Almoço mineiro em Tiradentes

Standard

No último final de semana fomos à cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, para a inauguração do Museu de Sant’Ana. É mais um presente que Minas ganha do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, criado e presidido por sua dinâmica e dedicada filha Ângela Gutierrez. Em 1998, Ouro Preto ganhou o Museu do Oratório; em 2005, Belo Horizonte recebeu o Museu de Artes e Ofícios. Neste último 19 de setembro foi a vez de vermos a antiga Cadeia de Tiradentes transformada no esplêndido museu dedicado às 291 imagens de Sant’Ana, descobertas e trazidas pela colecionadora de vários estados do Brasil e agora doadas por esta extraordinária mulher ao Patrimônio Histórico para constituir este museu.

Vá conhecer os dois outros museus (se ainda não foi) e o novíssimo Museu de Sant’Ana, pois têm obras belíssimas e são muito interessantes.

Porém este é um blog de gastronomia! Aqui compartilhamos os deliciosos pratos e doces da tradicional culinária mineira servidos no almoço de sábado, após nossa visita ao museu.

O conhecido chef Cantídio Lanna preparou para esta ocasião especial – vejam por ordem das fotos:

1- Cuscuz com açafrão, linguiça defumada e feijão roxinho, acompanhado de crespinho de couve;

2- Galinhada (nesta sou craque, passarei a receita em breve);

3 – Lombo de pirarucu (peixe grande encontrado nos rios da Amazônia) com ora-pro-nobis ( folha de uma trepadeira do mato muito comum no interior) e purê de banana da terra ( este estava divino, vou tentar repetir e passarei a receita);

4- Jarré de porco com angu (preparado de fubá com água) e mostarda (trata-se de uma folha de horta um pouco amarga muito apreciada no interior de Minas).

Vejam a maravilha dos doces mineiros – nome nas fotos:

IMG_5332

Doces cristalizados: laranja, mamão verde, abóbora moranga, abacaxi e figo

Estes doces merecerão receitas feitas uma a uma: com tempo iremos preparando e publicando. Minha avó, nascida em Ouro Preto, fazia muitíssimo bem todos eles e tive a chance e a sorte de aprender com ela.

Festival de inverno – Cremes e caldos

Standard

O inverno termina hoje, dia 20 de setembro, no hemisfério Sul. Certamente devem ter apreciado os nossos caldos, sopas e cremes que passamos as receitas desde maio. Publicamos 20 receitas para que vocês curtissem o inverno jantando pratos leves, nutritivos, deliciosos, pouco calóricos e muito fáceis de fazer.

Como nosso blog já é acessado em mais de 70 países, sendo que boa parte deles fica no hemisfério Norte, é tempo dos brasileiros morando fora do nosso país e das pessoas de outras nacionalidades que nos acompanham diariamente – como nossos seguidores portugueses – se interessarem por pratos leves e quentes, agora que o tempo começa a esfriar acima do Equador.

Sempre que pintar um friozinho ou uma chuvinha, é tempo para fazer e provar algumas dessas receitas que com todo o carinho fizemos passo-a-passo para vocês seguirem e animarem de cozinhar. Aproveitem!

Clique nos nomes abaixo para ver as receitas com fotos. Se quiser imprimi-las para o seu album Sal & Alho, acesse cada receita e baixe o pdf.

Cremes com legumes

1 – Creme de tomate 29/12

2 – Caldo de baroa com alho poró 30/04

3 – Creme de palmito 15/05

4 – Creme de espinafre 22/06

5 – Creme de ervilhas 19/09

6 – Caldo de batata doce com alho poró 5/07

7 – Creme de aspargos 14/07

8 – Creme de couve-flor 23/08

obs.: Cremes levam leite e/ou creme de leite na receita. Os caldos não.

Receitas tradicionais da cozinha mineira

9 –  Caldo de Inhame (ou cará) com linguiça 9/05

10 – Caldo de feijão 18/05

11 – Vaca atolada ( mandioca e carne) 23/05

12 – Canjiquinha com costelinha 29/05

13 – Maneco sem jaleco ( fubá, couve, linguiça) ou Caldo verde português 5/06

14 – Canja de galinha 14/06

15 – Caldo de abóbora com carne seca 17/08

 

Receitas de inspiração francesa

16 – Sopa de cebola à francesa 2/06

17 – Crème aux champignons 10/06

18 – Creme de queijo servido na panhoca ou pão italiano 5/08

19- Creme de feijão branco com roquefort (ou gorgonzola) 12/08

20 – Sopa de grão-de-bico à Provençal 15/09

Pudim de leite condensado

Standard

Ai…só de pensar nesta delícia de sobremesa não há quem não fique com água na boca! Em Minas, este pudim é muito popular com o nome de Pudim de leite condensado. Em outros países é conhecido por Flan – como também em outros lugares do Brasil.

O leite condensado foi inventado na França em 1820 e tornou-se conhecido e muito usado, por sua praticidade, durante as duas grandes guerras. Existe no Brasil desde a década de 1870 mas só se tornou popular quando passou a ser fabricado pela Nestlé, na década de 1920, com o nome de Leite Moça.

É uma sobremesa muito fácil de fazer, veja só:

Pudim de leite condensado

Você irá precisar de uma forma daquelas que tem um furo no meio, de tamanho 28, com 19 cm. de diâmetro ( veja última foto abaixo). Precisará também de um tabuleiro alto que caiba esta forma dentro, sem sobrar muito espaço nas laterais – isto é porque o pudim é cozido no forno, dentro d’água, em um processo conhecido por banho-maria.

Os ingredientes são: 1 lata ou caixa de leite condensado, a mesma quantidade de leite e 4 ovos.

Antes de começar a fazer o pudim, prepare a calda de açúcar queimado. Esta leva 5 colheres cheias de açúcar cristal. Primeiro coloque um caneco com água para esquentar – cerca de 1 litro. Espere que a água comece a ferver. Tome então uma panela e coloque o açúcar dentro. Leve ao fogo médio. Com uma colher de pau, mexa o açúcar todo o tempo, sem parar, até que ele derreta por igual e tome a cor de mel. Agora, despeje parte da água quente pelas beiradas, aos poucos. Verá que vai crepitar e formar uma pasta tipo puxa-puxa. Com paciência, continue mexendo e juntando água quente aos poucos até formar uma calda rala, da cor de caramelo avermelhado. Desligue e reserve.

Para o pudim: bata os 4 ovos – clara e gema – no liquidificador até espumar. Junte o leite condensado e use a lata ou caixa para medir e colocar a mesma quantidade de leite. Bata bem até ficar um creme leve e espumante.

Tome a forma e passe a calda de açúcar queimado no fundo e laterais, deixando ao fundo uma camadinha de ½ centímetro. Agora entorne o creme dentro da forma. Precisa sobrar 1 cm. entre o creme batido e a borda da forma.

Ligue o forno a 280 graus. Espere 5 minutos. Ponha a forma dentro do tabuleiro e coloque-os na prateleira de baixo do forno – uns 10 cm. acima da chama. Com cuidado, encha o tabuleiro com água quente. Deixe o pudim cozinhar por 45 minutos. Vigie: quando corar por cima, enfie um garfo – se sair limpinho é porque o pudim já cozinhou – então pode tirar o pudim do forno. Espere esfriar e deixe-o dentro da geladeira por, no mínimo, 4 horas.

DSCN1567

Para desinformar, passe uma faca nas laterais e no meio da forma, em volta do furo para descolar o pudim da forma. Coloque um prato uns 10 cm. maior que a forma por cima da mesma e vire tudo junto. Tire a forma devagar e terá um lindo pudim caramelado à sua frente. Resista, volte com ele para a geladeira até a hora de servir. Seja educada(o), não vá tirar um pedaço antes de servir à sua família e aos amigos. A não ser que sua gulodice seja tamanha que faça um pudim só para você!

Quer essa receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Molhos para saladas I

Standard

Nossas 20 saladinhas lights e as demais saladas são acessadas diariamente, desde quando publicadas, por muitos de nossos seguidores – hoje mais de 70 mil pessoas em 68 diferentes países! As saladas são o nosso maior sucesso em termos de visualizações, sinal de total identificação de vocês com este blog, que tem como proposta apresentar e ensinar receitas simples de fazer para quem deseja se manter bastante saudável.

