Purê de 3 batatas e a história da batata

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Batata para todos

Batata é uma unanimidade – hoje é o quarto alimento mais consumido no mundo. Originária dos Andes sul-americanos, foi levada à Europa pelos colonizadores espanhóis. Porém, você pode imaginar que a batata já foi tida como alimento impróprio e impuro? Só porque crescia debaixo da terra, os europeus achavam que só servia para ser dada aos porcos! Sabe como se tornou popular? Vou contar a história:

Na segunda metade do século 18, os pobres passavam fome na França enquanto os nobres viviam no maior luxo. Reza a lenda que nos idos dos anos 1770 o rei Luiz XV ficou sabendo que uma horda de famintos planejava invadir o Palácio de Versailles. Junto com seus ministros e assessores, decidiu dar um grande banquete nos jardins do palácio a fim de aplacar a ira dos famigerados. Marcou a data. A notícia se espalhou. Os cozinheiros vieram dizer que, diante da multidão que era esperada, não haveria trigo suficiente para fazer pães.

Antoine Parmentier, chef da cozinha do palácio e também agrônomo, há algum tempo defendia veementemente o uso da batata como alimento próprio ao consumo humano, mas ninguém lhe dava ouvidos. Surgia a oportunidade de vencer as resistências. Como tinha uma padaria-escola, ensinou aos cozinheiros do palácio a fazer pães e outras receitas com batata. No dia do grande banquete as pessoas se fartaram de comer e elogiaram os quitutes. Um detalhe: só contaram que o ingrediente básico das receitas havia sido a batata no dia seguinte da festa, quando a multidão já enchera a barriga de batata sem saber o que comia! Daí Parmentier obteve a permissão do rei para ensinar o cultivo da batata aos agricultores.

Nas muitas guerras que se seguiram à esta época foi a batata que salvou a população europeia da fome.

Quem me contou esta história, quando eu tinha doze anos, foi Mère Colombier, freira francesa de nascimento e minha professora de história no colégio.

Hoje vou passar a receita de um purê delicioso que se faz com três tipos de batata: a batata inglesa, a batata doce e a batata baroa, também conhecida por mandioquinha.

Purê de três batatas

Considere que a quantidade de batata inglesa deve ser igual à das outras duas batatas juntas. A receita é a mesma do purê de batata: cozinhe as batatas sem pele na água com sal até ficarem bem macias. Esprema ou amasse. Misture as três massas.

 

Em uma panela, esquente manteiga (1 colher de sobremesa rasa para cada batata), doure o sal com alho e a cebola triturada ou ralada ( ¼ de cebola pequena para cada batata). Acrescente a massa das batatas e misture bem com uma colher de pau.  Vá juntando leite quente aos poucos e mexendo até formar um mingau grosso e homogêneo. Continue mexendo em círculo até que o purê comece a pular e a desgrudar das laterais da panela.

Dica: se não for servir na hora que terminar de fazer, deixe o purê um pouco mais mole, pois ao esfriar ele endurece. Se na hora de servir o purê estiver duro, junte mais leite quente e volte a mexer até ficar no ponto outra vez.

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Pãozinho sem glúten e sem lactose!!!!

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Finalmente, depois de várias experiências, temos o prazer de apresentar a vocês a nossa exclusivíssima receita de pãozinho SEM GLÚTEN E SEM LACTOSE. Especialmente para mim, alérgica tanto à glúten quanto à lactose, foi uma realização e tanto! Já sei, vocês, nossos seguidores, não vão acreditar que, tendo já feito, provado, fotografado e escrito mais de 300 receitas para o blog, eu venha agora com esta história de alergia. Pura verdade! Praticamente comi de tudo o que fizemos, substituindo a farinha de trigo por outras farinhas à base de arroz, milho e mandioca e os produtos lácteos por produtos sem lactose, hoje cada dia mais presentes nos melhores supermercados. Uma ou outra receita não pude provar, mas pedi às filhas que provassem e confio inteiramente na análise e nos palpites delas.  Mas voltemos à história do pão. Hoje, enfim, bem no dia do meu aniversário ( 29/01), passo a receita, depois de termos feito – e acertado – muitas variações. É o meu presente para os alérgicos como eu.

