Ceviche

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Champagne, espumante ou vinho branco em um fim de tarde ou noite de verão pedem como acompanhamento um agrado que desperte seus sentidos com um leve aroma marítimo, uma sinfonia de cores e um intrigante sabor cítrico. Experimente esta receita de ceviche, com ingredientes pescados daqui e dali e que afinal se deram bem, em uma perfeita  harmonia de aroma, cor e sabor.

Ceviche

O ideal é que seja feito de véspera ou com, pelo menos, 4 horas de antecedência para que possa marinar. Da parte dos frutos do mar, escolha entre salmão fresco ou peixe branco, camarãozinho rosa, kani e lula; separados, em dupla, trio ou todos juntos, felizes na companhia uns dos outros, desde que os personagens principais sejam peixe e/ou camarãozinho.

Da parte dos vegetais, este trio é imbatível: cebola roxa, cenoura e tomate verde ( sim, todinho verde). Se achar carambola, corte em fatias finas e enfeite com as estrelinhas.

Preparo – Do salmão: coloque o filé do peixe no congelador para ficar mais firme para cortar. O ponto ideal é, estando a carne ainda dura, que a faca deslize com facilidade. Corte reto filés de 1 cm, deite a fatia, torne a cortar em um sentido e depois no sentido contrário de modo a formar quadrinhos de 1x1cm.  Do camarãozinho: lave e tire as tripas; deixe escorrer toda a água. Do kani e da lula : só cortar em tronquinhos de 1 cm.

Corte a cebola roxa em fatias finíssimas, rale a cenoura no ralo grosso e corte o tomate em cubinhos de 1×1 cm (veja Dica – corte de tomates).

Molho para marinar: azeite e vinagre de champagne ou de vinho branco em partes iguais, suco de limão, sal, uma poeira de pimenta rosa triturada. Prove.

Misture tudo em uma travessa de vidro e coloque o molho até o meio, para deixar marinando. Na metade do tempo, troque de posição a porção que ficou embaixo com a de cima. Na hora de servir, escorra um pouco do molho, a conta de deixar os ingredientes molhadinhos, mas não imersos no caldo que se formou.

Sirva bem frio, acompanhado de torradinhas de baguette francesa. Fica lindo e chiquérrimo se colocado em tacinhas de sorvete!  Para dar um toque bem verão, sirva com uma bola de sorbet de limão da Alessa. Perfeito!

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Paella Valenciana, quer conhecer o sabor da Espanha?

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Já eram mais de três da tarde;  nós dois com uma fome danada mas querendo aproveitar ao máximo o sol na praia em Torremolinos, cidade turística na região da Andaluzia. Lembra daquela ondinha que a gente vê desenhada  na revista em quadrinhos que identificamos como um odor inebriante e irresistível de comida deliciosa? Pois foi esta mesmo que vi, como uma miragem na areia quente. Apurei o olfato, senti um cheiro delicioso de mar e temperos afrodisíacos e segui o rastro. Fui dar em uma casinha branca na beira da praia, com mesinhas  dispostas em um tablado e uma placa de madeira pintada  escrito “Camara”. Verifiquei nas mesas lotadas: todos os turistas comiam um arroz  dourado com frutos do mar. O pedido demorava demais a chegar e então fui até a cozinha. Identifiquei-me como brasileira e  implorei para ficar ali aprendendo a  fazer o prato. Desta forma, já faz mais de vinte anos, fui apresentada a este prato típico do sul da Espanha. De lá para cá, tornou-se um dos favoritos da minha família. Faço-o com certa frequência no verão e passo o segredo para vocês:

Paella Valenciana ( da região de Valença)

Sal com Alho

A panela própria é a paelleira, uma frigideira esmaltada, bem larga e baixa. Veja o que tem em casa de mais parecido. Vai precisar de um caneco para ferver água e de uma colher de pau.

Para 4 pessoas, compre de 300 a 400 gr. de peixe de mar e a mesma quantidade de cada um destes mariscos: lula, camarão, mexilhão e vieiras.  O total deve dar aproximadamente 1,2 kg. Separe 2 xícaras de chá de arroz comum.

Ingredientes

Ingredientes

Para o molho: 1 xícara de café de azeite, ½ cebola e ½ tomate maduro picadinhos,  8 tirinhas de pimentão vermelho e 8 do amarelo; uma colher de sopa de molho de tomate,  1 xícara de café de vinho branco; sal, colorau, açafrão e pimenta calabresa.  Se quiser caprichar, compre 4 camarões gigantes inteiros e 4 mexilhões com a concha e reserve para o final. Escolha um bom vinho branco e ponha para gelar.

