Gramado – Natal de Luz!

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Uma excelente opção de passeio em dezembro é ir a Gramado, pois neste mês a cidade se enfeita todinha para o Natal de Luz. Esta linda cidade da Serra Gaucha, colonizada por alemães e italianos, é como um pedacinho da Europa no Brasil. No entanto, tem diferenças, todas positivas: fala-se português; o clima é muito agradável e por isto a cidade das hortências permanece florida o ano inteiro; as ruas são mais limpas que as das cidades européias, as calçadas são bem cuidadas e ajardinadas; as pessoas são mais simpáticas e acolhedoras; os preços são acessíveis e se paga em real. Fiquei encantada!

 

Gramado e suas vizinhas, Canela e Nova Petrópolis, ficam pertinho de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e no caminho para ir a Bento Gonçalves, a famosa terra do vinho. O passeio no trenzinho Maria Fumaça subindo a serra é muito divertido, pois há música, dança e degustação de vinhos. Tem muito lugar legal para se visitar, programas para todas as idades. Aproveite para tomar um delicioso chá de maçãs no Castelinho do Caracol. O passeio é também uma boa oportunidade para fazer compras nas vinícolas, nas fábricas de chocolate, nas malharias, nas fábricas de calçados e ainda na famosa Tramontina, onde se compra tudo para mesa e cozinha. Adivinha se eu adorei? Além de umas tantas panelas e apetrechos, comprei uma faca de chef e o robot gravou “Sal& Alho”.

 

Além das atrações habituais de Gramado e da região – como a excelente rede hoteleira, os restaurantes e ótimo comércio – a partir da segunda quinzena de novembro há grandes espetáculos e atrações imperdíveis. A cidade é toda decorada com motivos natalinos e à noite as luzes são acesas, proporcionando-nos momentos emocionantes.

 

Entre as inúmeras chocolaterias, encantei-me com a Lugano, não só pela qualidade do chocolate como pelo bom gosto das embalagens. Não resisti, voltei com uma caixa lotada de chocolate!

 

Entre tantos bons restaurantes escolhi para mostrar a vocês uma típica cantina italiana – a Il Piacere – por ser uma das mais tradicionais e acolhedoras. Há também muitas churrascarias, pizzarias e casas de fondue. Um conselho: aproveite para comer bem mas, para compensar, ande a pé o tempo todo. Tudo é perto e a cidade é quase toda plana.

Em breve passarei para vocês uma receita bem diferente que aprendi a fazer em Gramado. É um segredo passado de geração em geração que consegui descobrir! Aguardem!

Teotihuacán

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Em meio a um extenso vale próximo à Cidade do México estamos certamente mais perto dos deuses. O dia, que começara frio e chuvoso, mostrou-se radiante sob o intenso sol do meio dia a fazer brilhar a cidade sagrada. Do alto das pirâmides uma atmosfera mágica nos envolve, impressionados que ficamos com os relatos de antigas civilizações pré-colombianas que ali festejaram a vida e a morte.

A cidade dos deuses é um dos vestígios mais significativos das antigas civilizações da América Central. O colossal conjunto arquitetônico, onde se destacam a Pirâmide do Sol , a Pirâmide da Lua e o Templo de Quetzalpápalotl é unido pela Calçada dos Mortos, que se estende por quase quatro quilômetros.

Ao fim das escaladas e da longa caminhada, foi-nos oferecido um almoço típico muito interessante. Recebidos por um grupo folclórico que interpretou ritos e danças típicas, deparamo-nos com uma mesa de refeição comemorativa do Dia dos Mortos. Fiquei tão envolvida com a dança, a música e a interessantíssima decoração do buffet que me esqueci de comer! Mas conto o que tinha de mais interessante: tacos com recheios diversos, todos guisados à base de vegetais – cactos e pimentas!

 

À parte, gostei o artesanato local e comprei presentes bem originais para a família toda. Vejam também as bebidas típicas da região- todas extraídas dos cactus – destilado e licor de agave e a famosa tequila.

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México II

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Alguns dias em nossas vidas tornam-se inesquecíveis – o dia em que conheci esta cidadezinha mexicana certamente foi um desses.

Imagine-se, sob uma chuvinha fina, subindo uma serra com densa vegetação verde no coração do México. De repente, após mais uma curva da sinuosa estrada, vislumbro, entre brumas, uma encosta íngreme derramando casinhas brancas por todos os lados. A primeira impressão é que estão prestes a se despencar e a cair no abismo. O precipício que se vê à esquerda é parte da cratera aberta pela antiga mina de prata. Continuamos devagar a subida. O céu se abre e o sol inunda a serra de luz dourada. Chegamos a Taxco!

Todas as casas morro acima se assemelham e se misturam – as de famílias outrora abastadas e as dos pobres mineradores. Todas as paredes são caiadas de branco. Todas as portas, as janelas, os gradis e as balaustradas das sacadas, sem exceção, são negras. Fora o branco e o preto só há mais uma outra cor nas fachadas das casas: a dos tijolos à vista, emoldurando os portais senhoriais.

Nas rústicas ruas de calçamento de pedra cinzenta os passantes nos olham com curiosidade, de rabo de olho. Vê-se que são gente desconfiada, desviam o olhar e o sorriso. Reparo nas feições: são morenos, de bonitos traços harmoniosos, olhos e cabelos negros brilhantes, faces rosadas, bocas carmim. Quase meio dia, as crianças saem das escolas vestidas com uniformes à moda dos anos 40. Incrível, parece que o mundo aqui parou no tempo.

Prossigo rua acima. As mercadorias nas portas das lojinhas me atraem a atenção. O artesanato textil é coloridíssimo, os finos artigos em prata me encantam. Frutas exóticas enchem o ar de um perfume forte e doce. Sinto um aroma intenso de flores e avanço para a praça principal. A imponente e belíssima fachada rosada da igreja de Santa Prisca me arrebata o fôlego. Depois de um tempo, perdida nos intrincados desenhos do barroco espanhol, abaixo a vista. Nos degraus da igreja, dezenas de mulheres e crianças vendem flores amarelas e alaranjadas – são os cravos de defunto. Passo os olhos ao redor: uma profusão de caveiras me salta aos olhos – são máscaras em manequins que, um ao lado de outro, parecem se abraçar e dar a volta na praça, em um jogo ao mesmo tempo macabro e divertido. Agora me lembro: hoje é dia 1 de novembro, quando se comemora o Dia dos Mortos – o feriado mais importante da cultura mexicana. Um enterro de verdade passa adiante, todos os que seguem a procissão choram e trazem nas mãos buquês de flores brancas. À passagem do féretro, todos se ajoelham, inconscientemente faço o mesmo gesto. O espírito da pequena cidade já tomou conta de mim.

Lembro-me de outra cidade colonial – minha querida Ouro Preto, em Minas Gerais, onde minha avó nasceu. As semelhanças são muitas – ambas centenárias, nascidas a partir da mineração febril de outros tempos, ambas encarapitadas em colinas; o mesmo profundo sentimento religioso, o mesmo povo fechado à primeira vista e amável e hospitaleiro quando reconhece um irmão de alma. Uma diferença: na cidade brasileira as portas e janelas são coloridas, verdes e azuis; aqui, têm o negrume da morte. Uma certeza: se eu fosse mexicana, em Taxco haveria de ter nascido!

Tão logo chegamos, nosso grupo foi recebido pelas autoridades locais e nos foi oferecido um coquetel – uma luxúria de cores e sabores locais. Em seguida, serviram-nos um delicioso almoço, que descrevo no próximo post.

Assim que terminei o almoço, separei-me do grupo – para ter maior agilidade – e percorri as ruelas e becos de Taxco até a exaustão. Não resisti e comprei algumas belas peças de prata – colares e brincos. Na verdade, eu quis comprar muito, muito mais, pois tudo o que vi me encantou. Fiquei tão maravilhada com Taxco que não resisti e, apesar deste ser um blog de culinária, fiz um documentário fotográfico que apresento a vocês. Observem a beleza do barroco colonial mexicano, a fisionomia das pessoas, o colorido artesanato e uma peculiaridade: Taxco é a capital mundial dos fuscas. Curtam as fotos!

 

Guacamole, mole rosa e outras

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À direita e ao fundo da praça principal de Taxco, onde se eleva magnífica a Igreja de Santa Prisca, vê-se uma ruela subindo morro acima. Ali fica o Restaurante Hacienda. Foi lá que tive o prazer de degustar um molho especialíssimo, feito com água de rosas e que, por isto mesmo, tem a mesma cor das pedras rosadas da igreja, em homenagem à santa.

Mas vamos ao menu completo e às receitas, que me foram gentilmente explicadas pela filha da dona do restaurante.

Primeiro foram servidos tacos e guacamole. Em seguida, uma sopa especial. O prato principal foi frango com o tal molho rosa, que se diz “Mole rosa”. De sobremesa, um pudim tradicional, o “flan de elote” que é o nosso conhecido pudim de leite condensado, cuja receita já saiu neste blog.

 

Tacos

O preparo do taco é muito simples: em uma tigela, misture 2 xícaras de chá de farinha de trigo com 1 ½ xícara de água morna e um pouquinho de sal. Misture com os dedos até formar uma bola. Cubra com um pano de deixe descansar por 10 minutos. Faça bolinhas e abra-as com um rolo de pastel até ficarem bem finas. Retire as arestas de modo a formar um círculo perfeito. Coloque uma frigideira de ferro para esquentar e quando estiver bem quente passe o taco de um e outro lado. Dá para 8 tacos.

Guacamole

Este tradicional prato mexicano é servido como entrada. É muito saboroso e refrescante e excelente para se servir no verão, quando é tempo de abacate.

Para 1 abacate de tamanho médio você irá precisar de 2 tomates maduros, 1 cebola, 2 colheres de sopa de azeite, uma pimentinha dedo de moça, um raminho de coentro, sal e suco de um limão tahiti.

Corte o tomate em quatro, retire as sementes, corte as partes em cubinhos. Rale ou pique a cebola bem miudinho. Parta a pimenta, retire as sementes e corte-a em fatias finas. Pique o coentro miudinho. Retire a polpa do abacate da casca, amasse-o grosseiramente com um garfo deixando pedaços inteiros. Tempere-o com suco de limão e sal a gosto. Junte os outros ingredientes e coloque na geladeira até servir. Observação: como o abacate escurece com facilidade faça a receita pouco antes de servi-la.

Sopa de “hongos”

Esta, eu sinto muito, será difícil fazê-la fora do México. Provei a sopa e achei-a deliciosa. Fiquei analisando. Visualmente parecia que tinha cenoura e algo como abobrinha em fatias finíssimas, mas o gosto era totalmente diferente. Fiquei muito intrigada pois geralmente consigo descobrir os ingredientes. Percebi que havia algo parecido com os nossos cogumelos. Desisti de tentar adivinhar, resolvi perguntar. A dona da casa explicou-me que a sopa era feita somente com os “hongos” locais, que parecem cogumelos.

