Vinícola Palacio de Canedo

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Iniciamos o trecho mais cansativo – e mais bonito – do Caminho de Santiago com uma longa caminhada morro acima até o ponto mais alto do caminho francês, onde fica a emblemática Cruz de Ferro. Chegamos bastante cansadas mas a recompensa que veio a seguir valeu o dia: entramos na Galícia! A paisagem de montanha é linda! O verde claro brilhante das pastagens contrastando com o verde escuro das matas, o ondulado das serras de cor azul arroxeada ao longe e a amplidão do céu de um azul claro, puro e diáfano. Lembra Minas Gerais! Entendi então porque tantos galegos colonizaram a nossa terra mineira – acharam do lado de lá do Atlântico uma terra parecida com a deles.

Ao meio dia nos apresentamos para a esperada visita à vinícola mais famosa do Norte da Espanha. Contam que Prada a Tope, até então um jovem playboy milionário comprou, em 1987, o Palácio de Canedo e as terras vizinhas, que já produziam vinhos desde 1730, mas a esta época em franco declínio. Pois o rapaz se revelou um grande empreendedor – reformou o palácio transformando-o em um amplo restaurante e uma luxuosa pousada e revolucionou o plantio das uvas, trazendo para a região o conceito de agricultura orgânica. Hoje produz vinhos – região de El Bierzo – reconhecidos e premiados internacionalmente e o famoso espumante Xamprada, produzido pelo método champanoise ou cava, como se diz na Espanha. Além de diversas uvas, cultiva e vende produtos fabricados na fazenda como as conservas e geleias de pimentão, de marmelo, de castanhas e de figo. Além disto, a Fundação Prada a Tope tem uma reserva onde planta árvores de várias espécies e desenvolve um trabalho didático com os jovens da região. Fiquei encantada com tudo. Visite o site http://www.pradaatope.es.

Nosso grupo de peregrinas, formado por 25 mulheres integrantes das Caminhantes da Estrada Real (hoje somos 76) , foi recebido por Flor, a simpática e bonita esposa de Prada, que nos encaminhou a um salão de belíssima decoração do século XVIII para a degustação. Para acompanhar os vinhos – um branco e um tinto – foram servidos mini grissinis e um fantástico tira-gosto de cecina (carne de vaca maturada) recheada com foie gras e geleia de marmelo. Adorei!

Em um dos salões do luxuoso restaurante fomos anfitrionadas pelo famoso Prada a Tope – um homem alegre, afável e divertido. Uma equipe muito atenciosa e simpática serviu-nos preciosos vinhos e várias entradas, entre as quais queijo de cabra com geleia de pimentão, foie gras com geleias de marmelo e de figo, carpaccio de cecina e lacón com pimentões assados ( foto principal)

Como prato principal foi servido o famoso Cocido Maragato da região. E de sobremesa, peras ao vinho. Note que todos os produtos servidos foram produzidos na fazenda.

Após o inesquecível almoço, seguimos para uma didática e demorada visita à vinícola, à fábrica de produtos alimentícios e aos vinhedos e pomares. Ao anoitecer, antes de seguirmos para Ponferrada (a 30 minutos de carro) , não resisti e comprei vinhos, conservas e geleias para toda a família na atrativa loja da vinícola.

Burgos – Beringela ao melaço com queijo de cabra

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Iniciamos o percurso do Caminho de Compostela em Burgos, na província de Castela e Leão, situada ao centro norte da Espanha. Esta aprazível cidade, fundada em 884,  é famosa pela belíssima e imponente catedral gótica que domina o horizonte. Ao seu redor está o Centro Histórico, uma área de pedestres cheia de cafés, restaurantes e lojinhas para turistas. Passear por suas ruas antigas, a pé ou de bondinho, revigora a alma e nos presenteia com um banho de cultura.

O tradicional e elegante restaurante El 24 de la Paloma foi o escolhido para o nosso primeiro jantar – um sofisticado menu acompanhado de excelentes vinhos. Veja o cardápio feito especialmente para o nosso grupo:

Entradas: camarão crocante ( envolto em fios, como os de doces árabes), cecina de Leon ( é como se fosse presunto cru, na Espanha chamado de jamon, só que é de carne de boi ao invés de porco) ao aroma de arbequina e lâmina de beringela com queijo de cabra ao molho de melaço de cana.

Segundo e terceiro pratos: Peixe branco (um tipo de bacalhau lá chamado de merluza) ao molho verde (coentro) e berberecho galego ( um tipo de marisco).  Entrecot de vaca com as famosas pimentas verdes Padrón ao azeite de enebro ( zimbro).

Sobremesa: Torta e sorvete de maçã.

Escolhemos uma receita simples e deliciosa – a combinação entre os três sabores é perfeita – que você pode fazer com ingredientes encontrados no Brasil:

Lâmina de beringela com queijo de cabra ao molho de melaço de cana (foto principal)

O queijo de cabra é uma especialidade desta região da Espanha, sendo encontrado em várias versões, conforme o tempo de cura e os ingredientes que lhe são acrescidos, como ervas.

Para conseguir que as lâminas de beringela fiquem tão clarinhas a dica é tirar, na ponta da faca, a casca da beringela e imediatamente colocá-la imersa em uma bacia com água. Usando de uma mandolina ou de sua habilidade, corte a beringela – sem retirá-la de dentro da água – em lâminas bem finas. Troque a água, sempre fria, por três vezes para tirar qualquer amargor.  À parte, esquente água em uma panela funda, acrescente sal e um pequeno buquê garni ( amarrado de ervas frescas). Coloque as lâminas e deixe aferventar por 2 a 3 minutos. Teste se estão macias, retire-as e deixe-as secar sobre um pano seco. Enrole-as e reserve.

Para fazer o melaço, o mais fácil é comprar uma rapadura de cana de boa procedência. Derreta um pedaço, ao fogo,  em um pouco de água  até obter a consistência de calda. Retire a calda da cor de caramelo, deixando um pouco na frigideira para, apurando o ponto, conseguir um tom amarronzado – cuidado para não queimar! Esta calda mais escura servirá para dar o toque final.

Arme os pratos (refratários) individualmente – veja a foto. Um pouco antes de servir, leve-os ao forno a 180 graus só para gratinar. Assim que o queijo começar a derreter, está pronto!