Para acompanhar saladas, hoje passamos para vocês seis dos molhos de nossa criação. São receitas pescadas na culinária internacional, adaptadas ao nosso paladar e reinventadas. Escolhemos molhos simples, com ingredientes que não podem faltar em sua casa.

Um boa opção é ter uma hortinha particular para seu uso diário – ervinhas plantadas no quintal de casa ou em vasinhos colocados na varanda ou até mesmo na janela da cozinha ou da área de serviço de seu apartamento. Assim terá temperinhos disponíveis a toda hora – o aroma e o sabor de uma erva fresca não se compara aos comprados no supermercado. São elas que dão graça e frescor às nossas saladas.

Todos os molhos a seguir apresentados são excelentes para temperar saladas de folhas. Experimente-os com os legumes e outros ingredientes indicados.

Molho Mostarda

Cozinhe um ovo por 15 minutos para obter uma gema dura. Amasse-a com um garfinho. Misture: 1 colher de sobremesa de mostarda, a mesma medida de azeite, a mesma medida de água. Tempere com 1 colher de café de molho inglês e uma pitada de pimenta do reino. Para acompanhar saladas com: batata, vagem, brócolis, couve-flor, ervilha de folha, ovos, kani, atum, queijos amarelos.

Molho Árabe

Pique miudinho: de 5 a 7 folhas de hortelã, metade de um dente de alho pequeno, o equivalente a 1 colher de chá de cebola baby roxa. Junte: 1 colher de sopa de coalhada, 1 colher de sobremesa de azeite de oliva e 10 gotas de limão. Misture tudo. Para acompanhar saladas com: tomate, pepino, cenoura, pimentões, abobrinha grelhada, rabanete, milho, alho-poró, grão-de-bico, kani, camarão, lula, queijo de cabra.

Molho de Alcaparras

Pique miudinho: 8 alcaparras, 2 pimentas biquinho e o equivalente a 1 colher de café rasa de cebola branca. Junte 1 colher de café de cenoura ralada e picadinha, 1 colher de chá de azeite e outra de vinagre de vinho branco. Para acompanhar saladas com: tomate, batata, cenoura, palmito, couve-flor, peixes brancos.

Molho Oriental

Doure em uma frigideira ½ colher de café de gergelim branco e a mesma quantidade de gergelim preto. Junte 1 colher de sobremesa de azeite de oliva, e 1 colher de café de cada um destes ingredientes: molho shoyo, mel e vinagre de vinho tinto. Misture tudo. Para acompanhar saladas com: tomate cereja, cogumelos, abobrinha grelhada, ervilha de folha, broto de feijão, alho-poró, baroa, chuchu, frango, kani, camarão, lula, atum.

Molho Tabasco

Misture: 1 colher de sopa de suco de laranja, 1 colher de chá de azeite de oliva, 1 colher de café de aceto balsamico. Tempere com uma pontinha de colher de café de pimenta tabasco. Para acompanhar saladas com: tomate, batata, cenoura, pimentões, vagem, brócolis, couve-flor, abobrinha grelhada, ervilha de folha, rabanete, milho, baroa, chuchu, frango, queijos.

Molho de Maracujá

Pique miudinho: o equivalente a 1 colher de café rasa de coentro ( pode ser salsinha e cebolinha verde). Acrescente: 1 colher de sopa de iogurte sem sabor, 1 colher de sobremesa de suco de maracujá doce, 1 colher de café de azeite de oliva e a mesma quantidade de vinagre de vinho branco. Para acompanhar saladas com: frutas cítricas, abacate, cenoura, palmito, aipo, couve-flor, milho, alho-poró, frango, camarão, lula.

Quer estas receitas impressas? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-las.

Bolinho de bacalhau

Standard

Para quem pensa que bolinho de bacalhau é quitute de português, está certo, até concordo, por causa de nossa herança cultural. Mas vá procurar bolinho de bacalhau para se comer em Lisboa! Da última vez que lá estive, em abril último, rodei a cidade, seca para comer um bolinho português e só fui acha-lo – depois de procurar em mais de dez lugares – em um bar restaurante fuleiro no Rocio – um bolinho quase só de batata e farinha de trigo. E pior, foi servido frio por dentro! Nem se compara com os bolinhos que se come em qualquer boteco de Belo Horizonte – quentinho, crocante, feito na hora, com verdadeiro gosto de bacalhau. Deliciosos! Pois valeu a experiência- com toda a propriedade agora vou chamar o bolinho de bacalhau de salgadinho mineiro, uai, com muita honra!

Bolinho de bacalhau 

Quando for fazer alguma receita de bacalhau – já temos várias no blog e tenho duas novas já prontas para publicar – guarde as pontas do peixe para o bolinho. Ou então, compre o bacalhau já desfiado – fica melhor ainda!

Uma xícara de chá cheia de bacalhau desfiado irá render 15 bolinhos. Vai usar: 2 batatas bem cozidas e descascadas, 1 cebola pequena bem picadinha, 1 xícara de café de cheiro verde picadinho, ¾ de xícara de café de farinha de trigo, 1 ovo inteiro e 1 colher de café de sal com alho.

 

Simplesmente, misture todos os ingredientes. Faça os bolinhos tomando o conteúdo de uma colher de sobremesa cheia na palma da mão e fazendo uma bolinha; depois achate-a na forma como vê nas fotos.

Coloque uma boa quantidade de óleo para esquentar em uma frigideira. Assim que estiver quente, vá colocando os bolinhos, de modo que o óleo os cubra. Não ponha muitos de uma vez, precisa dar uma distância entre eles para não grudarem uns nos outros. Enquanto frita, vá virando-os com uma escumadeira para corarem todos os lados por igual. Assim que estiverem douradinhos, ponha-os para secar rapidamente sobre papel toalha. Sirva ainda bem quentes.

Para acompanhar uma cerveja ou cachaça mineira, não tem nada melhor!

Quer esta receita impressa? Clique aqui para para baixar o PDF e imprimí-lo.

Creme de couve-flor

Standard

À noite, com fome, você abriu a geladeira – quase tudo comprado na semana passada já havia acabado e só achou um pobre resto de couve-flor abandonado. Preguiça de sair para comer ou de esperar o delivery chegar. Veja se tem em casa: óleo (ou manteiga ou azeite), leite, cebola e sal com alho – coisas que nunca podem faltar! Tem? Ótimo, então é pra já uma sopinha fácil de fazer e muito gostosa! Hum…se ainda tiver um tico de farinha de trigo, um creme de leite ou requeijão de copo e uns temperinhos, um pedacinho de cenoura, um queijinho para ralar por cima…aí vai ficar melhor ainda!

Sopa creme de couve-flor

Pique a couve-flor e a cebola, na proporção de 1 xícara de chá cheia de couve-flor e ½ de cebola para 1 pessoa. Em uma frigideira, espalhe 1 colher de sopa farinha de trigo e mexa até começar a dourar. Desligue e reserve. Ponha um caneco com água para ferver ( cerca de 2 xícaras). Dentro desta água, coloque ¼ de cenoura já sem a pele para cozinhar.

Deite em uma panela um fio de óleo, ou uma colher de chá de manteiga ou azeite. Frite ½ colher de café rasa de sal com alho. Misture a farinha de trigo torrada. Junte a couve-flor e a cebola. Mexa bem até começar a dourar. Agora acrescente água quente até cobrir tudo. Baixe o fogo e deixe ferver até que a couve-flor amacie. Se precisar, acrescente água, mas pouca.

Bata no liquidificador e volte para a panela. Acrescente leite, ou creme de leite ou requeijão, à gosto, até obter uma consistência de caldo ( se colocar creme de leite, não deixe que o caldo ferva). Prove o tempero. Pode acrescentar pimenta do reino branca em pó e nóz moscada, só um tico de cada. Se gostar de curry e/ou gengibre, pode experimentar, mas sem exagero!

Pique a cenoura em cubinhos.