Mole rosa

O molho cobria um pedaço de frango cozido, mas vamos deixar este de lado e nos concentrar no molho. Este leva amêndoas, castanhas e nozes trituradas até virarem uma massa homogênea. Achei que o gosto de amêndoa prevaleceu. O molho tem uma consistência oleosa – segundo me foi dito, é o óleo natural da amêndoa. Daí mistura-se com a água de rosas – pétalas de rosa vermelha deixadas na água de um dia para o outro. Lembro-me que quando eu era criança tínhamos no jardim de casa uma roseira de grandes, aveludadas e profundamente vermelhas rosas. Meu sonho era fazer uma poção mágica de coloração rosa – nunca consegui. Assim sendo, ou as rosas mexicanas são mágicas ou se coloca um pouco de anilina na receita. Experimente – se conseguir uma água de rosas de cor rosa forte me escreva! À parte deste pormenor, o sabor do mole rosa é delicioso (eu rapei o prato).

Prendas

No Dia dos Mortos, como em uma comemoração popular festiva, servem-se como prendas alguns docinhos típicos, em cestinhas enfeitadas com papel colorido. Os docinhos quadradinhos são feitos com legumes e frutas, como abóbora, goiaba, figo e banana, que se põem a cozinhar, separadamente, em grandes tachos com muito açúcar até dar ponto de cortar; em seguida são passados em açúcar cristal. Outros, como as hóstias, são feitos à base de pasta de arroz e milho, adoçados e coloridos com anilina. Há um doce parecido com pé-de-moleque, porém feito com amêndoas. Estas são colocadas inteiras, sem pele, em uma calda grossa de açúcar. Mistura-se e coloca-se às colheradas sobre uma pedra fria até endurecerem e esfriarem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Férias no México I

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A tequila, os “mariachi” e os tacos são internacionalmente conhecidos como símbolos da cultura do México. O mexicano é alegre e hospitaleiro por natureza e adora festa com música, dança, comida farta e bebidas fortes. A gastronomia é rica e variada, apresentando uma culinária genuinamente diferente, baseada nos produtos locais, conforme a região do país.

Na Cidade do México estive em diversos restaurantes e aqui apresento o mais típico deles, onde participamos de uma alegre e coloridíssima festa com os românticos “mariachi” acompanhados de dançarinos em belas roupas típicas. Quem me conhece já sabe: não me fiz de rogada, ao primeiro convite pulei para o palco e dancei até o show terminar!

Restaurante Arroyo

Fundado em 1940 por Dom José Arroyo e Doña Maria Aguirre Arroyo, no mesmo endereço que hoje ocupa na Avenida Insurgentes, 500, este restaurante típico mexicano tornou-se uma autêntica lenda viva. Há mais de 70 anos a família tem cuidado pessoalmente de atender a freguesia com esmero e carinho e por lá já passou gente famosa de todo o mundo. A tradicional “barbacoa de borrego” ( para nós mineiros trata-se do conhecido torresmo) que fez a casa conhecida desde os primeiros anos, continua a ser feito à vista do visitante e servido com uma boa tequila. Senti-me em casa, como se comesse torresmo com cachaça no interior de Minas Gerais.

A comida típica do alto planalto mexicano oferece carnes de excelente qualidade, sendo mais comum as de porco, frango e cordeiro, seguida da de boi. Os molhos são à base de tomate,alho, cebola, muita (mas muita mesmo) pimenta e diversos ingredientes que são extraídos dos cactus, abundantes na região. Apresentando-me como a responsável por este já conhecido blog internacional, consegui uma atenção especial do chef do Restaurante Arroyo para me passar algumas receitas. Até ensaiei escrevê-las, mas logo desisti, pois as receitas são bastante elaboradas e tomam muito tempo para serem devidamente feitas e os ingredientes para os indispensáveis molhos são impossíveis de se encontrar fora no México. Quem quiser degustar a gastronomia mexicana tem que ir ao México – nada mal, pois amei o país. Recomendo!

“Chucho” Arroyo, o simpático e onipresente responsável pelo restaurante e neto dos fundadores, ampliou a infra-estrutura da casa que hoje conta com espaço suficiente para atender quase mil pessoas, sem perder a qualidade do atendimento e da comida. Além do excelente espetáculo de música e dança típicas, ainda há outras distrações para as famílias mexicanas e turistas: uma praça de Toros! Visite, vale a viagem!

Caribe – coquetéis II

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Tudo pelo blog! Quanto esforço! Continuo a bordo do Norwegian Gateway em um cruzeiro de 7 dias pelo Caribe Leste, com a proposta de tomar dois coquetéis por dia, testá-los e escrever a receita dos melhores para vocês.  Com a assessoria dos simpáticos garçons indonésios – com os quais já fiz amizade – escolho um drink antes do almoço tomando sol na beira da piscina com vista para o azul do Mar do Caribe e  outro à noite, no bar ou na boate, ao som de reggae, jazz…e outras variedades musicais dançantes. Vamos aos coquetéis testados e aprovados que lhes envio hoje. Para variar, escolhi um coquetel com gim e outro com vodka.

Sapphire

Sapphire Peach Collins

O gim, cuja origem vem do século 17 nos Países Baixos, é uma bebida destilada de forte teor alcoólico feita a partir de cereais e de zimbro. Ao líquido que sai do alambique é adicionada água destilada e aromatizantes frutais, como cássia, laranja, amêndoa, lírio ou álamo.

O Bombay Sapphire Gin usado neste coquetel é um gim do tipo London Dry, bem seco. Há muitos anos, apaixonei-me pela cor azul cristalina desta bebida e comprei uma garrafa. Era tão linda que passei anos guardando-a intacta no bar. A verdade é que não achei graça nenhuma na bebida, pois é tão forte que parece álcool puro – ou seja – achei melhor deixar a linda garrafa decorando o bar. Neste drink o gim é suavizado com suco de pêssego, o que lhe dá a cor azul piscina. A receita leva também um licor especial de flores maduras.

Prepare o coquetel batendo uma medida de suco concentrado de pêssego na coqueteleira com uma colher de café de suco de limão. Junte uma dose do licor Saint Germain Elderflower. Derrame a mistura em um copo alto de boca larga e adicione a dose de Bombay Sapphire. Dois ou três cubos de gelo, uma misturadinha de leve e o coquetel está pronto, apresentando um tom de azul maravilhoso – repare na foto! Ao fundo, a excelente banda de reggae jamaicana Groove International.

O nome Collins só pode ser uma homenagem à famosa avenida de Miami Beach.

305 Cosmo

305 Cosmo

Como o drink leva vodka, a intenção deve ter sido a de homenagear a espaçonave de mesmo nome da oitava missão à Lua do projeto russo Kocmoc, lançada em 1969. Mas a tal nave não conseguiu entrar na órbita lunar e reentrou na atmosfera terrestre dois dias após seu lançamento. A cor vermelha, é claro, lembra a cor da bandeira russa. A vodka usada foi a Voli Lemon.

Uma bebida típica da região do Caribe é o licor Curaçao. O Triple Sec é uma variedade aromatizada com a casca seca de laranjas doces e amargas.

Bata na coqueteleira 1 dose de suco de cranberrie ( aquela frutinha vermelha americana) e 1 colher de café de suco de limão. Junte uma dose de Triple Sec e outra de vodka. Despeje em um cálice como os de servir marguerita – já com o sal na borda. Enfeite com uma rodela da casca de limão siciliano.

Ao fundo, na boate que apresenta finalistas do Grammy Awards, a cantora Shannon McNally, que encantou a plateia cantando velhas canções dos estados sulinos dos EUA.

Cosmo Recipe

 

 

 

Coquetéis caribenhos I

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Um dos meus prazeres a bordo do Norwegian Gateway, navegando pelo Mar do Caribe, foi escolher e acompanhar o preparo dos deliciosos, coloridos e refrescantes coquetéis servidos nos bares do navio. Em seguida, escolhia o melhor ângulo para uma bonita foto e passava à parte melhor: beber devagarinho, apreciando o sabor. Sempre tinha algum curioso observando e aproveitava a ocasião para puxar conversa. Assim mais pessoas – americanos, sul-americanos e europeus – ficaram sabendo deste blog e passaram a acompanhá-lo e a mandar sugestões. Aqui vão algumas das receitas e as fotos para você prepará-los em casa para os amigos.

Crusoe

Para uma quente manhã de sol, uma boa pedida leve e refrescante é o coquetel cujo nome é uma homenagem ao lendário Robinson Crusoe, personagem do romance de Daniel Defoe publicado em 1719. Único sobrevivente de um naufrágio, Crusoe narra suas aventuras durante os anos vividos em uma ilhota remota do Caribe.

O drink é feito com 1 dose de rum – o indicado é o Organic Silver- misturado com o suco coado de 1/4 de limão tahiti e adoçado com néctar de agave. Este adoçante é indicado para o preparo de bebidas pois dissolve-se com facilidade e não deposita no fundo do copo como o açúcar. É um preparado feito a partir da agave azul ou tequilana, planta muito comum no México, que é também a matéria prima para a fabricação da tequila.

Pineapple Coconut Mojito

Uma delícia inspirada no tradicional Piña colada, coquetel criado no final da década de 1950 em San Juan. Enquanto neste drink portoriquenho usa-se o leite de côco, no drink servido nos bares do Norwegian Gateway usa-se o Bacardi Rock Coconut, um destilado de rum com essência de côco. Misture, na coqueteleira, 1 dose deste rum com 1 colher de sopa de polpa de abacaxi,1 colher de café de suco de limão e 1 colher de café de melado de cana (pode adoçar com açúcar mascavo ou cristal). Verta a mistura no copo, acrescente 1 dose de club soda e junte cubos de gelo até completar o copo. Como enfeite, use um raminho de hortelã.

Raspberry Guava Mojito

Uma variação bem original do mojito ( pronuncia-se morrito) que seduz pela cor vibrante e pelo aroma. Bem própria para um drink servido no Caribe, entre as duas Américas. É uma feliz e bem dosada mistura do delicado sabor das frutas vermelhas da família dos “berries” do hemisfério norte com o sabor acentuadamente doce das frutas tropicais do hemisfério sul – no caso, a nossa conhecida goiaba vermelha.  Macere, em um pilão de madeira, 3 framboesas com 3 folhinhas de hortelã e 1 colher de chá de açúcar de cana.Verta a mistura na coqueteleira e junte 1 dose de Bacardi Superior e 1 colher de sopa de polpa de goiaba. Despeje a mistura coada em um copo de boca larga, misture com 1 dose de club soda e cubos de gelo até completar. Prenda no palito 3 framboesas e coloque-as enfeitando o drink, junto com um raminho de hortelã.

Veja abaixo estas receitas originais e mais outras. Experimente fazê-las!

