Manjar de côco com calda de ameixa

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Quem já leu histórias do tempo do Brasil Colônia deve ter encontrado alguma descrição das sobremesas famosas nesta época.

Alguns ingredientes eram abundantes por aqui, como o açúcar, o leite, o côco, o milho e diversas frutas nativas. Desde o século 16, a economia brasileira tinha o açúcar como principal produto de exportação. O costume de se beber leite e usá-lo na preparação de alimentos veio com os portugueses colonizadores que importaram gado leiteiro para o Brasil. O côco veio das costas d’África, junto com os escravos. A palmeira ou coqueiro se aclimatou tão bem no país que em pouco tempo já fazia parte da paisagem de nossas praias como se nativo fosse.

Uma destas sobremesas, bem popular, era o manjar feito com leite e açúcar, posto a secar por horas, em tacho de cobre no fogão a lenha. Depois que encorpava, acrescentava-se o leite de côco e o amido de milho (nativo do Brasil) para engrossar. Como calda, fazia-se uma compota de ameixas, fruta muito comum no país.

Desde os anos 1950 o consumo de leite condensado popularizou-se, facilitando a nossa vida. Também tem-se o leite de côco já pronto, mas o manjar feito com o côco natural é muito mais gostoso. As ameixas também já são vendidas secas, basta colocá-las a cozinhar mais um pouquinho em uma calda de açúcar queimado.

Manjar de côco com calda de ameixas

Veja os ingredientes que vai usar: 1 lata de leite condensado, 2 latas de leite integral (use a mesma lata como medida), 1 xícara de chá de leite de côco natural* e 4 colheres de sopa cheias de amido de milho ( Maizena)

Bata tudo junto no liquidificador. Leve a mistura ao fogo médio, mexendo sempre com uma colher de pau até dar consistência de mingau grosso. Vai levar cerca de 20 minutos para cozinhar.

Escolha uma forma dessas de furo no meio e passe em seu interior um cubo de gelo. Escorra o excesso de água. Despeje o mingau, deixe esfriar e depois leve à geladeira por cerca de 4 horas.

Para o preparo da calda, tire o caroço de 15 ameixas pretas ( empurre o caroço para fora, sem cortar). Faça um calda rala de açúcar queimado e junte as ameixas, deixando que cozinhem mais um pouco.

Sabe fazer a calda de açúcar? Ponha água para esquentar em um caneco. Coloque em uma frigideira 5 colheres cheias de açúcar cristal e deixe que derreta, misturando sempre com uma colher de pau. Assim que ficar da cor de caramelo, abaixe o fogo e vá entornando a água quente devagar pelas bordas. Continue misturando até o açúcar derretido dissolver por completo e formar uma calda rala.

Dica- leite de côco caseiro

Compre um côco maduro, ou seja, já marrom e peludinho. Fure-o e retire a água. Quebre-o (eu acho mais fácil jogá-lo no piso de pedra, mesmo que seja da calçada!) Estando partido em dois ( ou mais) pedaços, coloque-os sobre a chama do fogão até chamuscar.Tire do fogo, deixe esfriar um pouco e com a ponta de uma faca solte a noz branca. Retire a pele marrom com uma faca. Corte o côco branco em fatias finas. Bata-as no liquidificador com água quente – o nível é a conta de cobrir o côco. Tome um pano de prato limpo e esterilizado – daquele tipo de pano de saco – e coloque o líquido dentro, como se fosse dentro de um saco. Esprema, ainda morno, sobre um caneco. Pronto! Você tem um leite de côco maravilhoso!

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Cordeiro marroquino no tagine

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Desde que chegou do Marrocos, minha filha queria estrear a panela de barro trazida de Safi. A panela tem um prato fundo embaixo, uma tampa em formato de cone com um furo superior (para sair o vapor) e se chama tagine. Ela queria fazer uma receita de cordeiro igual à que comeu (e adorou) em um dos restaurantes que frequentou mas, apesar de lembrar-se do visual e do sabor da iguaria, não sabia como prepará-la. Pois a menina pesquisou várias receitas e até me pediu para traduzir uma do francês para o português. Analisou todas e depois de juntar uma ideia daqui e outra dali, resolveu testar à sua maneira. Novamente a família blogueira se reuniu. Não só o cordeiro ficou quase igual ao prato original como nos surpreendeu pelo delicioso sabor e aroma. Mais uma excelente receita para o nosso repertório!