Sirva o caldo quente enfeitado com a cenourinha. Incremente com queijo ralado, minas padrão ou um parmesão suave.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Abóbora moranga com carne seca

Standard

Quando eu era menina as festas juninas eram em Junho. Começava a temporada de festança com as barraquinhas de Santo Antônio no dia 13, do santo padroeiro do colégio de mesmo nome no bairro dos Funcionários, hoje chamado de Savassi. Sucediam-se as festas nos colégios e clubes, com São João no dia 24 e fechando o mês com São Pedro no dia 29. Se eu começar a lembrar das histórias…escrevo esta folha e mais dez! Lembrei-me disto porque nunca faltavam nas barraquinhas os três caldos típicos mineiros: caldo de feijão, de mandioca e de abóbora. Hoje as festas se estenderam por julho afora mas não perderam suas características principais: quadrilha, fogueira, bandeirinhas e balões coloridos, barraquinhas de comidas típicas e de prendas. Ai, eu amo festa junina!

Vamos ao caldo que falta:

Caldo de abóbora com carne seca

Abóbora moranga rende bastante e nas festas juninas o caldo era infalível para que sua venda engordasse o cofrinho do santo. Ficava a ferver a noite toda nos imensos panelões das barraquinhas e era – ainda é – um dos pontos fortes de qualquer festa.

Em casa, se quiser sofisticar, pode apresentar o caldo dentro da própria moranga – é só pedir ao verdureiro para abrir uma tampa. Depois tire o recheio para fazer o caldo e coloque a abóbora no forno para amaciar. Por último, coloque o caldo pronto, esquente no forno e leve à mesa.

Para fazer o caldo, retire as sementes e corte a polpa da moranga em pedaços. Corte também cebola. Em uma panela, coloque um pouco de óleo e refogue a cebola e o sal com alho. Junte os pedaços de abóbora e acrescente água quente. Deixe cozinhar.

A esta altura, a carne seca (ou de sol) já deve estar preparada. Faça-a de véspera e deixe-a descansar no seu próprio caldo do cozimento. Veja a receita – igualzinho como se faz a carne cozida de panela.

Continuando, bata a abóbora já cozida com água no liquidificador e volte com o creme para a panela. Se precisar, acrescente água até o ponto de caldo. Deixe ferver. Pouco antes de servir, junte a carne seca desfiada e deixe cozinhar mais um pouco para entranhar o gosto. Prove o tempero, se quiser, acrescente pimenta. Na hora de servir, salpique cheiro verde picadinho.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Suflê de goiabada com sorvete de queijo

Standard

Sabe aquela receitinha fácil que você resolve fazer de repente e sempre é o maior sucesso? Exatamente esta! Ai, só de ver as fotos e começar a escrever já me deu vontade de largar o computador e ir para a cozinha fazê-la de novo!  Pois a que fizemos da última vez acabou num piscar de olhos. Tá bom, tá bom, não vou prometer e te largar aí na vontade. Primeiro escrevo, depois  faço mais. Olha que bobagem é a receita:

Suflê de goiabada

Recomendo usar travessinhas redondas de louça branca com 10 cm de boca e 6 cm de altura, que você compra nessas lojas que vendem louça branca comum. A receita leva apenas clara de ovo batida em neve e goiabada mole. Primeiro, pré aqueça o forno a 220 graus.

Para obter a goiabada no ponto certo é só levar a goiabada ao fogo com água e deixar derreter até o ponto em que você a coloca na colher e ela cai como um fio grosso. Para mim, a melhor goiabada que tem (industrializada) é a Zélia.

As claras devem ser batidas na batedeira em ¾ da velocidade até ficarem bem consistentes. Separe 1 colher de sopa cheia da calda de goiabada para cada clara de ovo. Esta quantidade dá para 2 pessoas, se considerar a porção da vasilha indicada. Assim que as claras estiverem batidas no ponto certo, vá adicionando a calda aos poucos e misturando levemente com a ajuda de uma espátula. Se for fazer em maior quantidade, continue batendo as claras com a calda de goiabada na batedeira, porém em baixa velocidade. Coloque as vasilhas dentro de um tabuleiro, enche-as até ¾ do volume. Diminua o forno para 180 graus e asse até que o suflê cresça e comece a corar. Sirva imediatamente.

Para acompanhar:

1a. opção: sorvete de queijo

Compre sorvete de nata ou de queijo. Rale queijo minas padrão bem fresquinho no ralo grosso. Deixe o sorvete derreter e misture o queijo ralado, na proporção de 2 partes de sorvete para 1 parte de queijo. Volte para o congelador e deixe que endureça de novo. Sirva ao lado do suflê, como na foto acima.

2a. opção : requeijão de copo

Se não teve tempo para fazer o sorvete de queijo.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Canjica para aquecer o inverno

Standard

Aproveite o inverno e não deixe de comer canjica! Se neste ano as festas juninas foram prejudicadas (em vão!) pela Copa, faça a canjica em casa – não fique na vontade! Nesses dias friozinhos, preparar e servir uma canjica gostosa e quentinha é uma boa. Dica: cozinhe a canjica e guarde em partes no refrigerador pois assim você pode prepará-la rapidamente quando bater aquela vontade de comer nas tardes de fim de semana ou à noite. Ou, quem sabe, até no café da manhã, pois é um prato leve e que sustenta bastante.

Canjica com amendoim e côco

Esta é a canjica que gosto de preparar, bem temperadinha.

Considere 100 gr. de canjica por pessoa, ou seja, uma xícara de café do milho para canjica cru. Para 6 pessoas, irá precisar também de 1 xícara de chá de leite ( pode ser mais) e 1 xícara de café de leite condensado, ½ xícara de café de côco ralado e igual quantidade de amendoim torrado e moído. Para temperar: 1 colher de chá de canela, 6 cravos da índia e 1 colher de sopa de açúcar, se gostar de canjica bem doce (eu não ponho açúcar).

DSCN1230

Primeiro coloque a canjica de molho de um dia para o outro. Depois cozinhe na panela de pressão com 3 dedos de água acima do nível da canjica. O tempo de cozimento vai depender da canjica. Melhor deixar por uns 20 minutos e conferir.

Guarde a canjica cozida no refrigerador ou transfira a quantidade que vai fazer para a panela onde irá prepará-la, com a água do cozimento, que deve ter virado um caldo grosso, tipo papa.

Acrescente o leite e o leite condensado. Coloque côco ralado e amendoim conforme o seu gosto. Junte a canela e os cravos. Prove. Misture tudo e continue mexendo. Se precisar, coloque mais leite até o ponto que desejar, pois tem gente que gosta mais rala e outros, mais encorpada. Se for guardar a canjica pronta será necessário acrescentar leite ao esquentar novamente. Sirva bem quente.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Creme de espinafre

Standard

Além de ter uma linda cor, este creme é delicioso e sofisticado. Mesmo sendo leve, sustenta, pois é super nutritivo. Precisa de mais propaganda? Sou suspeita pois é uma das minhas sopas prediletas. Quando eu era criança, minha avó fazia para mim, dizia que queria me ver forte. Estes mimos a gente nunca esquece! Mesmo quem não gosta do espinafre cru na salada (o espinafre brasileiro é amargo, eu mesma detesto verdura amarga) vai amar este creme. Esta é a receita tal qual a minha avó fazia, minha mãe, eu e minhas filhas fazemos e minha neta vai aprender assim que alcançar o fogão, por enquanto ela é muito pequena!

Receita de vó de creme de espinafre

Ingredientes: espinafre, cebola, manteiga ou óleo, molho branco caseiro já preparado e creme de leite.

Escolha um maço de espinafre bem fresco e bem verdinho. Retire só as folhas, lave-as e escorra. Coloque as folhas em uma panela, no fogo brando, abafe (tampe a panela) e deixe que amoleçam. Retire e bata-as com um batedor tradicional de carne, sobre uma tábua, daquelas que tem um sulco nas beiradas, a fim de recolher todo o suco. Reserve.