Pãozinho rápido e fácil de fazer sem glúten e sem lactose 

Para 12 pãezinhos separe: – 2 xícaras de chá de batata doce cozida e amassada ( pode variar com a mesma quantidade de: mandioca, inhame ou cará, baroa ou batata inglesa); – 2 xícaras de chá de farinha sem glúten* ( pode ser 1 xícara desta farinha e mais 1 xícara de amido de milho ou maizena – o pão fica com a massa mais leve) – 1 xícara de chá de leite sem lactose, 1 xícara de café de óleo ou azeite, 2 ovos, 2 colheres de sobremesa de fermento biológico seco instantâneo Fleischmann, 1 colher de café cheia de sal e a mesma quantidade de açúcar. Obs: na foto estão os ingredientes para 6 pãezinhos

Esquente o leite e misture o fermento. Tome uma bacia ou tigela e coloque a batata, a farinha, o leite com o fermento, o óleo, os ovos inteiros, o sal e o açúcar. Misture tudo com as mãos até obter uma massa bem homogênea. coloque na palma da mão uma colher de sopa cheia da massa e amasse-a para dar a forma de pão chato – veja a foto. Coloque os pãezinhos em uma assadeira untada com pouco óleo. atenção: deixe descansar por meia hora. Pré-aqueça o forno a 180 graus e coloque os pãezinhos para assar por aproximadamente 20 minutos ou até corarem.

Depois daremos as receitas de outras variações , com o pãozinho de alho poró para aperitivo e o pãozinho de maçã com canela para servir com café. Deliciosos! Aguarde.

* uso a FSG da Amina

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Caldo de baroa ou mandioquinha

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Há regiões do Brasil em que este legume que escolhemos para a nossa sopinha do jantar leva o nome de batata baroa ou simplesmente baroa. Em outras, é chamado de mandioquinha. Por muito tempo era apenas um ingrediente nutritivo de sopa de criança, mas hoje está na cozinha dos melhores chefs, no preparo de purês e cremes sofisticados. Como o purê feito só com a baroa costuma ficar liguento, gosto de misturá-la a outros ingredientes, o mais usual é a batata inglesa.

Certo dia, no hotel onde trabalhava, sendo a responsável pelo setor de gastronomia, precisei fazer um cardápio especial para um grupo de franceses. Queria fazer uma comida genuinamente brasileira, com ingredientes que ainda não conheciam, mas que, ao mesmo tempo, não fugisse do paladar ao qual estavam acostumados. Inventei então este creme. Na falta de palavra para traduzir baroa, coloquei “Crème au carotte jaune” ( creme de cenoura amarela). Fez um sucesso danado e permanece no cardápio internacional do hotel desde muitos anos.

Caldo de baroa com alho poró e cebola

O nome já diz os ingredientes. A proporção que uso é : 1/2 de baroa, 1/4 de alho poró e 1/4 de cebola. Temperos: sal com alho, pimenta do reino branca, noz moscada, cebolinha verde. Se gostar, uma pitadinha de nada de curry faz a diferença.

Deite óleo, manteiga ou azeite em uma panela e frite a cebola e o sal com alho. Junte o alho poró e a baroa. Frite bem, junte água fervente até cobrir os legumes, tampe a panela, abaixe o fogo e deixe cozinhar. Quando espetar o garfo na baroa e perceber que está macia, retire todo o conteúdo da panela e bata no liquidificador. Se o creme estiver muito grosso, junte um pouco de água e bata mais. Volte para a panela e tempere a gosto. Deixe ferver. O creme deve ficar com a consistência de um caldo grosso. Na hora de servir, junte creme de leite ( para a proporção de legumes que viu na foto, use 1 xícara de café) .Retire do forno antes que ferva. Sirva com cebolinha verde para colocar individualmente nos pratos. Acompanhe com torradas amanteigadas.

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