Peixe à cambojana

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Desde gerações passadas, nossa família adora sair pelo mundo conhecendo novas culturas. Hoje o mundo está ficando todo igual, entramos em um shopping, são as mesmas lojas, as mesmas marcas. De repente, achamos que estamos ali ao lado da nossa casa. Porém, há traços marcantes em cada cultura dos quais cada povo se orgulha e defende a unhas e dentes. O mais visível e ainda possível de tocar, cheirar e provar, é a culinária. Uma experiência gastronômica em outras terras é sempre gratificante e enriquecedora.

A filha casada chegou do Camboja trazendo novidades, presentes, fotos e…ingredientes! Queria repetir para nós, mãe e irmã blogueiras – e, por tabela, para o nosso público – um prato típico que lá provou e adorou. Fomos jantar na casa dela e passamos uma noite muito agradável. Compartilhar o ato de cozinhar com as filhas é uma experiência inigualável.

Compartilhamos nosso jantar com vocês, prepare-o em casa para a sua família e amigos e receberá muitos elogios. 

Amok fish cambojano

Trata-se de um peixe de água doce que é temperado com uma mistura à qual dão o mesmo nome do peixe: Amok. É uma receita Khmer, ou seja, tradicional do antigo reino que ali existiu antes do Camboja de hoje. Por aqui, o peixe mais semelhante e fácil de encontrar é o surubim. Considere 150 gr. por pessoa e compre um bom filé já limpo. A receita seguinte é para 4 pessoas.

Tem um detalhe importante: o peixe é cozido à vapor dentro de uma forminha feita com folha de bananeira. Providencie, então, uma folha grande e larga – mesmo que seja para dar uma voltinha na estrada mais próxima e apanhar uma no mato. Lave muito bem a folha. Coloque-a sobre a bancada e com a ajuda de um prato de sopa emborcado para baixo como molde e uma faca de ponta fina, recorte no mínimo 8 discos – veja na primeira foto acima o disco cortado sobre o prato. Depois passe os discos de folha de bananeira ligeiramente na água quente para perderem a rigidez, a fim de dobrarem-se com facilidade. Para fazer as forminhas, acompanhe as fotos acima: dobre de 2 a 2, cada disco em um sentido da fibra da folha – isto é , observe as fibras, se um disco ficar com as fibras na horizontal o outro fica sobreposto com as fibras na vertical. Dobre ligeiramente, sem vincar, em três partes, com as bordas para cima. De cada lado, faça uma dobrinha e depois outra e outra, como pacote de presente. Prenda com um palito. Está pronta a “canoinha” para cozinhar o peixe. Providencie uma panela larga e uma peneira para colocar as canoinhas que serão cozidas no vapor ( banho-maria).

Para o molho do peixe, separe: 1 xícara de leite de côco, 1 colher de sopa bem cheia de açúcar mascavo, 2 ovos, 1 dente de alho bem socado, 1 colher de café de sal e os temperos especiais – 1 colher de sopa de molho de peixe ( encontra-se em mercearias orientais) e 1 colher de sopa do tempero de nome Amok Powder.

Bata primeiro os ovos, só para misturar as claras com as gemas e depois junte todos os demais ingredientes, sendo o último o leite de côco. Misture bem.

Corte o peixe em cubos de 3×3 cm. e tempere-o com o molho. Deixe descansando por quinze minutos. Divida o peixe em quatro partes e encha as canoinhas.

Coloque-as para cozinhar no vapor. Primeiro coloque no fogo alto, assim que a água ferver, deixe o fogo no mínimo. Deve cozinhar por aproximadamente 45 minutos. Após 30 minutos, confira o cozimento. Antes de tirar as canoinhas da panela, verifique, com um palito, se o peixe está macio.

Para acompanhar, o usual no Camboja é arroz branco cozido na água com sal. Porém, a filha é sofisticada e cozinhou, na água com sal, um arroz 7 grãos. Deixou 2 colheres de passas pretas hidratarem em ½ xícara de vinho branco e, ao final do cozimento, juntou ao arroz. Ficou delicioso! Para servir, desenforme-o usando um recipiente redondo (veja dica).