Deite 1 colher de sobremesa de manteiga (ou 1 colher de chá de óleo) em uma panela e doure uma cebola picada e uma colherzinha de o sal com alho. Junte as folhas, refogue e depois complete com o caldo. Misture. Bata no liquidificador e volte para a panela. Junte o molho branco, em partes iguais.

Misture bem. Se estiver aguado, misture um pouco de amido de milho (maizena) com leite e engrosse, mexendo bem até ferver. Prove o tempero. Na hora de servir, junte creme de leite a gosto. Gosto do ponto que quebra o verde para mais claro mas não tira o sabor do espinafre. Sirva com torradinhas amanteigadas.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Canja de galinha

Standard

Nas Minas Gerais de antigamente (e em muitas famílias, com a minha, até hoje) o primeiro cheiro de alimento que um bebê recém nascido sente, fora o leite da mãe, é o cheiro de canja de galinha. Pois reza a tradição que a mamãe precisa ficar bem alimentada após o parto e a canja é o alimento perfeito, por ser nutritiva e leve. Todo mundo sabe que cheiros a gente nunca esquece. Talvez seja por isto que tem tanta gente que adora uma canja. No hotel onde trabalhei por muitos anos, sabem qual o prato mais pedido à noite pelos hóspedes? Canja de galinha, disparado na frente dos outros! Então aqui vai a receita da minha família, a que é servida no hotel.

Canja de galinha

Para 4 pessoas: 1 peito de frango grande, 1 xícara de chá de cada um destes ingredientes: arroz cru, cenoura, cebola e tomate; mais óleo, sal e alho e cheiro verde picadinho.

DSCN1076

Pique o peito de frango em cubinhos e tempere com sal e alho. Pique os outros ingredientes em cubinhos menores.

 

Passe um fio de óleo na panela. Doure o frango e depois a cebola. Estando coradinhos, junte a cenoura e o tomate. Despeje água fervente até cobrir, baixe o fogo e deixe cozinhar até o frango ficar macio e o arroz cozido. Prove o sal. Finalize com salsinha e cebolinha picadinhas. Sirva acompanhada de torradinhas amanteigadas feitas com pão de forma cortado em quatro, formando triângulos.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Arroz com suã

Standard

Há muito tempo, havia uma amiga de uma amiga minha que vivia ameaçando de fazer arroz com suã. Só ameaçava; valorizava que só o dela era dos deuses e nunca convidava ninguém para comer o tal prato. Fazíamos parte de um mesmo grupo, no qual uma de nós preparava um jantar mensal e chamava as outras ( depois de um ano, quando chegou a vez dela, ela caiu fora!). Como rolava um pouco de competição entre nós duas, tipo quem cozinha melhor, eu não quis dizer que não sabia do que se tratava. Naquele tempo não tinha Google e fiquei na ignorância achando que deveria ser um trem de doido, como diz o mineiro, complicadíssimo e tal, de tanta propaganda que a mulher fazia. Tempos depois, descobri que suã era costelinha de porco! Ai, pensei: não precisa ninguém me passar receita, eu vou fazer. Ficou delicioso e aí está a minha receita:

Arroz com costelinha de porco

Primeiro de tudo é preciso conseguir uma costelinha de porco bem fornida de carnes. Lá no Mercado Central tem! Calcule 200 gr. por pessoa. No mais, óleo, cebola, arroz, cheiro verde e pimenta biquinho ou outra pimenta forte, se tiver coragem ou se algum antepassado seu é baiano.

Como sempre, uma boa carne é feita assim: tempere com alguma antecedência ( prefiro de véspera) com sal e alho. Refogue no óleo quente até corar, misture cebola picadinha ou ralada, deixe corar. Eu gosto de flambar com cachaça – veja a dica. Como irá precisar de bastante caldo, acrescente água fervente, cobrindo a costelinha com folga. Deixe cozinhando no fogo baixo até obter um caldo bem espesso e saboroso.

Em outra panela, deite um pouco de óleo, frite o sal com alho e a cebola batidinha, acrescente o arroz e mexa até corar e desgrudar do fundo. Agora acrescente o caldo da costelinha até cobrir o arroz em 1 dedo. Quando o arroz começar a secar, ou seja, o nível da água já estiver abaixo do arroz, misture a costelinha. Deixe acabar de cozinhar. Para finalizar, misture salsinha e cebolinha picadinha miúda ( bastante) e pimenta biquinho. Se quiser dar cor e frescor, pique tomate e jogue por cima. Fácil demais, não é?

Agora sirva e coma sem exagero. Nunca mais irá se esquecer do sabor! Delícia dos deuses mesmo.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Canjiquinha com costelinha

Standard

Desde o ano passado não provava desta delícia. Fiz ontem para o jantar e estava simplesmente divina, tive que me segurar para não mergulhar na panela e raspar até o último caldinho. Ainda bem que chegou uma amiga e levou um bocado para a família provar. Me salvou! Comi ali pelas 7 horas só um prato de sopa raso, mas me sustentou até pra mais de meia noite. Este caldo é uma da minhas mineirices prediletas. Tem cara de fazenda do interior, sabor de lembranças da infância, das festas juninas.

Canjiquinha com costelinha

A melhor canjiquinha é a fresquinha da roça, comprada no Mercado Central, no 2o. corredor paralelo à rua Curitiba, onde também se acha todo tipo de farinhas. Também comprei lá 1 linguiça calabresa bem cheirosa e 300 gr. de costelinha de porco bem gordinha de carnes. Canjiquinha rende muito, o volume dobra, então, se for fazer para 4 pessoas, 2 xícaras de chá são suficientes.Pique o equivalente a 1 xícara de café mal cheia de cebola e outro tanto igual de bacon. Reserve.

Faça primeiro a costelinha. Tempere com sal e alho, deixe uns 15 minutos, depois frite no óleo até ficar bem corada e vá colocando água fervente pelas beiradas da panela até que a carne esteja quase cozida. Precisa sobrar 1 xícara de chá cheia de caldo. Enquanto isto, coloque a canjiquinha, com água cobrindo, em outra panela e deixe cozinhar. À parte, corte a linguiça em lâminas finas e coloque para dar uma fervura com água. Depois escorra e reserve.

Quando a canjiquinha estiver começando a ficar molinha, pegue outra panela, frite no óleo o bacon e depois a cebola e 1 colher de chá rasa de sal com alho. Frite também a linguiça. Agora, com uma escumadeira, acrescente toda a canjiquinha, retirando-a escorrida da água do cozimento e mexendo para refogá-la. Despeje a costelinha com o seu caldo nesta panela. Veja se o caldo está tampando a canjiquinha cerca de 1 dedo, se não estiver, complete com a água do cozimento ou água fervente. Deixe que acabe de cozinhar tudo junto. Prove o sal, acrescente caldo de pimenta malagueta. No final, deve ficar com caldo, mas não muito.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Dica – Frango desfiado pronto para mil receitas

Standard

 

O maior macete para quem não tem tempo de ficar na cozinha todo dia é preparar toda semana, ou de 15 em 15 dias, um boa quantidade de frango com seu molho, desfiar e guardar na geladeira (ou em porções no congelador) em uma vasilha com tampa hermética. Assim você terá sempre à mão frango que é base para várias receitas e ingrediente principal de outras receitas com massa, cuscuz e saladas e ainda serve como recheio para panqueca, sanduiches e wraps.

Se quiser fazer o frango de panela no capricho, à mineira, siga a receita do frango básico. Estando o frango pronto, retire da panela e deixe esfriar. Separe com cuidado a carne dos ossos. Volte só com os ossos e as gorduras que ainda sobraram para a panela, acrescentando uma colher de molho de tomate. Despeje mais água e deixe por 15 minutos em fogo baixo. No final, prove o caldo; pode temperar com mais sal e pimenta a gosto; se quiser acrescente ½ colher de café de molho inglês ou shoyo – deve ficar bem temperadinho. Retire tudo da panela e coe este caldo numa peneira grossa; retorne com o caldo coado para a mesma panela. Desfie a carne que tirou dos ossos do frango em lascas menores. Tire um pouco do caldo da panela para uma xícara e misture bem com um pouco de farinha de trigo torrada. Despeje no caldo e misture até ferver. Coloque o frango desfiado na panela e deixe cozinhar mais 5 minutos. Deixe esfriar e guarde na geladeira, ou use imediatamente.