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Cruzeiro no Caribe – Mojito

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Belíssima manhã na ensolarada Flórida. O imenso magnífico navio Norwegian Gateway solenemente deixa o porto de Miami na direção do Caribe Leste, com mais de 5500 pessoas a bordo em plena festa.

Navegamos por sete dias e sete noites sem nos cansarmos de apreciar o deslumbrante tom de azul do Atlântico Norte e do Mar do Caribe, aportando em Saint Maarten, Saint Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas e em Nassau, nas Bahamas. Com doze restaurantes oferecendo culinária internacional e típica, como a creola, a francesa, a italiana e a japonesa, dentre outras – sem faltar a churrascaria brasileira – e mais seis bares e cafés a bordo, a tripulação indonésia responsável pela alimentação ofereceu-nos um festival gastronômico verdadeiramente delicioso.

Na impossibilidade de passar para vocês fotos e receitas dos pratos servidos a bordo, tal a variedade e complexidade, optei pelo tema coquetéis, escolhendo diariamente para beber um drink na piscina pela manhã e outro à noite, nos bares e boates do navio, curtindo um reggae jamaicano, uma bossa nova no piano, um blue ou jazz de New Orleans ou matando a sede entre uma salsa e um samba.

Mojito

Sugarcane Mojito Bar – A história do Mojito

Já no século 16 o “The Draque”, predecessor dos mojitos, era consumido a bordo dos navios corsários da famosa esquadra inglesa de Sir Francis Draque. Tratava-se de uma mistura de destilado grosseiro de cana com suco de limão – para prevenir o escorbuto – acrescido de hortelã e açúcar para melhorar o rude sabor da bebida. Havana estava na rota dos navios e foi ali que Don Fecundo criou o rum, em 1862, causando forte impacto no consumo do tal “The Draque”. A leveza e o complexo sabor do rum superior de nome Bacardi deu então origem ao mojito original. Em 1939, o Bacardi Mojito já havia virado lenda no famoso bar cubano La Floridita. Um perfeito Mojito equilibra técnica e a qualidade dos ingredientes. O objetivo é servir uma bebida refrescante e saborosa, sendo indispensável um rum leve e um acúcar mascavo de fina qualidade para realçar o sabor do limão e da hortelã.

Bacardi Mojito

Para fazer o drink à maneira tradicional, coloque em um pilãozinho de madeira 2 colheres de chá de açúcar mascavo, o suco de um limão tahiti (cerca de 2 colheres de sopa de suco) e 6 a 8 folhas de hortelã. Esprema com o socador para macerar as folhas. Passe para a coqueteleira e acrescente 1 dose de rum Bacardi Superior e a mesma quantidade de club soda. Misture.Transfira o líquido coado para um copo de boca larga. Encha o copo com cubos de gelo e enfeite com uma rodela fina de limão e um raminho de hortelã. Ideal para os dias quentes de verão.

 

 

 

Almoço mineiro em Tiradentes

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No último final de semana fomos à cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, para a inauguração do Museu de Sant’Ana. É mais um presente que Minas ganha do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, criado e presidido por sua dinâmica e dedicada filha Ângela Gutierrez. Em 1998, Ouro Preto ganhou o Museu do Oratório; em 2005, Belo Horizonte recebeu o Museu de Artes e Ofícios. Neste último 19 de setembro foi a vez de vermos a antiga Cadeia de Tiradentes transformada no esplêndido museu dedicado às 291 imagens de Sant’Ana, descobertas e trazidas pela colecionadora de vários estados do Brasil e agora doadas por esta extraordinária mulher ao Patrimônio Histórico para constituir este museu.

Vá conhecer os dois outros museus (se ainda não foi) e o novíssimo Museu de Sant’Ana, pois têm obras belíssimas e são muito interessantes.

Porém este é um blog de gastronomia! Aqui compartilhamos os deliciosos pratos e doces da tradicional culinária mineira servidos no almoço de sábado, após nossa visita ao museu.

O conhecido chef Cantídio Lanna preparou para esta ocasião especial – vejam por ordem das fotos:

1- Cuscuz com açafrão, linguiça defumada e feijão roxinho, acompanhado de crespinho de couve;

2- Galinhada (nesta sou craque, passarei a receita em breve);

3 – Lombo de pirarucu (peixe grande encontrado nos rios da Amazônia) com ora-pro-nobis ( folha de uma trepadeira do mato muito comum no interior) e purê de banana da terra ( este estava divino, vou tentar repetir e passarei a receita);

4- Jarré de porco com angu (preparado de fubá com água) e mostarda (trata-se de uma folha de horta um pouco amarga muito apreciada no interior de Minas).

Vejam a maravilha dos doces mineiros – nome nas fotos:

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Doces cristalizados: laranja, mamão verde, abóbora moranga, abacaxi e figo

Estes doces merecerão receitas feitas uma a uma: com tempo iremos preparando e publicando. Minha avó, nascida em Ouro Preto, fazia muitíssimo bem todos eles e tive a chance e a sorte de aprender com ela.

Joburg – Bread Basket – comida rápida para almoço

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Joburg é o apelido carinhoso que os locais dão à Johannesburg, sua multicultural metrópole e maior cidade do país, fundada no tempo da caça ao ouro, na década de 1880, por dois Johannes, daí o seu nome.

Para variar nossa série sobre a África do Sul, vamos hoje mudar de foco. É claro que aproveitamos nossos últimos dias no país para repetir o que mais gostamos: frutos do mar, cordeiro e costeletas (veja as oito postagens anteriores). Também provamos o Galeto a Piri- Piri, um prato típico da cidade, de origem moçambicana. Trata-se de um galeto grelhado pintadinho de laranja – isto mesmo – vem com tanta pimenta piri-piri que quase esconde o frango! O sabor é bom, mas queima a boca toda, haja copo d’água!

Fomos passear no complexo de lojas e entretenimento Sandton City – Michelangelo, o melhor da cidade. Na véspera, havíamos jantado no local, em um dos restaurantes da Nelson Mandela Square, ótimo programa para a noite.

No meio das compras, deparamos com uma padaria, a Bread Basket, onde servem para o almoço refeições rápidas prontas e preparadas na hora. Como estávamos com pouco tempo e com fome, achamos ótima opção dar uma parada estratégica.Movimentadíssimo o lugar, um entra e sai de gente bonita comprando comida pronta, pães e produtos diversos e outras tantas almoçando.

Começamos a conversar sobre a dificuldade de se comer bem para quem trabalha e dispõe de pouco tempo para o almoço. Daí tivemos a ideia de pesquisar e criar refeições leves, nutritivas e fáceis de preparar em casa e levar para o trabalho. Vamos, portanto, criar uma nova linha no blog: Marmita Business!

Veja nas fotos abaixo alguns produtos da padaria Bread Basket:

Durban 2 – Nino’s

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Turista que vai a Durban, cidade à beira mar do lado leste da África do Sul, tem de visitar o estádio Moses Mabhida, é ponto obrigatório. Além de ser uma bela construção (e olha que nós duas, as blogueiras do Sal & Alho, somos arquitetas e fomos a esta cidade para um congresso internacional de arquitetura) ainda tem no estádio um passeio sensacional para turistas. Pois devido à esta atração, o ano inteiro visita-se o lugar. Imagina que subimos em um bondinho até o topo do estádio e descemos em uma plataforma de onde se descortina o Oceano Índico, boa parte da cidade e o amplo parque esportivo em torno do estádio.

Demoramos mais do previsto no passeio e nos veio uma fome brutal. Não gosto de fast-food, tenho sempre a impressão que a comida pesa no estômago e engorda. Porém, numa terça feira às três da tarde só havia um único local aberto e a solução foi comer lá mesmo. Tivemos uma ótima surpresa, pois veio uma comida leve e deliciosa! Lição de hoje: nunca devemos ter pré-conceitos…

Almoço no Nino’s

Trata-se se uma cadeia de restaurantes que tem várias lojas no país. No cardápio encontra-se as tradicionais opções para café da manhã e refeições rápidas, tipo saladas, burguers e pastas. O que gostei é que oferece pratos completos com frango ou carne. Veja o que escolhi na foto do topo da página. Uma feliz combinação de peito de frango grelhado, molho hollandaise com aspargos, purê de abóbora, creme de espinafre,  fritas e uma saladinha básica. Todos estes já publicamos as receitas neste blog: basta clicar e achará cada uma delas. Só faltou:

Molho hollandaise

Este molho é feito à base de manteiga e gema de ovo. Derreta 1 colher de sopa de manteiga no microondas. Reserve. Junte em uma travessinha: 1 gema de ovo (sem a pele), 1 colherinha de café de suco de limão siciliano e 1 colher de sopa de água, sal e pimenta. Bata com o batedor de ovos. Leve esta mistura ao fogo baixo, continuando a mexer, por 2 minutos. Tire a panela do fogo. Misture a manteiga bem aos pouquinhos, sem parar de mexer, até o molho ficar bem cremoso. Mantenha o molho aquecido em banho maria até a hora de servir, mas , atenção, o molho não pode ferver senão talha. Na receita do Nino’s, aferventaram os aspargos e misturaram a este molho imediatamente antes de servir, uma delícia!

Viu? Se você estiver fazendo o dever de casa direitinho e preparando nossas receitas dia a dia, quando chegar a um restaurante como este poderá dizer: olha, gente! Sei fazer tudo o que está aqui no prato que escolhi!

 

Durban 1 – Cargo Hold com tubarões

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Imagine-se jantando no porão de um velho galeão tendo à sua volta imensos tubarões! Pois isto é possível em Durban. No extremo sul das praias da cidade, próximo ao centro, em uma ponta de terra entre a praia e o porto, fica um interessante ponto turístico com diversas atrações, como o uShaka Marine World, um parque temático dedicado às maravilhas marítimas, lojas e restaurantes. É um lugar muito agradável de se passear a qualquer hora do dia, inclusive à noite, pois é bastante seguro. Entre as diversos opções gastronômicas escolhemos o restaurante que fica dentro do antigo barco, não somente por ser pitoresco jantar na companhia de tubarões, arraias e outros peixes incríveis como já sabíamos que a comida era bem feita, farta e oferecida a um bom preço. Pelo cardápio constatamos que a especialidade da casa é mesmo os frutos do mar, que oferecem em diversas combinações. Confira:

 

Frutos do mar grelhados

Meu olho cresceu quando vi o prato de lagostas, camarões, mexilhões e mariscos que serviram aos nossos amigos que já estavam na mesa do restaurante Cargo Hold quando chegamos. Sorte nossa encontrá-los ali, pois a fila de espera era grande. Gentilmente dividiram conosco este primeiro super farto prato bonito e aromático e depois dividimos com eles o que pedimos em seguida. Assim comemos, fizemos um intervalo e comemos de novo! Foi uma ótima experiência, pois enquanto esperávamos calmamente o recomeço, degustamos um excelente Sauvignon Blanc, evidentemente sul-africano e nos serviram (sem cobra nada!) deliciosos petiscos com sabor de mar.

 

Gulosa? Sim, confesso que sou. Aprecio tanto cozinhar como também comer bem. Porém mantenho o mesmo peso ideal a vida toda. O segredo é um só: mesmo que tenha vontade de devorar algo delicioso, mantenha o controle: coma sempre pouco! A gente acostuma…

Safari no Tala Reserve

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Durban é uma bela cidade turística da África do Sul, com um movimentado porto e quilômetros de excelentes praias à beira do Oceano Índico. Tendo ótima estrutura viária, hoteleira, esportiva e de lazer, o ano inteiro sedia eventos de todo tipo. É vizinha ao Vale das Mil Montanhas e do território PheZulu, onde tivemos um contato próximo com os zulus, suas tradições e artesanato. Ao lado de Durban ficam algumas das conhecidas reservas que fazem parte dos Parques Nacionais, onde tivemos oportunidade de ver, no seu habitat natural – e de bem pertinho – leões, hipopótamos, rinocerontes, zebras, girafas, impalas, búfalos, avestruzes, macacos, crocodilos e muitos outros.

Escolhemos visitar o Tala Private Game Reserve, a menos de 45 minutos do centro de Durban. Além da facilidade para se ver os animais à solta em uma imensa área de natureza preservada, o restaurante e os chalés para hospedagem são de um bom gosto arquitetônico e decorativo de impressionar pelo perfeito entrosamento com a natureza e o belíssimo trabalho artesanal.

Antes de sairmos numa 4×4 com um bem informado e simpático guia, encomendamos o nosso almoço. Às três da tarde, uma deliciosa refeição nos aguardava. Veja o que comemos:

Costeleta de cordeiro com fritas

As costeletas de cordeiro servidas na África do Sul tem bem mais carne e menos gordura do que as que se comem no nosso país. No prato que escolhi (ver foto no topo da página) a costeleta veio envolvida em um suculento molho barbecue de sabor apimentado, com tudo o que se come na África. Comi com as mãos, como a muito tempo não fazia. Uma experiência deliciosa!

Cordeiro cozido com molho barbecue, menta e beterraba

Difícil interpretar o molho que veio sobre os cubos de cordeiro cozido pois os temperos que usam na típica culinária sul-africana são bem diferentes dos nossos. Parece-me ter sido feito da seguinte maneira: aproveitou-se a borra do cozimento da carne para fritar a cebola roxa cortada em fatias finas. Juntou-se açúcar mascavo para caramelizá-la. Um molho barbecue básico foi acrescentado e finalizou-se com folhas de menta fresca picadas bem miudinho. Na decoração do prato usaram rodelas de pepino em conserva.

Capetown 5 – Vinícolas

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Vale a pena ficar mais um dia em Capetown só para visitar as vinícolas. Se estiver com pouco tempo, há uma pequena região ao sul da Table Montain distante apenas vinte a trinta minutos de Waterfront. Se for passear no Cabo da Boa Esperança, saia da cidade por volta das onze horas, tome a direção de Constantia e escolha uma das vinícolas que servem almoço. Depois da refeição, prossiga o passeio, dá tempo de ir ao Cabo ver o por do sol e retornar à cidade.

Como já havíamos previsto um dia inteiro dedicado à degustação de vinhos, saímos cedo, tomamos a N1 para o noroeste e, pouco antes de chegar a Paarl, dobramos à direita na R45, tendo como objetivo ir até Franschhoek. Esta é uma graciosa cidadezinha de origem francesa, fundada pelos huguenotes obrigados a deixar a França em 1685 por causa da perseguição religiosa. Ali fundaram uma comunidade que veio a produzir os primeiros vinhos do sul da África. Hoje é um famoso reduto de eno-gastronomia de influência francesa, com lojinhas, pequenos hotéis, cafés e restaurantes charmosíssimos. A região tem uma rota de vinhos bem organizada que conta com mais de cinquenta vinícolas.

Felizmente fomos com uma lista de vinícolas indicadas pela filha casada que lá esteve no ano passado com o marido gaúcho, apreciador de bons vinhos, com bastante tempo para conhecerem a região. Visitamos quatro vinícolas, e escolhemos duas delas para apresentarmos a vocês.

Vrede en Lust

Logo à entrada há um bar restaurante. Pelo horário, ainda cedo para o almoço, pedimos uma tábua de frios para acompanhar a degustação dos vinhos da casa. Além de ser uma vinícola famosa, ainda produzem um pão maravilhoso na padaria ao lado do restaurante. Veio uma cesta de pães recém assados e uma tábua cujo destaque foi a excelente qualidade do presunto cru. Três tops: manteiga da fábrica ao lado, um chutney de figos com pinoles e outro de beterrabas. Para se fazer um chutney prepara-se uma calda de vinagre de vinho tinto ou branco e açúcar mascavo, temperada com gengibre e outras especiarias, como cravo e canela, por exemplo. Então mistura-se a fruta cortada em lasquinhas ou ralada e deixa-se apurar (secar a calda) até o ponto de geleia. Como ambos tinham o paladar bem suave, percebi que na receita não tinha cebola, alho e pimenta, como levam os chutneys indianos. Vamos tentar reproduzir a receita e repassar para vocês. Repare nos figos, como os nossos, misturados ao presunto e à copa (semelhante ao nosso salaminho).

Tábua de frios

Tábua de frios

 

Delaire – Graff Estate

 

Chegamos à esta chiquérrima vinícola ao final da tarde e ficamos a ver o magnífico por do sol até escurecer por completo. Da sede fazem parte: o salão de degustação, dois restaurantes – o Indochine especializado em culinária asiática e o Delaire Graff, um bistro-chic – a adega de vinhos especiais e ainda um spa e área de hospedagem com apenas dez exclusivíssimos lodges. Ambientes do mais fino gosto e sofisticação. A vista para o vale e as montanhas é deslumbrante. Tanto nos ambientes internos quanto nos externos pode-se apreciar obras de arte singulares. Amei tudo!

Pelas fotos vocês podem ter uma ligeira ideia do lugar. Para lua-de-mel é perfeito! Acesse www.delaire.co.za e me dê razão.

Capetown 4 – V&A shopping – Willoughby&Co.

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Retornamos ao Victoria & Albert Waterfront, desta vez ao shopping, para umas comprinhas, afinal…duas mulheres juntas, já viu, né? Quem resiste? Era a terceira vez que passávamos , em horários diferentes, pelo largo corredor que dá acesso à saída 9 para o estacionamento e notamos, mais uma vez, haver uma fila imensa para entrar no espaço fechado, cheio de mesas no meio deste corredor, em frente a uma mercearia – a Willoughby & Co. Bom sinal, pensei. A comida deve ser boa e barata. O ambiente estava animado, gente de todas as idades, conversando em vários idiomas. Espiamos dentro da mercearia, estava lotado, avaliei que haviam mais de cem pessoas às 18 horas. Voltamos às 20 horas, haviam só dez pessoas na fila. Ofereceram-nos uma taça de vinho e logo tomamos lugar numa das mesas coletivas da parte interna. Um tanto barulhenta, mas achei bom porque ficava entre as duas cozinhas – a japonesa e a de frutos do mar. Do nosso assento, pudemos acompanhar o intenso movimento dos sushimen japoneses de um lado e de três funcionários do outro lado, usando os tais chapéus de chef: um africano altíssimo de pele tão escura que chegava a ser azul, um branquelo de cabelo ruivo, também bem alto e uma moça oriental bem baixinha. Riam o tempo todo, enquanto conversavam e coordenavam com eficiência uma equipe de cozinheiros na cozinha adjacente e soltavam os pedidos para os garçons. Artistas.

 

O cardápio oferecia desde variedades surreais de comida japonêsa até todo tipo de frutos do mar e ainda carnes tradicionais e caças. Fui dar uma volta para ver o que as pessoas estavam comendo( sempre faço isto, despistadamente). A maioria delas, degustava sushis, sashimis, tempuras e yakisobas muito originais e lindos, veja alguns nas fotos abaixo:

A mercearia vende peixe fresco, que você escolhe e preparam na hora. O peixe é empanado e grelhado, vem com um molho de manteiga com ervas, acompanhado de batatas douradas. É preparado e vem direto à mesa em uma caçarola, servido individualmente – uma panela só para você! É o verdadeiro charme do restaurante!

 

Quase pedi o peixe do dia- Kinglip – mas não resisti a uma bacia de frutos do mar que vi passando. Perguntei o que era. Paella! ( veja foto do topo da página). Pedimos uma para duas pessoas- dava para quatro. Foi com muito, muito pesar, que fui obrigada a largar parte dos mariscos para trás. Fui ao balcão da cozinha ver como a preparavam. Diferente da Paella Valenciana que faço em casa e que já publicamos, lá fazem um arroz com açafrão que colocam no fundo da bacia. Por cima, colocam os frutos do mar. São feitos na grelha – uma enorme chapa de fogão industrial. À medida do cozimento, regam com azeite de ervas. Este você pode fazer misturando o azeite com ervas secas aromáticas.

À parte, ainda havia opções de sobremesa irresistíveis, ainda mais quando você as vê no prato do vizinho. Como desde criança acho que no estômago temos dois departamentos separados, um para salgados, outro para doces, atacamos as sobremesas. Já testamos a receita do bolo de chocolate vermelho (Red Velvet) e vamos fazê-lo para o blog qualquer dia desses. Quanto ao brownie, vamos pesquisar receitas, testá-las e escolher a melhor para o blog. Aguardem!

Uma boa surpresa nos esperava ao final: o preço precinho, a terça parte do que pagaríamos no litoral do Brasil. Indicamos!!!

Capetown 3 – Karibu South Africa Dining

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Para quem mora em Belo Horizonte como nós, uma cidade mundialmente famosa pela quantidade de bares e restaurantes – mais de 16 mil estabelecimentos para 2,4 milhões de habitantes – estranha que aqui na África do Sul não existam bares ( como os nossos) e os restaurantes se acham restritos à área turística. Isto se deve ao fato dos nativos não terem o hábito de se alimentarem fora de casa. Tanto que só se vê nos restaurantes turistas e um ou outro grupo de executivos recebendo convidados estrangeiros.

Em Capetown, os restaurantes estão concentrados na área do antigo cais do porto, onde um cartaz de propaganda no Victoria & Albert Waterfront anuncia uma ampla área de alimentação onde se pode escolher o que comer entre 80 diferentes tipos de comida, que vai de fast-food a restaurantes de luxo apresentando a gastronomia de dezenas de países. Depois de percorrer mais de trinta restaurantes lendo os cardápios expostos na porta, escolhemos o que avaliamos ser o melhor – o Karibu South Africa Dining – tanto pela luxuosa decoração como pelo fluxo de pessoas – era o único praticamente lotado enquanto muitos outros estavam às moscas. Tomamos assento e logo chegou um coral de vozes masculinas que nos ofereceu um belo espetáculo. Passamos a analisar o cardápio. O restaurante oferece uma boa variedade de pratos típicos da África do Sul, como caças, cordeiro e frutos do mar. Escolhemos cordeiro da região de Karoo, especialidade da casa, em duas variações recomendadas.

Costeleta de cordeiro ao molho Karibu com batata salteada

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O famoso molho da casa do qual guardam segredo é um molho tipo barbecue, denso e temperado, feito na base de tomate com gosto de ketchup e, ao que me pareceu, temperado com ervas aromáticas, como hortelã e alecrim e um tanto caramelado. Vamos tentar reproduzi-lo em casa, quem sabe chegamos perto?

A costeleta, assada provavelmente por muitas horas, pois estava tenra, veio envolta no molho Karibu. Achei uma boa ideia servir a batata junto e ao mesmo tempo, à parte, pois caso contrário ficaria suja com o molho. A batata, cujo preparo chamam de wedge é impossível de ser reproduzida em casa, pois precisa de equipamento de uso industrial. Faça-a como a batata salteada que já publicamos, porém sem cheiro verde. Para arrematar, uma grossa fatia de tomate grelhado e um maço de salsa laçada com talos de cebolinha. Bela apresentação. Sabor? Delicioso!

Cordeiro ao molho secreto com arroz de açafrão

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Neste prato de cubos de cordeiro assado o grande lance é também o molho. No cardápio só diz que trata-se de um molho secreto que vem sendo preparado a gerações. Impossível de descobrir-se o que leva, quando muito, percebemos que o sabor a destacar-se é o do tamarindo e da pimenta zimbro. Simplesmente divino! O arroz deve ter sido preparado colocando-se um pouco de açafrão, curry e cominho na água do cozimento e finalizado com passas. Acompanhamento perfeito para cordeiro e carnes adocicadas.

V&A Crème Brûlée ( veja foto de destaque no topo da página)

De comer de joelhos! O creme veio com uma crosta de morangos e berries caramelizada. Ao lado, um copinho com Amarula, o famoso licor sul-africano. Aí quebra-se a crosta e vai-se derramando o licor aos pouquinhos. Hum… se um dia eu me tornar chef de verdade esta sobremesa será o meu cartão de visitas!

Capetown 2 – Penísula do Cabo

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Entre o passeio pela bem cuidada praia de Boulders Beach a ver milhares de pinguins ( ver foto acima) e o belíssimo por do sol enfrentando a ventania do extremo sul da África, no famoso farol do Cabo da Boa Esperança ( ver foto no final do texto), paramos para almoçar em um simpático restaurante típico da região de Saint Simon/ Saint James. Trata-se de uma ex-colônia da Marinha Britânica, rica em incríveis histórias de marinheiros dos séculos passados, desde os idos do século 17. Um típico sobrado branco com varanda, igualzinho àqueles velhinhos de beira-mar do sul da Inglaterra, oferecendo o tradicional fish and chips. Mais britânico, impossível. Pois bem, o cardápio oferecia ainda uma mescla de pratos internacionais com tempero local. Apostamos no peixe e no camarão frescos, pescas do dia, segundo o simpático rapaz que nos atendeu. As receitas que se seguem são a nossa interpretação do pratos que escolhemos.

Badejo sobre batatas com molho de alcaparras

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Um prato simples pode aparentar um certo requinte se servido com alguma arte. Vamos primeiro ao preparo do peixe e das batatas: tempere com sal e limão o filé de peixe – cerca de 150 a 200 gr. por pessoa. Reserve. Coloque as batatas baby para cozinhar com a pele, 4 pequenas por pessoa.

Prepare o molho tipo vinagrete: para cada pessoa, pique ¼ de tomate em cubinhos miúdos, junte uma colher de sopa de alcaparras picadas, ¼ de cebola picadinha, sal, limão, azeite e vinagre. Reserve. Cozinhe o brócolis no vapor. Prepare a maionese ou outro molho de sua preferência.

Cerca de quinze minutos antes de servir, grelhe ou asse o peixe, usando manteiga ou azeite. Quando mudar de cor e ficar branco e macio, antes de corar, jogue sobre o peixe um misturinha de cebola ralada, ervas aromáticas, sal e pimenta do reino branca. Tome a manteiga ou o azeite da panela ou assadeira e regue o peixe. Enquanto o peixe cora, use uma forma redonda para enformar as batatas já cozidas e salgadas (veja dica), apertando-as dentro do aro e depois virando-as diretamente no prato. Coloque o filé de peixe sobre a caminha de batatas e cubra-o com o molho que acabou de preparar junto com o peixe. Disponha no prato – veja a foto – o molho de maionese, o brócolis e o vinagrete de tomates e alcaparras.

Obs.: O peixe revelou-se de ótima consistência, o molho saboroso e as batatas sul-africanas são sempre uma boa pedida. O molho de maionese industrializado foi o ponto fraco. Aconselho substitui-lo por um simples fio de azeite de boa qualidade. Para incrementá-lo, soque ervas frescas, misture ao azeite, deixe ficar por algum tempo e depois coe.

Camarões com spaguetti ao molho de pimenta, côco e rúcula

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Tempere os camarões já limpos com sal e limão. Calcule de 150 a 200 gr. por pessoa. Deixe no tempero por quinze minutos. Lave as folhas da rúcula de deixe-as secarem. Corte as pimentas frescas – as que nos serviram parecem com a nossa malagueta porém são maiores e menos ardidas. Se preferir, substitua por pimentão vermelho.

Cozinhe o spaguetti – cerca de 50 gr. por pessoa (veja dica). Enquanto a pasta cozinha, derrame uma colher de sobremesa de azeite sobre na frigideira e frite os camarões até ficarem vermelhos. Retire os camarões da panela. Reserve.

Na borra que ficou, acrescente um fio de azeite ou um pouquinho de manteiga, uma colher de chá de cebola ralada e frite até dourar. Junte a mesma quantidade de molho de tomate caseiro ( por minha conta, na receita do restaurante não tinha nem cebola nem tomate no molho). Misture. Coloque ½ xícara de chá de água quente, raspe toda a borra até formar um caldo homogêneo. Acrescente as pimentas cortadas. Deixe que amaciem. Junte ½ xícara de chá de leite de côco (pode substituir por creme de leite ou uma mistura dos dois). Volte com os camarões. Misture. Deixe que o molho e os camarões cozinhem. Prove o sal. Desligue o fogo.

Escorra o spaguetti. Volte com o molho ao fogo, junte a pasta e as folhas de rúcula. Misture e sirva imediatamente.

Obs.: Para quem não está habituado a comida muito apimentada, há de se tomar cuidado ao pedir ou fazer um prato como este. Gostamos da mistura de leite de côco, porém acho melhor misturar também creme de leite fresco para suavizar o sabor do côco e dar uma consistência menos aguada ao molho.

Abaixo, foto do ponto mais ao sul da África, no Cabo da Boa Esperança, onde o Oceano Atlântico encontra o Oceano Índico

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Capetown 1 – Table Thirteen

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Novamente no continente africano para mais um passeio gastronômico do Sal & Alho! Há pouco tempo, a blogueira filha provou e amou a original culinária de Gana, semelhante à nossa baiana. Agora viemos, blogueiras mãe e filha, à África do Sul – desta feita com sérias intenções de comer bem. De outra vez que cá estivemos, há dez anos, lembro-me de ter provado carne de animais tipo avestruz, cobra, crocodilo, tartaruga, búfalo, impala, rã e outras mais estranhas. Desta vez, já que certas experiências só se precisa fazer uma vez na vida, escolheremos pratos que possamos interpretar e adaptar as receitas para vocês.

Pela sua localização geográfica, entre os Oceanos Atlântico e Índico, este país, colonizado por holandeses e ingleses, sofre também a influência da culinária árabe, indiana e paquistanesa, além da cozinha original das tribos locais e a de outros povos imigrantes africanos, tais como os vizinhos moçambicanos de colonização portuguesa. Comida chinesa, japonesa, italiana e francesa se vê por toda parte neste mundo, então você pode imaginar a miscelânea da culinária deste país! Bem, comemos um pouco de tudo, sem desagravo aos nossos sensíveis e exigentes paladares e estômagos.

À parte da aventura de circularmos por toda parte guiando na mão inglesa, enfrentamos não só o trânsito do rush de fim de tarde nas grandes cidades e nas rodovias, como também as incertas e bucólicas estradinhas das vinícolas e as emocionantes trilhas de Safari na savana.

Selecionamos para você algumas de nossas melhores experiências gastronômicas: a partir de hoje, siga a nossa série sobre a África do Sul.

 

 

Capetown 1 – Table Thirteen

Chegamos esfomeadas, indo direto do aeroporto para a região de Green Point à procura de alguma coisa para comer. Por ser duas da tarde, seguimos nosso faro até um pequeno café ainda aberto mas já vazio, sem esperança de algo relevante. Porém, a cozinheira nos recebeu com um largo sorriso, oferecendo-se para complementar o já quase findo buffet de saladas com um frango ao molho feito na hora. Fomos surpreendidas por um prato leve e delicioso. Aqui vai a receita, passada diretamente pela cozinheira:

Peito de frango ao molho de champignons com molho de iogurte e cominho.

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Corte como um pão para sanduiche o peito de frango desossado, faça um bife grande, tempere. Enrole-o, amarre-o com um barbante e leve à panela para grelhar. Depois de corado, desamarre o barbante o corte o rolinho em rodelas. Você vai obter simpáticas rodelas de frango! (Veja como fazer na receita do Frango Recheado). Achou complicado? Esqueça disto e escolha como quer fazer o peito de frango, ou simplesmente, grelhe o peito e fatie-o atravessado. O importante é ter o frango grelhado em pedaços.

Agora o molho: aproveite a borra da fritura do frango (no óleo ou na manteiga). Adicione cebola ralada ou picada miudinho. Junte cogumelo-de-paris fresco cortado às lascas. Frite, despeje um pouco d’água quente para fazer o caldo ( veja receita básica do frango com molho de cogumelos). Tempere com cominho e pimenta do reino branca. Prove o sal. Deixe o caldo quase secar. Derrame um pouquinho de vinho branco e deixe evaporar o álcool. Junte o iogurte, misture e desligue. Esta receita, pela delicadeza do paladar, classificamos como sendo inspirada na culinária francesa, porém com tempero local.

Para acompanhar, escolhemos uma salada de lentilhas com pimentões e cheiro verde, uma deliciosa abóbora moranga (daquela pequenininha) cortada em fatias e grelhada e salada de rúcula. Ótimo almoço de estréia!

 

O Table Thirteen serve café da manhã, almoço executivo e ainda vende produtos de fabricação local, como deliciosos biscoitos tipo tarallo italiano e brownies.

Bahia do acarajé e da tapioca

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Chegamos ao aeroporto de Porto Seguro com fome, depois de um voo tranquilo e rápido desde Belo Horizonte, bem no horário do almoço.

Quem resiste a uma honesta barraquinha de comida baiana? Lá fomos nós dar início à comilança de cinco dias de férias na Bahia! Já comentei tudo sobre alguns dos restaurantes de Trancoso e demos as dicas das receitas, você já as viu?

Na barraca, tomamos uma água de côco fresquinha e doce e resolvemos pedir acarajé e tapioca. Não resisti e fotografei o preparo da tapioca recheada, com a baianinha super simpática e risonha me explicando o passo-a- passo, que mostro a  seguir:

Prepare a tapioca espalhando a farinha em uma frigideira rasa, no fogo baixo, apertando a massa com uma espátula  e torrando-a  ligeiramente dos dois lados. Depois, escolha o recheio e dobre-a  como um omelete.

 

Trancoso 5 – El Gordo

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A pousada é das mais badaladas do quadrado de Trancoso e o bar e restaurante tem fama. Principalmente de ser bem caro o que é verdade mesmo, com força. Prefira ir almoçar ao invés de jantar pois tem vista para o mar, bem distante, é verdade, e dependendo da mesa que escolher não se enxerga o azul do mar, só o vasto céu. O bar é bonito, o restaurante é charmoso e o atendimento é bom, embora a gente ache que baiano está sempre sorrindo e ali não foi o caso. Atenderam-nos corretamente mas com cara de poucos amigos. Só tínhamos nós no restaurante, em pleno sábado de férias. A cachorrinha Sofia ficou nossa amiga e fez as honras da casa.

Escolhemos, como no restaurante que fomos na véspera, 2 pratos para 3 mulheres que comem pouco. Nos outros restaurantes sobrou comida mas neste faltou, um prato só dá mesmo para uma pessoa e aconselho a pedir couvert, entrada, sobremesa, tudo que tem direito para não sair com fome. Prepare o bolso, se fizer isto, vai dar mais de duzentos reais por pessoa, só de comida. Nem pedi coquetel, pois uma caipi basiquinha passava de quarenta reais. Escolhemos:

Camarão do El Gordo com leite de côco, dendê, curry, banana, etc, etc…

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Desconfie dos pratos com temperos e ingredientes demais. Os quatro camarõezinhos pequeninos chegaram afogados numa sopa gordurosa de tomates, pimentão, cebola, pepino anão?, chuchu? ( tinha tanta coisa que não consegui distinguir o que era) e os ingredientes do título. Será que tinha mais o quê? Bom, este não dá para tentar adivinhar a receita para passar para vocês. Os gostos se misturaram e se perderam. De todo jeito, não vale a pena.

Badejo do El Gordo com banana da terra frita

Este me deu raiva, até reclamei. Até que a provinha estava gostosa, mas , juro, a “posta” era um rabinho de peixe que não passava de 60 gramas, cru. Compare na foto com as 2 fatias de banana, que ainda era das raquíticas e cortada na diagonal para parecer maior. Em resposta à queixa me disseram que era a poção normalmente servida. Ô, vai ser miserável assim lá longe, com um marzão daquele lá embaixo era para faltar peixe???

Trancoso 4 – Restaurante O Cacau

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Um tempo atrás estive em Trancoso e elegi O Cacau como o melhor restaurante – em matéria de sabor. Pois fiz a maior propaganda da farofa de banana de lá e…que decepção! Numa bela terça feira de final de julho não tinha banana da terra na casa para fazer a farofa! Falta de banana em Trancoso garanto que não era, pois no nosso café da manhã na Pousada Estrela d’Água todo dia tinha banana da terra frita e deliciosa! Também o restaurante estava sem graça, silencioso, um tanto escuro e nós éramos os únicos clientes quando chegamos, às 9 da noite. Depois, outras duas mesas foram ocupadas, mas nada que justifique o garçon e a garçonete ficarem sem aparecer na nossa mesa. Baixa temporada realmente é um problema para os restaurantes manterem os ingredientes do cardápio na casa e funcionários trabalhando a contento. Alguns pratos do cardápio estavam em falta. Então resolvemos simplificar e pedir duas panelas de Bobó de camarão para 5 pessoas. Foi a conta, pois no cardápio vem escrito que o prato é para 2 pessoas.

Bobó de camarão

O caldo estava gostoso, chegado no leite de côco e no dendê. Porém o camarão estava sem gosto. Quando é assim é porque não foi temperado antes, o que considero essencial. Lição de hoje: se você for fazer qualquer prato com camarão, deixe-o no tempero com limão e sal meia hora antes ( o que em restaurante sem movimento não dá para fazer). Depois, frite bem o camarão ( no azeite ou na manteiga até ficar vermelhinho) antes de juntar os outros ingredientes. Assim o camarão “segura” seu próprio sabor, para só depois dar gosto ao molho. Confira no blog a nossa receita de Bobó de camarão. Siga as instruções e, tenho certeza, ficará bem mais gostoso do que comemos no restaurante. Veio acompanhado de arroz branco e farofa de dendê ( farinha de aipim com azeite de dendê)

Dica: se tiver oportunidade de ir à  Bahia ou ao Espírito Santo, compre uma panela de barro – a comida fica muito mais gostosa preparada nesta panela dá uma ótima apresentação, pois o molho vem fervendo para a mesa e conserva-se quente por mais tempo.

 

 

Trancoso 3 – Uxua

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Este é um dos restaurantes do Quadrado que tem mesas rústicas na areia e música ao vivo. Diga-se de passagem que a música dentro do Quadrado estava confusa. Não discuto o tipo de música (popular, claro) nem a qualidade do cantor. O problema é que cada restaurante contrata o seu voz e violão e fica a disputa de quem coloca o som mais alto. Escuta-se de 3 a 4 músicas diferentes ao mesmo tempo!!! Evidente que aqui desconsiderei o conforto, pois trata-se de um blog de gastronomia e resolvi me ater, nestes comentários, apenas ao sabor e apresentação dos pratos. Escolhemos 2 pratos para 3 pessoas e foi o suficiente. O preço é dos mais baratos do pedaço. E o serviço, embora amador, conta com a simpatia natural do baiano.

Frutos do mar com arroz negro

Considero um prato sofisticado e embora a apresentação não tenha ajudado, de sabor estava excelente. Imagino que foi feito como um risoto, pois o arroz absorveu o gosto dos frutos do mar e estava macio e saboroso, embora de sabor predominante. Para sua sorte, já publicamos um risotto ai frutti di mare delicioso aqui no blog. Portanto, basta trocar o arroz carnaroli por arroz negro. No entanto, vai a dica: misture os dois tipos de arroz, a apresentação fica melhor e o gosto do arroz não briga com o dos frutos do mar. No caso do Uxua, serviram: lagosta, camarão e lulas, de excelente qualidade.

Badejo com crosta crocante e purê de abóbora

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O tempero do peixe estava ótimo e o fato de ser grelhado envolto na crosta deu um toque especial: crocante por fora e macio por dentro. Você pode variar a crosta no qual envolverá o peixe antes de leva-lo à frigideira para fritar. A básica é a que chamamos de empanar o peixe: passa-se o filé – já temperado – na farinha de trigo ou de rosca e depois frita-se, no fogo baixo, com um fio de azeite da melhor qualidade. Pode-se passar no ovo batido antes de passar na farinha – o que chamamos de milanesa. Para quem não tem prática, cuidado, vá treinando antes das visitas chegarem. Opções legais são as de misturar gergelim triturado à farinha de rosca. Ao invés de gergelim, tente triturar castanha do pará ou do caju, fica uma delícia. Está na moda misturar quinoa. Outra crosta ótima é de broa de fubá torradinha e triturada. Também tem a de biju de milho e pode ser também a de fubá puro. Experimente e invente! Oportunamente faremos alguma receita de peixe desta maneira, aguarde.

A gente se esquece do purê de abóbora, mas como é gostoso! Dê um descanso para o seu purê de batata de sempre e passe a fazer purê de baroa, de abóbora moranga, de inhame, de aipim…

Deram um colorido com rúcula no prato, o que deu muita graça e frescor.

Trancoso 2 – Capim Santo

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A história do Restaurante e da Pousada Capim Santo começou no Quadrado de Trancoso com um casal e dois filhos que amavam natureza e gastronomia, há quase trinta anos. A filha foi estudar na Europa, formou-se no Cordon Bleu em Paris e, na volta, fundou o Capim Santo em São Paulo. Hoje é uma Chef famosa e faz um belo trabalho de ensino e divulgação da gastronomia saudável. Veja o site www.capimsanto.com.br, vale a pena.

O ambiente é o mais agradável do Quadrado. A Pousada e o Restaurante ficam no meio de um lindo jardim. Enquanto, em pleno inverno baiano – 3a. semana de julho – os outros restaurantes estavam vazios, o Capim Santo lotou a certa hora. Excelente atendimento e música ao vivo de muito bom gosto. É um lugar para encontrar amigos e estender a conversa até as luzes se apagarem. Lá a gente esquece da vida.

Bem, vamos ao cardápio. Variações em torno do capim santo? Tudo! Da entradinha à sobremesa. Os coquetéis são um destaque da casa. Tomamos a liberdade de divulgá-los para vocês. Achei as misturas um tanto estranhas, mas sou radical a ponto de tomar whisky puro, sem gelo, para não estragar o gosto da bebida original.

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Como a proposta da nossa viagem à praia era a de apreciar os frutos do mar, escolhemos:

Lagosta grelhada

Vieram três lagostas pequenas para uma pessoa, o que considero farto. Pedimos para trocar a salada por legumes. Esqueceram, se desculparam, perguntaram se queríamos trocar e nos trouxeram batata salteada. Vai a lição: eu que já comandei restaurante por quase dez anos, aconselho: não tente mudar o prato do cardápio, o cozinheiro foi treinado para fazer o que está no menu e se atrapalha quando saímos do habitual.

Não tem segredo apresentar bem este prato: 1- lagosta sempre tem que estar fresquíssima (esqueça a ideia de degustar uma boa lagosta em Minas) ; 2 – a melhor maneira de fazer é mesmo na grelha rústica de ferro, direto sobre o fogo; 3 – o melhor tempero – o que inclusive foi servido – é manteiga com ervas; prepare a misturinha e, à medida que for cozinhando, vá regando a lagosta, já aberta ao meio. Estava excelente! 4 – não deixe a lagosta passar do tempo de cozimento, fica borrachuda.

Badejo com cebola roxa caramelizada e purê de aipim

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Peixe fresco em praia é sempre a melhor pedida, pensei. Eu quero! O molho de cebola caramelizada que veio sobre o badejo estava ótimo. Porém, é bem doce e colocado sobre o peixe anulou o sabor do pobre coitado. Tentei separar, mas o peixe revelou-se insosso, sem tempero. O purê de aipim também estava sem tempero, mas misturado com a cebola ficou bom. Lição: peixe tem sabor delicado, não dá para servir com molho de sabor muito intenso, por melhor que seja. Apresentação bem cuidada, estilo gourmet, veja a foto e copie.

Detalhe que conta: preço justo – se comparado aos outros restaurantes do mesmo nível em  Trancoso. Os restaurantes do Quadrado e das melhores pousadas, apesar de simples e rústicos, nivelam-se em preço aos melhores restaurantes das grandes cidades do mundo.

Trancoso 1- Sabor da Bahia

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Nosso blog Sal & Alho adora passear e experimentar novos sabores pelo mundo afora. Afinal, esta é a melhor maneira de ampliar nossos sentidos – ouvir a explicação da cada prato do cardápio, ver a apresentação dos que escolhemos, sentir o aroma que prenuncia a chegada da comida à mesa e – o melhor de tudo – nos deliciarmos com novos e instigantes sabores. Sempre que gosto de um prato procuro saber como é feito. Os restaurantes raramente contam seus segredos, no máximo, ficamos sabendo de parte dos ingredientes. Então adoro fazer o jogo de provar tudo e tentar descobrir a maneira como foi feito e adivinhar todos os ingredientes. De cara já percebo o que foi usado como tempero e, para quem domina as panelas, é fácil saber o modo de preparo. Raramente repito a receita em casa tal qual comi, pois meu paladar já seleciona a quantidade e variedade deles à medida que vou fazendo e provando.

Em Trancoso, no litoral sul da Bahia, onde ficamos por quatro noites, selecionamos um restaurante para cada jantar. Três já eram nossos conhecidos e são sempre os indicados pelos amigos. O quarto, escolhemos pelo faro e surpresa! Foi o melhor de todos. Lição: não vá na onda dos outros e pela fama para escolher onde comer. Se achegue e dê uma assuntada, como diz o baiano. Todo restaurante tem o cardápio na porta. Pergunte ao atendente sobre os pratos, se possível dê uma voltinha, espie a mesa e os pratos de quem está comendo, pergunte se está gostoso. O famoso Quadrado de Trancoso tem um ambiente descontraído e nos permite fazer isto. E o mais importante de tudo- a regra de ouro que meu pai me ensinou: desconfie de restaurantes vazios, prefira justamente o mais lotado, mesmo que tenha de esperar. O sacrifício valerá a pena.

Selecionamos cinco restaurantes no Quadrado e aqui vai a crítica, pela ordem do melhor para o pior:

Sabor da Bahia

Escolhemos dois pratos para três pessoas e tranquilamente dava para mais outra pessoa. Bastante farto. O garçon foi muito atencioso, a comida veio rápida e fumegante. Sabor: delicioso!!!! Ambiente bem simples, rústico, limpo, conforto razoável. Simplicidade com excelente qualidade de matéria prima e comida feita com capricho.

Badejo servido na folha de palmeira acompanhado de farinha no dendê, molho de camarão, pirão e arroz branco

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Vieram três filés altos de badejo da melhor qualidade. O peixe estava bem temperado – sinal que já estava na salmoura antes do pedido. Feito no forno, assado no ponto certo, regado com um molhinho de tomate e camarõezinhos. Não havia sofisticação na apresentação, pois não é esta a proposta da casa. Pirão verdadeiro, com gosto de peixe e da boa farinha de aipim da Bahia. O excelente molho de camarão não era um simples molho – poderia ter sido servido como um prato. Praticamente é a mesma coisa da nossa receita de molho de camarão, com a diferença que colocaram creme de leite, requeijão catupiry e um pouquinho de dendê.

Mix de peixe e camarão servido na abóbora moranga acompanhado de farofa de banana a e arroz branco

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O que veio dava para três pessoas comerem! Usaram um peixe que não identifiquei qual, mas estava bom. O camarão, ótimo. O molho levou dendê e leite de côco e estava delicioso! Usaram a abóbora só como recipiente, diferente da receita de Camarão na moranga deste blog. Se quiser fazer como o do Sabor da Bahia, despreze a polpa da abóbora, use peixe cortado em cubos e adicione um pouquinho de dendê e de leite de côco ao final do preparo. A farofa de banana estava divina, se quiser fazer, veja a nossa farofa comum e adicione as rodelas de banana da terra ligeiramente fritas ao final. Dispense o ovo.

Detalhe importante: melhor preço dentre os cinco restaurantes onde comemos e bastante farto. Pode pedir um prato para duas pessoas o que torna o preço excelente!

Amanhã e nos dias subsequentes publicaremos nossos comentários sobre os outros restaurantes.

Sal & Alho Viaja – Gana

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Por esses dias o Sal & Alho teve a oportunidade de dar um pulinho ali em Gana. Sim: Gana, na África, aquele país que na Copa do Mundo deu um show de alegria e cores no futebol. O motivo foi um congresso e a viagem foi bem rápida. Mas é claro que aproveitamos para dar uma boa espiada em tudo que tinha a ver com comida e vou contar um pouco  do que vi e senti em apenas quatro dias.

Muitas cores!

Muitas cores!

Como todos com quem conversei depois do retorno, imagino que vocês estejam com muita curiosidade para saber como é tudo por lá. Pois lhe conto. A impressão que tive, nessa passagem super rápida, foi de um povo alegre, colorido e muito orgulhoso de seu país. A princípio, dão a impressão de serem um pouco “marrentos” mas com um pouco de conversa, logo abrem um sorriso e começam a contar tudo sobre a cidade e o país, a África. Chamam a todos de irmãos e irmãs, e apesar de falarem inúmeros dialetos, o idioma principal é o inglês, o que facilitou muito a nossa troca. E quando eu falava que era do Brasil, ficavam loucos de alegria e me abraçavam! São enlouquecidos por futebol e, durante a Copa, haviam cartazes por toda a cidade, celebrando o esporte, além de bandeiras do Brasil e de Gana por toda parte. Tinha até foto do prefeito com bola na mão! A cidade visitada foi Accra, a capital. Uma cidade com um resquício da colonização inglesa mas com um charme especial de edifícios modernistas africanos e improvizações de todo o tipo, um tanto parecido conosco.

Mas agora vamos ao que interessa, que é a comida! Assim como a cidade, o clima e o calor das pessoas, a comida também se parece muito com a nossa. Na rua, no mercado livre, fiquei inteiramente maravilhada com as cores dos alimentos dispostos, que junto às cores das roupas, dos lenços e bacias na cabeça tanto me fascinaram. Infelizmente, não pude tirar as milhões de fotos que gostaria. As mulheres do mercado ficaram muito bravas quando viram as nossas máquinas fotográficas e logo as guardamos. Vai ficar só na memória. (quem tiver curiosidade, dá um pulo no Google) Lá, consegue-se identificar claramente algumas de nossas origens culinárias: quiabo, mandioca, inhame a até água de côco. Nos menus havia sempre frango assado e carne de panela. O curry e as demais comidas apimentadas também tem um papel importante. O arroz frito é acompanhamento para todos os pratos, seja branco, seja “sujo” com um tempero especial de legumes. E acreditem: eles também comem feijão! Bem parecido com o nosso, porém levemente adocicado. E para finalizar: banana-da-terra. Come-se frita como acompanhamento, assim como nós!

O grande destaque vai para a Tilápia. Sabe aquele filé de tilápia pálido, sem graça e congelado que você compra no supermercado? Esqueça, é outra coisa. A tilápia de Gana é pescada por ali mesmo, e defumada de um jeito super especial. Tivemos a oportunidade de visitar uma vila de pescadores com um guia pra lá de especial. Seu nome era “Nice One” (ou pelo mesmo foi assim que ele se apresentou) e ele nos levou por todos os cantos dessa pequena comunidade que mora na beira da praia de Accra que é pobre, mas muito alegre e criativa. Por lá vimos os barcos de madeira que usam para pescar, os pescadores voltando do mar, arrumando as redes e o mercado de peixes. Logo além, se vê uma fumaça densa saindo de largos tambores e mulheres igualmente largas e sérias que tomam conta do peixe a ser defumado por bastante tempo.

Fomos recomendados à um restaurante que dizem ter a melhor tilápia de Accra. Para lá fomos e, na noite escura avistamos na calçada, um quadrado de madeira iluminado, pintado de azul escuro por fora e com muitas moças de lenços na cabeça do lado de dentro. Ao longo do muro, uma tenda se estendia com uma única lâmpada no centro e algumas mesas de plástico cheias de gente. Esse era o nosso restaurante. Sentamos, confesso, com um pouco de receio mas logo a descontração do ambiente nos contagiou. O menu, anunciado pela atendente, era só a tilápia. Normalmente é servida com tomates, cebolas e abacates e para o acompanhamento uma escolha de arroz branco ou tal do Banku. O banku é uma massa em formato de esfera feita de uma mistura de mandioca e milho. Não me pergunte como.

Quando nossos peixes e acompanhamentos chegaram, chegaram também bacias com água, pois come-se com a mão. Encarei o desafio e assim que retirei a pele do peixe, um cheiro delicioso invadiu minhas narinas: gengibre. Peguei um pedaço do peixe com a ponta dos dedos e provei: suculento e delicioso derreteu em minha boca. Nunca imaginei que uma tilápia com gengibre poderia ter um sabor tão enebriante. Eu até esqueci do arroz no prato ao lado e devorei o peixe em minutos. A foto do prato não faz nem um pouco jus ao sabor e por isso peço perdão. A escuridão do local não me possibilitou uma boa foto.

Dois dias depois, em restaurante na beira na praia não tive dúvida na escolha: tilápia de novo. Dessa vez escolhi como acompanhante um tal “yam” que me prometeram ser mais ou menos como uma  “potato chips”. Quando chegou, confirmando minhas suspeitas: inhame frito!

Essa receita dessa tilápia defumada especial, infelizmente não poderemos colocar aqui, pois dela só se encontra em Gana! Mas prometemos fazer experiências do peixe com tempero de gengibre e assim que descobrirmos a fórmula dividimos com vocês!

Em breve, voltaremos à África. Desta vez África do Sul. Com mais dias para explorar, prometemos muitas novidades exóticas por aqui. Aguardem!

 

Páscoa em Berlim

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Para encerrar o passeio do Sal & Alho pela Europa Central, fomos à grande feira que é montada todos os anos atrás da famosa Porta de Brandemburgo, em Berlim, no feriado de Páscoa, que lá vai de 6a. a 2a. feira, inclusive. Além de feira de comida e bebida, apresentaram este ano variados shows diários com artistas de 23 países diferentes.  No meio da ampla avenida ao centro do parque Tiergarten foi montado um imenso parque de diversões para crianças, com todos os brinquedos e barraquinhas que você possa imaginar. Haviam milhares de pessoas, a maioria famílias alemãs trazendo suas crianças e aproveitando o ensolarado feriado de temperatura amena.