Limpe os mariscos. Corte o filé ou posta de peixe sem osso em cubos de  3 cm de lado.  Lave, escorra bem e tempere tudo com uma colher de sobremesa rasa de sal e ½ limão. Coloque água para ferver. Na paelleira ou frigideira, no fogo alto, coloque ½ xícara de café de azeite, frite a cebola até começar a dourar, junte o tomate, depois os camarões. Assim que avermelharem , coloque a lula e  logo que esta ficar branquinha, junte o mexilhão e deixe que  mude de cor.  Acrescente o peixe, os pimentões e o molho de tomates. Misture com cuidado e deixe fritar. Assim que o caldo começar a secar, junte o vinho e deixe que evapore. Agora, afaste tudo para as bordas, coloque a outra metade do azeite no meio da panela e despeje o arroz. Mexa só ali no meio e depois misture tudo. Arrume a panela para que fique tudo nivelado e aí despeje água quente até cobrir o arroz e mais 1 centímetro. Abaixe o fogo. Tire um pouco do caldo, dissolva o açafrão e o colorau. Junte ao caldo da panela, misture, prove o sal, acrescente mais se precisar e coloque a pimenta com cuidado.  Prove para verificar se está bem temperadinho.  Decore como os camarões e mexilhões especiais. Vá adicionando água quente aos poucos até que o arroz cozinhe. Cada vez que adicionar água, mexa de leve com a colher de pau e desagarre o fundo. O ponto do arroz é “ao dente” (ligeiramente duro) e a paella deve fica molhadinha. Se precisar servir mais tarde, deixe mais caldo, pois vai secando à medida que esfria.

 

Obs: a pronúncia espanhola é “paelha”.

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Moqueca – baiana ou capixaba?

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Que nos corrijam os nativos das praias da Bahia e do Espírito Santo: a moqueca baiana tem dendê e leite de côco e a capixaba tem só leite de côco, ou não? E peixada. É a mesma coisa? Pra nós, peixada é a feita com peixe de rio.

Bem, na nossa casa a gente faz moqueca sem dendê e com leite de côco.

Moqueca pode ser de peixe ou de camarão. Ou dos dois, misturada. Pode ser também de lagosta e de siri.  A primeira vez que  provei moqueca foi em Salvador, eu tinha 16 anos e me apaixonei perdidamente pela culinária baiana. A moqueca baiana ganhou fama com Gabriela, a do Cravo e Canela, preparando, lascivamente, uma moqueca no filme homônimo.

Moqueca de peixe com camarões

Não tem segredo, é muito fácil de fazer. Também não tem medida, é no olho mesmo.  Hoje vamos fazer moqueca com robalo, que é um peixe de mar de excelente qualidade junto com camarões – é a nossa preferida. Feliz de quem tem uma panela de barro curtida, que é o meu caso, comprada há anos no Mercado Modelo de Salvador. Empresto, mas só se for pra cozinhar na minha casa mesmo.

Só para ter ideia de quantidade: para 6 pessoas compre 1,5 kg de peixe e 1 kg de camarão descascado. Peça ao peixeiro para limpar e cortar o peixe em postas.

Vai precisar de aproximadamente 1kg de tomate  bem maduro, 2 cebolas grandes;  metade de cada pimentão, se quiser colocar do verde, do vermelho e do amarelo para deixar a moqueca colorida,  3 a 4 dentes de alho e um raminho de coentro. Uma garrafinha de leite de côco é o suficiente para dar um leve sabor especial, sem deixar gosto de côco.  Um bom azeite de oliva é fundamental (deve usar, no máximo, uma xícara de chá).  É recomendável fazer a moqueca com duas horas de antecedência da hora que for servir, pois se deixar descansar por, pelo menos, uma hora, o sabor fica muito melhor, pois o peixe pega o gosto do caldo.

Limpe os camarões, tirando casca e tripa. Tempere o peixe e os camarões com sal e limão. Enquanto pega tempero, corte os tomates em cubos e fatie as cebolas, o alho e os pimentões. Pique o coentro, vai precisar de 3 colheres de sobremesa cheias.

Se tiver uma panela bem grande, ótimo, porque é bom fazer a moqueca em uma só camada, para que cozinhe por igual e ainda evita que parta as postas na hora de servir. Se só tiver panela média, paciência, vai ter que usar mais de uma.