Se quiser fazer o frango no forno, também pode, porém fica mais seco e sem molho Siga a receita do frango assado. Depois de frio, retire a carne dos ossos e desfie em lascas maiores. É ideal para saladas, como a Caesar, para salpicar sobre massas, e também para recheio de sanduiches, omeletes e wraps.

Se quiser simplificar mesmo sua vida, faça o frango na panela de pressão. Perde um pouco no sabor mas ganha muito no tempo. Coloque o frango com osso na panela de pressão. Para 4 coxas, junte 1 cebola, 1 cenoura e 1 talo de aipo ou de alho poró, 2 dentes de alho e 1 ramo de salsinha e cebolinha e 3 folhas de louro. Acrescente água até tampar o frango e os ingredientes ou até 3/4 da panela. Tempere com 1 colher de sobremesa de sal e 1 pitada de pimenta do reino. Pode colocar ½ copo de vinho branco ou tinto, se tiver. Deixe cozinhar na pressão por cerca de 15 a 20 minutos ( depende do fogão) ou até verificar que a carne já está soltando dos ossos. Retire tudo para uma travessa, separe a carne e desfie como quiser. Coe o resto do caldo, legumes e ossos e aproveite este precioso caldo para suas receitas com frango, risotos, pastas, caldos e muitas outras.

Quer esta dica impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Vaca atolada

Standard

Se você ou sua família é do interior de Minas já ouviu falar na vaca atolada. Quando eu era pequena, e desde que me entendo por gente invento histórias para mim mesma para justificar tudo, ficava imaginando (juro que de verdade!) que uma pobre vaca tinha atolado no barro e ali morrido. O fazendeiro então, para não dar a situação por perdida, vende a vaca para o açougue e fica com a parte pior, a costela. Na volta para casa passa pela roça e pega uma mandioca bem boa, daquelas amarelinhas. Quando chega em casa, pra consolo da família que perdeu a vaquinha querida que dava leite para as crianças, faz um cozido com a mandioca e a costela e a família vai dormir feliz de barriga cheia. Como aqui na cidade é difícil conseguir costela de vaca, a gente faz o caldo de mandioca com carne de panela desfiada. Porém, se conseguir a tal costela, o sabor não tem comparação. Aqui vão as duas versões.

Vaca atolada da roça ou

Caldo de mandioca com carne de panela

Receita para 6 pessoas

Para a Vaca atolada você vai usar 1 kg de costela (peça para cortar) e, se for para o caldo, vai precisar de 300 gr. de carne tipo patinho, chã ou músculo. Tempere com sal e alho. Na panela de pressão, frite a costela ou a carne picada em cubos no óleo quente até corar. Junte ½ cebola ralada, frite mais, depois vá pingando água quente e deixando a água secar até a carne ficar bem corada. Deite água fervendo até cobrir a carne e ponha na pressão para cozinhar de 20 a 30 minutos ou até a carne ficar escura e desmanchando de tão cozida. Para ficar mais gostoso, coloque uma cenoura inteira e um raminho de salsinha e cebolinha para cozinhar junto e no final, retire e despreze. Tire a carne e reserve o caldo.

Enquanto isto, cozinhe os pedaços de 1 mandioca (300 gr.) em outra panela ( se tiver duas de pressão, vai mais rápido).

Estando com a costela ou a carne e a mandioca cozidas, tome uma das panelas, deite uma colher de óleo, frite ½ cebola batidinha, junte 1 colher de molho de tomate, frite a mandioca e acrescente aos poucos o caldo da carne. Se ficar muito temperado, dose com água fervendo ao invés de só o caldo. Misture, prove o tempero, acrescente sal e pimenta a gosto, se necessário.

Para a Vaca atolada, junte a costela e o prato está pronto.

Para o caldo, bata a mandioca com o caldo no liquidificador, volte para a panela e junte a carne cozida desfiada.

Na hora de servir, enfeite, se quiser, com cheiro verde picadinho.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Caldo de Feijão

Standard

 

Tem coisa mais mineira do que caldo de feijão? Começou um friozinho, a gente já põe mais feijão pra cozinhar e logo à noitinha vem aquele cheirinho bom lá do fogão anunciando que o caldo está quase pronto! Não existe Festa Junina sem ele. Qualquer bar ou boteco que se preze serve um excelente caldo de feijão no fim da noite. A principal serventia é curar a ressaca da cachaça e também mata a fome com gosto, pro cara ir pra casa feliz e sossegado.

Caldo de feijão

O melhor feijão para o caldo é o jalo ou carioca, pois é mais macio e a casca some no cozimento. Além do feijão, vai precisar de óleo, sal com alho, cebola, bacon e cebolinha verde. Se nunca fez feijão na vida, veja primeiro a receita já publicada no blog em 28/11/2013.

Coloque o feijão de molho na água desde a véspera (cubra o feijão e deixe mais um dedo de água), para gastar menos gás e cozinhar mais rápido. Despeje o feijão e a água em que ficou de molho na panela e cozinhe na pressão. O tempo de cozimento vai depender do feijão. Deixe que os bagos cozinhem bem, mas sem arrebentar a casca. Preste atenção, pois é preciso que sobre caldo do cozimento do feijão. Se a água secou, despeje água fervente e deixe cozinhar mais, no fogo baixo, fora da pressão, para o caldo ficar encorpado.

Pique o bacon, a cebola, e a cebolinha. Em outra panela, deite um pouco de óleo e frite o bacon. Retire-o da panela com uma escumadeira, ponha para secar sobre papel absorvente e reserve. Doure o sal com alho e a cebola picadinha bem miúdo na gordura do bacon. Assim que corar, vá colocando na panela, com a ajuda da escumadeira, os bagos do feijão bem escorrido e mexendo o tempo todo com uma colher de pau. Mexa até que forme um purê. À parte, esquente o caldo do cozimento do feijão e vá despejando-o na panela aos poucos até que adquira a consistência de caldo. Se não estiver lisinho, pode bater o caldo no liquidificador para facilitar. Volte com o caldo para a panela; se ficar muito grosso, despeje mais caldo ou água fervente e continue mexendo até adquirir a consistência ideal de caldo. Se estiver ralo, deixe que o caldo seque , no fogo baixo, mexendo sempre. Agora tempere com molho de pimenta malagueta e um pouquinho de louro em pó. Verifique o sal. Se não for servir em seguida, deixe o caldo mais ralo, pois ao esfriar e esquentar de novo, engrossa bastante. Por favor, jamais coloque farinha de qualquer tipo no caldo de feijão!

Ao servir, coloque no prato, por cima do caldo, o bacon e a cebolinha verde. Há quem sirva o caldo de feijão acompanhado de linguiça de porco frita e torresmo.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Bolo de milho

Standard

Em certas regiões de Minas Gerais, este bolo é também conhecido como broa de milho. Para quem não pode ingerir alimentos com glúten e com lactose, segue esta receita que faz um bolo fofo e delicioso. Para quem não tem problema de intolerância a glúten pode substituir a farinha mista por farinha de trigo comum. Quem não tem intolerância a leite, pode escolher se substitui ou não o suco de laranja por leite. Para dar um toque especial, coloque quadrinhos de queijo minas na massa do bolo antes de colocá-lo no forno. Como se diz por aqui, fica um bolo dos deuses!

Bolo de milho

Veja se tem em casa estes ingredientes: 3 xícaras de chá de farinha sem glúten*, 1 xícara de chá de açúcar cristal, ½ xícara de chá de óleo, 3 ovos, 1 lata de milho verde, suco de 2 laranjas, 1 colher de sobremesa de fermento em pó, 1 pitada de sal.

Vai usar: liquidificador, batedeira, espátula e tabuleiro. Pré aqueça o forno a 250 graus.

Inicie o bolo separando as claras das gemas, pois as claras entram batidas só no final, para dar leveza ao bolo. Bata no liquidificador o milho escorrido e as gemas. Junte o açúcar, o suco de laranja, o óleo e o sal. Coloque o creme batido na batedeira e junte a farinha. Bata em maior velocidade para obter uma massa homogênea e depois bata em velocidade menor mais um pouquinho até a massa ficar perfeita.

