Teotihuacán

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Em meio a um extenso vale próximo à Cidade do México estamos certamente mais perto dos deuses. O dia, que começara frio e chuvoso, mostrou-se radiante sob o intenso sol do meio dia a fazer brilhar a cidade sagrada. Do alto das pirâmides uma atmosfera mágica nos envolve, impressionados que ficamos com os relatos de antigas civilizações pré-colombianas que ali festejaram a vida e a morte.

A cidade dos deuses é um dos vestígios mais significativos das antigas civilizações da América Central. O colossal conjunto arquitetônico, onde se destacam a Pirâmide do Sol , a Pirâmide da Lua e o Templo de Quetzalpápalotl é unido pela Calçada dos Mortos, que se estende por quase quatro quilômetros.

Ao fim das escaladas e da longa caminhada, foi-nos oferecido um almoço típico muito interessante. Recebidos por um grupo folclórico que interpretou ritos e danças típicas, deparamo-nos com uma mesa de refeição comemorativa do Dia dos Mortos. Fiquei tão envolvida com a dança, a música e a interessantíssima decoração do buffet que me esqueci de comer! Mas conto o que tinha de mais interessante: tacos com recheios diversos, todos guisados à base de vegetais – cactos e pimentas!

 

À parte, gostei o artesanato local e comprei presentes bem originais para a família toda. Vejam também as bebidas típicas da região- todas extraídas dos cactus – destilado e licor de agave e a famosa tequila.

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México II

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Alguns dias em nossas vidas tornam-se inesquecíveis – o dia em que conheci esta cidadezinha mexicana certamente foi um desses.

Imagine-se, sob uma chuvinha fina, subindo uma serra com densa vegetação verde no coração do México. De repente, após mais uma curva da sinuosa estrada, vislumbro, entre brumas, uma encosta íngreme derramando casinhas brancas por todos os lados. A primeira impressão é que estão prestes a se despencar e a cair no abismo. O precipício que se vê à esquerda é parte da cratera aberta pela antiga mina de prata. Continuamos devagar a subida. O céu se abre e o sol inunda a serra de luz dourada. Chegamos a Taxco!

Todas as casas morro acima se assemelham e se misturam – as de famílias outrora abastadas e as dos pobres mineradores. Todas as paredes são caiadas de branco. Todas as portas, as janelas, os gradis e as balaustradas das sacadas, sem exceção, são negras. Fora o branco e o preto só há mais uma outra cor nas fachadas das casas: a dos tijolos à vista, emoldurando os portais senhoriais.

Nas rústicas ruas de calçamento de pedra cinzenta os passantes nos olham com curiosidade, de rabo de olho. Vê-se que são gente desconfiada, desviam o olhar e o sorriso. Reparo nas feições: são morenos, de bonitos traços harmoniosos, olhos e cabelos negros brilhantes, faces rosadas, bocas carmim. Quase meio dia, as crianças saem das escolas vestidas com uniformes à moda dos anos 40. Incrível, parece que o mundo aqui parou no tempo.

Prossigo rua acima. As mercadorias nas portas das lojinhas me atraem a atenção. O artesanato textil é coloridíssimo, os finos artigos em prata me encantam. Frutas exóticas enchem o ar de um perfume forte e doce. Sinto um aroma intenso de flores e avanço para a praça principal. A imponente e belíssima fachada rosada da igreja de Santa Prisca me arrebata o fôlego. Depois de um tempo, perdida nos intrincados desenhos do barroco espanhol, abaixo a vista. Nos degraus da igreja, dezenas de mulheres e crianças vendem flores amarelas e alaranjadas – são os cravos de defunto. Passo os olhos ao redor: uma profusão de caveiras me salta aos olhos – são máscaras em manequins que, um ao lado de outro, parecem se abraçar e dar a volta na praça, em um jogo ao mesmo tempo macabro e divertido. Agora me lembro: hoje é dia 1 de novembro, quando se comemora o Dia dos Mortos – o feriado mais importante da cultura mexicana. Um enterro de verdade passa adiante, todos os que seguem a procissão choram e trazem nas mãos buquês de flores brancas. À passagem do féretro, todos se ajoelham, inconscientemente faço o mesmo gesto. O espírito da pequena cidade já tomou conta de mim.