Tagine de cordeiro com ameixas e tâmaras

Para 4 pessoas considere 800 gr. de pernil de cordeiro em cubos, sal, pimenta do reino, 3 colheres de sopa de azeite, 1 cebola, 2 dentes de alho amassados, 1 colher de sopa cheia de ras-el-hanout*, 2 colheres de sopa de mel, 1 pauzinho de canela, 12 ameixas e 12 tâmaras.

Para o molho, separe os ingredientes usuais de um bom caldo de carne: 1 colher de azeite, 1 cebola, 3 talos de salsão, 1 cenoura e 1 bouquet garni.

Preparo da carne: se comprar o pernil inteiro, congelado e com osso, deve pesar aproximadamente 1,5 quilos. Deixe descongelar na geladeira e retire o osso cuidadosamente: com a ponta da faca faça um corte longitudinal até encontrar o osso e a partir daí, vá cortando ao redor e abrindo a peça. Guarde o osso e as aparas da carne para o caldo. Corte a carne que retirou dos ossos em cubos e tempere-a com 1 colher de chá cheia de sal e 1 uma boa pitada de pimenta-do-reino, deixando descansar por, pelo menos, 1/2 hora.

Preparo do caldo: coloque a panela de pressão aberta no fogo e quando estiver quente, deite 1 colher de azeite e frite as aparas da carne com o osso. Quando estiverem coradinhas, frite a cebola e acrescente os talos de salsão e a cenoura. Cubra com água pré-aquecida, acrescente o buque garni e tampe a panela. Conte uns 20 minutos depois que começar a apitar para desligar o fogo. Coe o caldo, desprezando os restos. Coloque o caldo de carne coado para aquecer em um caneco.

Na tagine, ou em uma panela comum, deite 3 colheres de azeite. Deixe esquentar e frite a carne até corar, no fogo forte, sem deixar dar água (se precisar passe-a aos poucos). Retire a carne e reserve, deixando a borra com o caldo da carne na tagine.

Pique a cebola em pedacinhos e amasse os dentes de alho grosseiramente. Frite a cebola e depois o alho na borra da carne. Acrescente o mel e o ras-el-hanout e mexa bem.

Agora volte com a carne já corada para a tagine e despeje um pouco do caldo quente pelas beiradas até que a carne fique semi-coberta. Tampe e deixe cozinhar por aproximadamente 30 minutos ou até verificar que a carne está macia (na panela normal deve demorar um pouco mais, neste caso, vá pingando o caldo aos poucos).

Quando a carne estiver quase no ponto, coloque as ameixas e tâmaras (sem os caroços) de modo que fiquem entremeadas com a carne. Acrescente mais caldo quente pelas beiradas se necessário. Coloque também o pauzinho de canela e feche novamente a tampa. Deixe que as frutas amoleçam e cozinhem junto com a carne por mais uns 10 minutos. Quando a canela começar a perfumar o ambiente é hora de tirar o pauzinho. Prove o sal e veja se é necessário acrescentar mais tempero. Está pronto!

Sirva o cordeiro acompanhado de cuscuz marroquino.

Preparo do cuscuz:

Aproveite o caldo da carne que você preparou e misture-o no preparo do cuscuz: coloque em uma panela funda 1 copo de cuscuz, 1 copo de água e 1 copo do caldo de carne. Cubra com um pano limpo e espere que absorva o líquido. Depois é só esquentar e salgar a gosto.

*Ras-el-hanout é o nome dado à uma mistura de especiarias feita no Marrocos que normalmente contém, entre outras: gengibre, cardamomo, canela, coentro, cúrcuma, páprica, cominho, noz-moscada, cravo, pimentas e sal. Se não achá-lo para comprar, tente fazer seu próprio tempero com os ingredientes que conseguir.

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