Lave as pás da batedeira e em outra vasilha bata as claras em neve. Junte imediatamente e movimentos leves as claras à massa, usando a espátula e, por último, misture de leve o fermento em toda a massa. Unte a assadeira com óleo e despeje a massa. Baixe a temperatura do forno para 200 graus. Asse o bolo por 30 minutos, em média. Assim que sentir o cheiro do bolo, veja se já corou. Se quiser, teste com um palito, se sair limpo é porque o bolo está pronto. Então desligue, retire o bolo do forno imediatamente e cubra a assadeira com um pano. Corte em quadrados depois de frio, como mostra a foto. Se quiser, pode polvilhar o bolo com açúcar, como se usa no interior de Minas.

* o melhor substituto da farinha de trigo para bolos é o mix de farinha da Aminna que leva farinha de arroz e féculas de milho e de mandioca.

DSCN0943

Purê de abóbora

Standard

Bem mineirinho, perfeito para acompanhar uma carne cozida ou um frango assado. Se ainda colocar uma couve do lado, hum! A receita é a mesma do purê de batatas, que certamente você já fez. Vamos a ela:

Purê de abóbora moranga

Para 2 pessoas: um pedaço de abóbora, uma colher de sobremesa rasa de manteiga ou 2 colheres de óleo, ½ xícara de cebola bem raladinha, ½ xícara de leite.

Tire a casca da abóbora, corte-a em cubos pequenos e cozinhe bem, na água fervente. Pode por na pressão, conte uns dez minutos depois que a panela começar a apitar. Amasse a abóbora com um batedor de bife até que a massa fique lisinha. Aqueça ligeiramente a panela, coloque a manteiga ou o óleo, frite o sal com alho e a cebola sem deixar que core. Coloque a massa de abóbora e misture com a colher de pau até soltar da panela. Acrescente leite e misture até dar consistência de creme.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Kenga, que diabo é isto?

Standard

Antigamente, no interior, lá pros lados da Bahia, quenga era nome de mulher de vida fácil (será?) que vivia na zona. Domingo era dia de folga das moças e cozinhavam um franguinho do quintal, preparado com quiabo e milho verde. Alguns moços solteiros apareciam para o almoço e tudo acabava em cantoria e festa. Porém, a receita é kenga com k. Será que tem a ver? Não importa, é um prato delicioso e, para quem já gosta de frango com quiabo, vai amar.

Kenga

Para 4 pessoas: 8 partes de frango, que podem ser de 4 coxas com contra-coxa, ou de 2 a 4 peitos de frango cortados e deixado com o osso, dependendo do tamanho – escolha sempre os menores. Se for fazer para mais gente, use dos dois cortes, ou até um frango inteiro. Separe 10 talos de quiabo ou 2 xícaras de chá bem cheias do quiabo já picado, 2 cebolas, 2 tomates maduros, 2 espigas de milho verde (ou uma lata de milho). Tempero: vinagre, sal, alho, cheiro verde, uma pimentinha, gotas de molho inglês e gotas de limão, se gostar. Calcule uma colher de café de tempero seco por pedaço de frango.

Separe uma panela larga, uma pequena e um caneco, uma colher de pau e um garfo.

Lave o frango com água fervente e tire a pele e o excesso de gordura. Passe o tempero nas partes do frango e deixe por ½ hora. Corte o quiabo e o tomate em quadrinhos e pique a cebola miudinha. Se for usar espiga de milho verde – que é muito melhor – corte os grãos rente ao sabugo. Bata metade do milho no liquidificador com um pouco d’água. Se for milho de lata,  bata com  a água da lata.

Coloque água para ferver em uma caneco. Na panela maior, esquente 4 colheres de óleo. Frite as partes do frango por igual, mexendo sempre. Retire o frango da panela, coloque um pouco mais de óleo ou manteiga e frite a cebola picadinha na borra do frango e depois frite a metade do tomate e os bagos de milho.

Despeje um pouquinho de água fervente e mexa com a colher de pau ou uma espátula até que a borra se incorpore à água formando o primeiro caldo. Acrescente o milho batido. Deixe ferver até formar um caldo homogêneo. Agora coloque o frango de volta na panela e acrescente mais água ( não jogue água em cima do frango),  numa quantidade que cubra os pedaços de frango pela metade. Baixe o fogo e tampe a panela.

Em outra panela, coloque óleo suficiente para fritar o quiabo ( 1 xícara de chá ou mais). Escorra numa peneira o quiabo já frito e coloque-o sobre guardanapo de papel para retirar o excesso de óleo. Quando o caldo já estiver reduzido pela metade, teste com um garfo se o frango já está cozido e macio. Acrescente o restante do tomate. Deixe ferver até que amoleçam. Junte então o quiabo e deixe cozinhar por mais 5 minutos.

Sirva quente acompanhada de arroz branco.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Arroz com brócolis

Standard

Acabou de fazer uma carne, peixe ou frango e está pensando qual o acompanhamento? Pois esta receita é boa para acompanhar tudo. Basta ter brócolis em casa, pois arroz, cebola e sal com alho sempre tem. Para os vegetarianos é um prato que basta por si só.

Arroz com brócolis

Cozinhe o arroz normalmente, deixando-o ainda um pouco duro. Enquanto isto, corte, lave e seque o brócolis. Numa panela à parte, doure o alho cortado em finas lâminas em um pouco de óleo e frite um pouquinho de cebola, batida miudinho ou ralada. Acrescente o brócolis e misture. Pingue água quente e sal. Abafe (tampe a panela) por uns 2 minutos e desligue. Em uma bacia, misture o arroz semipronto com o brócolis refogado. Volte com o arroz para o fogo, acrescente um pouco d’água quente e deixe que termine de cozinhar com a panela tampada.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Lombo de porco à mineira

Standard

Em um dos pratos mais tradicionais da culinária mineira, o lombo de porco é servido com arroz branco, tutu de feijão e couve. Muitas vezes vem acrescido de farofa de ovos ou  farofa de bijú de milho, outras vezes substitui-se o tutu pelo feijão tropeiro. Ótimos como acompanhamento podem ser também o abacaxi frito ou a banana da terra frita.

Lombo assado ou de panela?

Qual a diferença? O lombo assado é feito no forno e o de panela é feito na panela, óbvio! Fica especialíssimo se feito na panela de ferro ou na panela de pedra no fogão de lenha. Aí é mineiro mesmo, uai! Eu prefiro fazer na panela, acho que fica mais macio e saboroso; o forno resseca qualquer carne. Mas, se você não está a fim de ficar na cozinha mais de uma hora pajeando o lombo, pois a água tem que ser colocada aos poucos, faça no forno mesmo. Assim poderá dar uma passeada fora da cozinha enquanto o forno faz o serviço.

Tanto para um como para o outro siga estes passos:

Separe uma faca afiada, xícara, bacia de temperar carne, panela grande, caneco de ferver água, assadeira (se for fazer no forno)e garfão. E mais um saco grande de plástico grosso.

Limpe o lombo sem tirar a  gordura e a capa que vem de um dos lados da peça. A carne precisa de gordura para que fique tenra. Para saber a quantidade de tempero, calcule uma colher de sobremesa cheia de tempero sólido para cada quilo de carne. Um lombo inteiro médio costuma ter  aproximadamente 2 quilos, mas preste atenção quanto a peça pesará na balança do açougue ou verifique o peso na embalagem.  Importante: toda peça grande de carne tem que ser temperada com 24 horas de antecedência.

Tempero: prepare o tempero sólido (para cada quilo de carne) em uma xícara: ½ colher rasa de sobremesa de sal, 2 dentes de alho  picadinhos, 1 folha grande de louro triturada ou uma pitada de louro em pó, uma pitada de pimenta do reino preta. Agora junte os líquidos:  1 colher de café de molho inglês e 2 colheres de sopa de vinho tinto. Complete a xícara até a borda com água e misture.

Coloque o lombo em uma bacia e espete-o com um garfo. Agora esfregue o tempero na carne. Pegue um saco plástico e coloque o lombo com todo o tempero dentro. Feche o saco e guarde na geladeira até uma hora antes da hora que for assar. O mínimo de tempo no tempero não pode ser menos de 12 horas, o ideal é 24 horas. No meio do tempo, vire o embrulho ao contrário, para que a carne tempere por igual.

Cozimento: Se for fazer no forno, pré-aqueça o forno na temperatura de 280 graus.  No dois casos, ponha água para ferver.  Em uma panela grande, despeje uma colher de óleo, deixe esquentar e então coloque o lombo. Frite-o de todos os lados até que a carne mude de cor. Use um garfão para virar a carne. Quando a carne começar a agarrar na panela, despeje água fervente até a metade da peça. Raspe o fundo da panela com uma colher de pau para a borra formar um caldo. Tampe a panela e deixe por 15 minutos ou até que o caldo reduza pela metade. Vire a peça, coloque mais água fervente e deixe mais 15 minutos.  O caldo que fica na panela deve dar uma xícara cheia.

Se for continuar a fazer o lombo na panela,  prossiga com o cozimento no fogo baixo, sempre  pingando a água quente, aos poucos, de modo a manter a mesma quantidade de caldo. Vá virando o lombo de um lado para o outro até que a carne fique bem macia.

Se for fazer no forno, pegue uma assadeira grande e unte-a com óleo. Coloque o lombo de comprido no meio da assadeira com a capa de gordura por cima e despeje o caldo do cozimento. Leve ao forno por aproximadamente 20 minutos, então retire e vire a peça. Volte para o forno mais 20 minutos. Não deixe o lombo ficar sem caldo, se necessário, coloque água quente pelas bordas da assadeira. Ao fim deste tempo, verifique com a ajuda de um garfão longo, se a carne está toda macia. Se ainda não estiver, asse mais um pouco. Retire do forno.

Molho do lombo:

É sempre bom fazer caldo a mais na panela enquanto estiver fritando o lombo para que possa fazer um molho para cobrir o lombo quando for servir. Lombo seco é péssimo! Para qualquer molho, você tem que tirar o lombo da panela em que foi feito e aproveitar a borra que fica no fundo e nas laterais da panela. O caldo que fica na assadeira não presta para nada.

1- O molho básico é o que você só raspa a borra da panela e acrescenta água quente, deixando que a água evapore até o ponto que o molho fique de boa consistência. Se quiser, acrescente um pouquinho de molho de tomate para dar cor e mais consistência. Prove o tempero, acrescentando pimenta do reino, se quiser.

2 – Para enriquecer o molho basta colocar um pouco de vinho tinto misturado com um pingo de água logo que desfizer a borra e deixar ferver por 5 minutos antes de colocar mais água.

3 – Para um molho mais saboroso, frite cebola ralada ou bem batidinha antes de juntar qualquer líquido à borra.

4 –  Para o molho de cebola caramelizada como o da foto, corte as cebolas em fatias finas e frite à parte, com um fio de azeite ou óleo. Assim que estiverem douradas, afaste-as para a borda e coloque açúcar cristal no meio da panela. Vá mexendo com uma colher de pau até que o açúcar forme uma calda marrom clara. Junte a cebola e misture.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

O feijão do tropeiro

Standard

Duas preparações de feijão à mineira em seguida? Exato, pois são duas variações para acompanhar o lombo à mineira, que já está temperado e vai para o blog amanhã. Também fazem parte da mesma história!

Quando, no século 17, as Entradas e Bandeiras subiram as montanhas de Minas à procura de ouro, esmeraldas e diamantes, precisaram levar uma carga bem variada e pesada, que eram não só suas ferramentas de trabalho como barracas, cobertas, vestuário e mantimentos.  Quem fazia este serviço, comandando a tropa de escravos, conduzindo as mulas de carga e pequenos animais como galinhas e porcos eram os chamados tropeiros. Em geral, estes homens mestiços de confiança do patrão bandeirante eram quem conduzia e dava ordens à tropa.

Os primeiros bandeirantes exploravam o ouro de aluvião, ou seja, o que era coletado com bateias nas águas rasas de riachos. Assim que as pepitas de ouro começavam a escassear em um determinado ponto, os homens desmontavam  tudo e subiam rio acima, ou então procuravam outro veios. Desta forma, ficavam de 2 a 4 meses em um mesmo local. Assim que escolhiam onde montar novo acampamento, plantavam vegetais como feijão, couve, cebola, alho e ervas, que podiam ser colhidos em pouco tempo e também montavam o cercado para criar galinhas e porcos. A mandioca era nativa e fácil de secar e socar para virar farinha e ser guardada. Assim, tinham sempre à mão feijão, farinha e ovos. Quando um porco era abatido, comiam a carne, faziam linguiça com as tripas e miúdos e guardavam o que restava em latas com banha.  A comida de sustança da tropa no domingo, que além do feijão diário tinha direito aos restos da carne de porco consumida pelos patrões, era chamado de feijão do tropeiro. Hoje, é um prato tradicional preparado maravilhosamente nos restaurantes das cidades históricas de Minas Gerais. Você pode fazê-lo em casa!

Feijão tropeiro

O melhor feijão para este prato é o roxinho, por ter os bagos mais firmes. Vai precisar de bacon, cebola, linguiça e/ou pedaços de carne de porco, farinha de mandioca, ovos e ervas, como salsinha e cebolinha. Há quem misture ou adorne com couve e torresmo. Uma boa pimentinha é indispensável.

Para 4 pessoas separe ½ kg ou 2 xícaras de chá bem cheias de feijão. Coloque de molho na água de véspera para facilitar o cozimento. Atenção: cuidado para não cozinhar demais o feijão, os bagos precisam ficar ainda um pouco duros.

Corte o bacon ( 1 colher de sopa), a cebola ( 2 colheres de sopa), os pedaços de linguiça e de carne, do tamanho que caibam na boca sem precisar partir no prato. Pique a salsinha e a cebolinha. Separe 2 a 3 ovos.

Muita gente faz este feijão misturando tudo na panela, afirmo que não vai prestar, pois vira uma maçaroca.  É preciso que seja feito em 3 panelas. Na primeira panela, frite o bacon, a cebola e o sal com alho. Escorra bem o feijão do caldo e frite os bagos com cuidado para não parti-los. Misture então 1 a 2 colheres de farinha de mandioca. Se ficar seco, ponha um fio de azeite ou um pouco de manteiga. Na segunda panela, esquente ou frite a linguiça e/ou a carne de porco. Na terceira panela, frite os ovos, já misturados ligeiramente, no óleo ou na manteiga, salpique o sal e assim que endurecer, corte-o em pedaços grandes. Agora misture as carnes e depois os ovos ao feijão, com cuidado para não ficar pastoso. Prove o sal e a pimenta, acrescente o cheiro verde e sirva quente.  Acompanha couve e arroz.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Tutu de feijão, tradição que veio dos escravos

Standard

Sabem que tutu é uma palavra africana? Desde os tempos das primeiras incursões bandeirantes ao interior das minas gerais este prato era feito pelos escravos, que aproveitavam o caldo que ficava no fundo do panelão de cozimento do feijão e engrossava-o com farinha de mandioca. O feijão era um alimento fundamental na vida dos primeiros exploradores dos riachos cujas pedrinhas em seus leitos eram pepitas de ouro e das rudimentares minas de ouro e pedras preciosas. Além de ser de fácil cultivo e crescer com rapidez nas terras férteis de beira-rio, o feijão é rico em ferro, fortalecendo os braços necessários ao árduo trabalho nas bateias para recolher o ouro de aluvião. Depois que subiu de status e foi parar na mesa do senhor branco, o tutu ganhou outros ingredientes. Veja como é preparado desde os tempos coloniais.

Tutu de feijão

Além do feijão, são indispensáveis o sal com alho, a cebola, o bacon(antigamente chamava toucinho defumado, como ainda se fala no interior) e a farinha de mandioca  peneirada e uma boa pimenta malagueta. Pode-se servir junto ao tutu, já pronto: um bom molho de tomates, molho de cebola, ovos cozidos e couve.