Lembro-me de outra cidade colonial – minha querida Ouro Preto, em Minas Gerais, onde minha avó nasceu. As semelhanças são muitas – ambas centenárias, nascidas a partir da mineração febril de outros tempos, ambas encarapitadas em colinas; o mesmo profundo sentimento religioso, o mesmo povo fechado à primeira vista e amável e hospitaleiro quando reconhece um irmão de alma. Uma diferença: na cidade brasileira as portas e janelas são coloridas, verdes e azuis; aqui, têm o negrume da morte. Uma certeza: se eu fosse mexicana, em Taxco haveria de ter nascido!

Tão logo chegamos, nosso grupo foi recebido pelas autoridades locais e nos foi oferecido um coquetel – uma luxúria de cores e sabores locais. Em seguida, serviram-nos um delicioso almoço, que descrevo no próximo post.

Assim que terminei o almoço, separei-me do grupo – para ter maior agilidade – e percorri as ruelas e becos de Taxco até a exaustão. Não resisti e comprei algumas belas peças de prata – colares e brincos. Na verdade, eu quis comprar muito, muito mais, pois tudo o que vi me encantou. Fiquei tão maravilhada com Taxco que não resisti e, apesar deste ser um blog de culinária, fiz um documentário fotográfico que apresento a vocês. Observem a beleza do barroco colonial mexicano, a fisionomia das pessoas, o colorido artesanato e uma peculiaridade: Taxco é a capital mundial dos fuscas. Curtam as fotos!

 

Férias no México I

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A tequila, os “mariachi” e os tacos são internacionalmente conhecidos como símbolos da cultura do México. O mexicano é alegre e hospitaleiro por natureza e adora festa com música, dança, comida farta e bebidas fortes. A gastronomia é rica e variada, apresentando uma culinária genuinamente diferente, baseada nos produtos locais, conforme a região do país.

Na Cidade do México estive em diversos restaurantes e aqui apresento o mais típico deles, onde participamos de uma alegre e coloridíssima festa com os românticos “mariachi” acompanhados de dançarinos em belas roupas típicas. Quem me conhece já sabe: não me fiz de rogada, ao primeiro convite pulei para o palco e dancei até o show terminar!

Restaurante Arroyo

Fundado em 1940 por Dom José Arroyo e Doña Maria Aguirre Arroyo, no mesmo endereço que hoje ocupa na Avenida Insurgentes, 500, este restaurante típico mexicano tornou-se uma autêntica lenda viva. Há mais de 70 anos a família tem cuidado pessoalmente de atender a freguesia com esmero e carinho e por lá já passou gente famosa de todo o mundo. A tradicional “barbacoa de borrego” ( para nós mineiros trata-se do conhecido torresmo) que fez a casa conhecida desde os primeiros anos, continua a ser feito à vista do visitante e servido com uma boa tequila. Senti-me em casa, como se comesse torresmo com cachaça no interior de Minas Gerais.

A comida típica do alto planalto mexicano oferece carnes de excelente qualidade, sendo mais comum as de porco, frango e cordeiro, seguida da de boi. Os molhos são à base de tomate,alho, cebola, muita (mas muita mesmo) pimenta e diversos ingredientes que são extraídos dos cactus, abundantes na região. Apresentando-me como a responsável por este já conhecido blog internacional, consegui uma atenção especial do chef do Restaurante Arroyo para me passar algumas receitas. Até ensaiei escrevê-las, mas logo desisti, pois as receitas são bastante elaboradas e tomam muito tempo para serem devidamente feitas e os ingredientes para os indispensáveis molhos são impossíveis de se encontrar fora no México. Quem quiser degustar a gastronomia mexicana tem que ir ao México – nada mal, pois amei o país. Recomendo!

“Chucho” Arroyo, o simpático e onipresente responsável pelo restaurante e neto dos fundadores, ampliou a infra-estrutura da casa que hoje conta com espaço suficiente para atender quase mil pessoas, sem perder a qualidade do atendimento e da comida. Além do excelente espetáculo de música e dança típicas, ainda há outras distrações para as famílias mexicanas e turistas: uma praça de Toros! Visite, vale a viagem!