Meu genro escolheu um perfeito Sauvignon Blanc sul-africano para acompanhar o peixe. Caiu super bem!

Se quiser tentar preparar o Amok Powder em casa, os ingredientes são estes:

Talo de capim limão moído(ou capim santo), folhas de kaffir ( folha de limão Kaffir – pode ser desidratada), páprica, cúrcuma, galangal (da família do gengibre) e gengibre chinês. Tente achar em lojas de produtos alimentícios orientais. Possivelmente os nomes estarão em inglês: lemon grass, kaffir leaves, paprica, galangal, curcuma e finger root. A apresentação final é um pozinho fino marrom claro, da cor de cominho, menos amarelado que o curry.

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Capetown 3 – Karibu South Africa Dining

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Para quem mora em Belo Horizonte como nós, uma cidade mundialmente famosa pela quantidade de bares e restaurantes – mais de 16 mil estabelecimentos para 2,4 milhões de habitantes – estranha que aqui na África do Sul não existam bares ( como os nossos) e os restaurantes se acham restritos à área turística. Isto se deve ao fato dos nativos não terem o hábito de se alimentarem fora de casa. Tanto que só se vê nos restaurantes turistas e um ou outro grupo de executivos recebendo convidados estrangeiros.

Em Capetown, os restaurantes estão concentrados na área do antigo cais do porto, onde um cartaz de propaganda no Victoria & Albert Waterfront anuncia uma ampla área de alimentação onde se pode escolher o que comer entre 80 diferentes tipos de comida, que vai de fast-food a restaurantes de luxo apresentando a gastronomia de dezenas de países. Depois de percorrer mais de trinta restaurantes lendo os cardápios expostos na porta, escolhemos o que avaliamos ser o melhor – o Karibu South Africa Dining – tanto pela luxuosa decoração como pelo fluxo de pessoas – era o único praticamente lotado enquanto muitos outros estavam às moscas. Tomamos assento e logo chegou um coral de vozes masculinas que nos ofereceu um belo espetáculo. Passamos a analisar o cardápio. O restaurante oferece uma boa variedade de pratos típicos da África do Sul, como caças, cordeiro e frutos do mar. Escolhemos cordeiro da região de Karoo, especialidade da casa, em duas variações recomendadas.

Costeleta de cordeiro ao molho Karibu com batata salteada

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O famoso molho da casa do qual guardam segredo é um molho tipo barbecue, denso e temperado, feito na base de tomate com gosto de ketchup e, ao que me pareceu, temperado com ervas aromáticas, como hortelã e alecrim e um tanto caramelado. Vamos tentar reproduzi-lo em casa, quem sabe chegamos perto?

A costeleta, assada provavelmente por muitas horas, pois estava tenra, veio envolta no molho Karibu. Achei uma boa ideia servir a batata junto e ao mesmo tempo, à parte, pois caso contrário ficaria suja com o molho. A batata, cujo preparo chamam de wedge é impossível de ser reproduzida em casa, pois precisa de equipamento de uso industrial. Faça-a como a batata salteada que já publicamos, porém sem cheiro verde. Para arrematar, uma grossa fatia de tomate grelhado e um maço de salsa laçada com talos de cebolinha. Bela apresentação. Sabor? Delicioso!

Cordeiro ao molho secreto com arroz de açafrão

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Neste prato de cubos de cordeiro assado o grande lance é também o molho. No cardápio só diz que trata-se de um molho secreto que vem sendo preparado a gerações. Impossível de descobrir-se o que leva, quando muito, percebemos que o sabor a destacar-se é o do tamarindo e da pimenta zimbro. Simplesmente divino! O arroz deve ter sido preparado colocando-se um pouco de açafrão, curry e cominho na água do cozimento e finalizado com passas. Acompanhamento perfeito para cordeiro e carnes adocicadas.

V&A Crème Brûlée ( veja foto de destaque no topo da página)

De comer de joelhos! O creme veio com uma crosta de morangos e berries caramelizada. Ao lado, um copinho com Amarula, o famoso licor sul-africano. Aí quebra-se a crosta e vai-se derramando o licor aos pouquinhos. Hum… se um dia eu me tornar chef de verdade esta sobremesa será o meu cartão de visitas!