Durban 1 – Cargo Hold com tubarões

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Imagine-se jantando no porão de um velho galeão tendo à sua volta imensos tubarões! Pois isto é possível em Durban. No extremo sul das praias da cidade, próximo ao centro, em uma ponta de terra entre a praia e o porto, fica um interessante ponto turístico com diversas atrações, como o uShaka Marine World, um parque temático dedicado às maravilhas marítimas, lojas e restaurantes. É um lugar muito agradável de se passear a qualquer hora do dia, inclusive à noite, pois é bastante seguro. Entre as diversos opções gastronômicas escolhemos o restaurante que fica dentro do antigo barco, não somente por ser pitoresco jantar na companhia de tubarões, arraias e outros peixes incríveis como já sabíamos que a comida era bem feita, farta e oferecida a um bom preço. Pelo cardápio constatamos que a especialidade da casa é mesmo os frutos do mar, que oferecem em diversas combinações. Confira:

 

Frutos do mar grelhados

Meu olho cresceu quando vi o prato de lagostas, camarões, mexilhões e mariscos que serviram aos nossos amigos que já estavam na mesa do restaurante Cargo Hold quando chegamos. Sorte nossa encontrá-los ali, pois a fila de espera era grande. Gentilmente dividiram conosco este primeiro super farto prato bonito e aromático e depois dividimos com eles o que pedimos em seguida. Assim comemos, fizemos um intervalo e comemos de novo! Foi uma ótima experiência, pois enquanto esperávamos calmamente o recomeço, degustamos um excelente Sauvignon Blanc, evidentemente sul-africano e nos serviram (sem cobra nada!) deliciosos petiscos com sabor de mar.

 

Gulosa? Sim, confesso que sou. Aprecio tanto cozinhar como também comer bem. Porém mantenho o mesmo peso ideal a vida toda. O segredo é um só: mesmo que tenha vontade de devorar algo delicioso, mantenha o controle: coma sempre pouco! A gente acostuma…

Trancoso 3 – Uxua

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Este é um dos restaurantes do Quadrado que tem mesas rústicas na areia e música ao vivo. Diga-se de passagem que a música dentro do Quadrado estava confusa. Não discuto o tipo de música (popular, claro) nem a qualidade do cantor. O problema é que cada restaurante contrata o seu voz e violão e fica a disputa de quem coloca o som mais alto. Escuta-se de 3 a 4 músicas diferentes ao mesmo tempo!!! Evidente que aqui desconsiderei o conforto, pois trata-se de um blog de gastronomia e resolvi me ater, nestes comentários, apenas ao sabor e apresentação dos pratos. Escolhemos 2 pratos para 3 pessoas e foi o suficiente. O preço é dos mais baratos do pedaço. E o serviço, embora amador, conta com a simpatia natural do baiano.

Frutos do mar com arroz negro

Considero um prato sofisticado e embora a apresentação não tenha ajudado, de sabor estava excelente. Imagino que foi feito como um risoto, pois o arroz absorveu o gosto dos frutos do mar e estava macio e saboroso, embora de sabor predominante. Para sua sorte, já publicamos um risotto ai frutti di mare delicioso aqui no blog. Portanto, basta trocar o arroz carnaroli por arroz negro. No entanto, vai a dica: misture os dois tipos de arroz, a apresentação fica melhor e o gosto do arroz não briga com o dos frutos do mar. No caso do Uxua, serviram: lagosta, camarão e lulas, de excelente qualidade.

Badejo com crosta crocante e purê de abóbora

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O tempero do peixe estava ótimo e o fato de ser grelhado envolto na crosta deu um toque especial: crocante por fora e macio por dentro. Você pode variar a crosta no qual envolverá o peixe antes de leva-lo à frigideira para fritar. A básica é a que chamamos de empanar o peixe: passa-se o filé – já temperado – na farinha de trigo ou de rosca e depois frita-se, no fogo baixo, com um fio de azeite da melhor qualidade. Pode-se passar no ovo batido antes de passar na farinha – o que chamamos de milanesa. Para quem não tem prática, cuidado, vá treinando antes das visitas chegarem. Opções legais são as de misturar gergelim triturado à farinha de rosca. Ao invés de gergelim, tente triturar castanha do pará ou do caju, fica uma delícia. Está na moda misturar quinoa. Outra crosta ótima é de broa de fubá torradinha e triturada. Também tem a de biju de milho e pode ser também a de fubá puro. Experimente e invente! Oportunamente faremos alguma receita de peixe desta maneira, aguarde.

A gente se esquece do purê de abóbora, mas como é gostoso! Dê um descanso para o seu purê de batata de sempre e passe a fazer purê de baroa, de abóbora moranga, de inhame, de aipim…

Deram um colorido com rúcula no prato, o que deu muita graça e frescor.

Trancoso 2 – Capim Santo

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A história do Restaurante e da Pousada Capim Santo começou no Quadrado de Trancoso com um casal e dois filhos que amavam natureza e gastronomia, há quase trinta anos. A filha foi estudar na Europa, formou-se no Cordon Bleu em Paris e, na volta, fundou o Capim Santo em São Paulo. Hoje é uma Chef famosa e faz um belo trabalho de ensino e divulgação da gastronomia saudável. Veja o site www.capimsanto.com.br, vale a pena.

O ambiente é o mais agradável do Quadrado. A Pousada e o Restaurante ficam no meio de um lindo jardim. Enquanto, em pleno inverno baiano – 3a. semana de julho – os outros restaurantes estavam vazios, o Capim Santo lotou a certa hora. Excelente atendimento e música ao vivo de muito bom gosto. É um lugar para encontrar amigos e estender a conversa até as luzes se apagarem. Lá a gente esquece da vida.

Bem, vamos ao cardápio. Variações em torno do capim santo? Tudo! Da entradinha à sobremesa. Os coquetéis são um destaque da casa. Tomamos a liberdade de divulgá-los para vocês. Achei as misturas um tanto estranhas, mas sou radical a ponto de tomar whisky puro, sem gelo, para não estragar o gosto da bebida original.

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Como a proposta da nossa viagem à praia era a de apreciar os frutos do mar, escolhemos:

Lagosta grelhada

Vieram três lagostas pequenas para uma pessoa, o que considero farto. Pedimos para trocar a salada por legumes. Esqueceram, se desculparam, perguntaram se queríamos trocar e nos trouxeram batata salteada. Vai a lição: eu que já comandei restaurante por quase dez anos, aconselho: não tente mudar o prato do cardápio, o cozinheiro foi treinado para fazer o que está no menu e se atrapalha quando saímos do habitual.

Não tem segredo apresentar bem este prato: 1- lagosta sempre tem que estar fresquíssima (esqueça a ideia de degustar uma boa lagosta em Minas) ; 2 – a melhor maneira de fazer é mesmo na grelha rústica de ferro, direto sobre o fogo; 3 – o melhor tempero – o que inclusive foi servido – é manteiga com ervas; prepare a misturinha e, à medida que for cozinhando, vá regando a lagosta, já aberta ao meio. Estava excelente! 4 – não deixe a lagosta passar do tempo de cozimento, fica borrachuda.

Badejo com cebola roxa caramelizada e purê de aipim

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Peixe fresco em praia é sempre a melhor pedida, pensei. Eu quero! O molho de cebola caramelizada que veio sobre o badejo estava ótimo. Porém, é bem doce e colocado sobre o peixe anulou o sabor do pobre coitado. Tentei separar, mas o peixe revelou-se insosso, sem tempero. O purê de aipim também estava sem tempero, mas misturado com a cebola ficou bom. Lição: peixe tem sabor delicado, não dá para servir com molho de sabor muito intenso, por melhor que seja. Apresentação bem cuidada, estilo gourmet, veja a foto e copie.

Detalhe que conta: preço justo – se comparado aos outros restaurantes do mesmo nível em  Trancoso. Os restaurantes do Quadrado e das melhores pousadas, apesar de simples e rústicos, nivelam-se em preço aos melhores restaurantes das grandes cidades do mundo.

Moqueca – baiana ou capixaba?

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Que nos corrijam os nativos das praias da Bahia e do Espírito Santo: a moqueca baiana tem dendê e leite de côco e a capixaba tem só leite de côco, ou não? E peixada. É a mesma coisa? Pra nós, peixada é a feita com peixe de rio.

Bem, na nossa casa a gente faz moqueca sem dendê e com leite de côco.

Moqueca pode ser de peixe ou de camarão. Ou dos dois, misturada. Pode ser também de lagosta e de siri.  A primeira vez que  provei moqueca foi em Salvador, eu tinha 16 anos e me apaixonei perdidamente pela culinária baiana. A moqueca baiana ganhou fama com Gabriela, a do Cravo e Canela, preparando, lascivamente, uma moqueca no filme homônimo.

Moqueca de peixe com camarões

Não tem segredo, é muito fácil de fazer. Também não tem medida, é no olho mesmo.  Hoje vamos fazer moqueca com robalo, que é um peixe de mar de excelente qualidade junto com camarões – é a nossa preferida. Feliz de quem tem uma panela de barro curtida, que é o meu caso, comprada há anos no Mercado Modelo de Salvador. Empresto, mas só se for pra cozinhar na minha casa mesmo.

Só para ter ideia de quantidade: para 6 pessoas compre 1,5 kg de peixe e 1 kg de camarão descascado. Peça ao peixeiro para limpar e cortar o peixe em postas.

Vai precisar de aproximadamente 1kg de tomate  bem maduro, 2 cebolas grandes;  metade de cada pimentão, se quiser colocar do verde, do vermelho e do amarelo para deixar a moqueca colorida,  3 a 4 dentes de alho e um raminho de coentro. Uma garrafinha de leite de côco é o suficiente para dar um leve sabor especial, sem deixar gosto de côco.  Um bom azeite de oliva é fundamental (deve usar, no máximo, uma xícara de chá).  É recomendável fazer a moqueca com duas horas de antecedência da hora que for servir, pois se deixar descansar por, pelo menos, uma hora, o sabor fica muito melhor, pois o peixe pega o gosto do caldo.

Limpe os camarões, tirando casca e tripa. Tempere o peixe e os camarões com sal e limão. Enquanto pega tempero, corte os tomates em cubos e fatie as cebolas, o alho e os pimentões. Pique o coentro, vai precisar de 3 colheres de sobremesa cheias.

Se tiver uma panela bem grande, ótimo, porque é bom fazer a moqueca em uma só camada, para que cozinhe por igual e ainda evita que parta as postas na hora de servir. Se só tiver panela média, paciência, vai ter que usar mais de uma.

Agora forre o fundo da panela com azeite, depois faça uma “caminha” com  a metade dos tomates, cebola, alho, pimentões e coentro. Coloque as postas do peixe e por cima os camarões. Cubra com o restante dos ingredientes e torne a regar com o azeite. Tampe a panela e deixe no fogo forte até que dê caldo, então despeje o leite de côco e balance a panela. Abaixe o fogo e vigie até perceber que o peixe está branquinho e macio. Nunca ponha água, nem precisa. Prove o tempero. Retire um bocado de caldo com uma xícara e neste caldo coloque pimenta e mais sal, se precisar. Torne a balançar a panela, para o tempero misturar.  Se mexer, corre o risco de partir as postas. Se  tiver deixado a moqueca descansando, esquente na hora de servir. Acompanha arroz branco.

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