Agora forre o fundo da panela com azeite, depois faça uma “caminha” com  a metade dos tomates, cebola, alho, pimentões e coentro. Coloque as postas do peixe e por cima os camarões. Cubra com o restante dos ingredientes e torne a regar com o azeite. Tampe a panela e deixe no fogo forte até que dê caldo, então despeje o leite de côco e balance a panela. Abaixe o fogo e vigie até perceber que o peixe está branquinho e macio. Nunca ponha água, nem precisa. Prove o tempero. Retire um bocado de caldo com uma xícara e neste caldo coloque pimenta e mais sal, se precisar. Torne a balançar a panela, para o tempero misturar.  Se mexer, corre o risco de partir as postas. Se  tiver deixado a moqueca descansando, esquente na hora de servir. Acompanha arroz branco.

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Salmão à Belle Meunière

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Tradução do francês:  à moda da bela moleira; pronuncia-se “béle mêniér”. Porque será que o tradicional molho para peixes é feito à maneira da bela moleira ( mulher do dono do moinho)? Fico imaginando um cenário de  pintura de Van Gogh: um campo ensolarado no sul da França, um moinho à beira de um riacho, uma longa mesa rústica ao ar livre.  Almoço de domingo. Uma bela moça loura de tranças, de saia longa azul, avental e touca branca, servindo à família um peixe com o molho tradicional de sua família.

Este molho acompanha peixes grelhados ou assados. Tradicionalmente é feito com azeite ou manteiga, cogumelos e alcaparras; você pode acrescentar camarões e ervas.

Vamos ao preparo de um salmão,  mas pode ser outro peixe de sua preferência. Normalmente a porção é de 200 gr. por pessoa. O filé deve estar limpo, sem nenhuma escama ou espinho. Conserve a pele sob o filé, principalmente se for grelhar. Tempere apenas com sal, espalhando-o suavemente por todos os lados. Deixe por 15 minutos, no mínimo.

Grelhe, frite ou asse o peixe ( veja Dica – Filé de peixe – grelhar, fritar ou assar?)

Enquanto isto, faça o molho Belle Meunière.

Para 2 pessoas, separe ½ xícara de café de azeite (ou uma colher de sopa cheia de manteiga). Em partes iguais (½ xícara de chá): alcaparra, cogumelo-de-paris fatiado e camarãozinho rosa descascado e limpo. Pode colocar também tomate picadinho (mesma medida) e cebola ralada e escorrida (1 colher se sobremesa rasa). Esquente o azeite, frite a cebola e ½ colherinha rasa de sal com alho. Frite o camarão até avermelhar, junte a alcaparra, o cogumelo e por último o tomate. Dê uma revirada e desligue, antes do tomate amolecer. Salpique cheiro verde ou erva desidratada ( finas ou Provence).

Coloque o molho sobre o peixe imediatamente antes de servir. Regue com azeite antes de levar à mesa.

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Dica – Bacalhau

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  • Qual é o melhor bacalhau?

No caso do bacalhau seco e salgado, escolha sempre o que estiver mais alto e apresentar a cor mais clara.

  •  Compro o peixe inteiro, em postas ou desfiado?

Depende da receita.

  • Qual a quantidade por pessoa?

Se o bacalhau for o primeiro ou segundo prato, pode ser 100 gr. por pessoa, se for prato único e na receita o bacalhau for misturado com outros ingredientes pode ser 150 gr. Se for posta, pode calcular 200 gr. por pessoa.

  •  Como pré-prepará-lo para qualquer receita?

1. Lave e coloque o peixe salgado de molho na água fria por 24 horas antes de ir para o fogo. Troque toda a água 3 vezes.

2. Afervente o bacalhau só até a água ferver. Deixe esfriar. Retire os ossos, as espinhas e toda a pele. Nada de preguiça, não deixe nenhuma pele ou gordura, é isto que dá aquele gosto e cheiro nojentos.

3. Se for fazer bacalhau em posta, corte paralelo ao osso  da vértebra e tire as espinhas com cuidado para não abrir a peça.

4. Se for fazer prato tipo bacalhoada, à medida que for limpando as postas, vá separando as lascas curtas e grossas.

5. Se for fazer bacalhau tipo Brás, pataniscas ou salada, é mais fácil e mais barato comprar já desfiado, porque se comprar em posta não dá para tirar lascas compridas.

6. Depois de dessalgado e limpo, pode guardar no freezer por um bom tempo.

. Qual a diferença entre aferventar bacalhau na água ou no leite? Qual é melhor? 

Sempre afervente o bacalhau na água, mas se for fazer alguma receita que entre leite ou creme de leite  como ingrediente – como Bacalhau com Natas ou Bacalhau a Zé do Pipo, é bom aferventá-lo no leite e depois usar este leite, coado, como ingrediente. Se você colocar o bacalhau cozido no leite em uma receita que não leva leite está arriscando perder tudo, pois pode coalhar!

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