o Strelec. Veja abaixo o menu de ar água na boca.

O comércio tem artesanato e mercadorias a bom preço e de extremo bom gosto. Uma boa dica é comprar cerâmica – não resisti e comprei várias peças. Outro ponto de interesse são as inúmeras esculturas dispostas nas diversas praças e pontes, com destaque para o famoso dragão que, segundo a lenda, dominava a cidade e não deixava que os inimigos  a tomassem.

No dia em que lá estivemos, uma famosa marca de bebidas promovia um happy-hour na praça principal oferecendo música, bebidas e tira-gostos da melhor qualidade. Depois de ali passar um par de horas inesquecível, foi difícil escolher entre as muitas opções para o jantar. A gastronomia tem influência austro-húngara e germânica. A melhor pedida são as carnes.O restaurante mais conhecido é o Sokol e o prato típico é Goulash servido dentro de um pão em forma de cone.

Foto de destaque: joelho de porco assado servido com batatas, um prato bem germânico.

 

Croácia – a bela Dubrovnik

Standard

Deslumbrante! A mágica cor azul do mar, a vista de Dubrovnik desde a montanha, o conjunto arquitetônico intramuros da cidade antiga!

Fora a delícia que é passear pelas ruas do centro histórico, recheado de cafés, restaurantes e lojas. Pátios, praças, ruelas com escadarias e muitas igrejas cristãs e ortodoxas.

Turistas do mundo inteiro – bandos de chineses, japoneses e brasileiros acompanhando guias de excursões na parte da manhã; famílias inteiras em extensas mesas almoçando nas calçadas; mulheres às compras no meio da tarde; jovens belos e descolados que chegam para ver o por do sol; casais em lua-de-mel jantando à luz de velas em bistrôs românticos. Todo mundo junto à noite cantando e dançando, fazendo a maior farra diante de palcos com DJs e bandas comandando a noite. Um festa constante! O que está esperando? Vá lá, a cidade te espera! E para quem tem energia suficiente, aguarde o amanhecer diante do mar- é belíssimo! Inesquecível!

No esplêndido resort onde ficamos hospedados havia três restaurantes além de bar e boate. Em um deles, especializado em frutos do mar, comi um prato delicioso de calamares ( lulas) ao vinho. O sabor ficou na memória para sempre. Veja a foto abaixo. Como não consegui a receita, vou comprar os ingredientes quando voltar para casa  e tentar reproduzir. Aguardem!

DSCN4309

 

 

 

 

 

Spritz- o famoso coquetel de Bari

Standard

Há viagens que trazem surpresas agradáveis – esta tem tido várias. Uma delas foi a surpreendente Alberobello, com sua arquitetura inusitada. Pois eis que, no mesmo dia, me encanto com Bari, porto do Adriático ao sul da Itália. Recordou-me a Copacabana sossegada dos anos 1960/80, no Rio de Janeiro, onde passava férias na minha infância e adolescência. Que lugar lindo! Tarde gostosa a admirar o mar e as pequenas embarcações no porto, sentindo o calorzinho do sol na pele, observando os aposentados a jogar damas nas calçadas, as crianças a brincarem com seus cães – a vida escorrendo plácida, suave, alegre e despreocupada, sem medo da violência urbana das metrópolis de hoje. Que delícia!

Fomos passear na parte velha da cidade. Adorei andar pelas ruazinhas simpáticas – o retrato da Itália meridional, com as roupas dependuradas nas sacadas e a vidinha sem pressa do sul. Resolvemos comemorar a vida e a amizade no barzinho mais conhecido do pedaço. Fomos atendidas por uma mulher grandona, vestida à marinheira, tatuada, muito estranha mas super simpática. Pedimos o famoso coquetel Spritz. Colorido, vibrante, cor de laranja. Caiu bem no fim de tarde a apreciar a beleza do céu de um azul profundo com nuvens rajadas de laranja e rosa forte. Perfeito!

Perguntei sobre os ingredientes do tal coquetel, a mulher deu de ombros. Então procurei a proprietária do estabelecimento, dei-lhe o cartão verdinho do Sal&Alho  e apresentei-me como blogueira. Sob os olhares de profundo e magoado ciúme da garçonete grandalhona, a senhora passou-me a receita, passo-a-passo, como gosto. Porém, disse-me que não poderia me dizer qual marca de bebidas usava ( já mostrou as porções servidas) pois era o segredo da casa. Não insisti, mas dei uma voltinha e vi-as na prateleira. Depois, fui ao supermercado, procurei e comprei-as. Adquiri também os demais ingredientes. Pronto! Agora posso fazer quantos coquetéis  quiser, pela décima parte do preço cobrado no bar!

 

Vejam aqui a receita:

Coquetel Spritz

Para cada pessoa, misture na coqueteleira 3 partes de um bom Prosecco italiano ( 150 ml), 2 partes de Aperol Spritz ( a melhor é da marca Cinzano) e 1 parte de soda ( 50 ml). Bata e coloque em uma taça larga e alta. Junte de 4 a 6 cubos de gelo e enfeite com uma fatia de laranja e metade de um morango. Delicioso para se tomar em um fim de tarde como aperitivo.

A ida ao supermercado gourmet foi  um problema grave. Eu queria comprar tudo! Pensei seriamente em abandonar a viagem, alugar um apartamento à beira-mar e passar uma semana experimentando receitinhas novas com aqueles ingredientes fantásticos! Como, à tempo, cai na real e percebi que não era possível, ao menos comprei comidinhas de aperitivo e lanche para o resto da viagem. Segui passando bem por mais 10 dias! Pena que acabou…

Reparem se não dá água na boca: