Tortinha de carne irlandesa

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Em Dublin, capital da Irlanda, tem um lugar muito especial de nome Café en Seine*. Além de ser um dos bares mais famosos do mundo – que o torna um lugar super top e muito concorrido – tem uma decoração Art Nouveau riquíssima e um astral maravilhoso, ainda mais que é um templo do jazz e do whisky. Como sou louca por jazz e whisky é a minha bebida predileta, eu juro que pensei seriamente em pedir um emprego e ficar por lá.

UK - Ireland

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Também foi em Dublin que visitamos a cervejaria Guiness e a destilaria Jameson (que passou a ser meu whisky predileto). Além de bebidas e coquetéis sensacionais, o bar oferece comidinhas muito especiais e uma das famosas receitas da casa é a tortinha de carne ( veja na foto principal que tirei lá no café), servida em porções individuais em tigelas de louça branca tipo bowl. Desde quando de lá voltei, a receita da torta incorporou-se, para sempre, ao cardápio de minha casa.

 

Torta de carne à moda do Café en Seine

A receita abaixo parece longa, mas é porque vai tudo muito explicadinho, para quem é inexperiente na cozinha. Para quem já sabe fazer a massa de torta ( chamada em Minas Gerais de massa podre) e também o picadinho de carne, a receita é muito simples.

Ingredientes para cada 4 pessoas:

Para a massa: 6 xícaras de farinha de trigo, 2 xícaras mal cheias de banha (gordura vegetal hidrogenada, aquela que vende em barra) e 3 gemas.

Para o picadinho de carne: 300 gr. de carne, 1 colherinha de café de sal com alho, 1 colher de chá de molho inglês, 1 pitada de pimenta do reino preta, 1 cebola ralada, 2 colheres de sobremesa de óleo, 1 xícara de chá de molho de tomate caseiro bem espesso. Se for seguir a receita original use 1 xícara de café de bacon picadinho.

Para o molho: 1 colher de sopa de manteiga, 1 colher de café de sal com alho, 1 cebola grande picadinha, 1 xícara de chá de leite, 1 colher de sobremesa cheia de amido de milho.

Recheio: 1 a 2 batatas inglesas e 1 cenoura picadinhas, 8 a 12 cogumelos ( prefiro o shitake).

Preparo da massa:

Considere para esta receita bowls ( travessas redondas) de louça branca com 12 cm. de diâmetro e 6 cm. de altura por dentro. Se não as tiver, a torta pode ser feita em uma tigela refratária de tamanho médio, com 4 a 5 cm de profundidade.

Primeiro limpe a bancada e coloque a farinha. Junte aos poucos a banha e vá trabalhando a massa com a ponta dos dedos até fazer como se fosse uma farinha grossa. Estando bem misturado, faça um montinho, abra um buraco no meio e junte as gemas de ovo. Sove até dar a consistência de massa de abrir. Se estiver esfarelando, junte um tiquinho de água morna. Se ficar muito mole, coloque mais farinha. Faça duas bolas com a massa, tendo 1/3 e 2/3 da massa cada bola. Para ficar mais fácil de abrir, guarde-as na geladeira envoltas em filtro plástico por 3 a 4 horas.

Forre a bancada com um pedaço de filtro plástico que dê para abrir a massa em cima. Tome a bola maior e passe o rolo até obter uma extensão que dê para fazer 4 círculos do tamanho de um prato raso, ou seja, suficiente para forrar o fundo e as laterais da tigela. Corte contornando o diâmetro do prato. Com a outra bola de massa faça os outros círculos menores para as 4 coberturas, estes, um pouco maiores do que a boca da travessa. Cubra os círculos com outros pedaços de filtro plástico. Reserve.

 

Preparo do picadinho de carne:

Corte a carne em cubinhos pequenos e tempere com sal, alho, molho inglês e pimenta do reino. Deixe descansando meia hora. Enquanto isto vá adiantando as outras coisas.

Prepare um molho de tomates espesso, sem tempero ( veja aqui a receita do nosso molho de tomates caseiro).

Esquente ½ litro d’água em um caneco. Em uma frigideira, frite o bacon (se for usá-lo) no óleo e em seguida a carne, até ficar corada. Junte a cebola, frite até dourar e depois acrescente o molho de tomates. Vá pingando água quente pelas beiradas até a carne ficar bem macia. Retifique o tempero. Reserve.

 

Preparo do recheio:

Cozinhe os legumes ao dente e corte-os em cubinhos pequenos. Reserve.

Corte os cogumelos e reserve.

Preparo do molho para o recheio:

Deite a manteiga em uma frigideira, acrescente os cogumelos e deixe que comecem a corar. Junte 1 xícara de café de água quente e espere que amaciem. Tempere com um pouquinho de molho inglês e pimenta do reino. Junte a cebola, o sal com alho e deixe dourar. Acrescente metade do leite e misture. Dissolva o amido de milho no restante do leite, junte e misture bem. Junte os legumes e misture.

Por último, junte o picadinho de carne com tomates. Reserve.

Preparo das tortinhas no forno:

Pré-aqueça o forno a 200 graus. Tome cada bowl e forre-o com o círculo maior (tire o plástico de baixo), deixando que sobrem as beiradas para fora (tire o plástico de cima). Preencha com o recheio (espere esfriar). Cubra com o círculo menor, aperte as beiradas com a ponta dos dedos e corte o excesso de massa. Torne a apertar bem. Faça com uma faquinha uma pequena cruz no centro da torta para que a cobertura não suba e arrebente no forno. Com as sobras da massa, faça tirinhas para enfeitar. Para ficar brilhante, pincele a cobertura com uma mistura de gema de ovo com um pouquinho de água.

Abaixe o forno para 180 graus e coloque os bowls no forno para assar a massa, dentro de uma assadeira grande. Quando a cobertura estiver corada, estarão prontas!

* não deixe de ver: http://cafeenseine.ie/galleries/

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Salada de bacalhau com feijão fradinho

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Uma das receitas mais tradicionais de Portugal é esta salada que pode ser servida morna ou fria. O melhor feijão para ser feita é o fradinho – aquele que tem uma pintinha preta.  E deve-se fazer com as sobras do bacalhau, aqueles fiapos que retiramos das beiradas do lombo de bacalhau, que precisam estar bem dessalgadas.

Salada de bacalhau com feijão fradinho

Para 250 gr. de bacalhau, calcule a mesma quantidade de feijão. Pique bacon (se desejar), 1 dente de alho, 1/2 cebola branca pequena, salsinha e cebolinha verde. Separe o sal e o azeite. Misture o alho bem batido com o sal.

Primeiro dessalgue o bacalhau, que precisa ficar na água, no mínimo, por 24 horas. Durante este tempo, troque a água cinco vezes.

Cozinhe o feijão, que precisa ficar bem firme, ao dente.

Leve uma frigideira ao fogo e frite o bacon, se desejar incluí-lo. Retire. Acrescente azeite,  junte a cebola picadinha e espere amaciar. Acrescente o bacalhau e misture. Deixe que comece a fritar. Afaste-o para as beiradas, coloque mais azeite no centro da frigideira e frite o sal com alho e o feijão. Misture tudo, volte a juntar o bacon, se quiser.

Um pouco antes de servir, junte a cebolinha e a salsinha picadinhas e misture.

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Carne de sol, charque ou carne seca

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Antes de inventarem o processo de refrigeração, um dos processos mais comuns de se conservar os alimentos era o de curá-los, ou seja, salgá-los e colocá-los secando ao sol ou ao vento, sem humidade. No Sul e no Nordeste do Brasil e também no Norte de Minas esta tradição ainda é muito viva, mas por motivos de segurança alimentar a carne salgada é hoje posta para secar em ambientes ventilados e fechados com tela. Há três tipos: carne de sol (ou de vento ou serenada), carne seca e charque.

Carne de sol – quando a carne é salgada ligeiramente e colocada para secar tradicionalmente ao sol ou em local seco, coberto, ventilado e protegido. A carne sofre leve desidratação ficando ainda húmida e vermelha no interior. Esta você mesmo pode fazer em casa, pendurando-a já salgada em um cabide na área de serviço e deixando secar por 12 horas.

Carne seca – feita no mesmo processo da carne de sol porém com mais sal e mais tempo de cura, tendo maior prazo de validade. Típica do Norte e Nordeste do Brasil onde é conhecida como jabá. São feitas em grandes mantas e postas a secar ao sol.

Charque – típica do Rio Grande do Sul. Adiciona-se sal refinado à mantas de carne com bastante gordura para desidratarem, por um bom tempo. Depois são levadas ao sol para terminar de secar.

Você pode comprar qualquer um desses tipos de carne nos bons mercados, como no Mercado Central de Belo Horizonte, onde há lojas especializadas. Aqui vamos ensinar a prepará-la em casa, para ser usada em diversas receitas, como escondidinho, bolinhos e recheio de massas.

Veja aqui a tradicional receita de Abóbora moranga com carne seca.

Preparo de carne seca ou charque

Para 500 gr de carne seca ou charque, vai usar: 1 cebola, 2 colheres de chá de sal com alho e pimenta do reino a gosto.

Antes do preparo é preciso dessalgar a carne, o que pode se feito de duas maneiras a depender do seu tempo disponível. 1) A opção mais fácil (e mais demorada) é deixar a carne cortada em cubos dentro de uma tigela com água fria por 24 horas (mantenha na geladeira). Troque a água ao menos 3 vezes. 2) Se estiver com pressa, encha uma panela funda com água, coloque os cubos de carne e leve ao fogo alto; depois que começar a ferver, deixe cozinhar por 5 minutos. Despreze a água e repita o processo por 3 vezes.

Dessalgada a carne é hora de prepará-la. Pique a cebola em fatias finas e aqueça um caneco de água. Leve uma panela de pressão ao fogo alto e quando estiver quente pingue umas gotinhas de azeite. Doure a cebola e junte o sal com alho. Mexa e acrescente a carne dessalgada, cobrindo com a água quente até a metade da altura da panela. Tampe a panela e deixe cozinhar na pressão por 30 minutos após começar a apitar.

Passados os 30 minutos desligue o fogo e espere a pressão sair. Se estiver com pressa, coloque um garfo abaixo da válvula e espere que saia o ar. Leve a panela para a pia e deixe correr a água sobre a tampa até esfriar a panela. Abra a tampa com cuidado!

Agora é só desfiar a carne, com ajuda de dois garfos. Retire o excesso de gordura que soltou da carne e acerte o tempero, adicionando sal, se necessário, e pimenta do reino.

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Beringela com pimentões para aperitivo

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Se você gosta de receber amigos em casa para tomar uma cerveja ou um whisky e, principalmente, se eles costumam chegar sem aviso, é prudente ter algum aperitivo pronto na geladeira. Esta conserva dura muito tempo em pote de vidro na geladeira – se você mante-lo bem fechado, tomar o cuidado de não contaminá-la com talher já usado ou voltar com porção já servida para dentro do pote. Esta receita é ótima para comer com pão, colocar no sanduíche ( se tiver alguma carne, melhor ainda) ou para incrementar a salada.

Conserva de beringela com pimentões e amêndoas

Considerando 1 beringela grande por base, separe: 1/3 de pimentão vermelho e a mesma quantidade do amarelo (grandes) e 1/2 cebola. Tempero:  3/4 xícara de café de azeite,  1/2 limão, 2 dentes de alho, 1 colherinha de café de açúcar, 4 folhas de louro, sal e pimenta calabresa a gosto. Por último, 20 amêndoas.

Pique a beringela, os pimentões e a cebola em quadrinhos. Pique o alho bem miudinho. Junte tudo, tempere com os outros ingredientes já misturados à parte.

Coloque em uma assadeira e leve ao forno a 200 graus até que o molho de azeite comece a borbulhar. Veja se a beringela e o pimentão estão bem macios. Retire do forno e deixe esfriar.

Torre as amêndoas em uma frigideira e misture.

Se for guardar para uso futuro, escolha um pote de vidro que tampe bem. Lave, enxugue, passe álcool. Deixe secar, coloque a conserva já fria. Conserve na geladeira.

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Ravióli de espinafre recheado com muçarela de búfala

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Entre as pastas recheadas que temos feito na oficina caseira do Sal&Alho, esta que minha filha fez para jantar com o marido é das mais bonitas e gostosas. Se você copiou a lista de pastas que selecionamos para as festas de fim de ano – clique aqui para acessar – junte mais essa à sua coleção de receitas de pastas especiais – pode até abrir uma lista de desejos para ir fazendo no correr do ano.

Ravióli de espinafre recheado com muçarela de búfala

Opção: junte pedaços de presunto parma à muçarela de búfala para o recheio

Preparo caseiro da pasta de espinafre:

Ingredientes para o preparo dos raviólis que dá para 4 a 6 pessoas: 200 gr farinha de trigo grano duro, 200 gr de farinha de trigo comum, 4 ovos, 1 colher de sopa cheia de azeite, 1 colher de chá de sal e 1/2 maço de espinafre. 

Coloque as folhas de espinafre em uma panela com um pouco de água já quente e deixe por 3 minutos em fogo baixo até que fiquem murchas e bem verdes. Retire-as com uma escumadeira para escorrer a água quente e mergulhe-as em uma bacia com gelo e um pouco de água gelada. Esprema bem o espinafre, entre as palmas das mãos, para retirar toda a água e bata no liquidificador com os ovos e o azeite.

Peneire as farinhas em uma tigela grande e misture-as até ficar homogêneo (se quiser pode usar apenas um tipo de farinha).

Junte a pasta de espinafre e ovos à farinha e misture com as mãos até formar uma massa uniforme. Depois dos produtos bem misturados é necessário passar para a bancada e amassar bastante. Aos poucos a farinha se incorpora completamente e a massa ficará mais lisa (veja a foto). Caso a massa ainda fique molhada e pegajosa é porque não se retirou suficientemente a água do espinafre. Se for o caso, acrescente mais farinha comum, aos poucos, somente o necessário para dar a consistência correta. Envolva a massa em plástico filme e deixe-a descansando por, pelo menos, 30 minutos.

Para rechear:

Separe o recheio: nesta receita escolhemos rechear com bolinhas de muçarela de búfala junto com quadradinhos de presunto parma. Abra a massa ( de preferência na máquina própria mas pode ser com o rolo tradicional) em formato de retângulos grandes e vá recheando imediatamente para não secar. Em um dos retângulos coloque o recheio na quantidade correta, aos pouquinhos, espaçando um montinho do outro.  Cubra com outro retângulo de massa e, com os dedos, pressione as laterais dos montinhos. Proceda assim até terminar tanto a massa como o recheio.

Passe o cortador para cortar a massa no formato quadrado tradicional de ravióli. Separe os quadradinhos e coloque-os sobre a bancada já esfarinhada. Quando terminar, aqueça água em uma panela grande. Estando a água bem quente, misture o sal (1 colher de sopa cheia basta) misture, espere a água ferver de novo e então vá cozinhando os raviólis aos poucos. Atenção, pois massa caseira cozinha rápido. Assim que os raviólis forem subindo e boiarem, estarão prontos.

Sirva os raviólis com o molho de sua preferência. Na foto, pode apreciá-los ao molho bechamel com alho poró. Para fazê-lo, siga a receita do molho branco ou bechamel, substituindo a cebola por um talo de alho poró picado. Depois de pronto, bata o creme no liquidificador e, se quiser, ao esquentá-lo para servir, junte um pouquinho de creme de leite fresco.

Também pode ser feito com o tradicional molho de tomate . Com o prato já servido, rale na hora queijo tipo parmesão ou grana padano sobre os raviólis.

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Mel de figos

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Apesar de um pouco trabalhosa, esta receita é muito fácil de fazer e rende dois produtos deliciosos: 1) figo em pasta para canapés, para recheio de massa fresca e para uso em sobremesas; 2) mel de figo, que pode ser usado em várias receitas de massas, em doces e até para servir sobre torrada no café da manhã.

Aproveite a estação de figos deste final de ano para preparar maior quantidade desses produtos. A pasta pode ser congelada e o mel dura meses na geladeira.

Mel de figos

Esta receita foi feita com 16 figos grandes maduros. Lave-os bem e corte em quatro. Coloque em uma panela funda (de preferência de ferro ou com a base grossa). Junte água suficiente para cobri-los e leve ao fogo baixo por 3 horas ou até verificar que o caldo reduziu pela metade. Durante o cozimento, deixe a panela semi-destampada, mexendo às vezes e pressionando levemente, com uma colher de pau, os pedaços de figo.
Separe uma tigela grande e coloque sobre ela um pano limpo bem fino (ou daqueles usados para fazer queijo). Dica: inserir um coador entre o pano e a panela evita que o pano caia sobre o líquido.

Despeje a mistura de figos cozidos sobre o pano e deixe que o caldo escorra naturalmente. Sobrando só os figos, esprema-os com as costas de uma colher e extraia mais caldo.

Agora vem a parte mais trabalhosa porém necessária para tirar o resto do caldo de dentro dos figos. Junte as pontas do pano e fazendo uma bola vá pressionando-a com as mãos até que saia todo o líquido.

Volte com o caldo para a panela e deixe em fogo baixo até encorpar (vai se formar uma fina crosta por cima mas é só misturar bem e ela se incorpora). Mexa e vigie pata não agarrar no fundo da panela. Caso o figo não esteja doce o suficiente, acrescente um pouco de mel.

Se não for usá-los, porcione a pasta de figo que restou em um pote de plástico para poder congelar e armazene o mel em um pote para levar à geladeira.

Veja o rendimento ( potinhos de 250 gr.):

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Arroz com lentilhas

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Reza a tradição que lentilhas trazem boa fortuna. Na cultura gastronômica brasileira, que incorporou costumes, crenças e hábitos de tão variados imigrantes, desde europeus a árabes e orientais, arroz com lentilha passou a fazer parte do cardápio da ceia de Ano Novo ou Reveillon. Dizem que traz sorte na vida e dinheiro no bolso o ano todo! Como tudo o que é para o bem a gente quer, nossa ceia sempre tem lentilha. E gostamos tanto que passamos a fazer a receita, com uma ou outra inovação só para variar, o ano inteiro. Afinal, arroz com lentilhas é uma ótima opção para acompanhar qualquer tipo de carne, especialmente cordeiro.

Arroz com lentilhas

Nesta receita, como variação, ao invés de, no início do preparo, fritar a cebola branca até ficar bem corada, inovamos caramelizando cebola roxa para a cobertura. Fica uma delícia! Experimente!

Ingredientes para 4 pessoas: 4 porções de arroz pronto, lentilha cozida ( 1/2 xícara de café de lentilha crua), 1 colher de sobremesa de azeite, 1 colherinha de café de sal com alho, 1/2 cebola roxa, 1 colher de sopa de açúcar cristal.

Faça o arroz e reserve. Cozinhe a lentilha em uma panela com água na altura de cobrir os grãos e ainda sobrar 3 dedos. Escorra. Corte a cebola roxa em fatias bem finas. Reserve.

Esquente o azeite ( pode fritar bacon se quiser dar mais sabor) em uma frigideira, doure o sal com alho, junte as lentilhas, misture bem. Junte o arroz, cuja quantidade deve ser igual a de lentilhas. Misture bem.

Enquanto isto, em outra frigideira, coloque a cebola para secar. Vá mexendo até perceber que perdeu a água. Afaste-a para as beiradas e coloque o açúcar no meio da panela. Mexa para derreter e assim que escurecer misture com a cebola. Misture bem para incorporar.

Sirva o arroz com lentilhas com a cebola roxa caramelizada por cima.

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Kinkan – compota, geleia ou chutney

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As kinkans apareceram no Brasil há poucos anos e são de origem oriental. Kinkan em japonês quer dizer “laranjinha de ouro”, porém a frutinha de cor amarelo dourada ou alaranjada não é uma verdadeira laranja, pertencente à espécie Citrus, pois pertence à outra espécie, a Fortunella. A mais comum é a Nagami, de forma oval e um tanto amarga, excelente para se fazer compota, geleia e chutney.

Compota

Lave as laranjinhas e deixe-as inteiras. Coloque-as para aferventar com uma quantidade de água suficiente para tampar a fruta. Assim que a água ferver, jogue a água fora e reinicie o processo por duas vezes. Escorra as frutas e reserve.

Faça uma calda dissolvendo açúcar cristal em água e deixando incorporar. A quantidade de calda deve ser o suficiente para cobrir as frutinhas e sobrar 3 dedos. Deixe que cozinhem no fogo brando até ficarem macias. Bem guardada em um ponto com tampa, conserva-se em geladeira por tempo indeterminado.

Sirva de sobremesa com queijo minas, requeijão, creme chantily ou sorvete.

 

Geleia 

Lave as laranjinhas, parta-as ao meio e retire o miolo. Bata no liquidificador ou processador para obter uma massa grossa, deixando ainda pequenos pedaços da fruta. Calcule a quantidade de açúcar que vai usar: a quarta parte do volume da massa, no mínimo. Derreta o açúcar em uma panela e assim que começar a dourar junte a massa da fruta. Adicione um pau de canela, cravos e estrela de anis inteiros (que serão retirados ao final). Outra opção é colocá-los dentro de um porta-temperos (veja foto). Deixe cozinhar em fogo médio. Quando começar a formar bolhas, mexa com uma colher de pau para não agarrar na panela, até dar ponto de geleia. Conservada em pote fechado dura muitos meses na geladeira. Dica: para que não azede, nunca retire a geleia do pote com colher usada e jamais devolva ao vidro geleia já servida.

Sirva para acompanhar torradas, como recheio ou cobertura de sobremesas, tortas e bolos.

 

Chutney 

Para fazer o chutney adicione à geleia, aos poucos, provando sempre: gengibre ralado, vinagre de maçã, aceto balsâmico, suco de pimenta malagueta e mel. Misture, volte ao fogo médio até o ponto que comece a soltar do fundo da panela. Desligue. Deixe esfriar.

Ótimo para servir de aperitivo com queijos de paladar forte, como parmesão e grana padano. Ideal para acompanhar carne de porco, como lombo, pernil ou joelho. Veja aqui a receita de joelho de porco acompanhado de chutney de kinkan e farofa de castanhas.

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Boeuf Bourguignon do Paul Bocuse

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Paul Bocuse é certamente um dos mais conhecidos dentre os grandes chefs franceses de todos os tempos. Esta receita consta de um de seus livros e foi seguida à risca. Trata-se, portanto, de uma autêntica receita francesa, com todos os detalhes que fazem a diferença. O preparo é demorado mas vale a pena! Porém, se quiser uma receita mais prática, adaptada para o nosso dia-a-dia, clique aqui.

Boeuf Bourguignon

Ingredientes para uma porção que serve duas pessoas, conforme a receita original : 500gr de patinho ou de músculo, 6 gr de bacon, 6 cebolinhas baby ou chalotes, 1/3 cebola ralada, 30 gr de manteiga, 250 gr de cenoura, 1 colher de sopa de farinha de trigo*, 1 colher de sopa de molho de tomate concentrado, 500 ml de um bom vinho tinto (usamos um Cabernet Sauvignon francês), 1 dente de alho, 1 bouquet garni (1 ramo de tomilho, 4 folhas de louro, 4 ramos de salsa), sal e pimenta do reino.

Retire a carne da geladeira uma hora e meia antes de colocá-la para cozinhar, corte-a em cubos de 4 cm de lado, tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Deixe descansar. Corte o bacon em pedaços pequenos. Descasque as cebolinhas, deixando-as inteiras. Rale a cebola. Corte a cenoura em tiras de 5 cm (ou em pedaços menores caso queira que dissolva no molho final).

Numa panela, de preferência de ferro, derreta a manteiga, acrescente a cebola ralada e o bacon. Refogue por 2 ou 3 minutos, mexendo sempre. Em seguida, coloque a carne  e deixe corar de todos os lados. Acrescente a cenoura e refogue por 30 minutos (se for preciso, verta um pouquinho de água quente para aproveitar a borra da panela, mas sem molhar a carne). Retire a carne da panela e reserve-a em local que possa permanecer aquecida.

Coloque a farinha de trigo na panela de onde retirou a carne e misture bem. Quando ganhar cor, acrescente o molho de tomate concentrado, misture novamente e, por fim, dilua o molho com o vinho tinto, derramando-o aos poucos. Acrescente o alho amassado e continue mexendo. Espere que o álcool tenha evaporado por completo e então volte com a carne para a panela. Tampe e deixe cozinhar por duas horas e meia, em fogo brando.

Verifique o caldo de vez em quando e, se necessário, verta água quente, aos poucos, pelas beiradas, para que o molho não seque e a carne não fique ressecada. Retire do fogo quando verificar que a carne está tão macia a ponto de poder ser cortada com uma colher.

O acompanhamento tradicional é o purê de batatas. Pode variar com o purê de mandioquinha, ou o de batata doce ou ainda um purê usando a batata inglesa, a mandioquinha e a batata doce, em partes iguais.

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Purê de castanhas portuguesas

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Dezembro é temporada de frutas e castanhas nacionais e estrangeiras que associamos às festas de Natal e fim de ano. Um tipo que só costuma aparecer por esta época é a castanha portuguesa. O famoso e sofisticado doce que na França tem o nome de marron glacé é preparado com esta castanha e costuma estar à venda o ano inteiro nas melhores confeitarias do mundo, como a Fauchon de Paris, na Place de la Madeleine. O purê dessa castanha é muito chique para acompanhar peru e cordeiro pois seu sabor adocicado combina muito com estas carnes. ë muito fácil de preparar e aqui segue a minha receita.

Purê de castanhas portuguesas

Para cerca de 20 castanhas vai usar 1 colher de sobremesa rasa de manteiga, 1 colher de sobremesa de cebola ralada bem fina e 1/2 xícara de café de leite.

Cozinhe as castanhas até perceber que a casca fica enrugada. Escorra, lave e deixe esfriar – a conta de conseguir descascá-las com uma faquinha afiada. Amasse bem até obter uma pasta homogênea.

Leve uma panelinha ao fogo médio e derreta a manteiga. Amacie a cebola, sem deixar corar e misture a pasta de castanhas. Prove o sal. Se desejar, acrescente um tico de noz moscada e de pimenta do reino branca. Está pronto!

 

Canelone aos quatro queijos

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Durante os nove anos em que estive à frente do restaurante de um hotel de luxo em Belo Horizonte oferecíamos uma completa variedade de cardápios para eventos. Sempre procurava variar inovando as receitas, mas havia algumas que, se tirasse da oferta de cardápios, era reclamação na certa. Este canelone feito com massa fresca, recheado com quatro queijos, envolto em creme e gratinado era uma dessas. Uma opção muitíssimo apreciada que você pode experimentar é fazer a mesma receita porém usando salmão para o recheio.

Aqui passo a receita para uma porção pequena, que serve de 2 a 3 pessoas, mas você pode aumentá-la conforme quantas pessoas irá servir. Esta receita pode (e deve) ser feita de véspera, o que facilita bastante seus afazeres se for preparar um almoço ou jantar para muitas pessoas.

Canelone aos quatro queijos

Esta receita é para seis canelones, portanto irá usar seis folhas de massa para lasagna. Se quiser fazer a pasta em casa, como fizemos para esta receita, clique aqui para ver a receita completa.

Recheio: creme bechamel, 4 tipos de queijo e ervas frescas.

Ingredientes para o creme bechamel: 1 colher de sopa de manteiga, ½ cebola ralada (1 xícara de café), 1 colher de café de sal com alho, 1 xícara de chá de leite, 1 colher de sobremesa de amido de milho (ou farinha de trigo torrada), 1 xícara de café de creme de leite. Tempero: uma pitada de noz moscada e outra de pimenta do reino branca.

Os queijos: 300 gr. de queijo ralado grosso, sendo que escolhi de 4 tipos: gouda, estepe, provolone e ementhal (pode substituir por outros tipos) mais 1 colher de sopa de cebolinha finamente picada

Para fazer o creme bechamel derreta a manteiga e frite o sal com alho e a cebola, sem deixar corar. Acrescente o leite deixando um pouco na xícara para misturar com o amido de milho (ou farinha de trigo). Assim que o leite ferver, junte essa mistura e mexa bem até começar a borbulhar. Desligue, tempere a gosto e junte o creme de leite. Misture bem e reserve.

Misture os queijos ralados e a cebolinha picada ao creme bechamel. Coloque em uma tigela e leve à geladeira por 2 horas para que o recheio endureça. Assim fica mais fácil para rechear.

Cobertura:

Ingredientes para a cobertura: 1 colher de chá de manteiga, ½ colher de café de sal, 1 xícara de café de leite, 1 xícara de café de creme de leite. Por cima de tudo: 50 gr. de queijo parmesão ralado grosso (pode substituir por outro queijo)

Em outra panela, siga o mesmo procedimento do bechamel para fazer o creme da cobertura. Rale o queijo para a cobertura e deixe-o separado. Coloque-o na geladeira para ficar mais encorpado.

Para montar a travessa refratária com os canelones:

Coloque água para ferver em uma panela grande que caiba as folhas da lasagna sem dobrar. Assim que ferver, junte sal e deixe que ferva novamente. Coloque uma a uma as folhas de lasagna. Se for pasta fresca leva aproximadamente 8 minutos para ficar ao dente. Balance a panela umas três vezes para que uma folha não grude na outra. Retire-as com uma espátula larga e coloque-as sobre a bancada da pia (bem limpa e seca).

Divida o recheio em 6 partes iguais. Coloque cada parte do recheio sobre uma folha de lasagna e enrole-a como mostra a foto. Pincele o fundo e as laterais da travessa com o creme de cobertura. Disponha os rolinhos, sempre passando creme entre eles para que não grudem ao servir. Distribua o restante do creme sobre os rolinhos e cubra com o queijo ralado separado para a cobertura.

Para montar a travessa refratária com os canelones:

Coloque água para ferver em uma panela grande que caiba as folhas da lasagna sem dobrar. Assim que ferver, junte sal e deixe que ferva novamente. Coloque uma a uma as folhas de lasagna. Se for pasta fresca leva aproximadamente 8 minutos para ficar ao dente. Balance a panela umas três vezes para que uma folha não grude na outra. Retire-as com uma espátula larga e coloque-as sobre a bancada da pia (bem limpa e seca).

Divida o recheio em 6 partes iguais. Coloque cada parte do recheio sobre uma folha de lasagna e enrole-a como mostra a foto. Pincele o fundo e as laterais da travessa com o creme de cobertura. Disponha os rolinhos, sempre passando creme entre eles para que não grudem ao servir. Distribua o restante do creme sobre os rolinhos e cubra com o queijo ralado separado para a cobertura.

Pode fazer a lasagna de véspera ou algumas horas antes de servi-la. Neste caso, cubra com plástico filme e coloque na geladeira.

Cerca de 20 a 30 minutos antes de servir ligue o forno a 250 graus. Assim que estiver quente, baixe para 180 graus e ponha a lasagna para gratinar. Desligue logo que corar por cima e perceber o creme começando a ferver nas laterais. Sirva bem quente.

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Seleção de receitas para o Natal

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Natal ou festa de fim de ano – seleção de receitas

Selecionamos 35 excelentes receitas para você escolher quais irá fazer para a família e os amigos nas festas de fim de ano. São entradas, pastas, pratos com bacalhau, camarão, carne de porco, boi e cordeiro e mais as sobremesas que amamos, todas feitas em nossa casa muitas vezes e que aqui passamos para você passo-a-passo, com fotos. Tanto faz se você é experiente na cozinha ou se vai cozinhar pela primeira vez – garanto que vai dar tudo certo e será um sucesso.

Faça suas escolhas, clique para ver as receitas, leia tudo e anote com atenção os ingredientes, calculando as quantidades de acordo com o número de pessoas que for servir e mãos-à-obra!

Entrada

Para servir com pães:

Pasta de berinjela ( babaganush)

Pasta de grão de bico (homus)

Chutney de manga

Cebola roxa caramelizada

Frios: 

Caldinho de moranga com camarão

Salada havaiana ( servida no abacaxi)

Salada marroquina ( berinjela e pimentões)

Salada de bacalhau

Ceviche peruano

Lombo desfiado com frutas secas

 

Primeiro prato: pasta

Fettuccini verde ao creme de ricota

Tagliatelle ao molho branco com limão siciliano

 

  • Recheadas com queijo:

Rosas recheadas

Conchiglione ao molho branco gratinado

Rondelli quatro queijos ao molho branco gratinado

Ravioli ao creme de aspargos com camarões

 

Lasagna com ragu de cordeiro, muçarela e pesto de hortelã e pecorino

Nhoque de mandioquinha salteado com ervas finas

 

Veja aqui como fazer pasta caseira para as receitas acima

 

Prato principal

Bacalhau com natas

Bacalhau com crosta de broa e tortinha de batatas

Camarão jamaicano com arroz de coco

 

Tornedor ao molho de jaboticaba e risotto de açafrão

Filé recheado com tomates secos e queijo gruyérè

Bife Wellingtonrisotto de aspargos

 

Joelho de porco com chutney de laranjinha e farofa de castanhas

Pernil de cordeiro assado

 

Cordeiro com favas, figos e amêndoas acompanhado de cuscuz

Sobremesa:

Peras ao vinho ( Peras Belle Heléne)

Pudim de claras

Pudim de chocolate com frutas secas ( pode também usar a receita do Pudim brigadeiro)

Manjar de coco com calda de manga

Crème brûllé com morango e Amarula

Cheesecake

Torta Santiago (de amêndoas)

Torta de mel e chocolate

Salmão com crosta de ervas

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Esta receita é perfeita para se fazer com salmão fresco, que tem um sabor mais ativo do que outros peixes. Pode também ser feita com truta salmonada ou surubi defumado. É um ótimo prato para um almoço de verão: leve, nutritivo e rápido de fazer.

Salmão com crosta de ervas

Para 2 pessoas compre um filé de peixe de 400 a 500 gr.

Para o tempero irá precisar de: 1 colher de chá de tomilho seco, 1 colher de chá de alecrim seco, 1 colher de chá de orégano seco, 1 colher de chá de páprica,  1/2 colher de chá de cominho em pó e 1/2 colher de chá de sal. Misture tudo e triture para quebrar o alecrim. Coloque esta mistura em um prato do tamanho do filé de salmão e espalhe as ervas. Reserve.

Tempere o salmão só com um pouquinho de sal e deixe descansando por 30 minutos.
Pré-aqueça o forno a 200 graus.
Aqueça ligeiramente 1 colher de sopa de sobremesa de azeite em uma frigideira antiaderente. Passe o salmão apenas de um dos lados sobre a ervas que estão no prato de modo que fique coberta até as bordas. Sele o peixe na frigideira, começando com o lado com as ervas, por um minuto apenas, para não queimá-las. Sele do outro lado. Retire da frigideira e volte para o prato.

Despeje em uma assadeira antiaderente 1 colher de sobremesa de azeite, espalhe e acomode o peixe com o lado das ervas para cima. Leve ao forno para assar até que fique macio e comece a corar (cerca de 30 minutos).
Sirva com purê de banana da terra ou uma boa salada.

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Joelho de porco com chutney e castanhas

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Por ser mais saboroso e muito menor, o joelho de porco é um ótimo substituto para o tradicional pernil do Natal e também do leitão à pururuca. O pernil já é um bom variante do peru. Primeiro porque sua carne é muito mais saborosa e depois por ser uma comida genuinamente brasileira, enquanto comer peru no Natal é coisa de americano. Porém, não é qualquer forno que cabe um pernil ou um leitão para assar. Hoje as famílias são menores e um pernil ou um leitão servem mais de doze pessoas. Para pouca gente, acaba sendo um desperdício. Com acompanhamentos sofisticados, o joelho de porco pode se tornar um prato nobre e original.

Joelho de porco com chutney de laranjinha kinkan e farofa de castanhas

Existe no mercado joelho de porco para vender já temperado. Se não achar, tenha por base o tempero para 1 kg de carne: 1 colher de sobremesa de sal, 3 alhos bem batidos, ½ colherinha de café de pimenta do reino, 1 xícara de café de vinho branco, rosé ou vinagre de vinho branco. Use uma seringa própria para injetar o tempero líquido (batido no liquidificador) dentro da peça, ou, em último caso, faça muitos furos com um garfo. Espalhe salsinha e cebolinha picadas bem miúdo por fora. Coloque a peça temperada dentro de saco plástico e deixe na geladeira por, no mínimo, 12 horas.

Pré-aqueça o forno a 250 graus. Unte uma assadeira com uma boa camada de óleo. Envolva o joelho de porco no papel alumínio e ponha para assar. Meia hora depois, despeje ½ litro de água fervente na assadeira, de modo a dar 1,5 cm de água. Baixe a temperatura para 200 graus e deixe assar por mais 1 ½ hora. Se a água secar, complete mais um pouquinho – sempre fervente. Ao final do tempo previsto, verifique se a carne está bem macia. Desligue e deixe o joelho esfriar dentro do forno.

Enquanto a carne assa, prepare o chutney, que pode ser feito com antecedência, pois dura muito tempo na geladeira.

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Chutney de laranjinha kinkan

Lave as laranjinhas, parta-as ao meio e retire o miolo. Bata no liquidificador ou processador para obter uma massa grossa, deixando ainda pequenos pedaços da fruta. Calcule a quantidade de açúcar que vai usar: a quarta parte do volume da massa. Derreta o açúcar em uma panela e assim que começar a dourar junte a massa da fruta. Adicione um pau de canela, cravos e estrela de anis inteiros (que serão retirados ao final). Outra opção é colocá-los dentro de um porta-temperos( veja foto). Acrescente, à gosto e aos poucos, o gengibre ralado. Deixe cozinhar, em fogo médio, mexendo até que comece a soltar das beiradas. Baixe o fogo. Prove e retifique o tempero. Até aqui você preparou uma geleia. Para fazer o chutney adicione, aos poucos, provando sempre: vinagre de maçã, aceto balsâmico, suco de pimenta malagueta e mel. Misture, volte ao fogo médio até o ponto que comece a soltar do fundo da panela. Desligue. Deixe esfriar.

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Farofa de castanhas

Escolhas as castanhas: do Pará, de caju, nozes e amêndoas. Quebre-as em pedaços menores. Torre-as em uma frigideira antiaderente. Junte um pouquinho da gordura de porco que ficou na assadeira e sal. Salteie com movimentos para frente e para cima, de modo a agregarem o sal.

Se quiser dar mais corpo à farofa, junte mais um pouco de gordura e biscoito água e sal triturado.

Outras opções de acompanhamento (clique para ver a receita):

purê de banana da terra ou

papas bravas

 

Papas bravas

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Sabe o que quer dizer “ir de tapas”? O espanhol típico sai do trabalho para ir em casa almoçar e aproveita pra tirar uma soneca, ou seja, faz a sesta. Daí volta, trabalha mais um pouquinho até o fim da tarde e então sai, de bar em bar, bebendo umas antes de retornar à casa para a ceia, que sempre é bem tarde. É costume os bares oferecerem alguns petiscos grátis – os tapas – acompanhando o primeiro pedido de bebida. Então os espanhóis combinam de sair com a turma de amigos, se encontram no primeiro bar, tomam só uma rodada de bebida – cerveja, vinho ou espumante – e de lá seguem para outros bares. E assim, de bar em bar, só pagam a bebida!

O costume de servir tapas vem de longe. Antigamente, os espanhóis paravam nas estalagens de beira de estrada pra descansar, bebiam demais e aconteciam muitos acidentes nas estradas ( com cavalos e carroças!). Então o governo baixou uma lei obrigando os estalageiros a colocar um pratinho com petiscos sobre o copo de bebida e o viajante só podia beber depois de comer. E só se pagava a bebida! Os tapas mais tradicionais são pan com tomate e papas ( batatas), por serem mais baratos. Hoje os bares da moda disputam quem serve os tapas melhores, mais sofisticados e originais. Servem três porções mínimas de petiscos, já incluídos no preço da primeira bebida, e logo oferecem o cardápio. E como já nos conquistaram pelo paladar, a gente fica no bar e pede outros e outros petiscos ( pagando, claro!)

Papas bravas

 Um tradução razoável seria: batatas rústicas. A característica delas é que sempre vêm cortadas em cubos, são servidas com a casca, parecem amassadas ( ou murchas), e sempre estão crocantes por fora e macias por dentro. Deliciosas e perfeitas para acompanhar bebidas, como aperitivo ou carnes de qualquer tipo, como guarnição. São muito populares na Europa, principalmente na Espanha, onde se chamam papas bravas. Nos bares e restaurantes são preparadas em chapas ou fornos industriais que não temos em casa. Por isto, eu nunca conseguia fazê-las! Mas tanto tentei que um dia descobri como fazê-las em casa de modo a ficarem perfeitas! Vou passar o segredo:

Primeiro, é indispensável comprar daquela batata que vem envolta em terra, porque, ao cozinhar, retém menos água. Vai precisar de óleo, sal e ervas desidratadas – a versão mais tradicional é com herbes de Provence, ervas finas ou alecrim. Pode também colocar cheiro verde ( salsinha e cebolinha picadinhas).

 

Lave e enxugue as batatas. Cozinhe-as ligeiramente, inteiras, a conta de perceber que, ao cortá-las, ainda oferecem resistência mas não estão cruas por dentro. Retire da água e enxugue-as. Mantenha a pele, cortando-as em cubos com cuidado para não danificá-las.

Em uma panela alta, despeje bastante óleo e deixe esquentar. Coloque os cubos de batata em uma peneira e esta dentro da panela, de modo que as batatas possam ficar dentro do óleo quente. Espere que fritem, sem corar. Retire e deixe descansar. Pode fazer isto com antecedência.

Antes de servir, aqueça o forno a 150 graus e quando estiver bem quente coloque os cubos de batata espalhados – uma só camada – numa assadeira e leve-os ao forno. Vigie até que corem – vai notar que murcham, por perder água. Assim que estiverem bem corados, retire-os do forno, salpique o sal e as ervas.

Opções para variar: há quem coloque por cima das batatas um molho bem temperado de tomate ou então molho de mostarda. Pode também regá-las com azeite. Também pode acrescentar queijo parmesão ralado e levar ao forno novamente só para derreter o queijo.

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Torta Santiago

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Esta torta de amêndoas é uma verdadeira instituição da região da Galícia, no Norte da Espanha. É como o queijo Minas para os mineiros e o champagne para uma determinada região da França, ou seja, tem uma denominação de origem protegida, desde 2006. A versão mais comum da história conta que esta torta, então com o nome de Torta Real, foi oferecida a D. Pedro de Portocarrero, em 1577, em sua visita à Universidade de Santiago de Compostela. A primeira receita, como a torta é conhecida hoje, data de 1838, escrita nos cadernos de Luis Bartolomé de Leybar.

Quando percorri à pé uma boa parte do famoso Caminho de Compostela – veja aqui todo o itinerário gastronômico – me prometi como prêmio que, chegando à cidade de Santiago de Compostela, a primeira coisa a fazer seria comer uma boa fatia de uma torta autêntica. Daí gostei tanto que aprendi a fazê-la.

Torta Santiago

 Procurei seguir a receita mais tradicional possível e ainda, conforme o costume, enfeitei a torta com a marca da Cruz de Santiago.

Esta receita não dá para fazer medindo os ingredientes em xícaras e colheres, como fornecemos as receitas aqui neste blog. Então, é preciso ter uma balança para pesar corretamente os ingredientes. A torta é composta por duas partes, uma massa de torta e uma cobertura que são assadas junto.

Para a massa da torta separe: 160 gr. de farinha de trigo, 90 gr. de manteiga, 1 ½ colher de sopa de açúcar refinado, 1 ovo, 1 colher de café de extrato de baunilha.

Misture tudo até obter uma massa homogênea, faça uma bolota e deixe na geladeira por 30 minutos. Unte com manteiga uma forma redonda baixa (que solte o fundo) e estenda a massa abrindo-a sobre a forma e deixando as beiradas altas, até a borda da forma, como na foto. Fure-a com um garfo para não subir e estourar enquanto assa. Reserve.

Para a cobertura separe: 3 ovos, 120 gr. de açúcar, 180 gr. de farinha de amêndoas ( separe à parte 2 colheres de sopa), 30 gr. de manteiga derretida e a casca ralada de 1 limão. Bata os ovos com o açúcar, acrescente a farinha de amêndoas e a manteiga. Misture, por último as casquinhas de limão. Despeje o creme sobre a massa enformada, espalhe e uniformize a altura. Polvilhe com o restante da farinha de amêndoas que separou. Leve ao forno a 200 graus até corar por cima e ficar bem assada ( faça o teste do palito para ver se sai limpo). Desenforme somente depois que estiver fria.

Desenhe em uma folha de papel e recorte a Cruz de Santiago. Coloque-a sobre a torta e polvilhe com açúcar de confeiteiro. Retire o papel e está pronta!

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Tortilla de batata

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Esta semana fechamos as aulas de culinária do ano com um cardápio de comida espanhola. Neste ano de 2016 escolhemos como tema dos nossos jantares a gastronomia internacional, ensinando a fazer pratos da comida típica de doze países. Em nosso jantar espanhol tivemos tapaspan com tomate com coberturas variadas), tortilla e papas bravas servidas com sangria. O prato principal foi a Paella valenciana e, como sobremesa, servimos a Torta Santiago. Nos próximos posts daremos as receitas das papas bravas e da torta.

Um dos pratos mais tradicionais da culinária espanhola é a tortilla ( diga tortilha) de batata. A melhor que já comi na Espanha foi em Calzadilla de la Cuenca, no Caminho de Santiago. A receita abaixo é a mais comum, feita com batata, cebola e ovos, mas pode ser feita incluindo como ingredientes cheiro verde ( salsinha e cebolinha) , ou embutidos (como linguiça e salames).

Tortilla de batata

Para 8 pessoas separe 6 batatas grandes, 3 cebolas grandes, 6 ovos, sal e pimenta do reino.

Cozinhe as batatas com a casca, deixando-as ainda um pouco duras. Despele-as e corte-as em fatias finas. Corte a cebola em fatias finas.

Tome uma frigideira antiaderente grande e comece passando as cebolas em um fio de azeite, a conta de amaciá-las, sem deixar corar. Tempere com um pouquinho de sal e pimenta. Retire da panela.

Bata as claras com um fuê até que espumem e vá juntando as gemas aos poucos. Tempere com sal e pimenta do reino.

Passe outro fio de azeite na mesma frigideira e espalhe. Coloque a primeira camada de batatas gastando 1/3 da quantidade. Salpique sal e pimenta.

Coloque a segunda camada de cebolas gastando 1/2 da quantidade. Despeje, espalhando pela panela toda, metade dos ovos batidos. Repita as camadas: 1/3 da batatas ( salpique sal e pimenta), a outra metade da cebola, o restante dos ovos. Cubra com a última parte das batatas, salpique sal e pimenta. Aperte e acomode para uniformizar.

Observe o cozimento dos ovos – quando estiver amarelo nas beiradas ( como omelete), abaixe o fogo e prepare-se para virar a tortilla.

Tampe a frigideira com uma forma redonda de pizza. Coloque por cima um pano de prato dobrado ( para não queimar). Agora firme bem a forma com uma mão espalmada e com a outra vire a frigideira de cabeça pra baixo. Levante e retire a frigideira com cuidado para não partir a tortilla. Recoloque a forma sobre o fogo baixo para que termine de cozinhar por baixo. Retire a tortilla da forma e passe-a para o prato que irá servir, escorregando-a devagar, com a ajuda de uma espátula. Sirva imediatamente.

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Asinhas ao molho agridoce do Restaurante Kion

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Quer saber porque a comida chifa é tão apreciada e popular no Peru? Pois conto a história. Os primeiros chineses que chegaram ao Peru, em 1849, espalharam-se pelas plantações costeiras, necessitadas de trabalhadores que vieram substituir os negros depois da libertação dos escravos. Ainda no século XIX vieram da China, principalmente da província de Guangdong, mais de cem mil trabalhadores. Terminadas a Guerra do Pacífico e a 2a. Guerra Mundial em 1945, a crescente urbanização e industrialização levou esses imigrantes e seus descendentes para Lima e outras cidades. A partir de 1950, o bairro chinês de Lima começa a crescer e na Capon Street surgem pequenos restaurantes familiares que serviam a chifa, comida tradicional das províncias chinesas de onde vieram a maioria dos imigrantes.

Hoje, dos 30 milhões de habitantes do Peru, mais de 500 mil são descendentes diretos desses imigrantes. E os restaurantes de comida chifa espalharam-se por todo o Peru, servindo uma comida chinesa feita com ingredientes e temperos bem típicos do Peru. Enquanto os chamados Chifas de Lima são, em sua grande maioria, restaurantes familiares bem simples, em Cuzco encontrei o Kion ( gengibre, em chinês) que também faz parte do grupo Cusco Restaurants. É frequentado principalmente por jovens, que gostam de um ambiente charmoso, descontraído, servindo comida boa por preço bom. E, para minha surpresa, o simpático e atencioso gerente da casa é filho de brasileira! Assim ficou ainda mais fácil saber tudo o que tem no cardápio! Veja o visual do restaurante:

E alguns do pratos pedidos:

Foto 1 – Chi Jay Kay – são iscas de coxa de frango empanadas, servidas com cogumelo e molho chi jau;

Foto 2- Kam Lu Wantan – frango com ervilha de folha, pimentão vermelho, cebola e batatas;

Foto 3 – Ti Pa Kay – iscas de coxa de frango desossado servidas com pêssegos, dois tipos de pinhas, ají amarela ( pimenta) e molho de tamarindo, acompanhado de trocitos de massa de pastel;

Foto 4- Talharim saltado com pedaços de frango, cebolinha, broto de feijão, cebola chinesa, pimentão vermelho e molho de gergelim Kion;

Foto 5- Chaufas – arroz salteado na wok com ovo, cebola chinesa, molho de gergelim Kion, molho de soja e lagostins;

Foto 6 – Três tipos de molhos que servem de entrada, acompanhando os trocitos:

  • Peruanito- ají (pimenta amarela), rocoto (pimentão), limo ( pimenta vermelha) e gengibre;
  • Pimenta da china ( wenyi)
  • Mistura de molhos de tamarindo com beterraba e membrillo ( marmelo).

Como pouco sei de comida chifa, vou tentar passar para vocês uma receita bem simples e rápida de fazer, baseada nos ingredientes que o gerente do Kion me revelou que o prato tem. Veja a seguir.

Alitas saúco kintou

São asinhas de frango banhadas no molho saúco kintou (molho barbecue com açúcar derretido, vinagre branco, sakê, molho inglês, amendoim. Cobertura: ajís (pimentos), saúco (mini passa com sabor semelhante à amora), gergelim branco e preto, cebolinha e gengibre.

Primeiro passe as asinhas em água fervente e escorra. Tempere com sal (bem pouco) misturado com vinagre e molho inglês.

Esquente uma frigideira antiaderente para fritar as asinhas. Para fazer o molho, considere as quantidades de ingredientes dados abaixo para cada asinha.

Coloque na panela já aquecida: 1 colher de chá de açúcar mascavo, 1 colher de sopa de vinagre e outra de sakê (por asinha). Misture para formar um melado e vá passando as asinhas, de um lado e outro, até ficarem coradas. Adicione água fervente para formar um caldo, abaixe o fogo e deixe que as asinhas cozinhem até ficarem macias.

Tempere o caldo com 1 colher de chá de molho barbecue, 1 colher de chá de amendoim torrado e moído e a mesma quantidade de geleia de saúco ( é uma frutinha tipo berry com gosto semelhante à amora brasileira) – se não tiver pode colocar geleia de amora, de framboesa ou de frutas vermelhas. Lembre-se que estas quantidades são para cada asinha.

Acrescente gengibre fresco ralado e ají vermelho (pode ser pimenta dedo-de-moça picante). Vá colocando esses temperos aos poucos e provando. Por último, já na hora de servir, salpique cebolinha verde picada miudinho e gergelim torrado preto e branco.

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Veja o nosso prato feito em casa:

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Veja abaixo o cardápio:

 

Alpaca com risoto de quinoa do Restaurante Limo

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Pense na melhor vista da Plaza de Armas de Cuzco. Agora pense em tê-la à sua frente, degustando sushis com um original toque peruano, à espera de um suculento bife da famosa carne de alpaca. Indo ao Peru, não esqueça de fazer uma reserva para jantar no Limo, um dos restaurantes do grupo Cusco Restaurants. Lá, além de drinks deliciosos à base de pisco, a proposta é servir peixes, aves e carnes em pratos de refinado sabor e bela apresentação. Confira as opções no cardápio ao fim do texto.

A carne de alpaca é macia e suculenta, o sabor é parecido com o de carne de boi, porém um pouco adocicado. Achei deliciosa, pena que só tem lá no Peru. Para quem não conhece, veja acima a foto de uma alpaca, o mais típico animal peruano, parente remoto dos camelos e dromedários. A lã de alpaca, delicada, macia e leve, é muito valorizada, pois com ela se tecem roupas e complementos  que aquecem sem o inconveniente do peso.

No prato da foto principal, a alpaca foi servida com um molho de saúco, um tipo de berry com sabor parecido com a amora, e um risoto de quinoa. Bem, já que não adianta dar a receita nem da carne nem do molho porque não temos os ingredientes no Brasil, vamos à receita do risoto de quinoa. Veja abaixo a nossa interpretação.

A quinoa, amplamente usada na região dos Andes, é um alimento de alto valor biológico, rica em fibras e que possui boas quantidades de cálcio, ferro, ácidos graxos ômega 3 e 6 e vitaminas do complexo B. Leia aqui sobre a quinoa.

Risoto de quinoa

Esta guarnição é excelente para acompanhar tanto peixe ou ave quanto qualquer tipo de carne. Para os vegetarianos pode ser o prato principal de uma refeição, pois é muito nutritiva, e pode servir de recheio para pimentão, tomate ou charuto de repolho.

Existem vários tipos de quinoa. As mais comuns, que se encontram à venda nos bons supermercados e nas lojas de produtos naturais, são a quinoa branca, a escura ( dourada, avermelhada ou marrom) ou um mix das duas, que foi a que usamos nesta receita.

Calcule 1 xícara de chá de grão de quinoa para cada 2 pessoas. Dica: como a quinoa não tem sabor, sempre a cozinho em um caldo de legumes feito em casa. Faça este caldo cozinhando, em bastante água, legumes como cenoura, aipo, cebola, alho e ervas frescas. Coe e use-o para cozinhar a quinoa, sempre no dobro da quantidade de quinoa em grão. A quinoa deve ficar ao dente, ainda um pouco dura.

Escolha os legumes: cenoura, abobrinha, cogumelos, alho poró e cebola ( ou os que gostar). Veja as quantidades na foto acima. Pique-os em cubinhos ou fatias finas.

Deite um fio de óleo ou azeite em uma frigideira, doure uma colherinha de café de sal com alho. Vá salteando os legumes, primeiro os mais duros, nesta ordem: cenoura, cebola, alho poró, abobrinha e cogumelos. Quando começarem a amaciar junte a quinoa pré-cozida – devem estar em quantidades iguais. Misture tudo, junte mais um pouquinho do caldo ( se estiver seco) e deixe cozinhar por mais 5 minutos ou a conta de ficar tudo bem cozidinho. Está pronto!

Já no prato, acrescente queijo ralado, se desejar.

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Veja o cardápio completo do Restaurante Limo e já escolha o que vai pedir quando estiver lá:

 

Truta assada do Pachapapa

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O Pachapapa é um dos restaurantes do grupo Cusco Restaurants  e fica a quatro quadras da Plaza de Armas, no Bairro de São Bráz, na parte alta da cidade histórica de Cuzco, no Peru. Tem uma proposta muito interessante, pois fica em um quintal onde nos sentimos como se estivéssemos na casa de parentes do interior. Uma delícia de lugar! A gente vê a comida sendo preparada à nossa frente e assada no forno de barro. As mesas ficam debaixo das árvores, no meio de um jardim misturado com horta. Há cestos com batatas, ajís e outros produtos típicos. O pessoal da casa é muito simpático e atencioso. Os pratos são feitos com alimentos muito frescos, o que lhes dá um belo colorido. Lá servem comidas típicas, italianas ( pizzas, calzones e massas) e mais peixes e carnes assadas, que podem vir com molhos deliciosos – densos, feitos com o suco da carne e temperos locais.  A salada, que acompanha a maioria dos pratos, é indispensável. Veja o cardápio no final deste post.

Aqui vamos dar a receita da truta assada, que acompanhei sendo feita no Pachapapa.

Truta assada com tomates

Compre uma truta como a da foto principal. Na minha cidade, Belo Horizonte, que fica a 450 km do mar, a mais parecida que achei foi a truta salmonada chilena. Mas você pode fazer esta receita com qualquer peixe, é super fácil.

Compre um peixe inteiro, peça ao peixeiro para limpar e abrir ao meio. Tempere com sal e limão (os peruanos adoram limão). Enquanto isto, corte tomates em fatias de 1 cm de espessura.

Se não tiver um forno de barro em casa, como o da foto acima, ligue o seu forno a 250 graus ( se tiver controle de temperatura, coloque forte em baixo e médio em cima). Pincele o fundo de uma assadeira com azeite, disponha as fatias de tomate e coloque o peixe aberto por cima, com a pele para baixo. Esta é uma dica ótima para o peixe não grudar na assadeira. Regue com um fio de azeite e leve ao forno até que as bordas comecem a bronzear. Está pronto!

Sirva com salada, purê de batatas ou risoto. No próximo post daremos a receita do risoto de quinoa que servimos junto com o peixe.

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Pimentão recheado do Inka Grill

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O Inka Grill, um dos mais conhecidos e frequentados restaurantes de Cuzco faz parte do grupo Cusco Restaurants.

Serve tanto carnes grelhadas como pratos típicos da culinária peruana e até pastas italianas. Sempre cheio (é bom fazer reserva), com um  ambiente descontraído e festivo, é o restaurante predileto de alegres turmas de jovens cusquenhos. Fica no centro histórico da cidade, do lado esquerdo da Plaza de Armas, bem ao lado da boate Mama África.

Como nesta noite passei no Inka Grill antes de ir a outro restaurante, pedi um aperitivo e um prato leve. Pois tomei um dos drinks mais deliciosos da temporada no Peru: pisco sour feito com morango, enquanto esperava o Rocoto ( tipo de pimentão vermelho menor e mais adocicado que o brasileiro) recheado com quinoa. Enquanto comia, olhava com inveja os pratos servidos em outras mesas – não resisti e pedi para fotografar. Vejam:

Aqui vai a receita que testei – e a família aprovou- baseada no Rocoto recheado do Inka:

Pimentão recheado com quinoa e legumes

Esta é uma livre interpretação da receita original, já que não temos no Brasil os ingredientes peruanos como rocoto, pasta de ají, saúco e o mesmo tipo de quinoa. Mas vale a pena testar nossa receita, porque ficou uma delícia!

Ingredientes para uma pessoa:  1 pimentão vermelho ( resolvemos experimentar com 1/2 pimentão vermelho e 1/2 amarelo), 1 colher de sopa cheia de cenoura aferventada e picada em cubinhos, a mesma quantidade de tomate em cubinhos, cebola e cheiro verde ( pode ser salsinha, cebolinha e coentro) picadinhos e 1 colher de café de sal com alho. Mais: 1/2 xícara de café de quinoa escura ou mista, 2 xícaras de chá de caldo de legumes caseiro, 1 colher de chá cheia de pasta de ají ( pimenta vermelha picante) Se não conseguir, pode substituir por uma colher de café de páprica picante. Para o molho: o original do Inka é feito com saúco, um tipo de berry parecido com passa preta mas com sabor semelhante à amora. Na falta de saúco, pode substituir por 100 gr. de concentrado de amora, framboesa ou frutas vermelhas;  1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto, 1 colher de sobremesa de aceto balsâmico e 1 colher de chá da pasta de ají picante.

Para fazer o molho, despeje o concentrado de suco em uma frigideira, junte o vinagre e o aceto e deixe que o cheiro evapore. Mexa para não agarrar no fundo até dar ponto de molho. Tempere com a pasta de  ají ( ou páprica picante).

Para fazer o recheio é preciso ter (ou fazer antes) um caldo de legumes caseiro, deixando cozinhar na água alguns legumes, como cenoura, aipo, cebola e alho. Pode colocar no caldo um pouquinho de açafrão ou cúrcuma para dar cor. Como a quinoa tem pouco sabor, fica muito mais gostosa ( e nutritiva) se cozida nesse caldo de legumes.

Cozinhe, portanto, a quinoa com a caldo de legumes colocando mais água quente, se necessário, até ficar ao dente. Tempere com a pasta de ají ( ou substitua por uma colherinha de páprica).

Em uma frigideira, passe em um pouco de azeite a cebola, o sal com alho, a cenoura e, por último, junte a cheiro verde. Acrescente à quinoa já cozida e misture bem. Prove o tempero. Junte sal se necessário.

Corte o pimentão ao meio, retire o miolo e recheie. Pincele, por fora, o pimentão com azeite. Forre o fundo de uma assadeira com azeite e coloque os pimentões. Leve ao forno até verificar que começam a querer dourar por fora. Retire do forno e sirva junto com o molho e uma saladinha de folhas. Na nossa versão, servimos com causa ( batata amassada e temperada) – veja aqui a receita da causa.

Veja como nossa receita ficou bonita!

Nossa receita

Nossa receita

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Lomo saltado do Restaurante Incanto – Cuzco

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Em nosso primeiro dia em Cuzco fomos dar uma volta na Plaza de Armas. Na hora do almoço, escolhendo dentre uma grande variedade de restaurantes, passamos em frente ao Incanto, que fica ao fundo da praça, do lado direito da Catedral. Um senhor italiano muito simpático estava à porta e nos convidou para entrar, como se fosse na casa dele. Ficamos tão honradas com o gentil convite e o restaurante era tão bonito, chique e aconchegante, que não tivemos dúvida! Este senhor nos explicou que o restaurante faz parte de um grupo com outros seis ( http://www.cuscorestaurants.com), cada um com uma proposta gastronômica diferente entre as variedades e influências da gastronomia peruana.  O Incanto oferece um cardápio de comida típica peruana, especialidades italianas e uma comida ítalo-peruana que agrada a todos. Como queríamos provar da comida do interior do Peru escolhemos o Cuy  ( porquinho da índia), cuja carne é deliciosa, e ainda o mais famoso dos pratos peruanos com carne – o Lomo Saltado (foto principal).

Como já sabem, assim que voltei para casa fui experimentar as novas receitas e – sem dúvida – o Lomo Saltado foi o mais apreciado pela minha família. Passo a receita testada e aprovada para vocês:

Lomo saltado

No idioma espanhol lomo é carne de boi tipo filé mignon (não confundir com lombo).

Ingredientes para 2 pessoas: 300 a 400 gr. de filé mignon cortado em cubos ( também comi na versão com bife alto), sal e alho, pimenta a gosto. Para o molho: 1 cebola (pode ser branca ou roxa), 1 tomate, 2 colheres de sobremesa de molho de soja. Pode temperar com coentro e ají amarelo. Como não temos ají no Brasil pode trocar por pimenta dedo-de-moça. Na receita que fiz em casa usei a pasta de ají amarelo que trouxe do Peru.

Corte e tempere o filé mignon com uma hora de antecedência.

Corte a cebola e o tomate em fatias finas (veja foto). Leve-os ao fogo em uma frigideira antiaderente e salteie ( balance a frigideira sobre a chama forte pra frente e pra trás, movimentando-a em círculo). Dessa forma consegue-se dourar os alimentos sem amassá-los. Tempere com o molho de soja e misture. Se gostar, junte o coentro (pode ser cebolinha ou salsinha) e o ají amarelo (pode ser a pasta, ou pimenta dedo-de-moça ou pimentão vermelho ou amarelo picadinho – nesse caso salteie-o junto com a cebola e o tomate).

Enquanto isto prepare a carne. Coloque um pouco d’água para ferver à parte. Esquente bem um fio de óleo em uma frigideira antiaderente. Coloque a carne, sele os pedaços ou filés de um lado e depois do outro. Deixe que fiquem bem bronzeados, por igual. Retire a carne e mantenha-a em um lugar aquecido. Rapidamente, despeje um pouquinho de água fervente na frigideira e dissolva a borra da carne, formando um caldo. Volte com a carne, junte o molho, misture com cuidado e deixe que fique bem quente.

Sirva imediatamente, acompanhado de arroz branco e batatas, que podem ser fritas, assadas ou cozidas.

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Cuzco e comidas típicas peruanas

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Quem vai a Lima apreciar a famosa gastronomia peruana não pode deixar de ir a Cuzco e ao Vale Sagrado dos Incas, de belas paisagens e encantadores resorts. Lá você vai conhecer o verdadeiro Peru: os antigos sítios arqueológicos, os índios descendentes do incas, seu artesanato, seus animais de criação e as comidas típicas. Fazer a viagem de trem através da mata e depois galgar os 400 degraus de subida para ver do alto a deslumbrante cidade inca de Machu-Pichu é uma das melhores experiências que podemos ter na vida!

Veja nas fotos a grande variedade dos produtos locais do Mercado de Pisac, no Vale Sagrado:

Cuzco é uma importante cidade histórica no que toca à história latino-americana de colonização espanhola e está muito bem conservada. Assistir ao por do sol que banha de dourado a Plaza de Armas, com suas duas imponentes catedrais barrocas e o casario colonial, é imperdível! Além da arte inca, das belíssimas pinturas cusquenhas e do lindo e variado ( e barato!) artesanato, a cidade oferece ao turista ótimos hotéis e pousadas e uma grande variedade de restaurantes. Dentre esses, escolhi alguns entre os sete do recomendado grupo Cusco Restaurants para conhecer e apreciar a genuína culinária peruana. Acompanhe as próximas postagens!

Hoje vamos ensinar com fazer um preparado com batatas de nome causa, que elegemos como o prato mais típico do Peru. É muito fácil de fazer e pode ser servido de diversas maneiras, como entrada ou como guarnição do prato principal. Veja as variedades que experimentamos nos restaurantes de Lima e de Cuzco:

Causa

Ingredientes para 4 pessoas: 4 batatas inglesas grandes, 1 colher de sopa de suco de limão coado, 1 colher de chá de azeite, 1 colher de café de sal com alho.

Asse ou cozinhe as batatas com pouca água. Despele ainda quentes e amasse bem. Tempere a gosto com limão e sal com alho. Junte o azeite (pouco). Misture bem.

Pincele um pouquinho de azeite no fundo e nas laterais de uma tigela refratária de fundo plano. Coloque a massa na tigela e nivele com a ajuda de uma colher.  Tampe com filtro plástico e deixe na geladeira por 2 horas.

Retire da geladeira. Forre uma superfície limpa com o plástico filme e vire a tigela de cabeça para baixo de modo que a massa desprenda inteira. Corte as peças de causa no formato e no tamanho que desejar. Monte sua causa como quiser – veja as sugestões nas fotos.

Para a causa limeña tradicional há várias opções de coberturas (tops):

  1. faça uma pasta misturando atum desfiado com maionese;
  2. faça outra pasta com abacate amassado temperado com sal e limão.
  3. opções de enfeite:  fatias finas de abacate e/ou cubinhos de azeitonas verde e preta e/ou pimentão e/ou ajís ( pode usar pimenta dedo-de-moça).

Passe as pastas por cima de cada peça de causa e decore a gosto. Sirva frio.

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Menu degustação do Rosa Náutica

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Lima, a capital do Peru, é hoje considerada um dos melhores destinos gastronômicos do mundo. Esta fama foi construída a partir de 2006, quando um grupo de chefs, tendo Gastón Acurio como o maior incentivador, levou à frente o sonho de tornar a gastronomia peruana uma das mais respeitadas e conhecidas do planeta.

Porém , muito antes dessa nova onda, o Restaurante Rosa Náutica já era um dos mais procurados destinos turísticos da cidade. Funcionando desde 1983, por lá passaram os principais chefs do país deixando sua marca no variado cardápio. Desde 2008, funciona como uma sociedade anônima, tendo sempre um grande chef à frente de sua cozinha. O serviço é impecável e a qualidade da comida vale cada centavo pago.

O Rosa Náutica foi construído debruçado sobre o Oceano Pacífico, em um extenso deck de madeira. O casarão, também em madeira, segue o estilo das antigas construções inglesas de beira-mar e tem uma bela decoração, além da incrível vista para o mar. Um local muito agradável e de visita obrigatória para o turista.

O cardápio oferece muitas opções da culinária internacional, sendo os pescados e frutos do mar as grandes estrelas. Há vários tipos de menu degustação para quem quer conhecer o melhor da gastronomia peruana.

 

Menu Degustação do Rosa Náutica – outubro de 2016

Entradas

Causa de batata amarela moldada em forma de flor, com tartar de atum vermelho ao molho de ajís defumados, guarnecido com palta

Ceviche clássico de peixe, com cebolas roxas e picadinho de ajís, na marinada de limão e sal do próprio ceviche

Salada de lascas de polvo com ajís e coentro, ao creme de azeitonas pretas, adornado com filetes de mandioca tostados em frigideira

 

Fundos

Medalhão de filé de boi cozido na frigideira no fogo forte, a la criolla , sobre cama de batatas fritas

Lagostim em molho picante de ajís, sobre tacu tacu de favas secas, guarnecido de cebola roxa, ají amarelo, tomate e coentro

Pesca do dia grelhada sobre finas lascas de batata ao creme de limão, guarnecida de tomatinhos e salada verde

 

Sobremesas

Tortinha de chocolate com mousse de lúcuma com bitter, guarnecida com morango e calda de chocolate

Manjar de gemas com baunilha e morangos frescos

Mousse de chocolate crocante com coulis de frutas vermelhas

 

Mini dicionário:

Causa – massa feita com batata cozida e amassada, temperada com sal com alho e limão

Tartar – peixe cortado em cubos pequenos, marinado no limão com sal e temperado à gosto

Ají –tipo de pimenta semelhante à pimenta dedo-de-moça ( pode ser vermelho ou amarelo)

Palta – tipo de abacate pequeno

Ceviche – peixe cortado em cubos e marinado no limão com sal

Fundos– prato principal ou de sustentação

A la criolla – salteado com cebolas e tomates, ao molho da própria carne, vinagre de vinho tinto e balsâmico reduzidos e temperado com molho de soja.

Tacu Tacu: purê de feijão (ou fava) misturado com arroz e temperado com sal, ají, cebolinha e coentro. Pode ser feito como um bolinho achatado e grelhado no azeite.

Lúcuma – fruta da família das sapotáceas

Bitter – bebida alcoólica com sabor de ervas, amarga ou agridoce

Coulis– fruta levada ao fogo com açúcar até o ponto de calda

 

MENU ORIGINAL

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Camarão ao molho de tamarindo – comida chifa

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A partir da metade do século XIX, grandes levas de imigrantes provenientes do sul da China (Cantão), os chamados “coolies”, foram empregados na agricultura no litoral do Peru e passaram a viver em condições de vida bastante humilde e insalubre. Com o tempo, já no século XX, a situação dos imigrantes foi se tornando mais amena e, além de se miscigenarem com os índios nativos, puderam abrir restaurantes conhecidos como “chifa” ( vem de “chi fã” – comer arroz), pequenos comércios, casas de jogo e locais para se fumar ópio, que já foi permitido. Hoje existe um grande número de restaurantes “chifas” espalhados por todo o país, sendo a maior parte na periferia de Lima, onde vivem cerca de 600 mil “tusanes”( descendentes de chineses até a 5a. geração), sendo cerca de 5 mil deles concentrados no porto de Callao. A comida “criolla” foi influenciada pelas técnicas e ingredientes da culinária chinesa.

O maior e mais bonito shopping de Lima, o Larcomar, fica à beira-mar, sobre altas falésias, no elegante bairro de Miraflores. Foi lá que descobri um dos melhores restaurantes de comida “chifa” da cidade – o Maestro Tzu, com decoração bem típica chinesa e uma bela vista para o oceano. Como o cardápio era muito extenso e os pratos tinham nomes chineses e ingredientes estranhos para mim, solicitei ajuda à gentil garçonete. Pedi um prato que tivesse camarão ou lagostins e esperei para ver o que viria. Serviram-me um delicioso camarão ao molho de tamarindo. Analisando visualmente o prato e provando cuidadosamente os ingredientes, anotei minhas conclusões. No Brasil, comprei todos os ingredientes e me arrisquei a prepará-lo. Como resolvi fazê-lo menos adocicado não obtive a aparência espelhada que o açúcar dá. Outro detalhe: no Brasil não tem saúco (um tipo de berry) então substituí por cereja – o sabor ficou quase igual.

Camarão com legumes ao molho agridoce de tamarindo e cerejas

Ingredientes para 4 pessoas: 8 camarões médio/grande por pessoa (32 peças), 1 colher de chá cheia de sal; 1 colher de sopa cheia de manteiga ou 2 de azeite; 1 cebola grande, ½ pimentão vermelho, 3 a 4 mini-favas de ervilha de folha por pessoa ( 12 a 16 favas), 3 talos de cebolinha (da grande), 1 pedaço de nabo que dê 16 rodelas finas, 4 fatias grossas ( 1 a 1,5 cm. ) de abacaxi, ½ xícara de café de açúcar cristal; 1 colher de sopa de molho de tamarindo (veja receita abaixo), 5 a 6 cerejas curtidas no marasquino, 1 colher de sobremesa de molho shoyo, ½ xícara de café de vinagre de vinho tinto, 1 colher de café de gergelim preto e a mesma quantidade de gergelim branco.

Lave, limpe e tire as tripas do camarão, deixando a caudinha. Escorra bem, tempere com sal e deixe por meia hora. Enquanto isto, pique os legumes (veja como na foto) e o abacaxi. Em um mini-processador, faça o molho de cereja batendo-as com o molho shoyo e o vinagre.

Caramelize o abacaxi e o nabo separadamente. Em uma frigideira plana, esquente o açúcar e coloque as rodelas de abacaxi cortado em quatro. Assim que começarem a dourar, junte as fatias de nabo. Esquente um pouco de água e despeje na frigideira para formar uma calda rala. Deixe a calda tomar consistência.

Enquanto isto, escorra os camarões e frite-os na manteiga ou no azeite, em uma wok ou panela funda. Assim que estiverem corados, antes que comecem a agarrar no fundo, junte a cebola cortada em tiras e o pimentão em pedaços quadrados. Misture com uma espátula e deixe corar, vá juntando água quente aos poucos pelas beiradas – não é para fazer caldo, é só para não deixar grudar na panela. Quando estiverem amaciados, junte a calda caramelada com o abacaxi e o nabo. Com uma espátula pequena, passe as fatias de nabo para baixo porque demoram mais a cozinhar. Acrescente os molhos de cereja e de tamarindo. Junte os talos brancos da cebolinha. Prove e retifique o sal, se necessário. Deixe que cozinhe mais um pouco, até verificar que o camarão, o pimentão e o nabo estão cozidos ao dente. Vá pingando água quente, se necessário, para o molho não secar. Se for fazer a comida algum tempo antes de servi-la, deixe com uma quantidade maior de caldo, pois esfriando irá secar.

Pouco antes de servir, acrescente a ervilha, a parte das folhas verdes da cebolinha picada e o gergelim. Deixe que amaciem. Sirva bem quente, acompanhado de arroz branco, de preferência, arroz jasmine.

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Molho de tamarindo

Deixe as favas de tamarindo de molho em água fria por 10 minutos. Abra-as, tire a polpa, jogando fora as cascas e os fios de fibra. Volte a deixar de molho em água fria e limpa por outros 10 minutos.  Passe as polpas dos tamarindos em uma peneira média, apertando com os dedos para retirar os caroços. Guarde a pasta de polpa crua em vidros no congelador para uso futuro. Para o molho desta receita, leve ao fogo meia xícara de chá da polpa para engrossar até dar ponto de molho.

Badejo ao molho de camarão com o tempero do Tanta

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O Restaurante Tanta trouxe uma nova proposta para a gastronomia peruana. Depois de abrir o Astrid & Gastón, em 2000, com um cardápio de forte influência francesa, o premiado chef Gastón Acurio resolveu imergir na culinária típica peruana. Voltando de uma longa viagem de exploração gastronômica ao interior de seu país, em 2002, que resultou no livro “Peru: uma aventura culinária”, decidiu abrir o Tanta, com uma proposta de valorizar os produtos nativos e os pequenos produtores do interior, apresentando um cardápio de comida caseira que poderia ser levada para casa. Hoje o restaurante, muito popular e querido pelos peruanos, apresenta um cardápio variado e interessante para quem quer conhecer a tradicional comida do interior e do litoral do Peru. Veja abaixo da receita as fotos do cardápio.

Quando cheguei para almoçar no Tanta do shopping Larcomar, em Lima, onde se tem uma linda vista para o Pacífico, com dificuldade para entender o cardápio repleto de ingredientes desconhecidos, pedi ajuda ao garçom. Expus meu problema de intolerância à glúten e lactose e pedi uma sugestão. Ele me perguntou o que eu gostaria de comer, ao que respondi ser algum pescado e frutos do mar. Daí a poucos minutos, apesar do restaurante estar lotado, com fila de espera, ele retornou com a boa notícia de que o chef faria algo especial para mim. Passados quinze minutos me foi apresentado o prato da foto principal. Estava tão delicioso que comprei o ají picante no dutyfree de Lima para experimentar fazê-lo em casa na primeira oportunidade. Pois copiei a receita no domingo e a família adorou!

Badejo ao molho de camarão com ají picante

Para 4 pessoas compre 600 gr. de filé de badejo fresco ( pode ser linguado, pescada ou dourado) e 16 a 20 camarões médios. Sal e limão para temperar ambos. Para o molho: azeite ( no Tanta fazem com manteiga) , 1 ½ xícara de molho de tomate caseiro, 2 cebolas ,1/3 de pimentão amarelo e vermelho médios, 1 colher de sobremesa cheia de cheiro verde ( salsinha, cebolinha e coentro) e 1 colher de sobremesa de ají picante ( se não tiver, tempere o molho com páprica picante).

Tempere o filé com sal e limão e deixe descansar por meia hora. Enquanto isto, limpe o camarão retirando as tripas. Tempere com sal e limão e deixe por 15 minutos. Pique os outros ingredientes. Ligue o forno a 200 graus, regulando o calor entre médio e mínimo tanto em baixo quanto em cima. Pique os vegetais.

Frite os camarões em uma frigideira untada com azeite ( ou manteiga) até ficarem vermelhos, virando-os delicadamente com uma espátula para que corem por igual. Retire e reserve. Na mesma panela frite a cebola e os pimentões até amolecerem. Junte o molho de tomate e o cheiro verde. Misture. Bata este molho no liquidificador e volte para a mesma panela. Acrescente os camarões, tempere com o ají ( ou com páprica picante), acerte o sal. Acrescente pimenta vermelha se gostar.

Assim que completar a meia hora do peixe no tempero, corte o filé na diagonal em quatro partes ( se for para 4 pessoas). Pincele uma assadeira com óleo e coloque o peixe. Asse até que as postas fiquem brancas por dentro e coradas por fora. Espete o garfo, se sair limpo está cozido!

Disponha uma posta em cada prato e cubra com o molho de camarões. Sirva acompanhado de arroz branco e batatas cozidas ou chips de batata doce.

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Veja o cardápio do Tanta:

Ceviche do La Mar – Peru

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A abertura do La Mar por Gastón Acurio, em 2005, foi um marco importante na história recente da culinária peruana. A ideia do restaurante nascera em 2002, quando Gastón empreendeu uma longa viagem ao interior do Peru e voltou com a ideia de dar destaque à qualidade dos ingredientes e ao pequeno produtor peruano. Sua intenção foi a de abrir não só uma cevicheria como valorizar a sustentabilidade e as boas práticas comerciais. Sonhou fazer do La Mar uma embaixada da cozinha peruana no mundo, tornando o “cebiche”( como se diz em Lima) um prato tão popular quanto a pizza e o sushi, incentivando a gastronomia peruana a se espalhar pelo mundo. O que vem acontecendo!

Na foto principal : o famoso cebiche do La Mar

O La Mar tem uma decoração alegre e descontraída, mais parece uma grande barraca de praia. Abre para almoço, não faz reserva e recebe, em sua maioria, executivos que tem pouco tempo para comer e querem uma refeição leve e saudável. Os garçons impressionam pela cordialidade e o serviço é rápido, de modo que a alta rotatividade torna o restaurante rentável. O que achei mais interessante é que, a cada dia, uma cooperativa de produtores é a responsável pelo fornecimento do pescado, tão fresco que não se passam mais de quatro horas entre o peixe sair do mar e ser servido!

Mas vamos ao que interessa: a receita do ceviche. Amei! Repeti em casa e ficou ótimo. Pena não ter camote ( tipo batata doce) e choclo ( milho graúdo), pois se tivesse ficaria muito melhor!

Ceviche peruano

O ceviche pode ser feito com peixe, camarão, polvo ou misturado. O mais tradicional é o de peixe branco – escolha entre badejo, linguado ou pescada, de preferência. Calcule de 50 a 80 gr. por pessoa.

Preparo: o filé de peixe ( limpo, sem pele nem ossinhos) precisa ser cortado em cubinhos e marinado por uma hora e meia ( não deixe passar) em uma mistura de suco de limão tahiti e sal marinho – muito limão pois o peixe precisa ficar imerso na mistura. Deixe em um recipiente de louça, na geladeira, tampado com um plástico filme.

Corte cebola roxa em fatias finíssimas.

Como tempero use coentro e ají ( na falta deste tipo de pimenta, use a dedo-de- moça, comum no Brasil). Corte-os bem miudinho.

Como fazer: tire o peixe da salmoura, escorra e separe o caldo que ficou – a este dão o nome de “leche de tigre”. Cada restaurante tem sua receita particular da salmoura, que pode levar outros temperos.

Na hora de servir, misture, em um bowl de aço inox, o peixe e a cebola e tempere com o leche de tigre, o coentro e a pimenta. Sirva imediatamente.

Para acompanhar: na receita do La Mar servem o ceviche junto com camote cozido e o choclo aferventado. Ambos levam apenas sal como tempero. Na falta destes, a opção é servir com a nossa batata doce roxa cozida ou então com chips de batata inglesa e mix de batata doce, à venda no Brasil.

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Pisco Sour

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O pisco está para o Peru como a cachaça está para o Brasil, ou seja, é a bebida mais típica e popular do país. Assim como se faz a famosa caipirinha ( umas das dez bebidas mais constantes nos menus de bares no mundo) com limão – a mais tradicional – e também com outras frutas, como abacaxi, maracujá, morango, lima, uva – no Peru tem pisco de vários sabores, sendo o mais tradicional o Pisco Sour, feito com limão tipo tahiti. Como no Brasil, há grandes fabricantes mas a bebida artesanal, dos pequenos alambiques, costuma ser melhor. Enquanto a cachaça é um destilado feito com cana-de-açúcar, o pisco é feito de uva e o título que vem na garrafa costuma ser do tipo de uva usada na sua fabricação.

Em minha viagem de dez dias pelo Peru tomei um Pisco Sour por dia, variando os sabores. Como se diz por lá, com um Pisco ficamos felizes e falantes, com dois, diz-se o que não se deve e com três, não se diz nada, pois a língua enrola!

A qualidade da bebida costuma ser de acordo com o nível do restaurante e os melhores coquetéis que tomei em Lima foram: na cebicheria La Mar, no restaurante Rosa Náutica e na centenária Taberna Queirolo . Nesta última, onde acredita-se que o coquetel Pisco Sour foi criado, servem a bebida com o famoso sanduíche de pernil. A taberna é ponto obrigatório tanto para a boemia da cidade quanto para os turistas que gostam de conhecer os pontos históricos da cidade. Em Cuzco, amei o Pisco de morango do Inka, na Praça de Armas.

Pisco Sour

 É difícil encontrar a bebida, mas tente, vale a pena! Eu trouxe duas garrafas do dutyfree de Lima (e já acabaram, que pena!).

Primeiro coloque os copos onde servirá a bebida no congelador.

Anote:

-3 doses de Pisco ( pode medir pelo nosso tradicional mini-copinho de cachaça) – fica bem forte

-1 dose de suco de limão coado e resfriado na geladeira

-1 dose de calda de açúcar já resfriada na geladeira ( leve ao fogo 1 colher de sobremesa de açúcar misturada com 1/2 copo d’água, deixe esfriar)

-½ clara de ovo ( considere fazer os coquetéis de 2 em 2)

Misture tudo na coqueteleira, com cuidado, pois a clara de ovo espuma e aumenta de volume.

Coloque imediatamente em um copo previamente gelado.

Nos melhores restaurantes costumam pingar 5 gotas de angostura – dá um toque especial!

Sirva antes que a espuma baixe.

Lima, Peru – destino gastronômico imperdível

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Lima, a capital do Peru, foi eleita pelo World Travel Awards, de Londres, como o Melhor destino gastronômico mundial em 2015, permanecendo como o Melhor da América do Sul em 2016. Resultado do esforço, durante dez anos, para elevar a culinária peruana ao status de uma das melhores do mundo, feito por um time de cozinheiros de primeiríssima, tendo à frente a destacada figura do criativo chef Gastón Acurio, hoje no comando de 52 restaurantes com suas diversas marcas em 11 países diferentes.

Vale a pena passar quatro dias em Lima, antes de seguir para Cuzco e Machu Pichu, a fim de almoçar e jantar em alguns de seus melhores restaurantes, além de fazer o tour cultural passeando pelo centro histórico e visitando os museus, igrejas e sítios arqueológicos. Se tiver intenção de ir aos mais badalados e premiados restaurantes, lembre-se que deve reservá-los com, no mínimo, dois meses de antecedência, pois estão sempre lotados ( não tive tempo pra fazê-lo e fiquei a ver os navios no Pacífico…).

Astrid &Gastón é o restaurante mais famoso e precursor da onda peruana, comandado diretamente pelo chef e sua esposa, onde apresentam uma culinária fusion criativa, de vanguarda. Hoje, o restaurante tido como o mais top de Lima é o Central, recém eleito, pela segunda vez consecutiva, o melhor restaurante latino do mundo. Nele, o chef Virgílio Martínez serve um menu degustação para pouco mais de cinquenta pessoas por noite. Considerando a cozinha Nikkei, fusão da culinária peruana com a japonesa, o primeiro na linha de importância é o Maido, comandado pelo chef Mitsuharu Tsumura. Seu atual menu – Terra Amazonia Peruana – serve produtos da região, como o pirarucu e caracóis. Todos situados no charmoso e sofisticado bairro de Miraflores, onde estão a maior parte dos restaurantes. Outra passagem obrigatória é pelo Maras, comandado pelo chef Rafael Piqueras, que trabalhou em famosos restaurantes como o El Celler de Can Roca, na Espanha, e que ama fazer pratos elaborados e finamente decorados com flores, folhas, algas e frutas silvestres.

Chegar e sentar, se não houver uma pequena espera enquanto você fica confortavelmente no bar tomando o delicioso Pisco Sour ou experimentando suas variações com frutas – esta é a vantagem dos restaurantes mais informais. Não deixe de provar o melhor cebiche do Peru no La Mar, restaurante do chef Gastón que leva muito a sério a proposta de servir o pescado fresquíssimo fornecido diretamente pelas cooperativas das águas geladas do vizinho oceano Pacífico. Esta dupla imbatível – Pisco Sour e Cebiche – serão nossas próximas receitas!

Outro restaurante de Gastón muito querido pelos peruanos é o Tanta, que tem um cardápio de culinária criolla ( do interior) e tem a proposta de servir comida caseira aos executivos que comem fora de casa todos os dias e querem uma comida saudável. O Tanta fica no shopping de grifes Larcomar, em Miraflores, situado nas altas falésias à beira mar, onde há muitas opções para se comer em uma ótima área de alimentação com uma linda vista.

Há passeios gastronômicos imperdíveis, como o Rosa Náutica – pitoresco e tradicional restaurante situado em um casarão no pier defronte a Miraflores ( fica dentro d’água), com amplo menu onde se pode escolher entre um sensacional menu degustação (daremos algumas das receitas!) ou pratos tradicionais da culinária peruana ou da fusion.

Aproveite para fazer uma visita de fim de tarde às ruínas pré-incas de Huaca Pucclana, bem no centro de Miraflores. Além de desfrutar de uma bela vista da cidade acendendo suas primeiras luzes, poderá experimentar, no restaurante anexo, ingredientes da comida típica peruana que nunca comeu antes e, garanto, vale a pena provar de tudo e ir ao maior número possível de restaurantes nessa cidade pois nada deixa de ser absolutamente delicioso.

Reserve uma noite ( entre 4a. e domingo) para ir ao Parque de la Reserva assistir ao espetáculo Circuito Mágico das Águas, um show pirotécnico de imagens, sons e fogos de artifício sobre jatos d’água. Ao lado, procure as barraquinhas de comida típica para conhecer a verdadeira comida popular peruana. É sensacional!

 

Vinícolas e gastronomia do Chile

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Inspirados em um passeio anterior que havíamos feito a Mendoza, na Argentina – e certos de que o Chile tem produzido vinhos tão bons ou até melhores do que os do Velho Mundo – meu marido e eu ( hoje é a filha blogueira quem escreve) pesquisamos muito antes de resolver fazer uma viagem enogastronômica pelos arredores de Santiago. Para quem aprecia vinhos, o Descorchados é um ótimo livro para pesquisa e foi por ele que nos guiamos para eleger as vinícolas que visitaríamos. Traçamos um roteiro para fazer a rota de carro, procurando sempre um hotel ou pousada nas proximidades de cada região vinícola e desta forma, conhecemos as regiões vinícolas de Casablanca, Maipo, Colchagua, Curicó e Maule. Foram 14 vinícolas em 9 dias! A estratégia foi marcar uma degustação para a manhã, um almoço com degustação e outra degustação à tarde. Dica: sempre reserve com alguma antecedência.

O Chile, embora insipiente no turismo enogastronômico, nos surpreendeu positivamente. As vinícolas são maravilhosas (estrutura e vinhos), a comida fantástica e as pessoas muito simpáticas, sempre alegres e dispostas a ajudar. Viajamos em maio e recomendo essa época: embora não tenhamos visto os vinhedos carregados de uvas, as suas folhas ficam lindas em cores outonais e como há poucos turistas nessa época, tivemos tratamento vip em todos os lugares. Fico devendo os detalhes dos vinhos (quem entende de vinho é meu marido) pois fiquei com a atenção voltada para a comida. Sorte de vocês, terão várias receitas novas!

Vejam as principais vinícolas que visitamos (observe abaixo do texto o mapa das regiões):

Bodegas RE. Uma das vinícolas premium do Chile, oferece vinhos delicados feitos em um processo quase artesanal. Um funcionário muito solícito acompanha o visitante em um passeio pelas vinhas explicando todos os detalhes. A degustação é no bar da loja, com muitas opções a bons preços. Aproveitei e comprei duas geleias – de uva Carmenere e outra de amora – para fazer molhos especiais para carnes (aguarde as receitas aqui no blog).

Casas del Bosque. Linda vista e um restaurante muito agradável, nos surpreendeu com a culinária elaborada e ótimos vinhos para harmonizar. Dica: reserve uma mesa na varanda, pois o ambiente tem uma atmosfera deliciosa.

Emiliana. Com um conceito orgânico, a vinícola apresenta as vinhas em um jardim encantador, em perfeito entrosamento com algumas espécimes de animais. Ver galinhas d`angola correndo pelos vinhedos trouxe uma sensação de paz, lembrando que sair da cidade é tão gostoso quanto necessário. A degustação, acompanhada de queijos ou de chocolate, é perfeita.

Concha y Toro. Apesar do cunho comercial, situa-se em uma propriedade com vinhas e jardins maravilhosos. A degustação vai sendo feita pelo caminho, incluindo aí a famosa caverna do Diablo; ao final leva-se a taça pra casa. Dica: recomendo o tour extra (Marques de Casa Concha), acompanhado de petiscos e ainda de uma aula fantástica dada pelo sommelier da Casa. Aqui há ótimas opções para almoço e uma lojinha bem estruturada.

Viu Manent. Em uma linda casa de aparência centenária, a degustação de sete vinhos nos deixou boquiabertos. O amável funcionário, além de nos explicar detalhadamente cada um dos exemplares, presenteou-nos com duas degustações como brinde, de vinhos numerados e raríssimos. Para completar, o almoço é espetacular. Come-se muito bem ao ar livre, sob as sombras das árvores. A carta de vinhos e as carnes são divinos!

Vina Montes. Em um edifício de arquitetura impressionante, esta vinícola nos surpreendeu pela simpatia da guia e pelos excelentes vinhos que degustamos, embora um pouco mais comerciais. A vista da sala de degustação é linda e os vinhos descansam em barricas ao som de música clássica. Na lojinha compramos lindos porta-copos.

Casa Silva. Após um vídeo introdutório sobre a história da família e de seus vinhedos, o sorridente funcionário nos leva a passear pelas vinhas, finalizando com uma degustação privada de ótimos vinhos. A princípio escolhemos três (há várias opções de degustações) mas como éramos só nós dois e a conversa estava muito boa, ganhamos mais duas especiais! O tour passa também pelas instalações da Casa, que é muito antiga e bonita, e também pela coleção de carros antigos de seu proprietário – pra quem gosta, são de babar. O restaurante, além de muito agradável, tem uma comida excelente (a carne desmanchava) e vale a pena escolher o melhor vinho da carta para acompanhar.

Lapostolle. Essa vinícola destaca-se não só pelos vinhos como pela arquitetura do prédio que, construído na rocha e especialmente pensado para o processo de sua produção, é muito bonito. Além disso, situa-se em um local belíssimo e a vista do restaurante é deslumbrante. O menu, previamente selecionado e com vinhos adequados para harmonizar perfeitamente com cada prato, impressionou pela perfeita combinação de sabores e texturas – coisa que ainda pouco se vê no Chile.

Mont Gras. O terreno de bela topografia chama a atenção. A funcionária apresentou excelentes vinhos com uma amabilidade que nos alegrou. Degustamos seu melhor vinho e não resistimos em levar uma garrafa pra casa!

Miguel Torres. Excelentes vinhos para degustação e um tour pelos arredores da Casa, que tem loja e restaurante. Ótima comida, apresentada em vários pratos harmonizados com vinhos.

Via Wines. Foi tão difícil marcar a visita! Porém fomos surpreendidos com um almoço privado em um dos lugares mais lindos que já vi. O restaurante praticamente levita sobre um lago belíssimo e o atendimento é exemplar. O menu apresenta pratos deliciosos com vinhos excelentes escolhidos perfeitamente para acompanhar cada um deles.Veja as fotos:

J Bouchon. Esta joia de vinícola parece ter escolhido um pedacinho do céu para estabelecer-se. Há poucas placas indicativas para chegar e nos perdemos – como quem está em busca de um segredo muito bem guardado. É como um paraíso a ser desvendado – merecidamente vamos deixar para falar dela, em separado, em um post futuro.

Santa Rita. Última visita da viagem, esta vinícola, embora bastante comercial, merece um dia inteiro de visita. O tour pelos vinhedos e instalações é bastante esclarecedor e a degustação é feita em grupo, quando presenteiam-nos com uma taça. O restaurante é excelente, à la carte, e há um museu para visitar.

Posso dizer que essa viagem deixou saudades. Não só pelos excelentes vinhos e pratos degustados, como também pelas paisagens belíssimas e a simpatia de seu povo. Há outras regiões vinícolas a visitar mas, com certeza, um dia voltaremos às que mais gostamos!

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