Para 4 pessoas costuma ser  ½ kg de feijão ou 2 xícaras de chá bem cheias. Ponha o feijão de molho numa bacia desde a véspera, assim irá economizar tempo e gás. Cozinhe o feijão (pode ser na pressão) até que os bagos fiquem quase desmanchando. Deixe que o caldo do cozimento sobre até quase tapar o feijão.

Coloque uma panela no fogo com um pouco de óleo e frite 1 colher de sobremesa cheia de bacon picadinho. Antes que comece a secar, frite 2 colheres de sopa de cebola batidinha e logo em seguida frite junto 1 colher de café de sal com alho. Agora refogue os bagos, ou seja, tire, com uma escumadeira, os bagos sem o caldo da panela em que foi cozido e frite-os bem, mexendo com uma colher de pau até formar uma maçaroca. Desligue, deixe esfriar um pouco, junte o caldo em que cozinhou o feijão e bata tudo no liquidificador. Volte com a pasta grossa para a panela e mexa bem, com a indispensável colher de pau, até que comece a soltar das laterais da panela.  Só então você vai acrescentar 1 colher de sopa rasa de farinha de mandioca, aos poucos. Misture bem até que o tutu dê a consistência de um creme. Prove o sal e a pimenta. Atenção: o tutu tem que sair da panela ainda mole, porque depois que é servido, esfria e endurece.

Para acompanhar, frite cebola fatiada à parte, na gordura do bacon ou na que ficou na panela da carne de porco que sobrou de outra preparação. Cozinhe os ovos em ponto de gema dura e fatie. Esquente o molho de tomates caseiro.

Prepare o prato em que irá servir o tutu: primeiro coloque o tutu, depois uma camada fina do molho de tomates, depois as cebolas e por último, as fatias de ovo cozido. Sirva com couve e arroz.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Couve mineirinha

Standard

Mineiro não passa sem couve. Não é de hoje que entendemos de boa alimentação. Pergunte a qualquer nutricionista (ou veja na internet) o valor nutritivo da couve. Levanta até defunto!

Couve é das poucas folhas que não se costuma comer crua, pois agradece uma passadinha na tachinha (é assim que mineiro chama a frigideira) com óleo, azeite ou manteiga mais sal e alho. Bom mesmo é fritar um cadinho de bacon antes de colocar a couve na panela, mas como diz o caipira: “Oia, bão pra saúde, moça, num é não, cê qui sabe, mais qui é danado di bão, ah, isso é”.

Depois das folhas lavadas e secas, tem a dica de como cortar a couve: tire os talos, empilhe as folhas, corte ao meio, faça um rolinho e corte em fatias – “a finura depende do gosto, uai”.

Aqueça o óleo, frite o sal com alho sem deixar escurecer e, em seguida, coloque a couve. Passe-a ligeiramente na tachinha, mexendo com a ajuda de um garfão – a conta de ver que as tiras de couve abaixaram e pegaram igualmente o óleo e o tempero. Retire do fogo e sirva quente.

Se estiver preparando outros pratos, a couve é sempre a última a ser passada.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Farofa de ovos – o segredo

Standard

Sabe aquela farofa maravilhosa que você come na churrascaria? Vou te contar como faze-la. Só que duvido que tenha a coragem de colocar a quantidade de manteiga (ou margarina) ou até mesmo a gordura que escorre da carne na grelha! O que dá sabor aos alimentos é sempre a gordura, seja manteiga, bacon ou a pura gordura animal mesmo. Pobre de nós, que hoje temos consciência do mal que a gordura faz para as nossas artérias. Seja lá como for, fica a seu critério como vai  preparar a farofa.

Vai precisar de farinha de mandioca e ovos. Se quiser caprichar, vá lá no mercado e compre farinha de mandioca artesanal, que pode ser branca ou amarela. Aproveite e compre aquele ovo caipira que tem a gema bem amarelinha.

Preparo: Quebre os ovos em uma travessa de fundo arredondado e misture ligeiramente as claras e as gemas com a ajuda de um batedor de ovos manual (ou dois garfos) fazendo movimentos circulares e amplos, para entrar ar na mistura. Coloque uma pitada de sal.

Separe duas frigideiras e aqueça uma delas. Coloque a quantidade de manteiga, óleo, azeite e banha de porco que quiser. Despeje a farinha de mandioca, misture e torre ligeiramente. É melhor começar com pouca manteiga (se for a escolhida) e ir juntando mais aos poucos, até verificar que a farinha ficou soltinha e brilhante. Coloque sal e prove.

Na outra frigideira, ao mesmo tempo, coloque a mesma manteiga (ou o que tiver escolhido) e frite os ovos batidos ligeiramente. Assim que começar a endurecer nas laterais e embaixo mas o meio ainda estiver líquido, corte grosseiramente com uma espátula e misture rapidamente e de leve, de modo que o ovo fique frito por igual. Cuidado para não deixar que endureça.

Agora jogue o ovo na farinha e misture ligeiramente, sacudindo a frigideira para não quebrar os pedaços. Sirva imediatamente.

Se quiser variar, acrescente cheiro verde e ainda outros ingredientes, como azeitonas, passas, cenoura ralada, carne seca desfiada. Já vi quem põe até batata palha, mas tem que ser bem miúda e bem sequinha.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.

Frango com quiabo caipira

Standard

Mineiro ama, de paixão. Faz parte do cardápio dos restaurantes típicos do interior e, não pense que de locais simples – está lá no menu dos restaurantes mais famosos de Tiradentes e de Ouro Preto. Ai de quem o tirar do cardápio: terá reclamação  imediata.  É esta o tipo de tradição que nunca poderemos perder. Preocupa-nos a nova geração do peito-de-frango-de-supermercado que o tira da embalagem já temperado, grelha e acha gostoso.

Tem muita gente que não sabe fazer um franguinho de panela refogado, como dizemos. É um pouquinho demorado para fazer, tipo meia hora, mas é bem fácil.

Frango com quiabo

Para 2 pessoas: 4 partes de frango, que podem ser de 2 coxas com contra-coxa, ou de 1 ou 2 peitos de frango, dependendo do tamanho – escolha sempre os menores. Se for fazer para mais gente, use dos dois cortes, ou até um frango inteiro. Quiabo, de 5 a 7 talos ou uma xícara de chá bem cheia do quiabo já picado e uma cebola. Tempero: vinagre, sal, alho, cheiro verde, uma pimentinha, gotas de molho inglês e gotas de limão, se gostar. Calcule uma colher de café de tempero seco por pedaço de frango.

Separe uma panela larga, uma pequena e um caneco, uma colher de pau e um garfo.

Lave o frango com água fervente e tire a pele e o excesso de gordura. Passe o tempero nas partes do frango e deixe por ½ hora.

Lave o quiabo inteiro e seque-o bem antes de fritar, para não “babar”. Corte o quiabo em pedaços de 1 a 1,5 cm e pique a cebola.

Coloque água para ferver em uma caneco. Na panela maior, esquente 2 colheres de óleo. Frite as partes do frango por igual, mexendo sempre. Retire o frango da panela, coloque um pouco mais de óleo ou manteiga e frite a cebola picadinha bem miúdo na borra do frango. Despeje um pouquinho de água fervente e mexa com a colher de pau ou uma espátula até que a borra se incorpore à água formando o primeiro caldo. Agora coloque o frango de volta na panela e acrescente mais água (não jogue água em cima do frango),  numa quantidade que cubra os pedaços de frango pela metade. Baixe o fogo e tampe a panela. Em outra panela, coloque óleo suficiente para fritar o quiabo (1 xícara de chá ou mais). Escorra numa peneira o quiabo já frito e coloque sobre guardanapo de papel para retirar o excesso de óleo. Quando o caldo já estiver reduzido pela metade, teste com um garfo se o frango já está cozido e macio. Acrescente o quiabo e deixe cozinhar por mais 5 minutos.

Sirva quente acompanhado de arroz branco e purê de batata.

Quer esta receita impressa? Clique aqui para baixar o PDF e imprimí-lo.