Como não podia deixa de ser, o ponto alto são as tendas das cervejarias. Algumas até montam uma mini fábrica. Outra mania são os Bretzel gigantes servidos doces e salgados, com muitas variedades e formas. Tradição que não pode faltar são as castanhas carameladas vendidas em cartuchos coloridos. Para acompanhar a cerveja, tomada em canecas de até 1 litro, são oferecidos pães e preparados com carnes. Os principais são: boulettes ( hamburger) , knakauer ( salsicha branca), bratwurst ( pão com salsicha) e nakensteak ( steak) 

Hoje os turcos somam uma parcela considerável da população de Berlim. Com suas grandes famílias participavam da festa agregados em grandes mesas comunitárias. O que mais comem é um sanduiche de pão árabe grosso e gigante, recheado com salada de alface e tomate bem temperada e uma almôndega achatada. Para acompanhar, tomam o tradicional café turco, servido em copinhos de vidro.

 

Ovos de Páscoa

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Prometi contar a história dos ovos de Páscoa da região da antiga Hungria, que mais tarde se tornou parte do Império Austro-Húngaro e que então abrangia largas extensões de terras que hoje são de outros países, como a Eslováquia e a República Tcheca.

Agora que estamos na Semana Santa, vi ovos de Páscoa à venda nas feiras de rua, desde Budapeste, passando por Bratislava, Viena e Praga. Vi alguns simplesmente pintados de uma única cor como azul, vermelho e verde.

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Pela aparência, desconfiei que eram ovos verdadeiros de galinha, e eram mesmo! Daí comecei a ver ovos finamente pintados com lindos desenhos em todas as cores. Pela preciosidade dos motivos e variedade de cores julguei não ser possível que alguém pintasse ovos de galinha com tanto capricho. Pois fui perguntar e fiquei admirada por saber que eram todos ovos de verdade! Pensei: porque alguém se dá ao trabalho de pintar um ovo que depois de alguns dias apodrece? Perguntei de novo e fiquei sabendo da antiga tradição de se presentear ovos no Domingo de Páscoa. A história antiga é a seguinte:

Na manhã do dia da Páscoa, os homens acordavam cedinho, iam até o poço mais próximo e retiravam um balde de água, que a esta época do ano está a cerca de 8 graus de temperatura. Voltavam às suas casas e acordavam as mulheres da família, a esposa e as filhas, se houvessem, jogando água fria em cima delas. Como era considerado um gesto de agrado, pois a água é sinal de vida e representa renovação, as mulheres não podiam reclamar. Ao contrário, a esposa dava de presente ao marido um ovo pintado por ela. Quanto mais prendada, ou rica e de boa família, mais bonito tinha que ser o ovo, que representa a fertilidade, mostrando assim o seu desejo da família crescer e prosperar. Antecipadamente, as mulheres se reuniam no sábado para pintar os seus ovos. Prosseguindo, no domingo de Páscoa, depois que tomavam o café da manhã, os homens das aldeias se reuniam e iam de casa em casa, jogando água nos cabelos das mulheres e recebendo em troca um ovo pintado e um agrado em forma de bebida alcoolica, um tipo de cachaça doce feita a partir da fermentação de frutas como ameixa, cereja ou pera. Hoje o costume continua na região da atual Hungria, só que os homens jogam perfume em aerosol no cabelo das mulheres ao invés de água. As mulheres continuam retribuindo com ovos e bebida. Como passam o dia visitando as casas dos vizinhos, amigos e familiares, ao final do dia os homens estão totalmente bêbados. Segunda-feira então ficou sendo feriado, pois é o dia de curtir uma tremenda ressaca!

Dica: você pode tentar tingir o ovo de um tom avermelhado deixando que cozinhe na água com casca de cebola!

Pastelaria tradicional da Europa Central

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Hoje vamos dar destaque para os pães e biscoitos ( seria nossa tradução) mais populares nos países da Europa Central, como Hungria, Eslováquia, República Tcheca, Áustria e Alemanha, por onde o blog Sal & Alho está dando uma voltinha por estes dias. No próximo domingo será a Páscoa e as ruas e praças estão cheias de turistas e famílias locais aproveitando os dias de feriado. Estas fotos foram tiradas em Praga, na famosa praça do relógio astronômico no centro histórico. Com alguma dificuldade, pois é difícil conseguir alguém que fale inglês e que ainda tenha tempo e paciência para conversar com turista blogueira e curiosa, obtive alguma informação.

Trdelnik

Este nome me intrigou, pois não consegui pronunciá-lo! Trata-se de um biscoitão fofo, em forma de anel, oco por dentro. Tem gosto bem próximo ao nosso conhecido “sonho” ou “biscoito de chuva”. É originário da cidadezinha de Skalica, hoje situada em território da República Tcheca mas que já foi húngara. O nome tem a ver com estaca de madeira. Faz-se a massa ( que a mulher não quis me dar a receita) e com ela são feitos rolos ( igual gnocchi) que são enrolados em torno de um pedaço de pau. Leva-se a uma grelha igual de churrasqueira para assar, enquanto gira-se de um lado e outro. Depois polvilha-se com açucar. Pode-se misturar farelo de nozes ao açucar. Por mais o equivalente a 1 euro é possível pedir para passar nutella ou outro creme na parte de dentro. Delicioso, mas faz uma melança para comer!

Alpenbrod, ou pão dos Alpes

É muito tradicional e comum este tipo de pão em toda a região, porém é proveniente dos Alpes, do qual leva o nome. Segundo a minha guia local, que me passou a receita, é muito fácil de ser feito. Só tem um segredo: é preciso ser bem guardado, em uma lata, por exemplo, para não endurecer. Tente fazer: para 1/2 quilo de farinha, junte 250 gr. de manteiga e a mesma quantidade de açucar. Misture, acrescente 2 ovos e 1 colher de café de fermento biológico seco. Misture tudo em um processador. Tire e sove a massa até dar consistencia de enrolar. Deixe a massa descansar por meia hora. Aqueça o forno a 180 graus. Forre uma assadeira com papel manteiga. Faça 6 rolinhos com a massa e coloque-os de comprido na forma. Asse por 10 a 15 minutos, até corar. Ainda quente, polvilhe com açucar e corte na diagonal de 2 em 2 cm.

 Pretzel

Sua origem data da Idade Média, dizem que foi inventado por um monge que os dava de presente às crianças que aprendiam as orações. Há várias versões da história mas sempre ligada às tradições religiosas. Pretzel não equivale a uma determinada receita, é a forma do pão ou do biscoito. No formato original, tem a forma de um coração em que as linhas que fazem o “V” descem cruzando e enlaçam as laterais, dando a forma de um coração que abraça. Bonito, não é? Conforme a região é feito de outras formas, como a da foto, que tem um enrolado no meio. É tradição oferecer pretzel no café da manhã no dia da Páscoa.

Outra tradição de Páscoa, principalmente entre namorados e de pais para filhos é oferecer um coração de chocolate com o nome da pessoa amada.

No próximo post vou contar a história húngara dos ovos de Páscoa. Bem divertida, aguarde!

 

 

 

 

Tortas vienenses

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Viena é famosa pela qualidade de sua “pasticérie” e tudo começou, por mero acaso, no ano de 1832. Hóspedes importantes iriam jantar em um conhecido hotel e, justo neste dia, o chef de cozinha adoece e falta ao serviço. Seu jovem aprendiz, Franz Sacher ( pronuncia-se sárrah), prepara como sobremesa uma torta de chocolate de sua invenção, que foi muito elogiada. Passam, desde então, a ser fornecedores oficiais da Casa Real, inclusive da Imperatriz Elizabeth (a Sissi). A Torta Sacher torna-se famosa em todo o Império Austro-Húngaro. Vem gente de todo o mundo saboreá-la e hoje a torta é um importante produto de exportação da Áustria.

O segredo da receita da Torta Sacher, que é feita em 36 passos, é guardado a sete chaves. Só o mestre confeiteiro tem acesso à tal receita, que exige uma perfeita harmonia na mistura dos ingredientes e uma determinada temperatura e humidade do ambiente onde é preparada. Usualmente pede-se um café para depois da torta.

Outras tortas e sobremesas são servidas. Viena também é conhecida pela qualidade de seus chocolates.

O Café Sacher também serve pratos leves, como o Salmão marinado ao azeite balsâmico e ervas, que eu pedi e estava perfeito.DSCN0424

Comida de rua em Budapeste

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Tarde de sábado de céu azul e temperatura fresca em Budapeste, capital da Hungria. Oba! Feira de comida na rua, barraquinhas, comidas e bebidas típicas a ótimos preços, feitas no maior capricho e deliciosas. Por todo lado, gente bonita e alegre aproveitando o início de primavera e tomando cerveja em canecos enormes! Saí fotografando tudo a fim de mostrar para vocês. Vamos lá, de 3 em 3 fotos. Clique nas fotos para ver o texto de cada uma.

A primeira receita seria a do Goulash, que aqui se chama sopa de Goulash ( pronuncia-se goyash). Esta já saiu no blog. Tem diferenças: a sopa tem muito mais caldo, vem temperada com muita páprica e leva batatas e cenouras. Fazem assim para render mais, pois carne aqui é muito cara e este é um prato bem popular.

A carne de porco é vista em todo lugar, na brasa assam pernil e joelho de porco ( primeira foto) e na chapa fritam embutidos (quinta foto), que apresentam muitas variedades; alguns, tipo salaminho, são comidos crus.

O Pato ao molho de laranja (segunda foto) é delicioso. Este você já pode fazer com receitas que já demos. Veja dica de como cozinhar pato e confira a receita do frango ao molho de laranja. Depois que o pato estiver cozido, siga a mesma receita do frango.

Esta maneira de se fazer batata (que está na terceira foto) é muito boa para acompanhar carnes assadas na brasa. Parece com a Salada de batatas quentes, só que é feita na chapa, por partes. Em uma chapa fritam a cebola cortada em quatro. Na outra, fritam as batatas cortadas e no final jogam por cima bastante cebolinha verde picada. Misturam as cebolas e as batatas com a linguiça, que por sua vez, também já foi frita em outra chapa. Em algumas barracas vi colocarem tomates cortados em quatro sem as sementes, que são fritos junto com as cebolas depois que estas já começaram a corar. Temperam com sal, páprica (sempre doce) em pó e pimenta do reino negra também em pó.

Nas barraquinhas vendem ainda queijos de muitas qualidades e procedências; pães, bolos e biscoitões; uma grande variedade de geléias e de temperinhos com ervas, mel natural, chocolates e outros produtos artesanais, como sabonetes. Já estamos às vésperas da Páscoa: vi lindos ovos, tanto os de verdade pintados à mãos quanto os de chocolate. Difícil resistir!